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Dólar hoje abre em alta com tensão entre EUA e Irã e petróleo acima de US$ 105

Moeda americana avança para R$ 5,0171, enquanto investidores monitoram Estreito de Ormuz, novo presidente do Fed e dados fiscais no Brasil.

por Camila Braga
22/05/2026 às 10h30
em Dólar
Dólar Hoje Abre Em Alta Com Tensão Entre Eua E Irã E Petróleo Acima De Us$ 105 - Gazeta Mercantil - Dólar

O dólar hoje abriu em alta nesta sexta-feira (22), com avanço de 0,33%, cotado a R$ 5,0171, em meio ao aumento da aversão ao risco no exterior. O mercado acompanha a falta de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, a disparada do petróleo e a posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, o banco central americano. No Brasil, investidores também aguardam o relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal e dados de atividade industrial divulgados pela Confederação Nacional da Indústria.

O principal ponto de atenção no exterior é o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Sem sinais de acordo entre Washington e Teerã, os preços da commodity voltaram a subir nesta manhã, pressionando moedas de países emergentes e reforçando a busca por ativos considerados mais seguros.

Leia também: Ibovespa: Bolsa abre semana com Focus, petróleo e tensão no Oriente Médio no radar.

Por volta das 7h15, o petróleo Brent avançava 2,8%, cotado a US$ 105,48 por barril. Antes da escalada do conflito, em fevereiro, o barril era negociado perto de US$ 70. A alta da commodity aumenta o temor de inflação global e pode dificultar cortes de juros nos Estados Unidos.

Dólar hoje sobe com busca por proteção

A alta do dólar hoje reflete o aumento da cautela dos investidores diante do impasse geopolítico no Oriente Médio. Em períodos de tensão internacional, a moeda americana costuma ganhar força por ser vista como ativo de proteção.

Leia também: Impulsionado pela Alta Temporada e Dólar Favorável, Volume de Operações com o Dólar Cresce 20% em Novembro.

O movimento também é influenciado pelo petróleo. A alta do Brent pode pressionar custos de energia, combustíveis, transporte e cadeias produtivas. Esse cenário aumenta a preocupação com inflação e reduz o apetite por ativos de risco, especialmente em mercados emergentes.

No Brasil, o câmbio é acompanhado de perto por seus efeitos sobre preços internos. Um dólar mais alto pode encarecer produtos importados, insumos industriais, combustíveis e alimentos com componentes dolarizados.

O mercado também observa a trajetória da moeda em relação aos acumulados recentes. Na semana, o dólar acumula queda de 1,32%. No mês, sobe 0,99%. No ano, ainda recua 8,89%.

Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz

O avanço do petróleo é o principal vetor externo do pregão. O Estreito de Ormuz concentra parte relevante do transporte mundial de petróleo, e qualquer risco de interrupção na região tende a elevar rapidamente os preços da commodity.

Nesta manhã, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que 35 navios, incluindo petroleiros, porta-contêineres e outras embarcações comerciais, atravessaram o Estreito de Ormuz com permissão do Irã nas últimas 24 horas, segundo a mídia estatal.

A informação reduziu parte do temor de bloqueio imediato da rota, mas não eliminou a preocupação com a continuidade do conflito. O mercado segue sensível a qualquer sinal de endurecimento nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

Um conselheiro dos Emirados Árabes Unidos afirmou que ainda haveria “50% de chance” de um acordo entre os dois países. Segundo ele, a região precisa de uma solução política para evitar nova escalada militar, já que um cessar-fogo temporário pode não resolver o impasse de forma definitiva.

Alta do Brent aumenta temor de inflação

A alta do Brent acima de US$ 105 por barril reacende a preocupação com a inflação global. O petróleo afeta diretamente combustíveis, transporte, frete, energia e custos de produção.

Para bancos centrais, uma alta persistente da commodity pode complicar a condução da política monetária. Se os preços de energia continuarem pressionados, a inflação pode demorar mais para convergir às metas.

Esse risco é especialmente relevante nos Estados Unidos. O Federal Reserve já vinha sendo acompanhado de perto pelo mercado em razão das dúvidas sobre o ritmo de queda dos juros. Com o petróleo em alta, a expectativa de flexibilização monetária pode perder força.

