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Mondelez tem lucro em queda de 33% no 3º trimestre de 2025 com impacto do cacau, mas mantém alta nas vendas

Dono de marcas como Oreo e Lacta enfrenta pressão de custos e revisa projeções para 2025, com promessa de retomada de lucros em 2026

por Gabriel Monteiro
29/10/2025 às 12h00
em Notícias
Mondelez Tem Lucro Em Queda De 33% No 3º Trimestre De 2025 Com Impacto Do Cacau, Mas Mantém Alta Nas Vendas - Gazeta Mercantil

Mondelez tem lucro em queda de 33% no 3º trimestre de 2025 com impacto do cacau, apesar de alta nas vendas

A Mondelez International, uma das maiores fabricantes globais de alimentos e dona de marcas icônicas como Oreo, Lacta, Trident e Club Social, divulgou nesta terça-feira (28) o balanço do terceiro trimestre de 2025, mostrando um cenário misto: a receita líquida orgânica cresceu 3,4%, mas o lucro operacional ajustado despencou 33,5%, impactado fortemente pelo aumento do preço do cacau, que atingiu recordes históricos ao longo do ano.

O resultado reforça o desafio enfrentado pela Mondelez, que vem lidando com pressões inflacionárias sobre matérias-primas, queda no volume de vendas e um ambiente de consumo mais fraco em mercados desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos. Apesar disso, a companhia mostrou resiliência operacional, mantendo crescimento nas principais regiões emergentes e ampliando a rentabilidade em segmentos estratégicos como chocolates e snacks premium.

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Lucro em queda: impacto direto do cacau nos resultados

O custo do cacau foi o grande vilão do trimestre. A commodity atingiu máximas históricas, ultrapassando US$ 10 mil por tonelada em algumas bolsas internacionais — o maior patamar em mais de 40 anos —, impulsionado por problemas climáticos em países produtores da África Ocidental, especialmente Costa do Marfim e Gana, responsáveis por cerca de 60% da produção global.

Com isso, o lucro por ação ajustado da Mondelez caiu 24,2% em relação ao mesmo período de 2024, e o lucro bruto ajustado recuou 21,3%. O volume total vendido diminuiu 4,6%, reflexo do consumo mais cauteloso em economias maduras, enquanto o preço médio de seus produtos aumentou 8%, compensando parcialmente a retração.

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Apesar da pressão de custos, a empresa manteve fluxo de caixa livre de US$ 1,2 bilhão e recomprou US$ 1,9 bilhão em ações, além de distribuir US$ 1,8 bilhão em dividendos, reforçando seu compromisso com a remuneração aos acionistas.


Mondelez impulsiona receita com reajustes e estratégia de marca forte

A Mondelez International apresentou crescimento orgânico de receitas em todas as regiões-chave, impulsionada por reajustes de preços estratégicos e forte desempenho em categorias premium.

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O segmento de chocolates, que inclui marcas como Lacta, Milka, Toblerone e Cadbury, teve crescimento de 8,2%, o mais expressivo entre todas as divisões. Já a categoria de biscoitos e snacks assados, que engloba Oreo, Trakinas e Club Social, cresceu 1,2%, influenciada pela desaceleração do consumo nos EUA.

A presidente global da Mondelez, Dirk Van de Put, destacou que a empresa vem ganhando participação de mercado em 70% de suas categorias globais, mesmo em um ambiente de consumo desafiador.


América Latina e Ásia lideram crescimento regional

A análise regional do balanço mostra que a América Latina foi um dos destaques do trimestre, com alta de 4,7% nas receitas orgânicas, impulsionada por reajustes de preços no Brasil e México.

Em seguida, a região de Ásia, Oriente Médio e África cresceu 5%, beneficiada pelo aumento da demanda por chocolates e biscoitos em mercados como Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos.

A Europa também teve desempenho sólido, com avanço de 4%, sustentado por novos lançamentos e mix de produtos de maior valor agregado. Já na América do Norte, principal mercado da companhia, houve recuo de 0,3% nas receitas, reflexo da queda no volume de vendas e maior sensibilidade a preços.


