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Ibovespa cai com petróleo perto de US$ 100 e tensão entre EUA e Irã pressionando mercados

Bancos e Vale puxaram perdas da Bolsa brasileira, enquanto Petrobras (PETR4) limitou o recuo com a alta do petróleo.

por Camila Braga
26/05/2026 às 19h35
em Ibovespa
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil

O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira (26) em queda, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que impulsionou os preços do petróleo e aumentou a cautela dos investidores em relação ao cenário econômico global. O principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,69%, aos 176.589,03 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes e encerrando o dia abaixo do patamar de 177 mil pontos.

Durante o pregão, o índice chegou à mínima de 175.516,11 pontos e atingiu máxima de 177.815,95 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 22,63 bilhões.

O movimento ocorreu após novos ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos no sul do Irã. A ofensiva elevou as incertezas sobre um eventual acordo diplomático entre os dois países e trouxe de volta preocupações relacionadas ao fornecimento global de petróleo e aos impactos da energia sobre a inflação mundial.

Como reflexo, o barril do petróleo Brent avançou 3,6% e encerrou próximo de US$ 100, cotado a US$ 99,58, reforçando a percepção de risco nos mercados internacionais.

Petróleo volta a preocupar investidores globais

A sessão foi marcada pela retomada das atenções ao Oriente Médio, tema que voltou ao centro das decisões dos investidores.

O governo norte-americano classificou os ataques realizados na segunda-feira como ações defensivas. Já o governo iraniano afirmou que a operação representou uma violação do cessar-fogo, ampliando as dúvidas sobre a possibilidade de uma solução diplomática no curto prazo.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que um eventual acordo entre os dois países ainda poderá levar alguns dias para ser alcançado, sinalização que reduziu o otimismo observado nos mercados no início da semana.

Segundo Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, os acontecimentos recentes enfraqueceram as expectativas de avanço nas negociações e impulsionaram uma nova rodada de valorização do petróleo.

Na avaliação do especialista, a alta da commodity reacende preocupações relacionadas à inflação global, fator que continua influenciando diretamente as perspectivas para juros e atividade econômica nas principais economias do mundo.

Wall Street renova recordes e ignora parte das preocupações

Apesar da cautela observada em diversos mercados, as bolsas norte-americanas apresentaram desempenho positivo.

Após o feriado da véspera nos Estados Unidos, os investidores voltaram às negociações impulsionados principalmente pelas ações ligadas ao setor de tecnologia e inteligência artificial.

O índice S&P 500 avançou 0,61% e renovou máxima histórica, refletindo o forte apetite por empresas associadas à expansão da inteligência artificial e à expectativa de crescimento dos lucros corporativos.

O desempenho positivo em Nova York, contudo, não foi suficiente para sustentar os ativos brasileiros, que sofreram influência mais direta da valorização do petróleo, da realização de lucros e da queda de ações de peso no Ibovespa.

Bancos lideram pressão negativa sobre o índice

Entre as maiores contribuições para a queda do Ibovespa estiveram os grandes bancos, que devolveram parte dos ganhos acumulados na sessão anterior.

As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) recuaram 0,64%, enquanto os papéis do Bradesco (BBDC4) caíram 1,27%.

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou uma das maiores perdas entre os grandes bancos, com queda de 2,49%. Já as units do Santander Brasil (SANB11) encerraram o dia com desvalorização de 1,16%.

O desempenho negativo do setor financeiro teve peso relevante sobre o índice, dada a elevada representatividade dessas companhias na composição da carteira teórica do Ibovespa.

Petrobras acompanha petróleo e evita perdas maiores

As ações da Petrobras (PETR4) mostraram resiliência diante da forte valorização do petróleo no mercado internacional.

Os papéis preferenciais da estatal encerraram praticamente estáveis, com leve alta de 0,09%, enquanto as ações ordinárias da companhia avançaram 0,41%.

No segmento de exploração e produção, a PRIO (PRIO3) também registrou desempenho positivo, com valorização de 0,68%.

A Brava Energia (BRAV3) avançou 0,70%, acompanhando o movimento favorável do petróleo. Na direção oposta, a PetroReconcavo (RECV3) recuou 3,64%, destoando do comportamento do setor.

A alta do petróleo contribuiu para reduzir parte das perdas do Ibovespa, mas não foi suficiente para compensar a fraqueza observada em bancos, mineração e siderurgia.

Vale acompanha minério e fecha no vermelho

Outro peso importante para o índice veio da Vale (VALE3), que encerrou o pregão em queda de 0,62%.

A mineradora acompanhou o desempenho dos contratos futuros do minério de ferro negociados na China. O contrato mais líquido da commodity em Dalian recuou 1,95%, refletindo preocupações relacionadas à demanda da economia chinesa.

Entre as siderúrgicas e mineradoras, o cenário também foi predominantemente negativo.

A Usiminas (USIM5) registrou uma das maiores perdas do setor, com queda de 3,59%, enquanto a Gerdau (GGBR4) recuou 2,36%.

A CSN (CSNA3) perdeu 0,45%, ao passo que a CSN Mineração (CMIN3) conseguiu fechar em alta de 0,45%.

Braskem despenca e Ambev sobe após recomendação do BTG

Entre os destaques negativos do pregão, a Braskem (BRKM5) registrou forte queda de 5,81%.

Analistas do Citi destacaram uma mudança de dinâmica no mercado petroquímico. Após meses de sustentação dos preços por fatores ligados à oferta e às tensões geopolíticas, o foco dos investidores passou a recair sobre sinais de enfraquecimento da demanda global.

Mesmo elevando o preço-alvo dos papéis de R$ 10 para R$ 14, o banco manteve recomendação neutra e classificação de alto risco para a companhia.

A C&A (CEAB3) também figurou entre as maiores baixas do dia, com recuo de 4,77%, em movimento de realização de lucros após a forte valorização registrada na sessão anterior.

No lado positivo, a Ambev (ABEV3) avançou 1,16% após o BTG Pactual elevar sua recomendação para compra e revisar o preço-alvo dos papéis de R$ 17 para R$ 20.

O banco destacou a capacidade da companhia de continuar repassando preços ao consumidor e preservar margens operacionais, fator visto como diferencial competitivo relevante para os próximos anos.

Mercado monitora petróleo, juros e cenário geopolítico

O fechamento desta terça-feira reforça a sensibilidade do mercado brasileiro aos acontecimentos internacionais, especialmente quando envolvem o Oriente Médio e os preços do petróleo.

Com o Brent novamente próximo da marca de US$ 100 por barril, investidores permanecem atentos aos impactos sobre inflação, juros globais e crescimento econômico.

Nos próximos pregões, a evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã deverá continuar no radar dos mercados, assim como os indicadores econômicos internacionais e os movimentos das commodities, fatores que tendem a influenciar diretamente o desempenho do Ibovespa.

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