Eduardo Bolsonaro atua para barrar diálogo de senadores com autoridades dos EUA sobre tarifaço
Eduardo Bolsonaro e a estratégia para isolar o Brasil internacionalmente
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a ser o centro das atenções no cenário político nacional e internacional. Em declarações recentes feitas nos Estados Unidos, o parlamentar admitiu estar trabalhando ativamente para impedir que uma comitiva de senadores brasileiros estabeleça diálogo com autoridades norte-americanas. O foco principal da missão dos senadores é negociar o fim de medidas comerciais e diplomáticas impostas pelos EUA contra o Brasil — um movimento considerado essencial para a recuperação da imagem do país no exterior.
A atuação de Eduardo Bolsonaro, nesse contexto, levanta sérias preocupações sobre interferência nas relações exteriores e reforça o isolamento diplomático do Brasil em um momento crítico, marcado por sanções impostas a autoridades brasileiras e desgaste nas relações bilaterais.
A missão da comitiva brasileira nos EUA
O grupo de oito senadores embarcou para Washington com o objetivo de tentar reverter sanções adotadas pelo governo norte-americano, como a suspensão de vistos diplomáticos de autoridades brasileiras, medida anunciada em 18 de julho de 2025. A comitiva pretende promover encontros com representantes do Congresso dos EUA e outras autoridades para defender que o Brasil está comprometido com a democracia e os direitos humanos.
Essa ação diplomática foi vista por setores do Congresso Nacional como uma tentativa legítima de reconstruir pontes diplomáticas abaladas por episódios recentes envolvendo acusações de autoritarismo contra membros do governo e decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF).
Eduardo Bolsonaro contraria missão oficial e amplia o atrito
Durante evento realizado em Miami — a Cúpula Conservadora do Brasil — e com ampla presença de brasileiros residentes nos EUA, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua atuação visa minar os esforços da comitiva, garantindo que os parlamentares não consigam diálogo com interlocutores norte-americanos.
Segundo ele, o Brasil vive uma “crise institucional”, e a tentativa de restabelecer as relações comerciais seria uma forma de “legitimar um regime autoritário”. Eduardo declarou que considera o STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, responsável por uma condução autoritária do país, comparando o atual cenário brasileiro à ditadura venezuelana.
Interferência direta e ataques à democracia
As declarações de Eduardo Bolsonaro causam preocupação, sobretudo por virem de um parlamentar federal licenciado que tem livre acesso a círculos políticos internacionais e, ao mesmo tempo, está sendo investigado por suposta participação em atos antidemocráticos. A tentativa de bloquear articulações diplomáticas oficiais pode ser interpretada como ato de sabotagem institucional, configurando interferência grave em temas sensíveis da política externa brasileira.
Além disso, Eduardo indicou esperar que novas sanções dos EUA contra autoridades brasileiras sejam anunciadas, mencionando a Lei Magnitsky — instrumento jurídico norte-americano que permite aplicar sanções a estrangeiros acusados de corrupção ou violação de direitos humanos.
Eduardo Bolsonaro e a expectativa de novas sanções internacionais
Eduardo Bolsonaro afirmou publicamente que o ministro Alexandre de Moraes pode estar na mira de sanções por parte do governo norte-americano, seja por meio da Lei Magnitsky ou por inclusão em listas como a OFAC (Office of Foreign Assets Control), ligada ao Departamento do Tesouro dos EUA. Essa movimentação sinaliza uma possível tentativa de pressionar autoridades brasileiras via instâncias internacionais, contribuindo para a tensão entre os Poderes no Brasil.
Na prática, essa postura joga contra a diplomacia institucional do Brasil, uma vez que dificulta o diálogo com autoridades internacionais, prejudica negociações comerciais e compromete o prestígio do país perante a comunidade global.
Conta bancária bloqueada e alegações de perseguição política
Eduardo Bolsonaro também relatou dificuldades pessoais durante a entrevista. Disse que está sendo alvo de um inquérito que pode resultar em até 20 anos de prisão. Além disso, afirmou que ele e sua esposa tiveram suas contas bancárias congeladas, o que, segundo ele, seria reflexo da perseguição do Judiciário brasileiro contra opositores.
