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PF investiga triplex de R$ 22 milhões de Ciro Nogueira no caso Banco Master

Apuração mira compra de cobertura de luxo em São Paulo por empresa ligada à família do senador; defesa nega irregularidades.

por Júlia Campos
10/05/2026 às 19h37
em Política
Pf Investiga Triplex De R$ 22 Milhões De Ciro Nogueira No Caso Banco Master - Gazeta Mercantil - Política

A Polícia Federal investiga a compra de uma cobertura triplex de cerca de R$ 22 milhões em São Paulo pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), em uma nova frente da apuração sobre o caso Banco Master. A operação imobiliária entrou no radar dos investigadores por ter ocorrido em período próximo à apresentação de uma emenda à PEC 65/2023 que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida apontada pela PF como potencialmente favorável à instituição financeira então em dificuldades.

Segundo a apuração, o imóvel teria sido adquirido por meio da CNLF Empreendimentos, empresa ligada à família de Ciro Nogueira. A cobertura tem 514 metros quadrados, três suítes e três vagas de garagem. Parte do pagamento teria sido feita com a entrega de outro imóvel no mesmo edifício, avaliado em aproximadamente R$ 8 milhões, além de parcelas em dinheiro.

Leia também: BTG Pactual (BPAC11) recebe licença para operar como banco no Peru e investirá US$ 100 milhões.

A defesa do senador nega irregularidades. Ciro Nogueira afirmou que a aquisição foi feita com recursos próprios e que o imóvel poderia valer atualmente cerca de R$ 30 milhões. A investigação ainda está em andamento, e os elementos levantados pela PF dependem de análise judicial, manifestação das defesas e eventual avaliação do Ministério Público.

A apuração integra os desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master, seu fundador Daniel Vorcaro e relações com agentes públicos. Na quinta-feira (7), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador, como parte do avanço da investigação sobre possíveis vantagens indevidas. A Reuters também registrou a execução de mandado de busca contra Ciro Nogueira no contexto da ampliação da investigação sobre o Banco Master.

Leia também: “A técnica mata ou salva? O estrangulamento policial após o caso George Floyd”.

Compra ocorreu antes de emenda sobre o FGC

A PF considera relevante a relação temporal entre a aquisição do triplex e a atuação legislativa de Ciro Nogueira em proposta envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos. A compra teria ocorrido menos de um mês antes de o senador apresentar emenda à PEC 65/2023 para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC por depositante.

Para os investigadores, a proposta poderia beneficiar instituições financeiras com problemas de liquidez, entre elas o Banco Master. O FGC funciona como uma espécie de proteção a investidores e depositantes em determinados produtos financeiros, dentro dos limites e regras estabelecidos.

A suspeita da PF é que a ampliação da cobertura teria potencial para reduzir a percepção de risco de investidores em relação a instituições frágeis, o que poderia facilitar a captação de recursos no sistema financeiro.

A defesa de Ciro Nogueira contesta a tese de irregularidade e sustenta que a atuação parlamentar não esteve vinculada a vantagem indevida. Até o momento, não há condenação ou decisão definitiva contra o senador nesse ponto.

Relatório cita texto supostamente elaborado por aliados do banco

Relatórios da investigação indicam que o texto da emenda apresentada por Ciro Nogueira teria sido elaborado por assessores ligados ao Banco Master e posteriormente reproduzido no Congresso. Mensagens apreendidas pela PF mencionariam comemoração de Daniel Vorcaro pelo fato de a proposta ter saído conforme orientado.

A investigação busca esclarecer se houve atuação coordenada entre representantes do banco e o gabinete do senador para apresentação de uma emenda legislativa de interesse privado. Esse é um dos pontos centrais da apuração.

O uso de contribuições externas em propostas legislativas não é, por si só, irregular. O que a PF investiga é se o eventual apoio técnico ou textual esteve associado a pagamentos, benefícios, vantagens econômicas ou contrapartidas indevidas.

A análise das mensagens, documentos e registros financeiros será decisiva para indicar se houve apenas interlocução política ou se existiu uma relação ilícita entre o parlamentar e o grupo de Vorcaro.

Triplex de luxo tem 514 metros quadrados

O imóvel investigado é uma cobertura triplex de alto padrão em São Paulo. Segundo informações que constam da apuração, o apartamento tem 514 metros quadrados, três suítes e três vagas de garagem.

A compra teria sido realizada pela CNLF Empreendimentos, empresa vinculada à família do senador. Parte do valor teria sido quitada por meio de outro imóvel no mesmo edifício, avaliado em cerca de R$ 8 milhões, além de pagamentos em dinheiro.

A PF avalia se a operação imobiliária é compatível com a evolução patrimonial declarada, com os fluxos financeiros das empresas envolvidas e com os demais fatos investigados no caso Banco Master.

