As ações da Mills (MILS3) dispararam nesta segunda-feira, 25 de maio, após a companhia anunciar a venda de seu controle para a francesa Loxam, maior locadora de equipamentos da Europa. A operação prevê a compra de 50,3% do capital social da Mills (MILS3), atualmente detido pelos acionistas controladores, pelo valor de R$ 16 por ação, em um negócio que também obrigará a compradora a realizar uma oferta pública de aquisição, a OPA, pela totalidade dos papéis remanescentes.
Por volta das 13h40, Mills (MILS3) avançava 15,65%, cotada a R$ 15,15, em forte reação do mercado ao anúncio. A valorização aproximou o preço negociado em bolsa do valor oferecido pela Loxam aos controladores, indicando que investidores passaram a usar o preço da transação como referência para o papel.
Segundo fato relevante divulgado pela Mills (MILS3), o valor de R$ 16 por ação representa prêmio de aproximadamente 22% em relação ao fechamento da última sexta-feira, 22 de maio. O pagamento será realizado à vista no fechamento da operação, que ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.
Loxam compra controle da Mills
A Loxam acertou a aquisição da totalidade da participação detida pelos atuais controladores da Mills (MILS3), equivalente a 50,3% do capital social da companhia. A operação marca a entrada do grupo francês no controle de uma das principais empresas brasileiras de locação de equipamentos.
Fundada em 1967, a Loxam é considerada a maior locadora de equipamentos da Europa. A companhia já atua no Brasil desde 2015, por meio da Loxam do Brasil e da A Geradora, empresas voltadas à locação de máquinas, plataformas, geradores e soluções para diferentes setores da economia.
Com a compra da Mills (MILS3), o grupo francês amplia sua presença no mercado brasileiro e ganha escala em um segmento ligado a infraestrutura, construção, indústria, logística e serviços. A operação também fortalece a posição da Loxam em um país com demanda estrutural por equipamentos e soluções de locação.
Para a Mills (MILS3), a mudança de controle pode representar uma nova fase estratégica. A companhia passa a ter como potencial controlador um grupo internacional com experiência operacional, presença global e atuação consolidada em locação de equipamentos.
Preço terá atualização antes do fechamento
O valor de R$ 16 por ação ainda será atualizado por 70% do CDI entre o 31º dia após a assinatura do contrato e a conclusão da operação. O pagamento será feito à vista no fechamento do negócio.
A conclusão da transação depende de condições precedentes, incluindo a aprovação do Cade. Esse tipo de análise é comum em operações de aquisição e busca avaliar eventuais impactos concorrenciais no mercado.
Até a conclusão, a operação seguirá sujeita a prazos regulatórios, análise de documentos e cumprimento das etapas previstas no contrato. Enquanto isso, o mercado tende a acompanhar a diferença entre a cotação de Mills (MILS3) na B3 e o preço oferecido pela Loxam.
A forte alta das ações nesta segunda-feira reflete justamente essa expectativa. Quando uma transação de controle é anunciada com preço acima da cotação de mercado, os papéis costumam se ajustar ao valor da oferta, descontando riscos de aprovação, prazo e execução.
OPA pode levar à saída da Mills da bolsa
Além da compra do bloco de controle, a Loxam terá de realizar uma OPA pela totalidade das ações remanescentes da Mills (MILS3). A obrigação está prevista na Lei das Sociedades por Ações, nas regras da Comissão de Valores Mobiliários, no regulamento do Novo Mercado, no estatuto social da companhia e no contrato da operação.
Segundo o fato relevante, a oferta aos demais acionistas deverá ser feita pelo mesmo preço pago aos controladores. O valor será atualizado pela taxa Selic entre a data de fechamento da alienação de controle e a liquidação da OPA.
A exigência protege acionistas minoritários em casos de troca de controle. Na prática, permite que investidores que não participaram da venda do bloco controlador tenham a oportunidade de vender suas ações nas mesmas condições econômicas oferecidas aos controladores.
A OPA também abre caminho para uma possível saída da Mills (MILS3) da bolsa. Caso a Loxam consiga adquirir parcela suficiente das ações em circulação, a companhia poderá avançar em uma reorganização societária que inclua fechamento de capital ou redução expressiva do free float.
Mercado reage à possibilidade de oferta total
A perspectiva de uma oferta pela totalidade das ações em circulação foi o principal fator por trás da disparada de Mills (MILS3) no pregão. Com a OPA obrigatória, investidores passaram a avaliar a probabilidade de receber uma proposta equivalente ao preço pago no bloco de controle.
A diferença entre a cotação em bolsa e o preço de R$ 16 por ação reflete o chamado desconto de risco. Esse desconto considera fatores como aprovação regulatória, prazo até a conclusão da operação, atualização do valor, condições contratuais e possibilidade de mudanças no cronograma.
