Exportação de carne bovina para os EUA fica inviável com tarifa de 50% imposta por Trump, alerta Abiec
Setor brasileiro prevê suspensão de embarques, renegociação de contratos e redirecionamento de mercados diante do impacto tarifário
A exportação de carne bovina para os EUA está sob ameaça direta após o anúncio da imposição de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump. A medida foi recebida com preocupação pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que representa grandes nomes do setor como JBS, Marfrig e Minerva.
O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que, com o novo cenário tarifário, torna-se economicamente inviável manter os embarques para o mercado norte-americano. Essa mudança abrupta nas relações comerciais impacta não só os contratos em vigor, como também os planos estratégicos de longo prazo do setor. Além disso, levanta incertezas quanto às cargas que já estão a caminho dos Estados Unidos.
Nesta matéria, você entenderá o impacto da nova tarifa na exportação de carne bovina para os EUA, as consequências para o setor, os possíveis mercados alternativos e os próximos passos da indústria brasileira diante da crise.
Tarifa de 50% compromete viabilidade da exportação de carne bovina para os EUA
A exportação de carne bovina para os EUA vinha em curva crescente, com os Estados Unidos ocupando a segunda posição no ranking de importadores da carne brasileira, atrás apenas da China. Contudo, a recente decisão do ex-presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil impacta diretamente essa relação.
De acordo com a Abiec, a nova alíquota torna inviável, do ponto de vista econômico, qualquer embarque futuro de carne bovina aos EUA. A indústria brasileira, que já havia firmado contratos importantes com o mercado norte-americano, agora precisa revisá-los ou suspendê-los, comprometendo todo o planejamento logístico e comercial.
Setor decide suspender produção destinada aos EUA
Diante da medida, as empresas representadas pela Abiec decidiram pausar, temporariamente, a produção de carne bovina voltada ao mercado norte-americano. A decisão visa evitar prejuízos imediatos, uma vez que os custos adicionais inviabilizam o lucro nas transações comerciais.
Com isso, a exportação de carne bovina para os EUA entra em estado de espera. A indústria aguarda possíveis negociações diplomáticas entre os governos brasileiro e norte-americano, ou mesmo uma revisão da medida por parte dos EUA, embora o setor esteja se preparando para um redirecionamento estratégico.
Cargas em trânsito e contratos ameaçados
Outro fator de preocupação levantado pela Abiec diz respeito às cargas que já foram enviadas ao território norte-americano antes do anúncio da tarifa. Ainda não está claro como essas cargas serão tratadas na entrada dos EUA, nem se sofrerão cobrança retroativa.
Além disso, diversos contratos firmados anteriormente — com base nas regras comerciais anteriores — precisarão ser revistos. A insegurança jurídica e comercial aumenta os riscos para os exportadores, que devem considerar cláusulas de força maior ou renegociação completa dos termos contratuais.
Impacto nos EUA: possível alta no preço da carne
O aumento da tarifa não afeta apenas o Brasil. Nos Estados Unidos, a decisão de Trump pode agravar um cenário já delicado de oferta reduzida de gado. Com menos carne brasileira disponível no mercado norte-americano, a tendência é de aumento nos preços da carne utilizada em produtos populares, como hambúrgueres, segundo especialistas do setor alimentício.
A interrupção da exportação de carne bovina para os EUA também pode estimular a inflação no setor alimentício norte-americano, gerando pressão sobre varejistas e consumidores.
Indústria brasileira busca novos mercados
A estratégia do setor exportador agora é redirecionar a carne bovina antes destinada aos EUA para outros mercados em crescimento. A Ásia surge como principal foco da indústria brasileira, com destaque para países como China, Coreia do Sul e Japão — estes últimos em processo de negociação com o Brasil.
A União Europeia também é uma alternativa considerada, embora o apetite europeu pela carne bovina brasileira não seja tão expressivo quanto o asiático. O Oriente Médio figura como mais uma possibilidade, devido à sua demanda consistente e já consolidada por proteína animal brasileira.
Ásia lidera nova rota de exportação de carne bovina brasileira
Diante da barreira imposta pelos EUA, a indústria nacional intensificará seus esforços para consolidar sua presença na Ásia. Com crescimento populacional, urbanização acelerada e aumento do poder de consumo, países asiáticos têm ampliado significativamente a importação de carne bovina.
Nesse contexto, a exportação de carne bovina para os EUA perde espaço estratégico, enquanto a Ásia assume papel central na política de expansão internacional das empresas brasileiras do setor.
Oriente Médio e novas frentes de negociação
Além da Ásia, o Oriente Médio continua sendo um mercado relevante para a carne bovina brasileira. As exigências halal são plenamente atendidas pelos frigoríficos do Brasil, o que facilita a entrada da proteína animal nesses países.
Ao mesmo tempo, o Brasil avança em negociações para abrir o mercado sul-coreano e japonês à carne bovina nacional, o que poderá compensar, ao menos em parte, a perda de participação no mercado norte-americano.
Consequências para o agronegócio brasileiro
A exportação de carne bovina para os EUA representa uma fatia importante do faturamento do agronegócio brasileiro. Com a suspensão temporária dos embarques, o setor precisa reavaliar metas de crescimento e reconfigurar suas estratégias logísticas e comerciais.
Além disso, a medida afeta também pequenos e médios produtores que operam na cadeia de fornecimento das grandes exportadoras. Com menor demanda para o mercado americano, a pressão sobre os preços pagos no mercado interno pode aumentar, afetando a rentabilidade de toda a cadeia produtiva.
Expectativas e próximos passos
A indústria brasileira, por meio da Abiec, pretende intensificar o diálogo com representantes dos EUA para buscar uma solução negociada que permita a retomada da exportação de carne bovina para os EUA. No entanto, há o reconhecimento de que essa negociação pode levar tempo e depender de decisões políticas complexas.
Enquanto isso, o setor já atua de forma proativa na expansão da presença em novos mercados, adotando políticas comerciais flexíveis e investindo em certificações, marketing e relações institucionais em países estratégicos.
O anúncio de uma tarifa de 50% por parte dos Estados Unidos representa um duro golpe na exportação de carne bovina para os EUA, forçando o setor a reagir com agilidade e inteligência estratégica. Ainda que a medida represente um revés imediato, o dinamismo do mercado global e a qualidade da carne brasileira oferecem caminhos viáveis para superação.
A crise também reforça a importância de políticas de diversificação de mercados e acordos bilaterais que assegurem previsibilidade e estabilidade para o agronegócio nacional. Diante da instabilidade geopolítica, a resiliência do setor exportador será testada mais uma vez.