Reestruturação e eficiência operacional

Mesmo em um cenário de custos elevados, a Mondelez segue avançando em seu programa global de eficiência, com foco na redução de despesas administrativas e modernização da cadeia de suprimentos.

Nos Estados Unidos e Canadá, a companhia investe em tecnologia logística e automação industrial para otimizar o processo de distribuição e reduzir desperdícios. Na América Latina, o foco está na integração regional das operações e na expansão de fábricas estrategicamente posicionadas, como a de Curitiba (PR), responsável por parte da produção da marca Lacta.

Essas medidas visam mitigar o impacto de custos e preparar o terreno para recuperação da margem operacional em 2026.


Estratégia de longo prazo: inovação e portfólio premium

A Mondelez International também reforçou sua estratégia de fortalecer o portfólio premium e investir em inovação para sustentar o crescimento nos próximos anos.

O grupo pretende aumentar a penetração digital e investir em marketing voltado ao público jovem, especialmente nas linhas Oreo e Trident, que seguem como líderes em suas categorias. A empresa planeja lançar novos produtos com apelo de saudabilidade e sustentabilidade, alinhando-se à tendência global de consumo consciente.

No Brasil, a Mondelez deve ampliar a produção de chocolates Lacta e lançar edições especiais de Oreo e Bis, visando as datas sazonais como Páscoa e Natal, períodos em que a margem de lucro tende a ser mais favorável.


Revisão das projeções para 2025 e perspectivas otimistas para 2026

Com os impactos do preço do cacau ainda refletindo sobre os custos, a Mondelez revisou sua projeção para o ano fiscal de 2025. A companhia agora espera crescimento orgânico de receitas acima de 4%, mas prevê uma queda de aproximadamente 15% no lucro por ação ajustado.

A boa notícia é que o mercado já começa a enxergar sinais de alívio nos preços do cacau, que recuaram nas últimas semanas diante das perspectivas de superávit global na safra 2025/2026. Esse movimento pode devolver competitividade e aliviar margens já no primeiro semestre de 2026.

A expectativa da Mondelez é gerar mais de US$ 3 bilhões em fluxo de caixa livre até o fim de 2025, o que permitirá novos investimentos em inovação, expansão de capacidade produtiva e recompra de ações.


Desafios e oportunidades à frente

Embora o ambiente de custos ainda pressione os resultados, a Mondelez segue como uma das empresas mais resilientes do setor de alimentos, graças à força de suas marcas globais e presença diversificada em mercados emergentes.

O principal desafio segue sendo a volatilidade das commodities agrícolas, especialmente o cacau e o açúcar, além das flutuações cambiais que afetam margens em países com inflação mais alta.

Por outro lado, a companhia se beneficia do crescimento do consumo de snacks e chocolates em mercados emergentes, onde a renda média ainda está em expansão e o potencial de penetração é alto.

Com uma estratégia focada em inovação, digitalização e sustentabilidade, a Mondelez se posiciona para retomar crescimento de lucros a partir de 2026, consolidando sua liderança global no setor de alimentos e confeitos.


Mondelez enfrenta tempestade do cacau, mas mantém curso de crescimento global

O balanço do terceiro trimestre de 2025 confirma que a Mondelez passa por um período de ajustes, marcado por queda nos lucros, mas também por avanços estruturais em eficiência e gestão de portfólio.

Mesmo com o impacto do cacau nas margens, a empresa demonstra resiliência financeira, mantém retorno de capital aos acionistas e reforça investimentos em inovação e sustentabilidade — pilares que sustentam sua posição como líder global no setor de snacks e chocolates.

Com a expectativa de melhora nas condições do mercado de commodities e a retomada gradual da rentabilidade, a Mondelez deve entrar em 2026 mais leve, eficiente e lucrativa, pronta para continuar crescendo em mercados estratégicos como o Brasil e a América Latina.

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