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Lula lança Move Aplicativos com R$ 30 bilhões em crédito para motoristas e taxistas

Programa prevê financiamento de veículos novos de até R$ 150 mil, juros abaixo da Selic, carência de até seis meses e condições diferenciadas para mulheres

por Maria Helena Costa
19/05/2026 às 20h34
em Economia
Lula Lança Move Aplicativos Com R$ 30 Bilhões Em Crédito Para Motoristas E Taxistas - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou nesta terça-feira (19), em São Paulo, o programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, também chamado de Move Aplicativos, com previsão de até R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem veículos novos, manutenção e capital de giro. A medida, operacionalizada com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prevê juros abaixo da Selic, prazo de pagamento de até 72 meses e carência de até seis meses, em uma tentativa do governo de reduzir o custo de renovação da frota usada no transporte individual de passageiros.

Durante o evento, Lula afirmou que ainda pretende viabilizar condições para financiamento de motos de qualidade a preços mais acessíveis para trabalhadores do setor. A declaração foi feita no contexto de uma agenda voltada a profissionais que atuam em plataformas digitais, táxis e transporte urbano.

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O Move Aplicativos será voltado a motoristas de aplicativo e taxistas que cumprirem critérios de elegibilidade. Segundo informações oficiais, o programa atenderá taxistas registrados, ativos e com regularidade fiscal, além de motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos um ano e, no mínimo, 100 corridas realizadas no mesmo período e na mesma plataforma.

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A nova linha de crédito busca atender uma demanda recorrente de trabalhadores do transporte por aplicativo, que enfrentam custos elevados com compra, manutenção, seguro, combustível, aluguel de veículos e depreciação. Para o governo, a medida também tem o objetivo de estimular a renovação da frota e ampliar a circulação de veículos mais eficientes.

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Programa prevê veículos de até R$ 150 mil

A medida provisória assinada por Lula prevê crédito para aquisição de veículos novos e sustentáveis com preço de até R$ 150 mil. O programa terá participação de instituições financeiras, que farão a análise de crédito dos interessados e a contratação das operações conforme as regras estabelecidas.

O financiamento poderá ter prazo de até 72 meses, com carência de até seis meses. As taxas serão inferiores à Selic, atualmente em patamar elevado, o que torna o custo do crédito uma das principais barreiras para trabalhadores autônomos que dependem do veículo para gerar renda.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que os juros anuais serão de 12,6% para homens e 11,5% para mulheres. Segundo o banco, a medida prevê condições mais favoráveis para mulheres como forma de estimular a participação feminina no setor.

A diferenciação por gênero também deve permitir financiamento de mecanismos de segurança, de acordo com declarações de Mercadante. A medida mira um segmento em que mulheres enfrentam barreiras adicionais de entrada e permanência, sobretudo por questões relacionadas à segurança, jornada e exposição a riscos no transporte urbano.

BNDES terá papel central na operação

O BNDES será uma das instituições centrais na estruturação do Move Aplicativos. A linha de crédito deve contar com garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito via Fundo Garantidor para Investimentos, o PEAC-FGI, mecanismo usado para reduzir risco das operações e facilitar o acesso ao financiamento.

Na prática, o uso de garantias públicas pode aumentar a disposição dos bancos a conceder crédito a motoristas autônomos, categoria que muitas vezes enfrenta dificuldade para comprovar renda regular ou acessar financiamentos em condições competitivas.

A instituição financeira responsável pela operação fará a análise de crédito. Caso o pedido seja aprovado, o trabalhador poderá contratar o financiamento nas condições do programa. Isso significa que a adesão não será automática: cada motorista ou taxista precisará cumprir os requisitos e passar pela avaliação do agente financeiro.

O desenho do programa tenta equilibrar política pública e critérios bancários. De um lado, o governo busca ampliar o acesso ao crédito. De outro, as instituições financeiras mantêm avaliação de risco, documentação e capacidade de pagamento como etapas necessárias para liberar os recursos.

Linha mira motoristas de aplicativo e taxistas

O Move Aplicativos foi desenhado para atender duas categorias que atuam diretamente no transporte individual: motoristas de aplicativos e taxistas. Embora os dois grupos tenham modelos de atuação distintos, ambos dependem do veículo como principal ferramenta de trabalho.

No caso dos motoristas de aplicativo, o programa exige histórico mínimo de atuação. A regra de cadastro ativo há pelo menos um ano e 100 corridas no período busca direcionar a linha a profissionais que já exercem a atividade de forma comprovada.

Para taxistas, a exigência envolve registro ativo e regularidade fiscal. A intenção é atender profissionais formalizados e em atividade, reduzindo o risco de uso da linha por pessoas que não atuam no setor.

A medida também ocorre em meio à expansão do trabalho por plataformas digitais no Brasil. O transporte por aplicativo passou a ocupar papel relevante na renda de milhões de trabalhadores, ao mesmo tempo em que trouxe debates sobre remuneração, custos operacionais, proteção social, segurança e regulação.

Lula fala em motos mais acessíveis

Durante o lançamento, Lula afirmou que ainda espera realizar o objetivo de financiar motos de qualidade a preços mais baixos para trabalhadores. A fala foi dirigida especialmente aos motociclistas que atuam em entregas, transporte e serviços urbanos.

A declaração não altera, por ora, o eixo principal do Move Aplicativos, que foi apresentado com foco no financiamento de veículos novos para motoristas de aplicativo e taxistas. Ainda assim, sinaliza que o governo pretende manter novas iniciativas voltadas ao setor de mobilidade e aos trabalhadores vinculados a plataformas digitais.

O presidente disse que o programa lançado nesta terça é o primeiro de uma série de iniciativas para o segmento. Também afirmou que a organização dos trabalhadores será importante para a construção de novas políticas.

