O PagBank (PAGS34) registrou lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado nesta terça-feira. O resultado ficou ligeiramente abaixo da média esperada por analistas, que projetavam lucro de R$ 580 milhões, conforme dados da LSEG. A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões, avanço anual de 6%, impulsionada pela aceleração da plataforma de banking e pela expansão da base de clientes, depósitos e carteira de crédito.
O desempenho mostra que o PagBank (PAGS34) segue ampliando sua presença no mercado financeiro digital, mesmo em um ambiente de juros elevados, inadimplência alta e maior cautela no crédito. A companhia encerrou o trimestre com 34 milhões de clientes, crescimento de 6% em 12 meses.
O volume de cash-in, indicador que soma entradas de recursos nas contas digitais e volume da adquirência, chegou a R$ 81 bilhões no período, alta de 11% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Os depósitos totalizaram R$ 42 bilhões, avanço de 23% na comparação anual.
A carteira de crédito atingiu R$ 5 bilhões, crescimento de 36% em um ano. O avanço supera levemente o intervalo de expansão projetado pela companhia para 2026, que era de 25% a 35%.
Receita cresce com avanço da plataforma bancária
A receita líquida de R$ 3,3 bilhões reforça a estratégia do PagBank (PAGS34) de ampliar a relevância da plataforma bancária dentro do negócio. O banco digital, pertencente ao grupo UOL, atua em serviços financeiros para pessoas físicas, empreendedores e empresas, combinando conta digital, adquirência, cartões, crédito, investimentos e soluções de pagamento.
O avanço da receita ocorre em um cenário competitivo para bancos digitais e fintechs. A disputa por clientes, depósitos e transações segue intensa, especialmente entre instituições que buscam rentabilizar bases grandes de usuários por meio de crédito, serviços financeiros e relacionamento transacional.
No caso do PagBank (PAGS34), o crescimento do cash-in indica maior uso das contas digitais e da infraestrutura de pagamentos. Quanto maior o volume de recursos que entra na plataforma, maior tende a ser a capacidade de oferecer produtos financeiros, capturar receitas de serviços e ampliar fidelização.
A expansão dos depósitos também é relevante porque reforça a base de funding da instituição. Depósitos maiores aumentam a capacidade de relacionamento com clientes e podem sustentar a expansão de produtos de crédito, desde que acompanhados de controle de risco.
Rentabilidade avança para 15,8%
O ROAE, indicador de rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio, subiu para 15,8% no primeiro trimestre. O avanço foi de 80 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior.
A melhora da rentabilidade indica que o PagBank (PAGS34) conseguiu ampliar eficiência na utilização do capital, mesmo com crescimento moderado do lucro. Para bancos e instituições financeiras, o ROAE é uma métrica acompanhada de perto por investidores, pois mostra a capacidade de transformar capital próprio em resultado.
O desempenho também ajuda a avaliar a sustentabilidade da expansão do banco. Crescer carteira, clientes e depósitos é positivo, mas a criação de valor depende da capacidade de manter margens, controlar inadimplência e preservar rentabilidade.
A alta do ROAE reforça a leitura de que o PagBank (PAGS34) segue buscando equilíbrio entre crescimento e disciplina financeira. O desafio será manter essa trajetória em um ambiente de juros elevados e maior seletividade no crédito.
Carteira de crédito cresce 36% em um ano
A carteira de crédito do PagBank (PAGS34) encerrou o trimestre em R$ 5 bilhões, alta de 36% na comparação anual. O crescimento superou levemente o guidance de expansão projetado pela companhia para o ano, de 25% a 35%.
A expansão do crédito é um dos principais vetores de crescimento para bancos digitais, mas também uma fonte de risco. Em um cenário de inadimplência elevada no sistema financeiro, instituições precisam calibrar originação, precificação e provisões para evitar deterioração da carteira.
O CEO do PagBank (PAGS34), Carlos Maud, afirmou que os movimentos de inadimplência do mercado ainda têm impacto limitado sobre a empresa, porque a carteira de crédito do banco segue em estágio inicial quando comparada ao tamanho da base de clientes.
“Esses grandes movimentos de inadimplência são menos importantes para gente porque ainda estamos muito no começo da nossa jornada aqui. O elemento macroeconômico ainda não tem poder de pressionar o nosso portfólio, dado que a gente tem R$ 5 bilhões de carteira de crédito”, disse Maud.
A declaração indica que o banco vê espaço para crescer em crédito, mas sem assumir, no momento, exposição comparável à de grandes instituições financeiras tradicionais.
PagBank vê Selic mais próxima de 13,50% no fim do ano
A administração do PagBank (PAGS34) também comentou o cenário macroeconômico. O banco elevou sua perspectiva para o nível da taxa Selic no fim de 2026.
