A disputa pela Presidência da República chegou à última semana antes do segundo turno com uma redução da diferença numérica entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (19) mostra o senador com 50,3% das intenções de votos válidos, contra 49,7% do presidente, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em relação ao levantamento de 13 de outubro, Lula oscilou positivamente 1,3 ponto percentual, enquanto Flávio registrou variação negativa de igual magnitude.
A distância entre os dois candidatos caiu de 3,2 para apenas 0,6 ponto percentual em seis dias, uma redução de aproximadamente 81% na vantagem numérica registrada pela pesquisa anterior. Embora o movimento indique uma aproximação nos resultados das duas rodadas, as oscilações individuais ocorreram dentro da margem de erro, o que impede afirmar, apenas com esses dados, que houve uma mudança estatisticamente comprovada na preferência do eleitorado. O resultado reforça o cenário de disputa equilibrada para a votação marcada para domingo, 25 de outubro.
O levantamento foi realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, por encomenda do banco BTG Pactual, entre os dias 16 e 18 de outubro. Foram entrevistados por telefone 2.002 eleitores de 16 anos ou mais, distribuÃdos pelas 27 unidades da Federação. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nÃvel de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04499/2026.
Lula avança numericamente e Flávio perde parte da vantagem anterior
A comparação entre as duas pesquisas mostra uma aproximação das intenções de voto dos candidatos na reta final da campanha. Na rodada de 13 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 51,6% dos votos válidos, enquanto Lula registrava 48,4%. No levantamento divulgado nesta segunda-feira, o senador passou a 50,3% e o presidente alcançou 49,7%, reduzindo a diferença para seis décimos de ponto percentual.
Evolução dos votos válidos na pesquisa BTG/Nexus
| Candidato | 13/10 | 19/10 | Variação |
|---|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 51,6% | 50,3% | -1,3 p.p. |
| Lula (PT) | 48,4% | 49,7% | +1,3 p.p. |
| Diferença | 3,2 p.p. | 0,6 p.p. | -2,6 p.p. |
A redução de 2,6 pontos percentuais na distância entre os candidatos resulta da combinação das oscilações observadas nas duas séries. Como cada alteração individual foi de 1,3 ponto percentual, a variação deve ser interpretada à luz da incerteza amostral. O levantamento revela uma aproximação numérica, mas não permite concluir que qualquer um dos candidatos possua uma vantagem eleitoral estatisticamente demonstrada.
O resultado também merece atenção por ocorrer após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na apuração oficial divulgada pelo TSE, o senador obteve aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto o presidente recebeu cerca de 53,9 milhões. A diferença foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos, resultado que levou os dois candidatos à disputa final.
Os resultados das urnas e os percentuais de intenção de voto não são diretamente equivalentes. O primeiro turno envolveu outros candidatos e registrou escolhas efetivas dos eleitores, enquanto a pesquisa de segundo turno mede preferências declaradas em uma disputa restrita a dois nomes. Ainda assim, os dados permitem contextualizar a competitividade do confronto presidencial.
Votos totais também mostram aproximação entre os candidatos
No cenário estimulado, que apresenta os nomes dos dois candidatos aos entrevistados e considera também os eleitores que pretendem votar em branco, anular ou não declararam escolha, Flávio Bolsonaro aparece com 46,5%, enquanto Lula registra 45,9%. Outros 4,7% afirmam que votarão em branco, anularão o voto ou não escolherão nenhum candidato. Os que não sabem ou preferiram não responder representam 2,9% dos entrevistados.
Intenção de voto estimulada — 19 de outubro
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 46,5% |
| Lula (PT) | 45,9% |
| Branco, nulo ou nenhum | 4,7% |
| Não sabe/não respondeu | 2,9% |
Na rodada anterior, os percentuais reprocessados com uma casa decimal indicavam 47,9% para Flávio e 45,1% para Lula no cenário de votos totais. O senador apresentou oscilação negativa de 1,4 ponto percentual, enquanto o presidente registrou oscilação positiva de 0,8 ponto percentual. A diferença entre ambos passou de 2,8 para 0,6 ponto percentual, movimento compatÃvel com a aproximação observada na contagem dos votos válidos.
