Caso Master-BRB: próximos passos da investigação e depoimentos decisivos da PF
A investigação sobre o caso Master-BRB entrou em uma fase decisiva. Após a deflagração da Operação Compliance Zero em novembro de 2025, que resultou na prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de outros envolvidos, a Polícia Federal inicia agora a coleta de depoimentos estratégicos. A operação, que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), ganha contornos cada vez mais complexos e envolve a atuação direta do Supremo Tribunal Federal (STF).
A fase atual da investigação prevê oitivas concentradas em dois dias consecutivos, 26 e 27 de janeiro de 2026, conforme determinação do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. Os depoimentos serão realizados por videoconferência ou presencialmente no STF, das 8h às 16h. Entre os investigados estão diretores e ex-executivos do Banco Master e do BRB, além de empresários ligados às operações financeiras.
Operação Compliance Zero: histórico e contexto
A Operação Compliance Zero foi deflagrada para apurar a venda de créditos fictícios ao BRB e a existência de uma estrutura paralela de fundos e ativos inflados, supostamente administrada em conjunto com a gestora Reag DTVM. Segundo o Banco Central, as irregularidades teriam movimentado valores bilionários: R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas e outros R$ 11,5 bilhões em operações infladas.
A primeira fase da operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Banco Central. Vorcaro foi solto posteriormente, mas segue como investigado central na apuração do esquema. Além do Banco Master, a liquidação também atingiu a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários – nova denominação da Reag Trust – no dia 15 de janeiro de 2026, e o Will Bank em 21 de janeiro.
Depoimentos estratégicos da Polícia Federal
Nesta segunda-feira (26), a Polícia Federal iniciou as oitivas com oito investigados, que seguem até terça-feira (27). Entre os nomes que prestam depoimento estão:
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Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de finanças e controladoria do BRB;
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André Felipe de Oliveira Seixas Maia, empresário;
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Henrique Souza e Silva, empresário;
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Alberto Felix de Oliveira, superintendente de tesouraria do Banco Master;
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Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente do BRB;
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Luiz Antonio Bull, ex-diretor executivo do Master;
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Angelo Antonio Ribeiro da Silva, executivo do Banco Master;
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Augusto Ferreira Lima, ex-executivo do Banco Master.
O objetivo da PF é aprofundar as investigações, esclarecer a venda de créditos fictícios e mapear a rede de fundos e ativos inflados que teria beneficiado o Banco Master de forma irregular. O cronograma inicial, que previa a distribuição das oitivas ao longo de duas semanas, foi concentrado em dois dias após determinação do ministro Dias Toffoli.
Condução do inquérito e embates com o STF
A investigação do caso Master-BRB tem sido marcada por embates entre a Polícia Federal e o relator no STF. Decisões recentes de Toffoli definiram o formato das oitivas e determinaram que os celulares apreendidos na segunda fase da operação fossem acautelados exclusivamente na Procuradoria-Geral da República (PGR), restringindo o acesso direto da PF aos aparelhos.
Anteriormente, o ministro havia determinado que todos os itens apreendidos fossem encaminhados ao STF. O recuo permitiu que a extração de dados fosse realizada sob supervisão da PGR, evitando a perda de informações sensíveis. Agentes federais, no entanto, consideram algumas dessas decisões como possíveis interferências na condução da investigação.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, o inquérito tramita em “absoluta regularidade” sob a relatoria de Toffoli. Os depoimentos devem fornecer informações essenciais para a instrução do processo, permitindo que os delegados façam perguntas estratégicas sobre a operação financeira suspeita.
Operações financeiras suspeitas e impacto econômico
O caso Master-BRB envolve operações que teriam inflado artificialmente o patrimônio do Banco Master e beneficiado a gestora Reag DTVM. As suspeitas incluem a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos fictícios ao BRB e movimentações de outros R$ 11,5 bilhões em fundos paralelos.
A liquidação dos bancos e das gestoras envolvidas tem impacto direto no sistema financeiro, principalmente na confiança de investidores e no mercado de crédito. O Banco Central tem atuado com rigor para evitar prejuízos maiores e garantir que os ativos e passivos sejam tratados conforme a legislação vigente.
Próximos passos da investigação
Após os depoimentos desta semana, a Polícia Federal deve analisar detalhadamente as informações prestadas pelos investigados. A expectativa é que novas diligências, perícias contábeis e análise de documentos complementares possam aprofundar a apuração sobre o esquema financeiro.
Além disso, há expectativa de novas medidas judiciais, incluindo pedidos de prisão preventiva ou conduções coercitivas, caso surjam evidências de tentativas de obstrução da investigação ou risco de destruição de provas. O acompanhamento pelo STF e pela PGR garante que todas as etapas sejam realizadas com base legal, respeitando os direitos dos investigados.
Repercussão e atenção do mercado
O caso Master-BRB tem gerado atenção do mercado financeiro e da mídia especializada, dada a magnitude das operações suspeitas e a implicação de altos executivos e empresários. analistas destacam que a transparência da investigação é essencial para restaurar a confiança do setor bancário, especialmente no segmento de instituições de médio porte.
Investidores acompanham de perto as decisões do Banco Central e do STF, considerando que os desdobramentos podem afetar outros bancos e fundos que operam em carteira de crédito semelhante. A liquidação do Banco Master, da CBSF e do Will Bank demonstra a atuação firme das autoridades para conter irregularidades e proteger depositantes e investidores.
Contexto jurídico e operacional
A Operação Compliance Zero é emblemática pelo uso combinado de medidas judiciais, investigação administrativa e atuação do Banco Central. A coordenação entre a PF, PGR e STF garante que o processo siga legalmente estruturado, mas também evidencia a complexidade de investigar crimes financeiros que envolvem múltiplas instituições.
A atenção do Supremo Tribunal Federal, principalmente do ministro Dias Toffoli, mostra que o caso possui relevância institucional, com possíveis reflexos no sistema financeiro e na regulação bancária. A transparência, aliada à condução técnica da Polícia Federal, será decisiva para esclarecer responsabilidades e evitar que esquemas semelhantes se repitam.
O caso Master-BRB segue como uma das investigações financeiras mais complexas do país em 2026. Com a Operação Compliance Zero avançando para a fase de depoimentos estratégicos, o sistema bancário brasileiro acompanha atentamente os próximos passos. A atuação da Polícia Federal, do STF e do Banco Central será decisiva para a definição de responsabilidades e o fortalecimento da governança financeira.
A expectativa é que, nos próximos meses, novas revelações e medidas judiciais tragam maior clareza sobre o esquema suspeito que envolveu bilhões de reais em operações fictícias e ativos inflados. Para o mercado e para a sociedade, a investigação é fundamental para assegurar transparência, responsabilidade e integridade no setor bancário.






