O Goldman Sachs elevou a recomendação da Usiminas (USIM5) de neutra para compra e aumentou o preço-alvo da ação de R$ 6,60 para R$ 10,50, ao avaliar que a siderúrgica está entre as empresas mais expostas à melhora do mercado de aço no Brasil. A revisão foi divulgada em relatório assinado pela equipe liderada por Marcio Farid, que vê a companhia como uma das principais beneficiárias da combinação entre queda das importações, barreiras comerciais mais efetivas, custos globais mais altos e novos reajustes de preços no setor.
Às 16h10, as ações da Usiminas (USIM5) subiam 1,35%, cotadas a R$ 9,74. A reação positiva refletia a leitura de que a empresa pode capturar de forma mais intensa a recuperação dos preços do aço no mercado doméstico, após um período de margens pressionadas pela concorrência de importados.
Segundo o Goldman Sachs, a Usiminas (USIM5) tem alta alavancagem operacional em relação aos preços realizados do aço. Na avaliação do banco, cada avanço de 1% nos preços praticados pela companhia tende a elevar o Ebitda em cerca de 8%, percentual superior ao estimado para CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4).
A mudança de recomendação coloca a Usiminas (USIM5) novamente no radar de investidores que acompanham empresas cíclicas ligadas à indústria, commodities e infraestrutura. Para o banco, o atual cenário de oferta e demanda no Brasil abre espaço para uma recomposição de margens no setor siderúrgico, com impacto direto sobre geração de caixa e lucro.
Usiminas ganha força com melhora no mercado de aço
A tese do Goldman Sachs para a Usiminas (USIM5) está baseada principalmente na expectativa de recuperação do mercado brasileiro de aço. O banco avalia que a indústria local começa a se beneficiar de uma combinação mais favorável entre menor entrada de produtos importados e maior capacidade de repasse de preços.
As importações de aço plano caíram 42% em abril, segundo os dados citados pelo banco. Além disso, a participação da China nas compras externas brasileiras recuou de 69% para 46%, movimento visto como relevante para reduzir a pressão competitiva sobre as produtoras nacionais.
Nos últimos anos, as siderúrgicas brasileiras enfrentaram um ambiente adverso, marcado por importações elevadas, perda de participação de mercado e dificuldade de recompor margens. A chegada de aço estrangeiro, especialmente de origem chinesa, limitou o poder de preço das empresas locais e pressionou os resultados.
Para o Goldman Sachs, esse quadro começa a mostrar sinais de reversão. O banco afirma que barreiras comerciais mais efetivas, custos globais mais altos e fretes internacionais mais caros devem reduzir a atratividade do aço importado no Brasil, favorecendo empresas com maior exposição ao mercado doméstico.
Nesse contexto, a Usiminas (USIM5) aparece como uma das principais beneficiadas. A companhia tem forte presença em aço plano, segmento sensível à competição externa e aos movimentos de preço no mercado interno.
Goldman vê alta sensibilidade ao preço do aço
O ponto central da recomendação do Goldman Sachs é a alta sensibilidade da Usiminas (USIM5) aos preços do aço. Segundo o banco, a empresa apresenta uma alavancagem operacional mais elevada que a de concorrentes relevantes do setor.
Na prática, isso significa que uma alta moderada nos preços realizados pode gerar efeito proporcionalmente maior sobre o Ebitda da companhia. O Goldman Sachs estima que cada aumento de 1% nos preços do aço pode elevar o Ebitda da Usiminas (USIM5) em cerca de 8%.
Essa sensibilidade é considerada superior à observada em CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4). Para investidores, a diferença torna a Usiminas (USIM5) uma tese mais diretamente ligada à recuperação dos preços no mercado brasileiro.
O banco também avalia que a empresa está “totalmente exposta” à melhora da dinâmica de oferta e demanda do aço no Brasil. A expressão indica que o desempenho da companhia tende a responder de forma significativa ao ambiente doméstico, especialmente se os reajustes de preços se consolidarem nos próximos trimestres.
A leitura do Goldman Sachs é que a Usiminas (USIM5) pode transformar a melhora do setor em avanço expressivo de resultados, desde que os custos permaneçam sob controle e a demanda doméstica continue absorvendo os aumentos de preço.