Segundo Carlos Maud, a instituição trabalha agora com uma taxa provavelmente mais próxima de 13,50% ao ano. A estimativa reflete um ambiente de juros ainda elevados, inflação pressionada e cautela na condução da política monetária.
Juros altos têm efeitos mistos para bancos digitais. Por um lado, podem elevar receitas financeiras e rentabilizar melhor determinados ativos. Por outro, encarecem o crédito, pressionam consumidores e empresas, aumentam risco de inadimplência e podem reduzir demanda por financiamento.
O diretor financeiro do PagBank (PAGS34), Gustavo Sechin, afirmou que a instituição sabe operar em ambientes de instabilidade e incerteza. A fala sinaliza que o banco pretende manter disciplina na gestão de risco, mesmo com expansão de crédito e crescimento da base de clientes.
Novo Desenrola deve ter impacto limitado
O PagBank (PAGS34) avaliou de forma positiva o Novo Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas, mas não espera impacto relevante sobre seus números.
O programa foi lançado pelo governo para renegociar dívidas de famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares. A iniciativa prevê até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com impacto fiscal estimado em até R$ 5 bilhões.
Para Carlos Maud, o programa é positivo para a economia porque grande parte da população economicamente ativa possui algum tipo de restrição de crédito. A regularização de dívidas pode ajudar a destravar consumo e ampliar acesso a financiamento.
Apesar disso, o CEO afirmou que a relevância para o PagBank (PAGS34) é baixa, em razão do tamanho ainda reduzido da carteira de crédito da instituição. Segundo ele, o primeiro Desenrola teve impacto maior sobre o banco do que a nova versão.
Inadimplência do sistema segue no radar
A inadimplência no sistema financeiro brasileiro segue como ponto de atenção para bancos e fintechs. Em fevereiro, o Banco Central informou que a taxa de inadimplência em recursos livres subiu para 5,5%, ante 5,3% em janeiro, atingindo o maior nível desde agosto de 2017. Em 12 meses, o indicador avançou 1 ponto percentual.
Mesmo assim, o PagBank (PAGS34) afirma que o impacto sobre seu portfólio ainda é limitado. A explicação da administração é que a carteira de crédito de R$ 5 bilhões permanece pequena em relação ao potencial da base de clientes e ao tamanho do mercado.
Essa leitura não elimina riscos. À medida que o banco digital expande crédito, sua exposição ao ciclo econômico aumenta. O comportamento da inadimplência, a qualidade da originação e a capacidade de precificação serão fatores decisivos para preservar rentabilidade.
Para investidores, o ponto central será acompanhar se o crescimento da carteira continuará ocorrendo com controle de risco. Em fintechs e bancos digitais, a expansão acelerada pode criar valor, mas também pode pressionar resultados se vier acompanhada de deterioração nos atrasos.
Base de clientes chega a 34 milhões
O PagBank (PAGS34) encerrou o trimestre com 34 milhões de clientes, alta de 6% em relação ao ano anterior. O número reforça a escala da instituição no mercado brasileiro de serviços financeiros digitais.
A base ampla é um ativo estratégico. Ela permite ao banco oferecer produtos adicionais, aumentar engajamento, ampliar depósitos e monetizar serviços financeiros além da adquirência.
O crescimento do cash-in para R$ 81 bilhões mostra que a relação com os clientes segue se aprofundando. Quanto maior a movimentação financeira dentro da plataforma, maior a possibilidade de o banco capturar receitas com crédito, investimentos, cartões, seguros, serviços e tarifas.
O desafio é transformar base em rentabilidade. Bancos digitais cresceram rapidamente no Brasil com contas gratuitas e baixo custo de entrada, mas o mercado passou a cobrar geração de lucro, eficiência operacional e monetização sustentável.
Resultado reforça transição para banco digital completo
O balanço do primeiro trimestre mostra que o PagBank (PAGS34) segue em processo de consolidação como banco digital mais amplo, indo além da origem ligada à adquirência e aos pagamentos.
A expansão dos depósitos, da carteira de crédito e do cash-in indica maior participação da plataforma bancária no modelo de negócios. Ao mesmo tempo, o lucro recorrente de R$ 575 milhões e o ROAE de 15,8% mostram que a empresa mantém rentabilidade relevante, ainda que o resultado tenha ficado um pouco abaixo das expectativas médias de analistas.
O cenário macroeconômico segue desafiador. Juros elevados, inadimplência no maior nível em anos e crescimento mais seletivo do crédito exigem disciplina. A administração, porém, afirma que a carteira ainda tem tamanho controlado e que o banco consegue navegar em ambientes de instabilidade.
Para investidores, os próximos trimestres serão importantes para medir a consistência da expansão. O PagBank (PAGS34) precisará mostrar que consegue crescer em crédito, depósitos e base transacional sem deteriorar qualidade da carteira nem comprometer rentabilidade.







