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Mineradoras globais podem destravar US$ 80 bilhões em infraestrutura, destaca Goldman Sachs

por João Souza
26/02/2026 às 20h11
em Negócios
Balanços Corporativos 4T25: Vale, Irb(Re), Raízen, Xp E Usiminas Movimentam O Mercado Nesta Sexta-Feira Os Balanços Corporativos 4T25 Dominaram A Agenda Do Mercado Nesta Sexta-Feira (13), Com Resultados Relevantes De Companhias De Peso Na B3, Entre Elas Vale (Vale3), Irb(Re) (Irbr3), Raízen (Raiz4), Usiminas (Usim3; Usim5), Telefônica Brasil (Vivt3), Xp (Xpbr31) E Jalles (Jall3). O Conjunto Dos Balanços Corporativos 4T25 Revela Um Cenário Heterogêneo Entre Setores Como Mineração, Seguros, Energia, Siderurgia, Telecomunicações E Serviços Financeiros. Enquanto Algumas Empresas Apresentaram Recuperação Operacional E Retomada De Distribuição De Proventos, Outras Reportaram Prejuízos Bilionários E Ajustes Relevantes Em Ativos. O Ambiente Macroeconômico Segue Pressionado Por Juros Elevados No Brasil, Desaceleração Global E Volatilidade Nos Preços De Commodities, Fatores Que Influenciam Diretamente Os Balanços Corporativos 4T25 E A Percepção De Risco Por Parte Dos Investidores. Vale (Vale3) Registra Prejuízo Bilionário No Quarto Trimestre A Vale (Vale3) Reportou Prejuízo Líquido Atribuído Aos Acionistas De Us$ 3,8 Bilhões No Quarto Trimestre De 2025. O Resultado Representa Deterioração Frente Ao Prejuízo De Us$ 694 Milhões No Mesmo Período De 2024 E Reverte O Lucro De Us$ 2,7 Bilhões Registrado No Terceiro Trimestre. O Desempenho Nos Balanços Corporativos 4T25 Da Mineradora Foi Impactado Por Despesas Relacionadas A Brumadinho, Ajustes Em Contratos De Streaming E Efeitos Fiscais. Apesar Do Prejuízo Contábil, A Companhia Apresentou Crescimento Na Receita Líquida, Que Somou Us$ 11,1 Bilhões, Avanço Anual De 9%. O Ebitda Proforma Atingiu Us$ 4,8 Bilhões, Alta De 17% Na Comparação Anual, Refletindo Maior Contribuição Da Divisão De Metais Básicos E Preços Mais Elevados Do Cobre No Mercado Internacional. A Administração Reforçou Que Superou Os Guidances Operacionais E Manteve Disciplina Na Alocação De Capital, Ponto Central Observado Nos Balanços Corporativos 4T25 Por Investidores Institucionais. Irb(Re) (Irbr3) Volta Ao Lucro E Anuncia Possível Retomada De Dividendos Entre Os Destaques Positivos Dos Balanços Corporativos 4T25, O Irb(Re) (Irbr3) Reportou Lucro Líquido De R$ 143 Milhões No Período, Alta De 27% Na Comparação Anual. O Resultado Ficou Próximo Das Projeções Do Mercado E Marca Um Movimento Relevante Na Reestruturação Financeira Da Companhia. A Empresa Informou Que Encerrou 2025 Com Reservas De Lucros E Pretende Deliberar Sobre Distribuição De Dividendos No Fim De Março. O Resultado Financeiro E Patrimonial Alcançou R$ 164 Milhões, Avanço De 51%, Enquanto O Resultado De Subscrição Atingiu R$ 293 Milhões, Crescimento De 65% Na Base Anual. A Retomada De Rentabilidade Posiciona O Irb(Re) Como Um Dos Nomes Mais Observados Dentro Dos Balanços Corporativos 4T25, Especialmente Após Anos De Reestruturação E Ajustes Contábeis. Raízen (Raiz4) Amplia Prejuízo E Registra Impacto Bilionário Na Contramão, A Raízen (Raiz4) Reportou Prejuízo Líquido De R$ 15,65 Bilhões No Terceiro Trimestre Da Safra 2025/2026 (3T26), Contra Perda De R$ 2,57 Bilhões No Mesmo Período Do Ciclo Anterior. Segundo A Companhia, O Resultado Refletiu Impacto Pontual, Sem Efeito Caixa, No Montante De R$ 11,1 Bilhões, Relacionado À Constituição De Provisão Para Não Realização De Determinados