Tais declarações reforçam a narrativa de vitimização, comum entre os apoiadores da extrema-direita, e são utilizadas para justificar suas ações políticas como supostos atos de resistência. No entanto, para críticos, essa postura mina o sistema democrático e fomenta o descrédito nas instituições nacionais.
“Estamos em guerra”: o discurso radical de Eduardo Bolsonaro
A retórica utilizada por Eduardo Bolsonaro em sua fala aos jornalistas expõe um discurso radicalizado e polarizado. Ao afirmar que “estamos em guerra” e que “é tudo ou nada”, o deputado sinaliza o aprofundamento do confronto institucional, inclusive contra outros poderes da República e colegas do Congresso Nacional.
Essa retórica coloca o parlamentar em rota de colisão com as iniciativas do Legislativo e do Executivo que buscam o restabelecimento do equilíbrio institucional e a reconstrução da credibilidade internacional do Brasil.
STF e autoridades brasileiras mantêm silêncio
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal (STF) optou por não comentar as declarações de Eduardo Bolsonaro. A postura de silêncio também foi adotada por membros da comitiva de senadores, o que demonstra a cautela diante de um cenário político sensível e potencialmente inflamável.
No entanto, nos bastidores, cresce a preocupação com os impactos da atuação do deputado licenciado na imagem internacional do país e nas chances de avanço nas negociações com os Estados Unidos.
Contexto: relações bilaterais em tensão
O Brasil enfrenta, atualmente, um dos períodos mais delicados de sua política externa recente. Após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e os desdobramentos judiciais, os Estados Unidos adotaram uma postura mais firme em relação ao Brasil, suspendendo vistos de autoridades suspeitas de envolvimento com movimentos golpistas e monitorando de perto as decisões do STF e os atos do governo federal.
As tentativas da comitiva de senadores em Washington visam, justamente, demonstrar o compromisso das instituições brasileiras com o Estado democrático de direito e o respeito às normas internacionais. No entanto, a ação paralela de Eduardo Bolsonaro pode comprometer esses esforços, dificultando ainda mais a reconstrução das pontes diplomáticas com o país mais influente do mundo.
Atuação internacional de Eduardo Bolsonaro pode configurar violação institucional
Especialistas em direito internacional e relações exteriores alertam que a atuação de Eduardo Bolsonaro em solo estrangeiro pode configurar violação das prerrogativas institucionais brasileiras. Como deputado federal licenciado, ele não está no exercício formal do cargo, mas ainda representa parte do Congresso, e sua intervenção direta contra missão oficial pode ser interpretada como ato antirrepublicano.
Além disso, essa conduta pode intensificar a crise entre os poderes e abrir precedentes perigosos para ações paralelas de figuras públicas em desacordo com a linha oficial do Estado brasileiro.
Desdobramentos esperados e impactos políticos
O episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro e a comitiva de senadores em Washington deverá render desdobramentos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. É provável que haja reações no Congresso Nacional, no Ministério das Relações Exteriores e no próprio STF.
Internacionalmente, o comportamento do parlamentar pode ser lido como tentativa de desestabilização política, prejudicando a imagem do Brasil diante de investidores, governos e organizações multilaterais. Ao alimentar uma narrativa de caos institucional, Eduardo contribui para ampliar a insegurança jurídica e afastar possíveis parcerias comerciais estratégicas.
O posicionamento de Eduardo Bolsonaro contra a missão diplomática de senadores brasileiros nos EUA evidencia a polarização extrema que ainda marca a política brasileira. Ao interferir ativamente em negociações oficiais e endossar possíveis sanções contra o país, o deputado atua como um elemento desestabilizador no cenário internacional, dificultando os esforços institucionais de reconstrução de credibilidade e confiança.
A questão central agora é: até que ponto essas ações isoladas devem ser toleradas em um Estado democrático de direito?