Banco espera novos reajustes no segundo semestre
O Goldman Sachs projeta que o setor siderúrgico brasileiro ainda deve anunciar novos aumentos de preços ao longo do segundo semestre. Segundo o relatório, o mercado já teve dois reajustes em 2026: um de 7% em janeiro e outro de 5% em abril.
Para o banco, há espaço para mais duas rodadas de reajuste até o fim do ano. A expectativa se apoia na combinação entre menor pressão de importados, custos globais mais elevados e encarecimento dos fretes internacionais.
Esses fatores tendem a reduzir a competição externa e melhorar o poder de negociação das siderúrgicas brasileiras. Em um ambiente de menor oferta importada, empresas locais conseguem defender preços mais altos com menor risco de perda de volume.
A perspectiva é especialmente relevante para a Usiminas (USIM5). Como a empresa tem forte exposição a aço plano e alta sensibilidade ao preço realizado, novos reajustes podem ter impacto expressivo sobre suas margens.
O banco avalia que a melhora do setor pode representar uma virada depois de anos de pressão. A indústria brasileira de aço sofreu com margens comprimidas e perda de participação para importados, mas o cenário atual sugere uma recomposição gradual das condições de rentabilidade.
Projeções de Ebitda sobem até 70%
Com a mudança de cenário, o Goldman Sachs revisou fortemente suas estimativas para a Usiminas (USIM5). O banco aumentou a projeção de Ebitda da companhia em 39% para 2026, 58% para 2027 e 70% para 2028.
A nova estimativa considera Ebitda de R$ 2,9 bilhões em 2026 e de R$ 4 bilhões em 2027. Para o lucro líquido, o banco projeta R$ 1,9 bilhão em 2026 e R$ 2,4 bilhões em 2027.
Segundo o Goldman Sachs, essas projeções ficam entre 13% e 30% acima do consenso de mercado. A diferença mostra que o banco vê espaço para que outros analistas revisem suas estimativas caso a recuperação do aço se confirme.
Para os investidores, a revisão das projeções é um dos pontos mais relevantes do relatório. A melhora esperada no Ebitda indica maior geração operacional de caixa, fator que pode influenciar a percepção sobre valuation, endividamento, investimentos e remuneração ao acionista.
A elevação do preço-alvo de R$ 6,60 para R$ 10,50 também reforça a mudança de visão sobre o papel. O novo valor sugere que o Goldman Sachs passou a enxergar maior potencial de valorização para a Usiminas (USIM5), em linha com a expectativa de recuperação do setor.
Ação reage à mudança de recomendação
As ações da Usiminas (USIM5) reagiram positivamente à revisão do Goldman Sachs. Às 16h10, o papel avançava 1,35%, negociado a R$ 9,74.
Embora o movimento no pregão tenha sido moderado, a mudança de recomendação tem peso relevante para a percepção do mercado. Relatórios de grandes bancos globais costumam influenciar o posicionamento de investidores institucionais, especialmente em empresas ligadas a ciclos de commodities e atividade industrial.
A recomendação de compra também melhora a visibilidade da Usiminas (USIM5) dentro do setor siderúrgico. O papel passa a ser apontado pelo Goldman Sachs como uma das principais alternativas para capturar a recuperação dos preços do aço no Brasil.
Ainda assim, a valorização da ação dependerá da confirmação das premissas do relatório. O mercado deve acompanhar a evolução das importações, a implementação de novos reajustes, a demanda doméstica e a capacidade da companhia de converter preços mais altos em margens melhores.
A Usiminas (USIM5) segue inserida em um setor cíclico, sujeito a mudanças rápidas de oferta, demanda, custos e comércio internacional. Por isso, mesmo com a visão mais positiva do banco, a tese continua dependente do comportamento do aço no Brasil e no exterior.
JCP pode ampliar retorno ao acionista
O Goldman Sachs também destacou que a Usiminas (USIM5) poderia se beneficiar de um maior pagamento de juros sobre capital próprio. Segundo o banco, essa possibilidade ajudaria a reduzir a base tributável da companhia e poderia elevar o retorno aos acionistas.
Esse cenário, no entanto, não faz parte da projeção-base do Goldman Sachs. A menção ao tema indica apenas um potencial adicional caso a companhia alcance uma geração de caixa mais robusta e tenha condições de ampliar a remuneração aos investidores.