A comparação exige considerar que o instituto passou a apresentar os resultados com uma casa decimal nesta rodada, adotando o mesmo critério para os dados históricos. A alteração melhora a precisão das comparações divulgadas, mas não modifica a margem de erro da pesquisa. Diferenças de décimos de ponto percentual não devem ser confundidas com mudanças necessariamente significativas na preferência dos eleitores.
A distinção entre votos totais e votos válidos também é essencial para interpretar o levantamento. Na eleição, votos brancos e nulos não entram no cálculo utilizado para definir o vencedor, conforme as regras da Justiça Eleitoral. Por essa razão, os percentuais de 50,3% e 49,7% correspondem à distribuição estimada das preferências entre os dois candidatos, excluÃdas as demais respostas.
Pesquisa revela que 90,9% dos eleitores não pretendem mudar de voto
Além das intenções de voto, a pesquisa BTG/Nexus investigou o grau de convicção do eleitorado a poucos dias da votação. Segundo o instituto, 90,9% dos entrevistados afirmam que já escolheram um candidato e não pretendem mudar de decisão até domingo. Outros 8,4% admitem que ainda podem alterar sua preferência, enquanto 0,7% não souberam ou não responderam.
O indicador de convicção é relevante porque mostra uma disputa numericamente equilibrada em um contexto no qual a maioria dos entrevistados declara ter uma escolha consolidada. A parcela de 8,4% que admite mudar de voto é proporcionalmente superior à distância de 0,6 ponto percentual observada entre os candidatos. Isso não significa que esses eleitores necessariamente mudarão de preferência, nem que uma eventual alteração ocorreria em favor de um candidato especÃfico.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 94,5% afirmam que a decisão está tomada e não será alterada. No grupo que declara voto em Lula, a proporção chega a 94%, diferença de apenas meio ponto percentual entre as duas bases. Os indicadores apontam nÃveis semelhantes de convicção entre os entrevistados que já manifestaram preferência por um dos concorrentes.
Na pesquisa de 13 de outubro, aproximadamente 92% dos entrevistados afirmavam que não pretendiam mudar de candidato. Na rodada atual, o percentual está em 90,9%, oscilação que merece acompanhamento, mas que isoladamente não demonstra uma mudança estatisticamente significativa. A existência de eleitores dispostos a reconsiderar a escolha mantém uma parcela de incerteza que não é capturada apenas pela comparação dos votos válidos.
Convicção e rejeição influenciam as escolhas declaradas
A pesquisa também investigou os motivos apresentados pelos eleitores para justificar suas preferências. Entre os entrevistados, 36,8% afirmam votar em Lula por considerá-lo o melhor candidato, enquanto 33,5% apresentam a mesma justificativa para escolher Flávio Bolsonaro. Outros 9,8% declaram votar no senador para impedir a eleição do presidente, enquanto 5,5% afirmam escolher Lula com o objetivo de evitar a vitória de Flávio.
A presença de motivações relacionadas à rejeição do adversário ajuda a explicar a natureza polarizada da disputa presidencial. Parte do eleitorado declara escolher um candidato por identificação ou avaliação positiva, enquanto outra parcela apresenta como principal motivação a oposição ao concorrente. Essas categorias expressam as justificativas informadas pelos entrevistados e não permitem determinar, isoladamente, como cada grupo se comportará nas urnas.
Os percentuais também indicam uma diferença entre as motivações associadas ao chamado voto negativo. O grupo que afirma apoiar Flávio para derrotar Lula representa 9,8% dos entrevistados, contra 5,5% que declaram apoiar o presidente para impedir a eleição do senador. A diferença de 4,3 pontos percentuais mostra uma assimetria nas justificativas declaradas, mas não deve ser interpretada como medida definitiva de rejeição eleitoral.
