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Federação partidária entre Solidariedade e PRD mira eleições 2026 e dribla cláusula de desempenho

por Gabriel Monteiro
23/06/2025 às 16h15
em Política
Federação Partidária Entre Solidariedade E Prd Mira Eleições 2026 E Dribla Cláusula De Desempenho Gazeta Mercantil - Política

Federação partidária entre Solidariedade e PRD é aposta para 2026: o que está por trás da nova aliança política

A política brasileira se reconfigura mais uma vez com a formação de uma nova federação partidária entre o Solidariedade e o PRD, que será anunciada oficialmente nesta quarta-feira (25). O movimento é estratégico e visa contornar as mudanças nas regras eleitorais previstas para 2026, especialmente a cláusula de desempenho, que impõe novas exigências para o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita.

A federação surge em um momento crucial de rearranjo no Congresso Nacional, onde legendas médias e pequenas buscam garantir sua sobrevivência política e financeira em um cenário cada vez mais competitivo. Com essa união, Solidariedade e PRD pretendem unir forças não apenas para superar as barreiras institucionais, mas também para construir uma alternativa de centro no cenário eleitoral de 2026, distanciando-se dos polos representados por Lula (PT) e Bolsonaro (PL).

Leia também: Nikolas Ferreira declara R$ 3,9 milhões em bens em 2026; em 2022 eram R$ 36,8 mil.

Conheça os objetivos da nova federação partidária, o contexto político que impulsionou sua formação, suas possíveis implicações para as próximas eleições e o impacto no tabuleiro político nacional.


O que é uma federação partidária?

Antes de aprofundar no caso específico de Solidariedade e PRD, é importante entender o conceito de federação partidária. Trata-se de uma união formal entre dois ou mais partidos que atuam como uma única agremiação política durante, no mínimo, quatro anos. Essa união implica em decisões conjuntas sobre candidaturas, estratégias eleitorais e funcionamento interno.

Leia também: Pagamento do Bolsa Família em 2026: regras, calendário e quem tem direito ao benefício.

Diferentemente das coligações (extintas para eleições proporcionais), as federações são registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e exigem um estatuto unificado, com regras internas que definem sua governança, critérios de fidelidade partidária e divisão de recursos.


O que motivou a criação da federação entre Solidariedade e PRD?

A principal motivação para a criação da nova federação partidária é a tentativa de driblar a cláusula de desempenho que entrará em vigor com mais rigidez em 2026. Essa cláusula determina critérios mínimos de votação nacional e representação parlamentar para que os partidos tenham direito ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV.

Com o endurecimento das regras, partidos que não atingirem os percentuais exigidos perderão acesso a recursos essenciais para sua manutenção e visibilidade. Neste cenário, as federações tornam-se um caminho viável para legendas menores somarem votos e elegerem representantes suficientes para cumprir os requisitos legais.


Detalhes da aliança entre Solidariedade e PRD

A nova federação partidária nasce com uma base sólida: 10 deputados federais, um governador (Clécio Luís, do Amapá) e 138 prefeitos eleitos em 2024. A presidência da federação será ocupada por Ovasco Resende, um dos principais nomes do PRD, enquanto Paulinho da Força, deputado federal por São Paulo, assumirá a vice-presidência.

O acordo prevê que a documentação da aliança seja oficializada em cartório ainda nesta semana, com posterior envio ao TSE para formalização.


Consolidação e possíveis ampliações

Neste primeiro momento, a prioridade da federação será sua consolidação institucional e política. No entanto, há espaço para futuras ampliações. O PSDB, por exemplo, vinha mantendo diálogos com o Solidariedade antes da formalização da federação. A expectativa é que, com o avanço do projeto, novas legendas possam se juntar à união, ampliando ainda mais seu poder de barganha e presença no Congresso.

Segundo lideranças envolvidas, a federação deve manter conversas abertas com outras siglas que compartilhem de um modelo e posicionamento ideológico mais moderado e estejam interessadas em construir uma candidatura de centro para 2026.


Uma nova via para a eleição presidencial de 2026?

Além da sobrevivência institucional, a federação partidária entre Solidariedade e PRD tem ambições maiores. Os dirigentes das legendas estão alinhados na busca por uma alternativa ao dualismo que marcou as últimas eleições presidenciais, representado pela polarização entre Lula e Bolsonaro.

Há um consenso interno de que é necessário apresentar uma candidatura de centro, que dialogue com os eleitores moderados e represente um novo projeto para o país. Entre os nomes cogitados, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) é um dos que mais têm atraído apoio entre os membros da federação. Paulinho da Força, inclusive, participou do lançamento da pré-candidatura de Caiado à Presidência.

Essa estratégia de construir uma terceira via poderá reposicionar o Solidariedade e o PRD como atores centrais no debate político nacional, principalmente se conseguirem ampliar a federação com a adesão de outras legendas insatisfeitas com os extremos políticos.


Histórico recente das legendas envolvidas

Nos últimos anos, tanto o Solidariedade quanto o PRD (resultado da fusão entre PTB e Patriota) buscaram alternativas para fortalecer suas estruturas. O Solidariedade incorporou o Pros em 2023, enquanto o PRD unificou outras legendas em busca de musculatura eleitoral.

Essas movimentações permitiram acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda institucional, mas não foram suficientes para garantir a sobrevivência futura sem o cumprimento da cláusula de desempenho. Por isso, a formação de uma federação partidária passou a ser vista como a solução mais viável.


Repercussão no Congresso e na política nacional

A união entre Solidariedade e PRD pode influenciar outros movimentos semelhantes no Congresso Nacional. Siglas como União Brasil, PP e Republicanos também têm discutido a possibilidade de formar federações como forma de garantir relevância política e acesso a recursos públicos.

Com isso, o cenário político brasileiro poderá se reorganizar nos próximos dois anos em torno de grandes federações, substituindo o modelo pulverizado que marcou a política nacional nas últimas décadas. Essa mudança tende a favorecer a governabilidade e reduzir a fragmentação partidária, desde que acompanhada de uma agenda comum entre os partidos envolvidos.


Desafios para a federação partidária

Apesar do potencial estratégico, a formação de uma federação partidária também apresenta desafios. A principal dificuldade está na harmonização de interesses internos e na construção de uma identidade única, que represente todos os partidos federados.

As divergências ideológicas e os interesses regionais podem criar conflitos na hora de definir candidatos, alianças e posicionamentos políticos. Além disso, a obrigatoriedade de atuar como um só partido durante quatro anos exige um alto nível de articulação, diálogo e flexibilidade política.

Outro ponto importante é a relação com o eleitorado, que precisará compreender essa nova estrutura e suas implicações nas eleições. A comunicação da federação será essencial para apresentar sua proposta de forma clara e conquistar a confiança do público.

A criação da federação partidária entre Solidariedade e PRD representa um movimento estratégico no xadrez político brasileiro. Além de buscar o cumprimento da cláusula de desempenho para manter acesso a recursos públicos, a federação mira um protagonismo maior na eleição de 2026, com a construção de uma alternativa de centro capaz de quebrar a polarização atual.

Com dez deputados, um governador e mais de cem prefeitos, a federação já nasce relevante e pode ganhar ainda mais força caso consiga atrair novas siglas. Seu sucesso, no entanto, dependerá da capacidade de gestão interna, da construção de consensos e de uma comunicação eficiente com o eleitorado.

Nos próximos meses, a federação será testada em sua coesão e estratégia, e seu desempenho poderá influenciar diretamente o redesenho do mapa político nacional até as próximas eleições.

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