Mesmo com esses riscos, o anúncio reduziu a incerteza sobre o valor de referência da ação no curto prazo. Por isso, os papéis se aproximaram rapidamente do preço da operação.
Em casos de venda de controle com OPA obrigatória, é comum que o mercado ajuste a cotação para perto do valor oferecido, especialmente quando a compradora é uma empresa de grande porte e a operação tem estrutura financeira clara.
Aquisição reforça disputa no setor de locação de equipamentos
A compra da Mills (MILS3) pela Loxam ocorre em um setor que tem ganhado importância no Brasil. A locação de equipamentos é usada por empresas que buscam reduzir necessidade de investimento próprio, aumentar flexibilidade operacional e acessar máquinas sem comprometer capital com compra de ativos.
Esse modelo é relevante em segmentos como construção civil, infraestrutura, energia, indústria, eventos, logística, mineração e manutenção predial. Em vez de comprar equipamentos, empresas contratam locadoras para atender demandas temporárias ou projetos específicos.
A Mills (MILS3) atua nesse mercado com soluções como plataformas elevatórias, escoramentos, formas e equipamentos para diferentes aplicações. A companhia se beneficiou nos últimos anos da retomada de obras, expansão de projetos industriais e maior uso de locação como alternativa ao investimento direto em máquinas.
A entrada de um grupo global como a Loxam pode intensificar a competição e ampliar a escala do setor no Brasil. A compradora traz experiência internacional e pode buscar sinergias operacionais, ganhos de eficiência e maior capilaridade comercial.
Negócio depende de aprovação do Cade
A conclusão da venda de controle da Mills (MILS3) ainda depende de aprovação do Cade. O órgão analisará se a transação pode gerar concentração relevante no mercado de locação de equipamentos ou prejudicar a concorrência.
A avaliação concorrencial levará em conta a presença da Loxam no Brasil, a atuação da Mills (MILS3), o nível de competição no setor e a existência de outros players relevantes. Também serão considerados mercados específicos de equipamentos, regiões de atuação e eventuais sobreposições entre as empresas.
Enquanto o processo estiver em análise, investidores devem acompanhar comunicados da companhia e eventuais manifestações do regulador. A aprovação sem restrições tende a reduzir o desconto de risco incorporado ao preço da ação.
Caso o Cade imponha condições, a conclusão da operação poderá depender de ajustes. Em situações extremas, o órgão pode reprovar operações, embora esse desfecho dependa da avaliação técnica sobre impacto concorrencial.
Venda de controle muda leitura sobre Mills (MILS3)
Antes do anúncio, Mills (MILS3) era avaliada pelo mercado com base em crescimento operacional, demanda por locação, margens, endividamento, investimentos e perspectivas para infraestrutura e construção. Com a venda de controle, a leitura de curto prazo muda.
A ação passa a ser influenciada principalmente pelo preço da operação, pelo cronograma de aprovação e pela OPA obrigatória. Para investidores, o foco deixa de ser apenas a tese operacional e passa a incluir a probabilidade de conclusão do negócio.
Ainda assim, os fundamentos da companhia continuam relevantes para a compradora. A Loxam está adquirindo uma empresa com presença consolidada no mercado brasileiro e potencial de integração com suas operações locais.
A transação também sinaliza interesse estrangeiro por ativos brasileiros ligados a serviços industriais e infraestrutura. Mesmo em um ambiente de juros elevados, empresas com escala, presença nacional e capacidade de geração de caixa continuam atraindo compradores estratégicos.
Ação deve seguir atrelada ao preço da OPA
Nos próximos pregões, Mills (MILS3) tende a seguir negociando próxima ao preço de referência da operação, ajustada pelo risco de execução e pelo prazo até a conclusão. O mercado deverá monitorar a tramitação no Cade, os comunicados da companhia e as condições da OPA.
Para acionistas minoritários, a principal informação é que a Loxam deverá lançar oferta pela totalidade das ações remanescentes pelo mesmo preço pago aos controladores, com atualização pela Selic entre o fechamento da alienação de controle e a liquidação da oferta.
A operação pode representar uma oportunidade de saída para investidores que desejam vender as ações em condições equivalentes às dos controladores. Ao mesmo tempo, quem permanecer no papel assumirá os riscos de prazo, aprovação e eventual fechamento de capital.
O anúncio colocou Mills (MILS3) entre os principais destaques da B3 nesta segunda-feira. A alta superior a 15% reflete a leitura de que a venda de controle para a Loxam destravou valor imediato para os acionistas e abriu caminho para uma possível reorganização societária da companhia.