Ativos. Desconsiderando Efeitos Não Recorrentes, O Prejuízo Teria Sido De R$ 4,5 Bilhões. Ainda Assim, O Desempenho Foi Acompanhado De Ebitda Negativo De R$ 4,4 Bilhões, Frente A Resultado Positivo De R$ 2,55 Bilhões No Mesmo Intervalo Anterior. O Segmento De Energia E Biocombustíveis Enfrenta Cenário Desafiador, Influenciado Pelo Diferencial De Preços Entre Etanol E Açúcar E Pela Dinâmica Do Mercado Internacional, Fatores Que Pesaram Nos Balanços Corporativos 4T25. Usiminas (Usim5) Reverte Prejuízo No Quarto Trimestre A Usiminas (Usim3; Usim5) Registrou Lucro Líquido De R$ 129 Milhões No Quarto Trimestre De 2025, Revertendo Prejuízo De R$ 117 Milhões No Mesmo Período De 2024. Apesar Da Recuperação Trimestral, A Companhia Encerrou O Ano Com Prejuízo Acumulado De R$ 2,91 Bilhões. O Ebitda Ajustado Foi De R$ 417 Milhões No 4T25, Queda De 19% Na Comparação Anual, Enquanto A Receita Líquida Atingiu R$ 6,17 Bilhões, Retração De 5%. No Contexto Dos Balanços Corporativos 4T25, A Siderurgia Segue Impactada Por Pressão De Custos, Concorrência Internacional E Demanda Industrial Mais Fraca. Telefônica Brasil (Vivt3) Aprova R$ 325 Milhões Em Jscp A Telefônica Brasil (Vivt3) Aprovou A Distribuição De R$ 325 Milhões Em Juros Sobre Capital Próprio (Jscp). O Valor Bruto Por Ação Será De R$ 0,10, Com Retenção De Imposto Na Fonte De 17,5%, Resultando Em Valor Líquido Aproximado De R$ 0,08 Por Papel. Terão Direito Ao Provento Acionistas Com Posição Até O Dia 23 De Fevereiro De 2026. A Partir De 24 De Fevereiro, Os Papéis Passam A Ser Negociados Na Condição Ex-Juros. A Manutenção De Distribuição De Proventos Reforça O Perfil Defensivo Da Companhia Dentro Dos Balanços Corporativos 4T25. Xp (Xpbr31) Cresce 10% No Lucro Trimestral A Xp (Xpbr31) Reportou Lucro Líquido Ajustado De R$ 1,33 Bilhão No Quarto Trimestre, Crescimento De 10% Em 12 Meses. A Receita Bruta Atingiu R$ 5,239 Bilhões, Avanço Anual De 12%. O Ebt Ajustado Somou R$ 1,55 Bilhão, Com Margem De 31,3%. O Retorno Sobre Patrimônio Líquido Ajustado Ficou Em 22,8%. A Diversificação De Receitas No Varejo E Aceleração Do Banco De Atacado Sustentaram O Desempenho, Consolidando A Xp Como Um Dos Destaques Positivos Entre Os Balanços Corporativos 4T25. Jalles (Jall3) Reverte Prejuízo Na Safra 3T26 A Jalles (Jall3) Registrou Lucro Líquido De R$ 55,4 Milhões No 3T26, Revertendo Prejuízo De R$ 73,5 Milhões No Ciclo Anterior. A Receita Líquida Recuou 30,4%, Enquanto O Ebitda Ajustado Caiu 10,3%. A Relação Dívida Líquida Ebitda Ficou Em 1,2 Vez Nos Nove Meses Da Safra. A Companhia Destacou Ampliação Do Diferencial De Preços Entre Etanol E Açúcar, Que Levou Usinas A Ajustarem O Mix Produtivo. O Desempenho Reforça O Caráter Cíclico Do Setor Sucroenergético Dentro Dos Balanços Corporativos 4T25. O Que Os Balanços Corporativos 4T25 Sinalizam Para O Mercado? O Conjunto Dos Balanços Corporativos 4T25 Mostra Um Mercado Marcado Por Assimetrias. Empresas Exportadoras Seguem Expostas À Volatilidade De Preços Globais, Enquanto Companhias Financeiras E De Serviços Apresentam Maior Previsibilidade De Resultados. Com Juros Ainda Elevados E Incertezas Externas, Investidores Devem Continuar Priorizando Empresas Com Geração De Caixa Consistente, Estrutura De Capital Equilibrada E Previsibilidade Operacional. Os Balanços Corporativos 4T25 Reforçam Que 2026 Começa Com Seletividade Elevada Na Bolsa Brasileira, Exigindo Análise Detalhada De Fundamentos E Atenção Redobrada Aos Riscos Macroeconômicos. - Gazeta Mercantil

