A Petrobras (PETR4) manteve a liderança entre as ações mais negociadas da B3 em setembro de 2026, ocupando a primeira posição em quatro dos cinco perfis de investidores analisados pela Bolsa brasileira. O levantamento, divulgado na quinta-feira (22), também revelou o fortalecimento do setor financeiro, responsável por cinco das dez posições do ranking mensal. Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4) e BTG Pactual (BPAC11) estiveram entre os papéis com maior movimentação financeira. Os dados fazem parte do Datawise+, plataforma de inteligência de mercado da B3.
A Petrobras liderou as negociações entre pessoas fÃsicas, fundos de investimento, investidores estrangeiros e instituições financeiras. Apenas entre as pessoas jurÃdicas a Vale (VALE3) assumiu a primeira posição, deixando a petroleira em segundo lugar. No ranking geral, Petrobras, Vale e Itaú Unibanco conservaram as três primeiras colocações observadas em agosto. A distribuição mostra a concentração das negociações em empresas de grande capitalização, com elevada presença nas carteiras de investidores brasileiros e internacionais.
Entre as principais mudanças de setembro, o Banco do Brasil avançou quatro posições, passando do oitavo para o quarto lugar. A B3 retornou à lista na quinta posição, enquanto a PRIO (PRIO3) voltou ao grupo dos dez papéis mais movimentados, ocupando o décimo lugar. Em contrapartida, Sabesp (SBSP3) e Embraer (EMBJ3), presentes no levantamento anterior, deixaram o ranking. As mudanças refletem alterações no volume financeiro negociado, sem representar necessariamente aumento ou redução da preferência dos investidores por essas companhias.
Veja as 10 ações mais negociadas da B3 em setembro de 2026
O levantamento considera o volume financeiro movimentado na ponta compradora, calculado a partir do preço e da quantidade de ações adquiridas. A metodologia permite identificar os papéis que concentraram maior atividade de negociação em cada perÃodo. O resultado não mede a valorização das ações nem o saldo lÃquido de compras e vendas dos diferentes grupos de investidores.
| Posição | Empresa | Código |
|---|---|---|
| 1º | Petrobras PN | PETR4 |
| 2º | Vale | VALE3 |
| 3º | Itaú Unibanco | ITUB4 |
| 4º | Banco do Brasil | BBAS3 |
| 5º | B3 | B3SA3 |
| 6º | Bradesco PN | BBDC4 |
| 7º | Axia Energia | AXIA3 |
| 8º | BTG Pactual | BPAC11 |
| 9º | Petrobras ON | PETR3 |
| 10º | PRIO | PRIO3 |
Fonte: B3/Datawise+, setembro de 2026.
Embora a lista apresente dez códigos de negociação, ela reúne nove empresas diferentes. Isso ocorre porque a Petrobras aparece duas vezes, com suas ações preferenciais (PETR4) na liderança e as ordinárias (PETR3) na nona posição. As duas classes representam participações na mesma companhia, mas possuem caracterÃsticas e direitos distintos. Para interpretar corretamente o levantamento, é necessário considerar essa diferença.
A presença de cinco ativos vinculados ao setor financeiro também merece atenção. Além das ações de bancos comerciais, o grupo inclui os papéis da própria B3, responsável pela infraestrutura do mercado de capitais brasileiro. O resultado demonstra a importância das instituições financeiras na movimentação da Bolsa. Entretanto, a participação elevada no ranking não comprova, isoladamente, uma entrada lÃquida de recursos no setor.
Petrobras (PETR4) lidera quatro dos cinco perfis de investidores
A segmentação por categoria de investidor reforça o protagonismo da Petrobras nas negociações realizadas em setembro. As ações preferenciais da estatal ficaram na primeira posição entre pessoas fÃsicas, fundos de investimento, investidores não residentes e instituições financeiras. A Vale ocupou o segundo lugar nesses quatro grupos e liderou apenas entre as pessoas jurÃdicas. A distribuição evidencia a presença recorrente das duas companhias entre os papéis de maior liquidez da Bolsa.
As diferenças tornam-se mais relevantes a partir da terceira colocação. Entre os investidores individuais, o Banco do Brasil foi o terceiro papel mais negociado, seguido por Itaú Unibanco e PRIO. Nos fundos de investimento, a terceira posição ficou com a Axia Energia (AXIA3), enquanto o Itaú apareceu em quarto lugar. Entre os investidores estrangeiros, o banco privado ocupou a terceira colocação.
Nas instituições financeiras, a B3 foi o terceiro ativo mais movimentado, seguida por Itaú Unibanco e Localiza (RENT3). Já entre as pessoas jurÃdicas, a terceira posição ficou com a PRIO, seguida por Totvs (TOTS3) e Itaú. Essas diferenças mostram que cada categoria de participante apresenta uma composição própria de negociações. O volume financeiro pode refletir estratégias de investimento, rebalanceamento de carteiras, operações de curto prazo e necessidades de liquidez.