A existência de motivações distintas torna importante observar não apenas a intenção de voto, mas também a firmeza da decisão dos entrevistados. Eleitores que manifestam preferência por um candidato podem apresentar diferentes nÃveis de convicção e justificativas para essa escolha. Entretanto, o levantamento não permite estabelecer uma relação causal entre essas motivações e as oscilações verificadas na última semana.
Diferença cai 81%, mas margem de erro mantém cenário indefinido
Um dos principais resultados da comparação entre as pesquisas de 13 e 19 de outubro é a redução proporcional da distância entre os candidatos. A vantagem numérica de Flávio Bolsonaro diminuiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual nos votos válidos, o equivalente a uma queda de 81,25%. O cálculo evidencia a intensidade da aproximação nos percentuais publicados, embora a significância estatÃstica dessa mudança não possa ser estabelecida apenas pela diferença entre os números.
O intervalo de seis dias entre as divulgações também merece atenção. As entrevistas da rodada anterior foram realizadas entre 10 e 12 de outubro, enquanto a pesquisa atual ouviu eleitores de 16 a 18 de outubro. Dessa forma, os dois levantamentos retratam momentos distintos da campanha, mas não acompanham individualmente as mesmas pessoas para identificar mudanças efetivas de preferência.
A metodologia utilizada pela Nexus consiste em entrevistas telefônicas com uma amostra nacional de eleitores. Como ocorre em levantamentos amostrais, os resultados estão sujeitos a incertezas estatÃsticas e a possÃveis limitações relacionadas à cobertura, à participação dos entrevistados e à s respostas declaradas. O nÃvel de confiança de 95% não significa que exista 95% de probabilidade de um candidato vencer, mas está associado ao procedimento estatÃstico empregado para estimar os percentuais populacionais.
A diferença de 0,6 ponto percentual entre os candidatos é inferior à margem de erro informada pelo instituto. Isso significa que a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro não constitui evidência suficiente para estabelecer uma liderança estatisticamente segura. Ao mesmo tempo, a oscilação positiva de Lula deve ser apresentada como uma mudança entre estimativas amostrais, e não como comprovação de transferência efetiva de votos.
Segundo turno será realizado em 25 de outubro
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para domingo, 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. A votação definirá quem exercerá a Presidência da República no mandato iniciado em 2027, após uma disputa que reuniu Lula e Flávio Bolsonaro como os dois candidatos mais votados no primeiro turno. Na contagem oficial, será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluÃdos os votos brancos e nulos.
Até a eleição, novos levantamentos poderão oferecer informações adicionais sobre a evolução das preferências declaradas. A comparação entre pesquisas de institutos diferentes exige cautela, pois métodos de coleta, composição das amostras, questionários e perÃodos de campo podem produzir resultados distintos. Por isso, a avaliação da trajetória eleitoral deve considerar tanto os números de cada rodada quanto as caracterÃsticas metodológicas de cada estudo.
A pesquisa BTG/Nexus de 19 de outubro mostra que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem separados por apenas 0,6 ponto percentual entre os votos válidos, após uma diferença de 3,2 pontos na rodada anterior. A aproximação numérica ocorre em um cenário no qual mais de 90% dos entrevistados afirmam não pretender alterar sua escolha, mas uma parcela ainda admite mudar de candidato. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os resultados mantêm o quadro de empate técnico e não permitem antecipar o desfecho da votação.
Fontes
Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — 18ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 19 de outubro de 2026, registro TSE BR-04499/2026.
Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — 17ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 13 de outubro de 2026, registro TSE BR-07997/2026.
Tribunal Superior Eleitoral — Resultado oficial do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, divulgado em 5 de outubro.
Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.760, de 2 de março de 2026, com o calendário eleitoral do segundo turno.