Mineradoras globais podem liberar US$ 80 bilhões em infraestrutura, aponta Goldman Sachs

O setor de mineração global vive um momento estratégico sem precedentes, com ativos de infraestrutura subutilizados capazes de gerar até US$ 80 bilhões em capital para financiar crescimento, fusões e aquisições, segundo análise do Goldman Sachs. Entre esses ativos, destacam-se ferrovias, portos, sistemas de energia e abastecimento de água — construídos historicamente para viabilizar operações em regiões remotas e que hoje podem se tornar uma verdadeira alavanca de valor para mineradoras como Vale (VALE3), BHP, Rio Tinto e Fortescue.

De acordo com o relatório, o setor entra em uma nova fase, na qual a disciplina de capital será determinante para a geração de valor. Com custos elevados para manter exposição a commodities estratégicas, como minério de ferro e cobre, a capacidade de financiar expansão sem comprometer balanços financeiros representa um diferencial competitivo essencial.

Leia também: Daniel Vorcaro aceita elevar para R$ 60 bilhões valor de eventual delação com a PGR.

O Goldman Sachs enfatiza que essas oportunidades não surgem da necessidade de caixa imediata, mas sim da estratégia de transformar infraestrutura subavaliada em capital de baixo custo, capaz de acelerar projetos, consolidar operações e aumentar a remuneração ao acionista.


Infraestrutura subavaliada: o tesouro escondido das mineradoras

As mineradoras investiram bilhões de dólares em infraestrutura ao longo das últimas décadas. Esses ativos — essenciais para transportar minério, gerar energia e garantir abastecimento de água — frequentemente apresentam retorno mais baixo do que investimentos diretos em produção, sendo avaliados no mercado a múltiplos inferiores aos de empresas puramente de infraestrutura.

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Segundo cálculos do Goldman Sachs, seis grandes mineradoras detêm cerca de US$ 95 bilhões em infraestrutura, dos quais até US$ 38 bilhões poderiam ser monetizados por meio de estruturas financeiras inovadoras, sem necessidade de venda de ativos ou perda de controle operacional.

Entre as principais beneficiadas estão Rio Tinto e Vale (VALE3), cujas redes logísticas e energéticas podem representar até 20% do valor de mercado. O banco mantém recomendação de compra para Vale, enquanto Rio Tinto recebe avaliação neutra, refletindo equilíbrio entre risco e potencial de valorização.


Modelo BHP–GIP: referência em monetização de ativos

O relatório destaca como referência o acordo firmado no fim de 2025 entre a BHP e o fundo Global Infrastructure Partners (GIP). Na operação, a BHP cedeu 49% da participação econômica na rede de energia do Pilbara, mantendo controle total sobre os ativos. O modelo criou fluxo de pagamentos fixos e indexados à inflação, conhecido como PPA sintético (Power Purchase Agreement sintético), permitindo monetizar infraestrutura sem comprometer operação.