Petrobras, Vale, Itaú Unibanco e Banco do Brasil foram as únicas companhias presentes entre as dez primeiras posições nos cinco perfis analisados. A recorrência indica que seus papéis concentram negociações de participantes com estratégias diferentes. Isso também contribui para a liquidez desses ativos, uma caracterÃstica relevante para investidores que precisam realizar operações de maior porte. Ainda assim, a presença no ranking não permite concluir que todos esses grupos estejam aumentando suas participações nas empresas.
Banco do Brasil (BBAS3) avança quatro posições
O Banco do Brasil apresentou uma das mudanças mais expressivas no levantamento de setembro, ao subir do oitavo para o quarto lugar no ranking geral. O avanço colocou o banco estatal imediatamente atrás de Petrobras, Vale e Itaú Unibanco. Entre as pessoas fÃsicas, BBAS3 também alcançou a terceira posição, superando outros ativos de grande movimentação. A mudança indica aumento de sua relevância relativa nas negociações do mês.
O levantamento, entretanto, não informa o saldo lÃquido de recursos direcionados ao Banco do Brasil nem permite identificar as razões especÃficas do crescimento de sua movimentação. Uma ação pode apresentar elevado volume financeiro mesmo durante perÃodos de queda de preços, especialmente quando compradores e vendedores negociam quantidades expressivas. A interpretação exige informações adicionais sobre cotações, posições de investidores e condições de mercado. Por isso, o avanço no ranking não deve ser confundido com valorização do papel.
A presença de Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e BTG Pactual reforça o peso das instituições bancárias na Bolsa brasileira. O setor possui participação relevante em indicadores de mercado e concentra companhias com grande número de acionistas e investidores institucionais. Além disso, seus resultados são acompanhados por indicadores como margem financeira, inadimplência, rentabilidade e crescimento das carteiras de crédito. Mudanças nessas variáveis podem afetar as expectativas sobre as empresas, embora o ranking da B3 não estabeleça uma relação causal entre esses fatores e o volume negociado.
Petrobras, Vale e bancos concentram negociações de diferentes setores
A composição das primeiras posições evidencia uma caracterÃstica estrutural do mercado acionário brasileiro: a presença de grandes companhias ligadas a commodities e serviços financeiros. Petrobras e Vale ocupam as duas primeiras colocações, enquanto empresas do setor financeiro aparecem em cinco posições do grupo dos dez ativos mais movimentados. A PRIO acrescenta outra companhia de petróleo à relação, e a Axia Energia representa o segmento elétrico. Essa distribuição mostra a importância desses setores na liquidez do mercado.
A concentração das negociações, entretanto, não equivale à concentração dos investimentos totais dos participantes. Fundos e instituições financeiras podem negociar uma mesma ação diversas vezes ao longo do mês, ampliando o volume movimentado sem necessariamente alterar de maneira significativa suas posições finais. O levantamento também não apresenta os valores financeiros absolutos negociados por ativo. Assim, as posições indicam uma ordem relativa, mas não permitem calcular a distância de volume entre as empresas.
Outra observação importante envolve a presença das duas classes de ações da Petrobras. Embora PETR4 ocupe a liderança e PETR3 apareça em nono lugar, os volumes correspondem a instrumentos diferentes. A soma de suas negociações poderia oferecer outra perspectiva sobre a movimentação agregada da companhia, mas esse cálculo exige os valores absolutos de cada papel. Como esses números não constam do ranking divulgado, não é possÃvel determinar o volume financeiro combinado.
Fundos imobiliários têm TRXF11 na liderança
O levantamento da B3 também identificou os fundos imobiliários mais negociados em setembro. O TRX Real Estate (TRXF11) manteve a primeira colocação, seguido pelo Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), que avançou do quarto para o segundo lugar. O Maxi Renda (MXRF11) passou da sexta para a terceira posição. A lista reúne diferentes estratégias de investimento, incluindo imóveis fÃsicos e recebÃveis imobiliários.
O TRXF11 possui exposição a imóveis utilizados por empresas de varejo e logÃstica, enquanto o KNCR11 concentra sua estratégia em certificados de recebÃveis imobiliários, principalmente vinculados ao CDI. Já o MXRF11 combina investimentos em crédito imobiliário e outras operações do segmento. A composição do grupo demonstra que fundos com caracterÃsticas distintas podem apresentar elevada liquidez. O volume negociado, porém, não indica necessariamente maior rentabilidade ou menor risco.
Entre os demais destaques aparecem o Pátria Log (HGLG11), na quarta posição, e o XP Malls (XPML11), na quinta. Os dois fundos possuem estratégias voltadas a imóveis fÃsicos, com exposição predominante a galpões logÃsticos e shopping centers, respectivamente. A movimentação reforça a presença de diferentes segmentos imobiliários entre os produtos acompanhados pelos investidores. Para avaliar o desempenho financeiro, seria necessário considerar também rendimentos distribuÃdos, evolução patrimonial e preços das cotas.
