Tarcísio de Freitas confirma Felício Ramuth como vice na campanha à reeleição em São Paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que manterá Felício Ramuth (PSD) como seu vice na chapa de reeleição em 2026. A decisão oficial ainda depende de um encontro com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, secretário estadual de Governo, previsto para ocorrer nesta semana, segundo interlocutores próximos ao chefe do Executivo paulista.
Fontes do governo afirmam que o encontro inicial com Kassab foi agendado para a última segunda-feira, mas precisou ser adiado por questões de agenda. Já a comunicação a Valdemar ocorreu nesta segunda-feira, alinhando o cronograma político e permitindo que a definição do vice seja anunciada ainda este mês. A escolha visa também conciliar a agenda de campanha com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que será o candidato a presidente pelo partido, evitando conflitos de datas caso esteja nos Estados Unidos na ocasião.
Aposta na continuidade da gestão e articulação política
A permanência de Felício Ramuth na chapa frustrou a expectativa de Kassab e do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), que era cotado para a vaga. Prado, que participou de um evento recente no Palácio dos Bandeirantes, ao lado do vice, agora passa a ser sondado para disputar uma das vagas ao Senado. Essa movimentação evidencia a complexidade das negociações internas e o esforço de Tarcísio em garantir estabilidade política para sua candidatura.
O vice enfrenta desafios internos, principalmente pela possibilidade de resistência de Kassab em apoiar sua indicação de maneira plena. A manutenção de Ramuth na chapa depende da garantia de que ele poderá concorrer novamente sob a filiação ao PSD, embora partidos como MDB e PL sejam avaliados como alternativas estratégicas caso haja necessidade de mudança.
Valdemar Costa Neto, por sua vez, tem atuado intensamente na promoção de Prado, defendendo publicamente que o PL deveria ser contemplado na escolha do vice, em função da concessão da vaga na eleição passada. Tarcísio de Freitas, entretanto, mantém posição firme, afirmando que “não existe esse negócio de direito de partido” e reforçando seu capital político suficiente para tomar decisões autônomas sobre a composição da chapa.
Histórico de independência política de Tarcísio de Freitas
O governador paulista tem tradição de resistir a pressões externas. Exemplos recentes incluem a manutenção do secretário de Educação Renato Feder e do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite, mesmo diante de polêmicas que geraram forte pressão pública e midiática. Feder esteve envolvido em questionamentos sobre contratos da Multilaser durante sua gestão, enquanto Derrite enfrentou críticas relacionadas à atuação policial no estado.
Esse perfil independente reforça a estratégia de Tarcísio de Freitas de conduzir a definição de seu vice de maneira técnica e estratégica, priorizando a coerência administrativa e política em detrimento de pressões partidárias externas.
Desafios enfrentados por Felício Ramuth
Felício Ramuth convive com desgaste político devido a uma investigação em Andorra, relacionada a suspeita de lavagem de dinheiro, que resultou no bloqueio de US$ 1,4 milhão de contas atribuídas ao casal. Ramuth afirma que não há acusações formais e que os recursos são provenientes de atividades privadas anteriores à sua entrada em cargos públicos, devidamente declarados à Receita Federal.
No âmbito da Alesp, aliados de Prado mobilizaram deputados para redigir uma carta de apoio à sua candidatura ao cargo de vice, mas a iniciativa foi suspensa por receio de gerar interpretação como pressão sobre o governador. A movimentação evidencia a tensão política entre o controle partidário e a estratégia de continuidade administrativa de Tarcísio.
Perspectivas para a eleição de 2026 em São Paulo
Com a confirmação de Ramuth, a campanha à reeleição de Tarcísio de Freitas adota uma postura de estabilidade política, mantendo a confiança do eleitorado e a coerência administrativa. A escolha do vice integra uma estratégia maior de conciliação de interesses entre partidos aliados, figuras políticas de destaque e potenciais adversários, em um cenário eleitoral competitivo.
O anúncio da chapa completa será crucial para o planejamento da pré-campanha, garantindo a participação de líderes políticos relevantes e o alinhamento das agendas com as futuras movimentações eleitorais do PL e do PSD.






