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Defesa questiona provas da PGR no julgamento de Marielle Franco e Anderson Gomes

por Carlos Menezes
24/02/2026 às 20h21
em Política
Defesa Questiona Provas Da Pgr No Julgamento De Marielle Franco E Anderson Gomes - Gazeta Mercantil

Deputado cassado João Francisco Inácio Brazão, conhecidos como Chiquinho Brazão - Foto: Reprodução

Defesa questiona provas no julgamento de Marielle Franco e Anderson Gomes

O julgamento dos acusados de ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes começou nesta terça-feira (24) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), com forte ênfase da defesa na falta de provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Cinco réus respondem por crimes graves, que vão desde duplo homicídio qualificado até tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, além de organização criminosa.

O caso, que mobiliza atenção nacional e internacional, envolve figuras públicas de destaque, incluindo Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e seu irmão, o deputado cassado João Francisco Inácio Brazão, conhecidos como Chiquinho Brazão. Também são réus o ex-delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira e o policial militar Robson Calixto Fonseca.

Leia também: Compra da Skechers pela 3G Capital vira disputa nos EUA.


PGR mantém pedido de condenação enquanto defesas contestam provas

A PGR requereu a condenação de todos os réus, alegando que eles teriam participado diretamente do planejamento e execução do assassinato de Marielle e Anderson. Para a acusação, os crimes foram orquestrados por um grupo com influência política e acesso a recursos institucionais, tornando os atos característicos de homicídios qualificados e associação criminosa.

As defesas, no entanto, afirmam que não há provas materiais, testemunhais ou documentais suficientes que comprovem a participação direta de seus clientes. Advogados argumentam que o processo carece de elementos objetivos que vinculem os réus aos crimes, reforçando pedidos de absolvição com base na negativa de autoria.


Defesa de Rivaldo Barbosa enfatiza ausência de evidências

O ex-delegado Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior foi um dos réus cujas defesas mais criticaram a acusação. Segundo os advogados Felipe Dalleprane e Marcelo Souza, o Gaeco realizou mais de 60 diligências sem identificar qualquer evidência de envolvimento de Rivaldo no assassinato ou em crimes correlatos, como corrupção e lavagem de dinheiro.

“A acusação quer fazer crer que Rivaldo estaria em um banco de negócios sem que seu nome tenha sido sequer citado nas investigações”, afirmou Dalleprane. Marcelo Souza acrescentou que não existe comprovação de pagamento ao ex-delegado nem de influência dos irmãos Brazão na sua nomeação, reforçando a tese de negativa de autoria.

Para a defesa, a ausência de provas torna insustentável a imputação de responsabilidade penal e política sobre Rivaldo, demandando absolvição imediata.


Defesa de Chiquinho Brazão questiona coerência da acusação

O deputado cassado João Francisco Inácio Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, também teve sua defesa baseada na falta de consistência da acusação. O advogado Cleber Lopes criticou a delação de Ronnie Lessa, apontando que ela “esbarra nos fatos” e não apresenta lógica em relação à participação do parlamentar nos crimes.

“A acusação trabalha com o mais absoluto jejum em relação à prova. Todos sabemos que a prova carece de uma lógica. Esse processo não resiste a juízo crítico”, afirmou Lopes. Para ele, as tentativas da PGR de associar o réu aos crimes não se sustentam diante da análise criteriosa do processo e das evidências.


Análise jurídica do julgamento no STF

O caso Marielle Franco e Anderson Gomes é um dos mais complexos da história recente do Brasil, envolvendo homicídios de repercussão política, agentes estatais e delações premiadas. O STF terá que avaliar a materialidade dos crimes, a consistência das provas, a credibilidade das delações e a correlação entre testemunhos e documentos investigativos.

Especialistas em Direito Penal destacam que, para a condenação, é necessário comprovar autoria e motivação de forma inequívoca. A ausência de evidências robustas pode favorecer a defesa, especialmente considerando que o processo envolve figuras públicas e grande interesse social.

Além disso, o julgamento testa a capacidade do Judiciário em lidar com crimes complexos de grande repercussão, balanceando pressões políticas e sociais com os princípios constitucionais do devido processo legal e presunção de inocência.


Contexto histórico do caso

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018, gerou comoção nacional e internacional. Marielle, vereadora do Rio de Janeiro e ativista de direitos humanos, tornou-se símbolo da luta contra violência, racismo e violações de direitos civis. A morte da parlamentar representou um ataque à democracia e à atuação política de minorias.

Desde o crime, a investigação envolveu órgãos como o Gaeco, a PGR e a Polícia Civil, com diversas diligências e tentativas de elucidar a cadeia de comando do assassinato. O processo atual no STF concentra atenção porque envolve figuras de alto escalão político e agentes estatais, além de colocar à prova mecanismos de investigação, delação premiada e responsabilização criminal.


Implicações sociais e políticas

O julgamento tem repercussão direta no debate sobre segurança pública e responsabilização de agentes do Estado em crimes de grande gravidade. A discussão sobre provas, delações e participação dos réus reforça a importância do sistema judiciário na consolidação da justiça e no enfrentamento da criminalidade organizada.

Movimentos de direitos humanos acompanham de perto o julgamento, exigindo transparência, rigor e responsabilização, especialmente em casos de violência política. A atenção da sociedade e da mídia aumenta a pressão sobre o STF, destacando a relevância institucional do processo.


Repercussões legais e possíveis desdobramentos

A Primeira Turma do STF dará sequência ao julgamento com novas manifestações das defesas, apresentação de provas documentais e debates sobre a validade das delações. A decisão final poderá influenciar precedentes sobre o uso de delações premiadas, investigação de agentes públicos e limites da atuação da PGR em casos complexos de grande repercussão.

Além disso, o resultado poderá impactar reformas legislativas relacionadas a segurança de agentes políticos e proteção civil, fortalecendo a credibilidade das instituições e reforçando a necessidade de mecanismos eficazes de investigação e responsabilização penal.


Influência do caso na credibilidade das instituições

O julgamento de Marielle Franco e Anderson Gomes testa a confiança pública nas instituições brasileiras. A atuação do STF, aliada à análise rigorosa das provas, é essencial para demonstrar que mesmo crimes de grande repercussão podem ser julgados de forma imparcial.

A absolvição ou condenação dos réus terá repercussões duradouras sobre a percepção da sociedade em relação à impunidade, à eficiência das investigações e à responsabilidade do Estado em proteger cidadãos e agentes políticos contra atos criminosos de grande gravidade.


Desdobramentos esperados e cobertura internacional

O caso também possui repercussão internacional, sendo acompanhado por organizações de direitos humanos e veículos de imprensa global. O julgamento do STF reforça o papel do Brasil em mostrar capacidade institucional de lidar com crimes políticos e violência contra defensores de direitos humanos.

A expectativa é que a decisão do tribunal gere debates sobre mecanismos de responsabilização, limites do sistema de delações e eficácia das investigações criminais, influenciando não apenas o cenário jurídico nacional, mas também a imagem internacional do país em termos de justiça e proteção de direitos civis.

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