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Mercado Livre (MELI34) perde posto de empresa mais valiosa da América Latina para Petrobras (PETR4) e Itaú (ITUB4)

por João Souza - Repórter de Negócios
24/02/2026
em Negócios, Destaque, Notícias
Mercado Livre (Meli34) Perde Posto De Empresa Mais Valiosa Da América Latina Para Petrobras (Petr4) E Itaú (Itub4) - Gazeta Mercantil

Mercado Livre (MELI34) perde posto de empresa mais valiosa da América Latina para Petrobras (PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4)

O Mercado Livre (MELI34), gigante do e-commerce argentino, deixou de ser a empresa mais valiosa da América Latina nesta terça-feira (24), segundo levantamento da Elos Ayta. O ranking mostra que a Petrobras (PETR4) e o Itaú Unibanco (ITUB4) assumiram a dianteira em valor de mercado, refletindo uma retomada parcial da relevância de setores tradicionais como energia e financeiro na região.

A Petrobras (PETR4) lidera agora com valor de mercado de US$ 100,9 bilhões, crescimento de US$ 26,3 bilhões desde o fim de 2025, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) alcançou US$ 97,8 bilhões, adicionando US$ 22,1 bilhões. Já o Mercado Livre (MELI34) registrou queda de US$ 7,6 bilhões, recuando para US$ 94,5 bilhões. Este movimento interrompeu o ciclo de domínio das empresas de tecnologia iniciado em agosto de 2024.


Histórico da liderança do Mercado Livre (MELI34) na América Latina

Desde agosto de 2024, o Mercado Livre (MELI34) liderava como a empresa mais valiosa da América Latina, impulsionado pelo crescimento expressivo do comércio eletrônico na região. Naquele período, a companhia ultrapassou a Petrobras (PETR4), sinalizando a consolidação de empresas de tecnologia frente aos setores tradicionais.

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O ajuste atual mostra uma correção natural do mercado, com maior valorização de companhias de energia, financeiro e commodities, que oferecem resultados mais previsíveis e resilientes.


Petrobras (PETR4) retoma liderança com forte valorização

A Petrobras (PETR4) voltou à liderança, registrando o maior ganho absoluto em valor de mercado entre as empresas latino-americanas, com US$ 26,3 bilhões adicionados desde o fim de 2025. O crescimento reflete não apenas a recuperação do setor de energia, mas também fatores cambiais: a desvalorização de 6,16% do dólar em 2026 valorizou automaticamente as empresas brasileiras em dólares, ampliando a percepção de crescimento.

Analistas destacam que a Petrobras (PETR4) continua sendo um ativo estratégico, atraindo investidores por sua posição dominante no setor de petróleo e gás, fluxo de caixa robusto e estabilidade regulatória relativa.


Itaú Unibanco (ITUB4) consolida segunda posição no ranking

O Itaú Unibanco (ITUB4) reforçou sua posição com valor de mercado de US$ 97,8 bilhões, crescimento de US$ 22,1 bilhões. O avanço reflete a resiliência do setor financeiro diante de volatilidade econômica e confiança de investidores na governança corporativa do banco.

A instituição mostra que o setor financeiro permanece central na composição do valor de mercado latino-americano, mesmo em meio à expansão acelerada de empresas de tecnologia e fintechs.


Mercado Livre (MELI34): desempenho recente e perspectivas

Apesar da perda da liderança, o Mercado Livre (MELI34) mantém relevância operacional significativa. O balanço do quarto trimestre de 2025, divulgado nesta terça-feira, destaca investimentos em logística, frete grátis e expansão de categorias no marketplace.

Analistas do BTG Pactual (BPAC11) apontam como métricas-chave o crescimento do GMV (Volume Bruto de Mercadorias), eficiência, penetração de publicidade, receita de frete e número de compradores ativos. No último trimestre, o take rate do marketplace foi de 21,1%, levemente inferior ao ano anterior devido a investimentos estratégicos, compensados parcialmente por receitas de publicidade e fidelidade.

A redução do limite de frete grátis é interpretada como investimento de longo prazo para aumentar frequência e retenção de compradores, com impacto relevante na take rate e na sustentabilidade do crescimento. Crescimento do GMV acima de 30% no Brasil, aliado à estabilização do take rate, indicaria normalização dos reinvestimentos da empresa.


Influência cambial sobre o valor de mercado

Fatores cambiais tiveram papel decisivo na valorização de Petrobras (PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4). A queda do dólar aumentou o valor das empresas brasileiras em dólares, reforçando a percepção de ganho para investidores internacionais.

Enquanto isso, o Mercado Livre (MELI34) sofreu ajustes relativos em meio à retomada de empresas tradicionais. Apenas duas companhias apresentaram queda em 2026: Mercado Livre (MELI34) e Nu Holdings (NU), com perda conjunta de US$ 2,65 bilhões.


Outros destaques do ranking latino-americano

Além de Petrobras (PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4), a Vale (VALE3) registrou aumento de US$ 16,4 bilhões, refletindo valorização das commodities e demanda global por minério de ferro. O BTG Pactual (BPAC11) somou US$ 15,5 bilhões, enquanto o Grupo México (GMEXICOB) avançou US$ 19,1 bilhões. Esses números demonstram a retomada do protagonismo de setores tradicionais como mineração e financeiro na composição do valor de mercado regional.


Perspectivas estratégicas e desafios do Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre (MELI34) permanece referência em tecnologia e e-commerce na América Latina. O foco futuro está na monetização do crescimento já obtido, equilibrando investimentos em logística, marketing e expansão de serviços.

O desempenho dependerá da eficiência da estratégia de reinvestimento, controle de custos de frete e expansão das receitas de publicidade e serviços financeiros, essenciais para sustentabilidade e eventual recuperação do valor de mercado.


Implicações para investidores

A mudança na liderança do ranking da empresa mais valiosa da América Latina indica diversificação no protagonismo corporativo. Setores tradicionais retomam relevância, enquanto empresas de tecnologia enfrentam maior pressão por resultados tangíveis e eficiência.

O cenário reforça a importância da análise de fatores cambiais, da gestão estratégica de reinvestimentos e da capacidade de monetização de ativos digitais para avaliação de empresas de alto valor na América Latina.

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