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Natura vende Avon International para Regent e foca na América Latina

por Gabriel Monteiro
18/09/2025 às 18h23
em Negócios
Natura Vende Avon International Para Regent E Foca Na América Latina - Gazeta Mercantil

Natura vende Avon International: acordo com Regent marca nova fase da companhia

A Natura vende Avon International em um movimento estratégico que promete redefinir o posicionamento global da gigante brasileira da beleza. O anúncio, feito em setembro de 2025, confirma a transferência das operações da Avon na Europa, África e Ásia para a Regent, empresa especializada em investimentos e reestruturações corporativas. A transação simboliza o passo final de um processo de simplificação iniciado pela Natura há três anos, reforçando o foco da companhia em mercados onde possui maior potencial de crescimento, especialmente na América Latina.


Natura vende Avon International: detalhes do acordo

A venda da Avon International foi concluída por um valor simbólico de uma libra esterlina, mas inclui earn-outs e pagamentos contingentes que podem chegar a até 60 milhões de libras, dependendo dos resultados futuros da marca. Esses pagamentos estarão atrelados a condições específicas de desempenho e liquidez.

Leia também: OPA da Gol (GOLL54): CVM Autoriza Leilão com Prêmio sobre Laudo de Avaliação.

Além disso, a Natura capitalizará a maior parte dos recebíveis de empréstimos detidos contra a Avon International antes do fechamento do negócio. O restante será transferido à compradora sem contraprestação, de acordo com os termos estabelecidos no contrato.

Para apoiar a transição, a Natura também concedeu uma linha de crédito garantida de até US$ 25 milhões, com vencimento em cinco anos após a primeira utilização. Esse crédito poderá ser acessado em até um ano após a conclusão da transação, desde que cumpridas determinadas condições.

Leia também: Comme des Garçons Anuncia Inauguração da Primeira Loja na América do Sul: Brasil Recebe a Marca Iconoclasta.


Rússia fora do acordo

Vale destacar que as operações da Avon na Rússia não foram incluídas no negócio e permanecem classificadas como ativo “mantido para venda”. Essa decisão reflete o ambiente geopolítico desafiador e a necessidade de cautela em mercados que apresentam instabilidade regulatória e operacional.


Estratégia de simplificação da Natura

A Natura vende Avon International como parte de uma estratégia clara de simplificação de sua estrutura global. Desde 2022, a empresa busca reduzir a complexidade de seu portfólio, concentrando esforços em operações com maior margem de crescimento.

Leia também: Brasil concentra 60% dos dividendos da América Latina; Vale (VALE3) impulsiona pagamentos.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Natura, Fábio Barbosa, a venda marca a conclusão de uma jornada de reorganização iniciada três anos antes, priorizando a expansão sustentável na América Latina. Ele destacou que a Avon International já vinha passando por um processo de reestruturação e que, sob a gestão da Regent, terá condições de recuperar competitividade e relevância global.


Impactos no setor de beleza global

A transação repercute fortemente no mercado de cosméticos, uma vez que a Avon é uma marca com mais de 139 anos de história. Reconhecida por seu modelo de venda direta e por sua influência cultural, a Avon enfrentava dificuldades para manter relevância em mercados maduros.

Com a gestão da Regent, espera-se que a marca passe por uma transformação estratégica, combinando inovação digital, ajustes logísticos e novas estratégias de marketing. O desafio será reposicionar a Avon em um mercado cada vez mais competitivo, dominado por grandes players como L’Oréal, Estée Lauder e Unilever.


Aposta na América Latina

Enquanto a Natura vende Avon International, reforça também o foco na América Latina. A região responde por grande parte da receita da companhia e oferece oportunidades de expansão devido à forte penetração do modelo de venda direta e à crescente demanda por produtos de beleza sustentáveis.

Com a simplificação de sua estrutura global, a Natura poderá direcionar mais investimentos para inovação, digitalização e logística em mercados-chave como Brasil, México, Chile, Colômbia e Argentina.


Desafios e oportunidades para a Natura

Apesar de o acordo representar uma redução da exposição internacional, ele também libera a companhia de operações deficitárias e abre caminho para uma atuação mais rentável. Entre os principais desafios e oportunidades estão:

  • Reforço da marca Natura: fortalecer sua presença como líder em sustentabilidade e inovação em beleza.

  • Integração com The Body Shop e Aesop (antes da venda da última): simplificação organizacional como foco de gestão.

  • Investimento digital: ampliação de canais online e fortalecimento do relacionamento com consultoras.

  • Concorrência global: adaptação às rápidas mudanças no setor de cosméticos.


Mercado financeiro reage

A notícia de que a Natura vende Avon International foi recebida com atenção pelo mercado financeiro. Analistas destacam que o movimento reduz a alavancagem da companhia e melhora a previsibilidade de resultados.

Embora o valor simbólico da venda possa causar estranheza em um primeiro momento, especialistas ressaltam que o benefício real está na eliminação de passivos e no foco em mercados estratégicos. O earn-out de até 60 milhões de libras também é visto como um possível ganho adicional, caso a Avon International consiga se recuperar sob a gestão da Regent.


A decisão de que a Natura vende Avon International representa mais do que uma simples transação: é um marco estratégico que define o futuro da companhia. Ao reduzir sua presença em mercados de menor rentabilidade e reforçar o foco na América Latina, a empresa busca consolidar-se como referência em sustentabilidade, inovação e crescimento sustentável.

O sucesso dessa estratégia dependerá da capacidade da Natura em aproveitar o momento para expandir sua base de clientes, inovar em produtos e fortalecer o relacionamento com consultoras e consumidores.

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