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Ibovespa bate recorde histórico e fecha acima de 185 mil pontos com expectativa de corte de juros

por Camila Braga
03/02/2026 às 20h19
em Ibovespa
Ibovespa - Gazeta Mercantil

Ibovespa fecha em recorde histórico e supera 185 mil pontos com expectativa de corte de juros

O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira em alta expressiva de 1,58%, alcançando 185.674,43 pontos, o maior patamar de fechamento já registrado na história da bolsa brasileira. Ao longo do dia, o principal índice do mercado acionário nacional chegou a tocar 187.333,83 pontos, estabelecendo também uma nova máxima intradiária e reforçando o momento positivo vivido pelos ativos de risco domésticos.

O movimento reflete uma combinação de fatores internos e externos, com destaque para a leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a intensificação do fluxo estrangeiro para a B3 e a valorização de ações de grande peso na composição do índice, como Vale e Petrobras.

Leia também: Ouro bate recorde histórico: veja o que está por trás da alta explosiva

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Ata do Copom reforça cenário de flexibilização monetária

A divulgação da ata do Copom foi o principal catalisador do avanço do Ibovespa. O documento reforçou a percepção de que o Banco Central se prepara para iniciar um ciclo de corte de juros a partir de março, desde que o cenário inflacionário continue evoluindo de forma favorável.

Para o mercado, a sinalização representou um alívio após um período prolongado de política monetária restritiva. A expectativa de redução da taxa Selic melhora as condições financeiras, reduz o custo de capital das empresas e favorece a reprecificação de ativos de renda variável.

Leia também: Ibovespa em queda reflete cautela dos investidores.

Apesar do tom mais construtivo, o Copom evitou detalhar a intensidade e a velocidade dos cortes, deixando claro que as decisões seguirão dependentes dos dados econômicos e da evolução das expectativas de inflação.

Fluxo estrangeiro sustenta rali do mercado acionário

Outro fator determinante para o desempenho do Ibovespa foi a continuidade do fluxo positivo de capital estrangeiro. Apenas em janeiro, os investidores não residentes já aportaram mais de R$ 26,3 bilhões na B3, reforçando a sustentação das altas recentes do índice.

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esse movimento está associado tanto à atratividade relativa dos ativos brasileiros quanto ao enfraquecimento global do dólar e à busca por mercados emergentes com potencial de retorno elevado. O Brasil, nesse contexto, aparece como destino relevante, sobretudo em um cenário de possível flexibilização monetária e valuation ainda considerado atrativo por parte de gestores internacionais.

Vale e Petrobras lideram contribuições positivas

As ações de maior peso no Ibovespa tiveram papel decisivo no desempenho do índice. Vale e Petrobras avançaram de forma consistente, acompanhando a recuperação das commodities no mercado internacional e o apetite renovado por ativos ligados ao ciclo econômico.

No caso da mineradora, a sustentação dos preços do minério de ferro e a expectativa de demanda resiliente ajudaram a impulsionar os papéis. Já a Petrobras se beneficiou da alta do petróleo, que voltou a subir após sessões consecutivas de correção, além da percepção de estabilidade na política de preços da companhia.

Setores domésticos ganham tração com expectativa de juros menores

A perspectiva de queda da Selic estimulou uma forte valorização de setores mais sensíveis ao custo do crédito. No pregão, empresas dos segmentos de varejo, consumo discricionário e construção civil lideraram os ganhos, refletindo a antecipação de um ambiente financeiro mais favorável.

Esses setores tendem a reagir de forma mais intensa a mudanças na política monetária, uma vez que dependem fortemente do financiamento ao consumidor e do crédito corporativo. Com isso, investidores passaram a recompor posições em ações que haviam sido penalizadas ao longo do ciclo de aperto monetário.

Dólar recua e reforça ambiente favorável a ativos de risco

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,15%, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana. A divisa fechou cotada a R$ 5,250 na venda e R$ 5,249 na compra, após oscilar entre mínima de R$ 5,206 e máxima de R$ 5,263.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 0,19%, aos 97,45 pontos. Esse cenário contribuiu para o fortalecimento de moedas emergentes e para a valorização do Ibovespa, ao reduzir a pressão cambial e melhorar o fluxo de capitais para mercados periféricos.

Ouro e petróleo reforçam recuperação das commodities

O mercado de commodities também apresentou desempenho positivo. O ouro voltou a subir após dias consecutivos de queda, retomando seu papel como ativo de proteção em meio às incertezas globais. Já o petróleo operou em alta, recuperando parte das perdas recentes, em um movimento que beneficiou diretamente as ações de empresas do setor de energia.

Petroleiras listadas no Ibovespa, como Petrobras, Brava Energia e PetroRecôncavo, acompanharam a recuperação da commodity e contribuíram para o avanço do índice, ampliando o impacto positivo do setor sobre o desempenho geral do mercado.

Temporada de balanços aumenta expectativa e volatilidade

O mercado entra agora em uma fase decisiva com a intensificação da temporada de resultados do quarto trimestre de 2025. Grandes bancos e empresas de peso divulgarão seus balanços nos próximos dias, o que tende a elevar a volatilidade do Ibovespa no curto prazo.

Instituições financeiras como Itaú, Santander e Bradesco estão no radar dos investidores, que buscam sinais sobre a qualidade do crédito, margens financeiras e perspectivas para 2026. O desempenho dessas companhias será determinante para a continuidade do movimento de alta do índice.

Política monetária dos EUA influencia o cenário global

No ambiente internacional, declarações de dirigentes do Federal Reserve também repercutiram nos mercados. Um dos diretores da autoridade monetária americana defendeu cortes mais agressivos nos juros, argumento que favoreceu ativos de risco ao redor do mundo.

Por outro lado, outro dirigente destacou a resiliência da economia dos Estados Unidos, o que gerou expectativas mistas sobre o ritmo de flexibilização monetária. Essa divergência de discursos contribuiu para um cenário de cautela em Wall Street, que encerrou o dia em baixa, contrastando com o desempenho positivo do Ibovespa.

Wall Street em compasso de espera

Enquanto o mercado brasileiro avançava para novas máximas, as bolsas americanas fecharam em queda, pressionadas por incertezas políticas e pela expectativa de votação sobre o orçamento federal, que pode resultar em paralisação parcial do governo.

O contraste reforça a leitura de que, no momento, o Brasil se beneficia de fatores idiossincráticos positivos, como o fluxo estrangeiro e a perspectiva de juros menores, mesmo em um ambiente internacional ainda marcado por cautela.

Recorde do Ibovespa reflete mudança de percepção dos investidores

O novo recorde do Ibovespa simboliza uma mudança relevante na percepção dos investidores em relação ao mercado brasileiro. Após um período de forte aversão ao risco, a combinação de política monetária mais previsível, entrada de capital externo e recuperação de setores domésticos cria um ambiente mais construtivo para a bolsa.

Ainda que desafios persistam, especialmente no campo fiscal e no cenário internacional, o patamar atingido pelo índice reforça a atratividade relativa dos ativos brasileiros e abre espaço para novos testes de máximas históricas, caso o cenário de juros e fluxo permaneça favorável.

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