Federação partidária entre Solidariedade e PRD é aposta para 2026: o que está por trás da nova aliança política
A política brasileira se reconfigura mais uma vez com a formação de uma nova federação partidária entre o Solidariedade e o PRD, que será anunciada oficialmente nesta quarta-feira (25). O movimento é estratégico e visa contornar as mudanças nas regras eleitorais previstas para 2026, especialmente a cláusula de desempenho, que impõe novas exigências para o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita.
A federação surge em um momento crucial de rearranjo no Congresso Nacional, onde legendas médias e pequenas buscam garantir sua sobrevivência política e financeira em um cenário cada vez mais competitivo. Com essa união, Solidariedade e PRD pretendem unir forças não apenas para superar as barreiras institucionais, mas também para construir uma alternativa de centro no cenário eleitoral de 2026, distanciando-se dos polos representados por Lula (PT) e Bolsonaro (PL).
Conheça os objetivos da nova federação partidária, o contexto político que impulsionou sua formação, suas possíveis implicações para as próximas eleições e o impacto no tabuleiro político nacional.
O que é uma federação partidária?
Antes de aprofundar no caso específico de Solidariedade e PRD, é importante entender o conceito de federação partidária. Trata-se de uma união formal entre dois ou mais partidos que atuam como uma única agremiação política durante, no mínimo, quatro anos. Essa união implica em decisões conjuntas sobre candidaturas, estratégias eleitorais e funcionamento interno.
Diferentemente das coligações (extintas para eleições proporcionais), as federações são registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e exigem um estatuto unificado, com regras internas que definem sua governança, critérios de fidelidade partidária e divisão de recursos.
O que motivou a criação da federação entre Solidariedade e PRD?
A principal motivação para a criação da nova federação partidária é a tentativa de driblar a cláusula de desempenho que entrará em vigor com mais rigidez em 2026. Essa cláusula determina critérios mínimos de votação nacional e representação parlamentar para que os partidos tenham direito ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV.
Com o endurecimento das regras, partidos que não atingirem os percentuais exigidos perderão acesso a recursos essenciais para sua manutenção e visibilidade. Neste cenário, as federações tornam-se um caminho viável para legendas menores somarem votos e elegerem representantes suficientes para cumprir os requisitos legais.
Detalhes da aliança entre Solidariedade e PRD
A nova federação partidária nasce com uma base sólida: 10 deputados federais, um governador (Clécio Luís, do Amapá) e 138 prefeitos eleitos em 2024. A presidência da federação será ocupada por Ovasco Resende, um dos principais nomes do PRD, enquanto Paulinho da Força, deputado federal por São Paulo, assumirá a vice-presidência.
O acordo prevê que a documentação da aliança seja oficializada em cartório ainda nesta semana, com posterior envio ao TSE para formalização.
Consolidação e possíveis ampliações
Neste primeiro momento, a prioridade da federação será sua consolidação institucional e política. No entanto, há espaço para futuras ampliações. O PSDB, por exemplo, vinha mantendo diálogos com o Solidariedade antes da formalização da federação. A expectativa é que, com o avanço do projeto, novas legendas possam se juntar à união, ampliando ainda mais seu poder de barganha e presença no Congresso.
Segundo lideranças envolvidas, a federação deve manter conversas abertas com outras siglas que compartilhem de um modelo e posicionamento ideológico mais moderado e estejam interessadas em construir uma candidatura de centro para 2026.
Uma nova via para a eleição presidencial de 2026?
Além da sobrevivência institucional, a federação partidária entre Solidariedade e PRD tem ambições maiores. Os dirigentes das legendas estão alinhados na busca por uma alternativa ao dualismo que marcou as últimas eleições presidenciais, representado pela polarização entre Lula e Bolsonaro.
Há um consenso interno de que é necessário apresentar uma candidatura de centro, que dialogue com os eleitores moderados e represente um novo projeto para o país. Entre os nomes cogitados, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) é um dos que mais têm atraído apoio entre os membros da federação. Paulinho da Força, inclusive, participou do lançamento da pré-candidatura de Caiado à Presidência.
Essa estratégia de construir uma terceira via poderá reposicionar o Solidariedade e o PRD como atores centrais no debate político nacional, principalmente se conseguirem ampliar a federação com a adesão de outras legendas insatisfeitas com os extremos políticos.
Histórico recente das legendas envolvidas
Nos últimos anos, tanto o Solidariedade quanto o PRD (resultado da fusão entre PTB e Patriota) buscaram alternativas para fortalecer suas estruturas. O Solidariedade incorporou o Pros em 2023, enquanto o PRD unificou outras legendas em busca de musculatura eleitoral.
Essas movimentações permitiram acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda institucional, mas não foram suficientes para garantir a sobrevivência futura sem o cumprimento da cláusula de desempenho. Por isso, a formação de uma federação partidária passou a ser vista como a solução mais viável.
Repercussão no Congresso e na política nacional
A união entre Solidariedade e PRD pode influenciar outros movimentos semelhantes no Congresso Nacional. Siglas como União Brasil, PP e Republicanos também têm discutido a possibilidade de formar federações como forma de garantir relevância política e acesso a recursos públicos.
Com isso, o cenário político brasileiro poderá se reorganizar nos próximos dois anos em torno de grandes federações, substituindo o modelo pulverizado que marcou a política nacional nas últimas décadas. Essa mudança tende a favorecer a governabilidade e reduzir a fragmentação partidária, desde que acompanhada de uma agenda comum entre os partidos envolvidos.
Desafios para a federação partidária
Apesar do potencial estratégico, a formação de uma federação partidária também apresenta desafios. A principal dificuldade está na harmonização de interesses internos e na construção de uma identidade única, que represente todos os partidos federados.
As divergências ideológicas e os interesses regionais podem criar conflitos na hora de definir candidatos, alianças e posicionamentos políticos. Além disso, a obrigatoriedade de atuar como um só partido durante quatro anos exige um alto nível de articulação, diálogo e flexibilidade política.
Outro ponto importante é a relação com o eleitorado, que precisará compreender essa nova estrutura e suas implicações nas eleições. A comunicação da federação será essencial para apresentar sua proposta de forma clara e conquistar a confiança do público.
A criação da federação partidária entre Solidariedade e PRD representa um movimento estratégico no xadrez político brasileiro. Além de buscar o cumprimento da cláusula de desempenho para manter acesso a recursos públicos, a federação mira um protagonismo maior na eleição de 2026, com a construção de uma alternativa de centro capaz de quebrar a polarização atual.
Com dez deputados, um governador e mais de cem prefeitos, a federação já nasce relevante e pode ganhar ainda mais força caso consiga atrair novas siglas. Seu sucesso, no entanto, dependerá da capacidade de gestão interna, da construção de consensos e de uma comunicação eficiente com o eleitorado.
Nos próximos meses, a federação será testada em sua coesão e estratégia, e seu desempenho poderá influenciar diretamente o redesenho do mapa político nacional até as próximas eleições.