Para empresas cíclicas, a política de distribuição de proventos costuma depender de fatores como lucro, endividamento, caixa disponível, necessidade de investimentos e perspectiva operacional. No caso da Usiminas (USIM5), uma recuperação mais forte do Ebitda poderia ampliar a flexibilidade financeira da companhia.
A possibilidade de maior pagamento de JCP também tende a ser acompanhada por investidores interessados em retorno ao acionista. Em um ambiente de juros ainda relevantes no Brasil, empresas capazes de combinar valorização das ações e distribuição de proventos ganham atenção adicional na Bolsa.
O Goldman Sachs, porém, manteve a cautela ao tratar desse ponto como uma possibilidade fora de seu cenário principal. A prioridade da tese segue sendo a recuperação operacional impulsionada por preços mais altos do aço.
Riscos passam por China, custos e minério de ferro
Apesar da visão positiva, o Goldman Sachs listou riscos importantes para a tese de investimento em Usiminas (USIM5). O principal deles é uma eventual retomada mais forte das exportações chinesas de aço.
A China tem papel central no equilíbrio global do setor. Quando há excesso de produção no país, parte relevante do aço pode ser direcionada ao mercado externo, aumentando a competição em regiões como o Brasil.
Caso as exportações chinesas voltem a crescer de forma intensa, os preços domésticos poderiam sofrer nova pressão. Esse movimento reduziria a capacidade das siderúrgicas brasileiras de sustentar reajustes e comprometeria parte da melhora esperada nas margens.
Outro risco citado pelo banco envolve custos acima do previsto. A siderurgia é uma atividade intensiva em capital, energia, matérias-primas e logística. A alta de custos pode limitar os ganhos operacionais mesmo em um ambiente de preços mais favoráveis.
O Goldman Sachs também menciona a possibilidade de investimentos maiores na mineração e resultados mais fracos na unidade de minério de ferro da Usiminas (USIM5). Esses fatores poderiam reduzir parte do benefício esperado com a melhora do aço.
Setor siderúrgico tenta recuperar margens no Brasil
A revisão do Goldman Sachs ocorre em um momento de tentativa de recomposição de margens no setor siderúrgico brasileiro. Empresas como Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) acompanham a evolução das importações, dos preços internos e da demanda industrial.
O mercado de aço é diretamente influenciado por setores como indústria automotiva, construção civil, máquinas, equipamentos e infraestrutura. Quando esses segmentos mostram maior atividade, a demanda por aço tende a melhorar.
No entanto, a competição com importados pode limitar a capacidade de repasse das empresas nacionais. Por isso, a queda das importações de aço plano em abril ganhou importância na análise do Goldman Sachs.
Para o banco, a redução da presença chinesa nas importações brasileiras e o aumento dos custos globais criam uma janela mais favorável para as siderúrgicas locais. Esse ambiente pode permitir novos reajustes e recuperação de rentabilidade.
A Usiminas (USIM5), pela forte exposição ao aço plano, tende a ser uma das empresas mais impactadas por essa mudança. A mesma característica que amplia seu potencial de ganho em um ciclo positivo também aumenta sua sensibilidade a eventuais reversões no mercado.
Relatório reforça disputa por margem no aço brasileiro
A elevação da Usiminas (USIM5) para compra pelo Goldman Sachs reforça a percepção de que o mercado brasileiro de aço entrou em uma fase mais favorável para as produtoras locais. A tese do banco combina queda das importações, barreiras comerciais mais efetivas, custos globais mais altos e expectativa de novos reajustes de preços.
Para investidores, o relatório posiciona a Usiminas (USIM5) como uma das ações mais sensíveis à recuperação do aço no Brasil. A companhia pode se beneficiar de forma relevante caso os reajustes previstos se confirmem e a menor pressão de importados continue ao longo dos próximos trimestres.
Ao mesmo tempo, os riscos permanecem no radar. Uma retomada das exportações chinesas, custos acima do esperado, investimentos maiores em mineração e desempenho mais fraco da unidade de minério de ferro podem limitar a recuperação projetada.
A recomendação do Goldman Sachs melhora a percepção sobre a Usiminas (USIM5), mas mantém a ação diretamente ligada ao ciclo do aço. O desempenho do papel dependerá da capacidade da companhia de transformar preços mais altos em avanço de Ebitda, lucro e retorno ao acionista.










