Lula critica Trump e diz que ele não foi eleito para ser “imperador do mundo”; Casa Branca rebate com dureza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu as tensões diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos ao fazer críticas diretas ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. Em um discurso enfático, Lula declarou que Trump “não foi eleito para ser imperador do mundo”, sinalizando seu descontentamento com a postura intervencionista do republicano em assuntos internacionais.
A fala de Lula, feita durante um evento com jornalistas estrangeiros, repercutiu fortemente em Washington e foi rapidamente respondida pela Casa Branca, que considerou as declarações “inadequadas e fora de contexto. O embate marca mais um capítulo nas relações já sensíveis entre os dois países e coloca o Brasil no centro de um debate global sobre o papel dos EUA na política internacional.
A fala de Lula: críticas à hegemonia norte-americana
Durante o evento, Lula abordou diversos temas da geopolítica atual, mas suas palavras mais contundentes foram direcionadas a Donald Trump e à postura dos Estados Unidos diante de conflitos internacionais, especialmente a guerra na Faixa de Gaza. Para Lula, a tentativa dos EUA de se posicionarem como árbitros globais contribui para a instabilidade em várias regiões do mundo.
“Trump não foi eleito para ser imperador do mundo”, disse Lula, referindo-se ao papel dominante dos EUA em decisões da ONU, no comércio internacional e em intervenções militares. A fala foi interpretada como uma crítica direta à política externa norte-americana, especialmente durante o governo Trump, que foi marcado por ações unilaterais e afastamento de acordos multilaterais.
Essa não foi a primeira vez que Lula critica Trump. Desde sua volta ao poder em 2023, o presidente brasileiro tem adotado uma postura mais crítica à influência dos EUA, defendendo uma ordem internacional mais multipolar e com maior protagonismo de países em desenvolvimento.
Reação imediata da Casa Branca
A Casa Branca reagiu quase que imediatamente às falas do presidente brasileiro. Em nota oficial, o porta-voz do governo dos EUA afirmou que os comentários de Lula são “lamentáveis” e “não contribuem para a construção de relações diplomáticas construtivas.
A resposta, ainda que diplomática, carregava um tom de firmeza: “Esperamos que o governo brasileiro mantenha o compromisso com a cooperação internacional baseada em diálogo respeitoso e compromisso mútuo com a estabilidade global.”
Nos bastidores, diplomatas americanos demonstraram surpresa com o tom adotado por Lula, interpretando-o como um aceno a blocos alternativos de poder, como o BRICS. A imprensa internacional também destacou a fala como um gesto simbólico de alinhamento com países que questionam a hegemonia ocidental.
Lula e o reposicionamento do Brasil no cenário internacional
Desde que reassumiu a presidência, Lula tem buscado recolocar o Brasil como um ator relevante na geopolítica global. Para isso, tem se aproximado de fóruns como G20, BRICS e ONU, defendendo um papel mais ativo do Sul Global nas decisões internacionais.
As críticas a Donald Trump fazem parte dessa estratégia de apresentar o Brasil como um defensor da multipolaridade. Ao colocar em xeque a liderança dos Estados Unidos, Lula reforça seu discurso de que as decisões mundiais não podem ficar concentradas nas mãos de poucos países.
Além disso, a retórica de Lula contra Trump também serve para reforçar sua imagem diante do eleitorado interno, especialmente entre os que veem com desconfiança a influência norte-americana na política brasileira.
Repercussão política interna e internacional
A fala de Lula gerou reações contrastantes no Brasil. Setores progressistas elogiaram a coragem do presidente em confrontar a hegemonia dos EUA. Já a oposição classificou as declarações como imprudentes e prejudiciais às relações bilaterais.
Nos Estados Unidos, o episódio também gerou debates. Enquanto aliados de Trump usaram as críticas como munição para atacar a política externa de Joe Biden, afirmando que “os aliados estão perdendo respeito”, setores mais progressistas americanos viram a fala de Lula como um reflexo da insatisfação global com a era Trump.
Especialistas em relações internacionais analisam que as falas de Lula são parte de um movimento mais amplo de líderes do Sul Global que buscam maior autonomia e voz em temas internacionais, como conflitos armados, mudanças climáticas e comércio.
O impacto nas eleições americanas de 2024
As declarações de Lula surgem em um momento de intensa polarização política nos Estados Unidos. Donald Trump está em campanha para retornar à Casa Branca nas eleições presidenciais de 2024, e qualquer menção internacional ao seu nome tende a ganhar repercussão doméstica.
A crítica feita por um chefe de Estado estrangeiro — e particularmente de um país com histórico de boas relações com os EUA — pode ser usada tanto como argumento contra Trump quanto como bandeira de campanha. Os democratas, por exemplo, podem usar o episódio para reforçar a ideia de que o mundo “teme o retorno de Trump”, enquanto os republicanos devem denunciar a “ingerência estrangeira” na política americana.
Histórico de tensão entre Lula e Trump
Embora Lula e Trump nunca tenham se encontrado oficialmente, o histórico de tensões entre os dois é evidente. Em 2019, ainda preso, Lula criticou a política de Trump em relação à Amazônia. Já em 2020, durante a pandemia de COVID-19, o petista acusou o então presidente americano de “negligência criminosa”.
Por sua vez, Trump manteve proximidade com Jair Bolsonaro, adversário político direto de Lula. Essa relação próxima entre os dois ex-presidentes consolidou uma espécie de rivalidade simbólica entre Lula e Trump no cenário global, marcada por visões opostas de mundo.
O futuro das relações Brasil-EUA
Apesar das trocas de farpas, analistas políticos consideram improvável uma deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos a curto prazo. Ambos os países mantêm interesses econômicos e comerciais relevantes e têm cooperação ativa em temas como meio ambiente, segurança cibernética e energia.
Ainda assim, as falas de Lula indicam que seu governo continuará a adotar uma postura crítica e independente em relação à política externa norte-americana, especialmente se Trump vencer as eleições e retornar à Casa Branca.
Nesse cenário, o Brasil pode buscar ainda mais alianças com blocos alternativos e reforçar seu papel como articulador de uma nova ordem internacional mais descentralizada.
A declaração de que “Trump não foi eleito para ser imperador do mundo” ecoa muito além de um simples comentário político. Ela representa a estratégia do presidente Lula de desafiar o domínio unipolar dos EUA e reafirmar o papel do Brasil como protagonista internacional independente.
A reação da Casa Branca mostra que os Estados Unidos continuam atentos a qualquer sinal de contestação à sua liderança, especialmente quando ela vem de parceiros estratégicos. A relação entre Brasil e EUA seguirá sendo um ponto de atenção, principalmente em um cenário global em constante transformação e com a possibilidade real do retorno de Trump ao poder.