ETFs ligados ao Ibovespa e às small caps mantêm liderança
Nos fundos de Ãndice negociados na B3, conhecidos como ETFs, as três primeiras posições permaneceram inalteradas em setembro. O BOVA11 liderou novamente, seguido por SMAL11 e BOVV11. Os produtos oferecem exposição a Ãndices do mercado acionário brasileiro, incluindo o Ibovespa e o segmento de empresas de menor capitalização. A manutenção dessas posições demonstra a relevância dos instrumentos de investimento indexado na movimentação da Bolsa.
O LFTB11, ETF de renda fixa com exposição a tÃtulos públicos, avançou da quinta para a quarta posição. O IVVB11, que acompanha o desempenho do Ãndice americano S&P 500 em reais, ficou em quinto lugar. Também apareceram na lista produtos relacionados à taxa Selic, tÃtulos públicos indexados à inflação e ouro. A variedade evidencia a utilização dos ETFs para exposição a diferentes classes de ativos.
A comparação com agosto mostra estabilidade entre os fundos mais negociados ligados à s ações brasileiras, mas mudanças nas posições dos demais produtos. Essas alterações podem decorrer de negociações associadas à gestão de liquidez e ao ajuste de exposições. Os dados, entretanto, não revelam a posição lÃquida final dos investidores em cada fundo. A análise do fluxo de recursos exigiria informações complementares sobre emissão, resgate e movimentação das cotas.
Aura Minerals (AURA33) lidera BDRs, seguida por Nubank e XP
Entre os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados negociados no Brasil que representam ativos de companhias estrangeiras, a Aura Minerals (AURA33) manteve a liderança em setembro. A Nu Holdings (ROXO34), controladora do Nubank, avançou para a segunda posição, enquanto a XP (XPBR31) alcançou o terceiro lugar. O desempenho representa uma mudança em relação ao ranking de agosto, quando empresas de tecnologia ocupavam posições mais elevadas. Os dados refletem a movimentação financeira desses instrumentos na B3.
A Micron Technology (MUTC34) permaneceu na quarta colocação, e o Mercado Livre (MELI34) entrou na quinta. Nvidia (NVDC34), Tesla (TSLA34) e outros emissores também apareceram entre os dez mais negociados. A composição combina companhias ligadas a tecnologia, serviços financeiros, comércio eletrônico e mineração. Essa diversidade demonstra que o mercado brasileiro de BDRs reúne diferentes setores econômicos.
O crescimento da negociação desses certificados também amplia as alternativas disponÃveis aos investidores brasileiros para acessar empresas constituÃdas fora do paÃs. Entretanto, os BDRs apresentam caracterÃsticas próprias de negociação e riscos relacionados aos ativos subjacentes, ao câmbio e à s condições de liquidez. O fato de um certificado figurar entre os mais movimentados não representa indicação de adequação a determinado perfil de investidor. Sua avaliação depende das caracterÃsticas do produto e dos objetivos de cada carteira.
O que o ranking da B3 revela sobre o mercado brasileiro
O levantamento de setembro evidencia três movimentos relevantes: a manutenção da Petrobras entre os ativos de maior liquidez, o avanço de instituições financeiras no ranking geral e as diferenças de negociação entre perfis de investidores. A presença de quatro companhias em todas as categorias analisadas demonstra a importância de um grupo relativamente restrito de empresas na movimentação da Bolsa. Ao mesmo tempo, a entrada e a saÃda de determinados papéis mostram que essa composição pode variar mensalmente.
A comparação entre agosto e setembro indica que as principais posições permaneceram relativamente estáveis, mas houve mudanças importantes a partir do quarto lugar. O Banco do Brasil ganhou relevância, enquanto B3 e PRIO retornaram ao grupo dos dez ativos mais negociados. Essa alternância permite identificar onde a atividade de negociação se intensificou em termos relativos. Não é suficiente, contudo, para concluir que houve entrada lÃquida de capital ou mudança permanente nas estratégias de investimento.
Para investidores, o ranking oferece uma referência sobre liquidez e concentração das operações no mercado brasileiro. Ações com negociação frequente podem facilitar a execução de ordens, embora também estejam sujeitas a oscilações de preços e alterações de volume. A movimentação elevada não garante retorno financeiro positivo nem reduz os riscos especÃficos das companhias. O levantamento do Datawise+ funciona, portanto, como um retrato da atividade da B3 em setembro, e não como uma classificação das melhores oportunidades de investimento.
Fontes
B3 — Instituições financeiras ocupam metade do Top 10 de ações em setembro na B3, segundo Datawise+, comunicado oficial de 22 de outubro de 2026.
B3 — BTG Pactual alcança melhor posição do ano e Embraer estreia no Top 10 das ações mais negociadas em 2026, levantamento de agosto divulgado em 28 de setembro de 2026.
B3 — Datawise+, metodologia e segmentação das negociações por categoria de investidor.
B3 — Bora Investir, levantamento das ações, fundos imobiliários, ETFs e BDRs mais negociados em setembro de 2026.










