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Mudanças no Imposto de Renda sobre investimentos: veja o que muda e como se adaptar

por Gabriel Monteiro
09/06/2025 às 11h35
em Economia
Mudanças No Imposto De Renda Sobre Investimentos: Veja O Que Muda E Como Se Adaptar - Gazeta Mercantil - Economia

Imposto de Renda sobre investimentos: o que muda com a nova proposta do governo

Com o avanço das discussões entre o governo federal e o Congresso Nacional, está prestes a ser publicada uma nova medida provisória que promete reformular o regime do Imposto de Renda sobre investimentos no Brasil. A proposta faz parte do pacote fiscal que visa substituir parcialmente o recente decreto que elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e pode impactar diretamente milhões de investidores brasileiros, do pequeno poupador ao grande especulador do mercado financeiro.

Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que está em jogo, quais ativos serão afetados, como funcionará a nova alíquota fixa de 17,5%, as mudanças na tributação de ativos hoje isentos, além da nova possibilidade de compensação de perdas e a inclusão dos criptoativos na regulamentação.

Leia também: Mudanças no Imposto de Renda: entenda como cada classe social será afetada pelo novo projeto

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Reforma no Imposto de Renda sobre investimentos: o que propõe o governo

A principal alteração está na mudança de alíquota do Imposto de Renda sobre investimentos. Atualmente, o IR aplicado segue a chamada tabela regressiva, que varia conforme o tempo que o recurso permanece investido: quanto maior o prazo, menor a alíquota, indo de 22,5% (até 180 dias) a 15% (mais de 720 dias).

A proposta do governo é instituir uma alíquota única de 17,5% para todas as aplicações financeiras, independentemente do prazo de resgate. Isso inclui operações de curtíssimo prazo, como o day trade, tradicionalmente mais oneradas, e investimentos de longo prazo, hoje favorecidos com a menor alíquota da tabela regressiva.

Leia também: 5 FIIs pagam dividendos hoje; IRIM11 rende 1,28% e RBRY11 paga R$ 1 por cota.


Aplicações isentas que passarão a ser tributadas

Outro ponto polêmico da proposta é a inclusão de algumas aplicações financeiras que hoje são isentas de IR. A nova medida pretende tributar com alíquota de 5% investimentos como:

  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário)

  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

  • CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)

  • CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)

Segundo o governo, a isenção destes papéis distorce o mercado, pressionando os juros de outras modalidades de investimento que precisam oferecer retornos mais atrativos para competir.

Apesar disso, a proposta prevê que o estoque já emitido e o que for emitido até 31 de dezembro deste ano continue isento. A tributação de 5% valerá apenas para novas emissões a partir de 2026.


Ganhos e perdas: nova compensação no IR

Uma mudança importante e considerada positiva por especialistas é a ampliação da possibilidade de compensação de perdas. Atualmente, apenas investidores em renda variável podem compensar prejuízos com lucros obtidos em outras operações no mesmo segmento.

Com a nova proposta, essa compensação será permitida em todas as operações do mercado financeiro, o que inclui também renda fixa, fundos, derivativos, entre outros. A compensação será feita na Declaração de Ajuste Anual do IR.

Contudo, essa flexibilidade não se aplicará aos investimentos considerados incentivados, ou seja, aqueles que possuem benefícios fiscais específicos.


Tributação de criptoativos: regras mais claras e segregadas

Os criptoativos também estão no radar da reforma. A proposta visa regulamentar a tributação de criptomoedas e ativos digitais, com regras semelhantes às das demais aplicações financeiras. No entanto, a apuração e a tributação serão segregadas, ou seja, separadas das outras categorias de investimentos.

Isso significa que os investidores em criptoativos precisarão declarar seus ganhos e perdas separadamente, seguindo um regime próprio de apuração fiscal. A medida busca trazer maior clareza e uniformidade à tributação desse tipo de ativo, ainda pouco regulado no país.


Por que o governo quer reformular o IR sobre investimentos?

A justificativa principal apresentada pelo governo é a correção de distorções de mercado provocadas por isenções fiscais e alíquotas regressivas. Segundo o Ministério da Fazenda, os títulos isentos acabam forçando outras modalidades a pagar mais, desequilibrando o sistema financeiro.

Além disso, a proposta busca aumentar a arrecadação de forma mais justa e eficaz, sem necessariamente elevar os tributos de forma direta. Ao uniformizar a alíquota e acabar com parte das isenções, o governo acredita que poderá melhorar o fluxo de receitas com menor resistência política.


Impacto para o investidor: o que esperar?

Para o investidor comum, as mudanças trazem implicações relevantes:

  • Fim da vantagem do longo prazo: Com a unificação da alíquota de IR sobre investimentos em 17,5%, aplicações de longo prazo perdem o benefício fiscal atual, o que pode desestimular o investidor a manter o dinheiro aplicado por períodos mais longos.

  • Tributação de ativos antes isentos: A inclusão de LCI, LCA, CRI e CRA na base tributária pode alterar significativamente o rendimento líquido desses produtos, antes considerados vantajosos justamente por serem livres de imposto.

  • Compensação de perdas mais abrangente: Por outro lado, a possibilidade de abater prejuízos de qualquer operação do mercado pode beneficiar investidores que diversificam suas carteiras.

  • Criptoativos sob regras específicas: Investidores em moedas digitais terão que se adaptar a novas exigências de declaração e apuração.


O que ainda falta ser definido?

A proposta ainda será incluída em uma medida provisória, o que significa que, embora tenha força de lei imediata, precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder validade. Durante esse período, parlamentares podem apresentar emendas, alterando ou até mesmo barrando trechos da proposta original.

Além disso, os detalhes técnicos, como a forma de apuração para diferentes ativos e os critérios para compensação de perdas, ainda devem ser definidos por meio de instruções normativas da Receita Federal.


Como se preparar?

Investidores e profissionais do mercado financeiro devem estar atentos às mudanças no Imposto de Renda sobre investimentos, pois elas alteram o cenário tributário de forma significativa. É essencial:

  • Reavaliar a composição da carteira de investimentos à luz das novas alíquotas;

  • Considerar o impacto da tributação sobre títulos isentos;

  • estar preparado para mudanças na declaração do IR, especialmente no que diz respeito aos criptoativos e à compensação de perdas.

A proposta ainda está sujeita a modificações, mas sinaliza um movimento claro do governo de simplificação tributária com foco em maior eficiência arrecadatória.

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