Encontro de Lula com Trump: presidente brasileiro relata conversa inédita na ONU e planeja pauta positiva
O encontro de Lula com Trump durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, surpreendeu observadores políticos e abriu espaço para uma possível reaproximação entre Brasil e Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relatou nesta quarta-feira (24/09/2025) que a conversa, considerada improvável, aconteceu de forma casual, mas deixou uma impressão positiva em ambos os lados.
Segundo Lula, o diálogo pode ser o ponto de partida para uma “pauta positiva” entre os dois países, que vivem um momento de tensões diplomáticas marcadas por sanções econômicas impostas pelos EUA ao Brasil. O presidente brasileiro afirmou que não descarta a realização de uma reunião formal, seja por videoconferência, ligação telefônica ou até um encontro presencial nos próximos dias.
Lula fala sobre “química” com Trump
Durante coletiva na sede da ONU, Lula relatou que a conversa com Trump foi cordial e destacou que uma “química boa” surgiu entre eles. Para o petista, a relação pessoal entre líderes tem peso determinante no futuro das negociações bilaterais.
Ele explicou que acredita que 80% da relação humana é química e 20% emoção, destacando a importância da aproximação com o presidente norte-americano. “Eu torço para que dê certo, porque Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias do continente”, afirmou.
Pauta positiva Brasil-EUA
O encontro de Lula com Trump também foi marcado pela intenção do brasileiro de propor uma agenda construtiva. Lula destacou que Brasil e Estados Unidos possuem interesses em comum nas áreas comercial, empresarial, industrial, tecnológica e científica.
Ele enfatizou que não considera diferenças ideológicas como barreira para as relações entre países. Para o presidente, o objetivo deve ser a criação de um ambiente de cooperação, capaz de superar divergências e abrir espaço para investimentos e parcerias estratégicas.
Sanções americanas e expectativa de mudança
Um dos pontos centrais mencionados por Lula foi a expectativa de que Trump reveja sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. O presidente afirmou acreditar que parte das medidas se deve à qualidade das informações recebidas por Washington e que, com dados corretos, pode haver mudança de posicionamento.
Ele defendeu que tanto o Brasil quanto os EUA devem estar abertos a revisões de suas políticas quando confrontados com informações mais claras e atualizadas. A fala reforça o tom diplomático de buscar ajustes que favoreçam o comércio e a cooperação bilateral.
Otimismo apesar das tensões
Mesmo diante de um histórico recente de atritos diplomáticos, Lula demonstrou otimismo quanto à possibilidade de avançar no relacionamento entre os dois países. “Eu acredito muito no poder de convencimento das palavras”, afirmou ao comentar a expectativa para uma reunião oficial com Trump.
O presidente ressaltou que a conversa em Nova York pode ser o início de uma nova etapa, marcada por diálogo e busca de consensos, mesmo em um cenário de pressão política e econômica.
Respeito mútuo entre líderes
Questionado sobre o risco de constrangimento em uma reunião com Trump, como ocorreu no passado entre o ex-presidente norte-americano e o ucraniano Volodymyr Zelensky, Lula disse não ter preocupação. Ele reforçou que o respeito mútuo deve prevalecer, lembrando que ambos são líderes experientes e de idade avançada, o que favorece um tratamento mais equilibrado.
Lula afirmou que tratará Trump com o devido respeito enquanto chefe de Estado e espera a mesma postura do republicano em relação à presidência do Brasil.
Repercussões políticas
O encontro de Lula com Trump ganhou repercussão imediata na cena política nacional e internacional. Para aliados de Lula, a aproximação pode fortalecer a imagem do Brasil como ator diplomático relevante, capaz de dialogar com lideranças de diferentes espectros ideológicos.
Já para opositores, o gesto é visto como uma estratégia arriscada, dado o histórico de sanções e atritos recentes entre os dois países. Analistas ressaltam que a habilidade de Lula em construir pontes pode ser determinante para reduzir tensões e atrair benefícios econômicos.
O encontro de Lula com Trump na ONU marcou um momento simbólico da diplomacia brasileira. O gesto inesperado abre espaço para uma reaproximação entre as duas maiores democracias do continente e sinaliza a busca por uma agenda positiva que vá além de divergências ideológicas e disputas comerciais.
Com otimismo e aposta no diálogo, Lula espera transformar uma conversa casual em um processo de cooperação duradoura. A reunião oficial prevista para os próximos dias será decisiva para definir os rumos dessa relação e os possíveis impactos para a economia e a política externa brasileira.