Para o Brasil, a pressão externa também importa. Juros altos nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos americanos, fortalecem o dólar e podem reduzir o fluxo de capital para países emergentes.

Kevin Warsh assume presidência do Fed

Outro ponto de atenção nesta sexta-feira é a posse de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve. Ele assume o comando do banco central americano em substituição a Jerome Powell, em um momento delicado para a economia dos Estados Unidos.

O mercado acompanha qual será a postura do novo presidente do Fed diante da inflação, dos juros e da pressão política por uma política monetária menos restritiva. Warsh foi indicado por Donald Trump, que vinha criticando Powell pela resistência em reduzir juros.

Apesar disso, analistas avaliam que Warsh tem perfil técnico e histórico de postura firme no combate à inflação. A dúvida é se ele manterá os juros elevados por mais tempo ou se abrirá espaço para cortes no futuro.

A alta do petróleo torna essa decisão mais difícil. Se a energia continuar pressionando os preços, o Fed pode adotar tom mais cauteloso, o que tende a sustentar o dólar em nível mais alto no mercado internacional.

Ambiente político nos EUA reforça cautela

Nos Estados Unidos, o clima político também contribui para a incerteza. Parlamentares republicanos adiaram para junho a votação de propostas que poderiam aumentar a pressão sobre Donald Trump para retirar o país da guerra.

A postergação reduz a chance de uma resposta política imediata e mantém o mercado atento aos próximos desdobramentos. Sem avanço diplomático, investidores tendem a manter postura defensiva.

A combinação de guerra, petróleo caro e dúvidas sobre juros cria um ambiente desfavorável para ativos de risco. Bolsas globais, moedas emergentes e commodities podem continuar voláteis enquanto não houver maior clareza sobre a situação no Oriente Médio.

Brasil monitora relatório fiscal e indústria

No cenário doméstico, investidores aguardam a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal. O documento é importante porque mostra a evolução das contas públicas e pode indicar necessidade de bloqueios ou ajustes no Orçamento.

A situação fiscal segue no radar do mercado financeiro. Qualquer sinal de deterioração das contas públicas pode pressionar juros futuros e câmbio, especialmente em dias de maior aversão ao risco externo.

Além disso, a Confederação Nacional da Indústria divulga dados de atividade industrial de março. O indicador ajuda a medir o ritmo da economia e pode influenciar expectativas sobre crescimento, inflação e política monetária no Brasil.

Em dias de forte influência externa, os dados locais podem ter impacto limitado no curto prazo, mas ajudam a compor a leitura dos investidores sobre o cenário econômico brasileiro.

Ibovespa começa a operar às 10h

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começa a operar às 10h. O mercado deve reagir à alta do petróleo, ao avanço do dólar e ao ambiente de cautela global.

Na semana, o Ibovespa acumula alta de 0,21%. No mês, recua 5,16%. No ano, ainda sobe 10,26%.

A alta do petróleo pode ter efeito misto sobre a Bolsa brasileira. Empresas ligadas à commodity, como Petrobras (PETR3; PETR4), podem se beneficiar de preços internacionais mais altos. Por outro lado, companhias sensíveis a custos de energia, frete, crédito e consumo tendem a sofrer em um ambiente de juros elevados e aversão ao risco.

O desempenho do índice também dependerá da reação dos investidores estrangeiros, da curva de juros americana e da percepção sobre o câmbio.

Dólar hoje deve seguir sensível ao exterior

A tendência para o dólar hoje é de volatilidade ao longo do pregão. O mercado segue dependente de notícias sobre o Oriente Médio, petróleo, política monetária americana e sinais fiscais no Brasil.

Se houver avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o petróleo pode aliviar parte da pressão, reduzindo a busca por dólar. Caso contrário, a moeda americana pode seguir fortalecida diante do aumento da incerteza.

A posse de Kevin Warsh no Fed também será monitorada por investidores. Qualquer sinalização sobre juros, inflação ou postura do banco central americano pode mexer com câmbio, bolsas e juros futuros.

No Brasil, o relatório fiscal e os dados da indústria completam a agenda. Em um pregão dominado pelo exterior, a combinação entre petróleo acima de US$ 105 e dólar perto de R$ 5 deve continuar no centro das atenções do mercado.

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