Especialistas do Goldman Sachs avaliam que o modelo pode ser replicado em portos e ferrovias, criando financiamento de longo prazo a custos mais baixos que o WACC típico do setor, com potencial de destravar capital estratégico para novos projetos e aquisições.


Minério de ferro: até US$ 25 bilhões podem ser destravados

O minério de ferro concentra grande parte das oportunidades. Redes logísticas de BHP, Rio Tinto, Fortescue, Vale (VALE3) e Anglo American poderiam liberar até US$ 25 bilhões, de acordo com estimativas do Goldman Sachs. Esses ativos apresentam alta previsibilidade de demanda e volumes estáveis, características valorizadas por fundos de infraestrutura em busca de retorno consistente e menor risco.

Transações avaliadas entre 14x e 16x EV/Ebitda gerariam valor positivo tanto para investidores quanto para as próprias mineradoras. A operação permite capitalizar infraestrutura subavaliada, financiar novos projetos e aumentar a remuneração ao acionista, sem comprometer controle ou flexibilidade operacional.


Disciplina de capital como diferencial competitivo

O relatório reforça que disciplina de capital será um fator central no próximo ciclo do setor. Com custos crescentes e a necessidade de exposição a commodities estratégicas, empresas capazes de monetizar ativos subutilizados sem comprometer balanços terão vantagem competitiva significativa.

Transformar ativos de infraestrutura em capital de baixo custo permite às mineradoras acelerar projetos estratégicos, reduzir dependência de financiamentos externos e melhorar métricas financeiras como retorno sobre capital investido (ROIC) e retorno ao acionista. Essa estratégia também protege as empresas de impactos de volatilidade de juros ou choques econômicos.


Vale e Rio Tinto: ativos estratégicos e oportunidades de crescimento

A Vale (VALE3) aparece como destaque do relatório, com maior potencial de destravamento de valor em portos, ferrovias e sistemas de energia. Esses ativos proporcionam flexibilidade para monetização e criação de fluxos de caixa adicionais, fortalecendo posição estratégica da empresa.

A Rio Tinto, com vasta rede logística, apresenta oportunidades similares, embora o banco mantenha recomendação neutra, refletindo avaliação equilibrada entre risco e retorno. A análise evidencia que, em um setor marcado por alto investimento e operação em regiões remotas, eficiência na gestão de ativos é tão relevante quanto a produção de minério.


Estratégia global de fusões e aquisições

O capital destravado de infraestrutura pode ser direcionado para fusões e aquisições, expansão de projetos existentes ou desenvolvimento de novos ativos. Essa estratégia permite às mineradoras enfrentar a concorrência global, capturar oportunidades em mercados estratégicos e reforçar presença em commodities essenciais, como cobre e minério de ferro.

O Goldman Sachs destaca que essa abordagem não é emergencial, mas sim estratégica: monetizar infraestrutura subavaliada gera capital adicional para investimentos, consolida operações e aumenta o retorno ao acionista de forma sustentável.


Perspectiva para investidores e acionistas

Para investidores, o relatório deixa uma mensagem clara: o setor de mineração global oferece oportunidades de retorno significativas, desde que haja avaliação rigorosa dos fundamentos e da qualidade da infraestrutura. O modelo de monetização cria fluxo de caixa adicional sem comprometer operação, aumentando a atratividade de ações de mineradoras estratégicas como Vale (VALE3).

Disciplina na gestão de capital, avaliação de risco e aproveitamento de modelos inovadores de monetização devem ser critérios centrais na escolha de investimentos, garantindo proteção contra volatilidade e potencial de crescimento sustentável.


Destravando valor estratégico para o próximo ciclo do setor

O setor de mineração global, historicamente ligado a grandes investimentos em infraestrutura, entra em um novo ciclo de valorização de ativos. Com US$ 80 bilhões potenciais em infraestrutura subavaliada, mineradoras como Vale, BHP e Rio Tinto têm oportunidade de financiar expansão, consolidar operações e aumentar retornos sem comprometer balanço ou operação.

A eficiência na gestão de ativos, disciplina de capital e inovação financeira serão decisivos para capturar esse potencial e consolidar o setor em patamares superiores de competitividade global.

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