A fala tem peso político porque os trabalhadores de aplicativos formam um grupo numeroso, disperso e com diferentes demandas. Parte da categoria cobra acesso a crédito, redução de custos e segurança; outra parte acompanha com cautela propostas de regulação que possam alterar a autonomia e a remuneração nas plataformas.

Crédito pode aliviar custo da frota, mas aumenta endividamento

Para motoristas e taxistas, a linha de crédito pode reduzir o custo de entrada na compra de um veículo novo, especialmente em um cenário de juros elevados. A possibilidade de financiamento com taxa inferior à Selic tende a tornar a operação mais acessível do que alternativas tradicionais de mercado.

Ainda assim, a contratação de crédito exige atenção. O financiamento de até 72 meses alonga o pagamento, mas também cria compromisso financeiro de longo prazo para trabalhadores cuja renda pode variar conforme demanda, preço dos combustíveis, tarifas das plataformas e custos de manutenção.

O impacto final para o motorista dependerá da taxa efetiva contratada, do valor financiado, da entrada exigida, do custo do seguro, da manutenção e da receita líquida obtida com o trabalho. Veículos mais novos podem reduzir gastos com manutenção, mas também envolvem custos de aquisição mais elevados.

Para taxistas, o programa pode acelerar a renovação da frota, especialmente entre profissionais que atuam em grandes centros urbanos. Para motoristas de aplicativo, pode reduzir a dependência de aluguel de veículos, modalidade que cresceu no setor e consome parte significativa da renda mensal.

Setor automotivo acompanha potencial de demanda

O programa também interessa à indústria automotiva. Uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para compra de veículos novos pode estimular vendas em um segmento específico, especialmente se houver adesão relevante por motoristas profissionais.

A exigência de veículos novos e sustentáveis tende a beneficiar modelos mais eficientes, com menor consumo e menor emissão. O governo também busca alinhar o programa a uma agenda de renovação da frota, eficiência energética e modernização do transporte urbano.

Montadoras, concessionárias, bancos e seguradoras devem acompanhar a regulamentação final e o comportamento da demanda. A efetividade do programa dependerá da disponibilidade de modelos dentro do limite de R$ 150 mil, das condições oferecidas pelas instituições financeiras e da capacidade de pagamento dos profissionais.

A medida também pode influenciar o mercado de veículos usados. Caso parte dos motoristas troque carros antigos por modelos novos, pode haver aumento de oferta de usados em determinadas faixas de preço. Esse efeito, porém, dependerá do volume de adesões.

Mulheres terão condições mais favoráveis

A taxa menor para mulheres é um dos pontos centrais do desenho anunciado pelo BNDES. Segundo Mercadante, os juros serão de 11,5% ao ano para mulheres, contra 12,6% ao ano para homens.

A diferença busca incentivar maior presença feminina no transporte por aplicativo e no táxi. O setor ainda é majoritariamente masculino, em parte por barreiras relacionadas à segurança, exposição em jornadas noturnas e risco de violência.

O financiamento de mecanismos de segurança também foi citado como uma medida complementar. Esse ponto pode incluir equipamentos ou soluções voltadas à proteção das motoristas, embora os detalhes operacionais dependam da regulamentação e das condições oferecidas pelas instituições financeiras.

A política de juros diferenciados deve ser observada sob dois ângulos. Para o governo, trata-se de um incentivo de inclusão. Para o mercado financeiro, será necessário avaliar como a regra será aplicada na prática, quais documentos serão exigidos e como será feita a contratação.

Medida amplia agenda do governo para trabalhadores de plataforma

O lançamento do Move Aplicativos ocorre em meio à tentativa do governo de ampliar políticas voltadas a trabalhadores vinculados a plataformas digitais. O setor ganhou relevância econômica nos últimos anos e passou a ocupar espaço central no debate sobre renda, informalidade, proteção social e novas formas de trabalho.

Ao optar por uma linha de crédito, o governo atua em uma dimensão específica do problema: o custo do instrumento de trabalho. Para motoristas, o veículo representa ativo produtivo, mas também despesa recorrente. Compra, manutenção, combustível, seguro, impostos e depreciação reduzem o ganho líquido.

A medida não resolve todos os desafios do setor, mas pode modificar a estrutura de custos para parte dos profissionais que conseguirem acesso ao financiamento. O alcance dependerá da adesão dos bancos, da aprovação de crédito e da capacidade dos trabalhadores de assumir parcelas de longo prazo.

Do ponto de vista fiscal e financeiro, o uso de garantias e recursos públicos exigirá acompanhamento. Programas de crédito direcionado podem ampliar acesso, mas também demandam controle de inadimplência e avaliação de efetividade.

Regras finais definirão alcance do Move Aplicativos

O Move Aplicativos passa agora a depender da regulamentação, da operacionalização pelos bancos e da adesão dos trabalhadores. A medida provisória estabelece a base do programa, mas os detalhes práticos serão decisivos para determinar seu alcance.

Entre os pontos que devem ser acompanhados estão os critérios de comprovação de atividade, a lista de veículos elegíveis, a forma de aplicação das taxas diferenciadas, as garantias exigidas, o valor máximo financiável e as condições para manutenção e capital de giro.

Também será importante observar a participação das plataformas de transporte, dos sindicatos, das associações de taxistas e das instituições financeiras. A articulação entre esses atores pode influenciar o ritmo de adesão ao programa.

O governo apresenta o Move Aplicativos como uma política de crédito para trabalhadores que dependem do veículo para gerar renda. Para motoristas e taxistas, o programa pode representar oportunidade de renovação da frota em condições mais favoráveis. Para o setor automotivo e financeiro, a medida abre uma nova frente de demanda em um mercado sensível a juros, renda e confiança.

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