Ciro Nogueira afirma que a compra foi regular e feita com recursos próprios. O senador também sustenta que o imóvel se valorizou desde a aquisição.

PF apura supostos repasses mensais

Além da compra do triplex, a investigação apura supostos pagamentos mensais atribuídos ao grupo de Daniel Vorcaro em favor de empresas relacionadas a Ciro Nogueira.

Conversas obtidas pela PF mencionariam uma “parceria BRGD/CNLF”, com repasses que poderiam variar de R$ 300 mil a R$ 500 mil por mês. A suspeita é que essas movimentações possam ter sido usadas para ocultar vantagens indevidas.

A apuração deverá verificar a origem dos recursos, a finalidade dos pagamentos, a existência de contratos, prestação de serviços e eventual conexão com atos praticados no Congresso.

A defesa do senador nega que tenha havido pagamento ilícito ou qualquer relação irregular com Daniel Vorcaro. Como se trata de investigação em curso, os dados ainda precisam ser submetidos ao contraditório.

Compra de participação na Green Investimentos também é analisada

Outro ponto investigado envolve a compra de participação na Green Investimentos. Segundo a PF, uma empresa ligada à família de Ciro Nogueira teria adquirido por R$ 1 milhão uma fatia avaliada em aproximadamente R$ 13 milhões.

Para os investigadores, a diferença entre o preço pago e o valor estimado da participação poderia representar uma “vantagem negocial” milionária ao senador ou a empresas relacionadas a ele.

A defesa poderá contestar a avaliação, os critérios usados para estimar o valor da participação e a interpretação de que houve vantagem indevida. Operações societárias podem envolver descontos, riscos, cláusulas contratuais e condições específicas que precisam ser analisadas.

A PF, por sua vez, busca saber se a operação teve finalidade econômica real ou se foi usada como mecanismo indireto de transferência de benefício.

Negociação posterior por casa no Jardim Europa entrou no radar

A investigação também cita tratativas posteriores envolvendo o triplex. Meses depois da compra da cobertura, Ciro Nogueira teria iniciado negociações para trocar o imóvel por uma casa de alto padrão no Jardim Europa, em São Paulo.

O imóvel, ainda em construção, teria cerca de 878 metros quadrados e projeto assinado pelo arquiteto Arthur Casas. A eventual troca passou a ser observada pela PF como parte do conjunto de movimentações patrimoniais associadas ao senador.

Não há conclusão definitiva sobre irregularidade nessa negociação. O ponto investigativo é identificar se os bens, valores e operações imobiliárias guardam coerência com a renda e com a origem declarada dos recursos.

Operações com imóveis de alto padrão costumam exigir análise de contratos, pagamentos, empresas intermediárias, avaliações patrimoniais e registros em cartório.

Busca e apreensão recolheu documentos e veículos

Na quinta-feira (7), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira em endereços ligados ao senador em Brasília e no Piauí. Foram apreendidos veículos, malotes e documentos.

As buscas foram autorizadas no âmbito da investigação sobre o Banco Master. O objetivo foi recolher elementos que possam esclarecer a relação entre o senador, empresas ligadas à sua família, Daniel Vorcaro e eventuais movimentações financeiras suspeitas.

A execução de mandados não significa condenação nem comprovação de culpa. Trata-se de medida investigativa destinada à coleta de provas.

A defesa do senador afirma que ele não participou de atividades ilícitas e deverá apresentar esclarecimentos no decorrer do processo.

Caso Banco Master amplia pressão política

O avanço da investigação sobre Ciro Nogueira amplia a repercussão política do caso Banco Master. O senador preside o Progressistas e é uma das principais lideranças do Centrão, com influência relevante nas negociações do Congresso.

A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, vantagens indevidas e possível atuação parlamentar em benefício de interesses privados. A dimensão política se soma à crise financeira provocada pela liquidação do Banco Master.

A investigação também levanta discussões sobre governança, supervisão bancária, integridade pública e relação entre mercado financeiro e Congresso.

Como se trata de parlamentar com foro por prerrogativa de função, o caso tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, que deve avaliar os próximos passos da apuração.

Defesa nega ligação entre imóvel e Banco Master

A defesa de Ciro Nogueira nega que a compra do triplex tenha relação com o Banco Master ou com qualquer vantagem indevida. O senador afirma que o imóvel foi adquirido com recursos próprios e que a operação foi regular.

A negativa é relevante porque a investigação ainda depende de validação judicial. A PF reúne indícios, mas caberá às autoridades competentes avaliar se eles sustentam acusação formal.

Em casos dessa natureza, a apuração costuma envolver análise patrimonial, cruzamento de dados bancários, verificação de contratos, quebras de sigilo, depoimentos e manifestação das defesas.

Até eventual decisão definitiva, os fatos devem ser tratados como suspeitas sob investigação.

Investigação mira nexo entre patrimônio e atuação parlamentar

O ponto central da apuração é saber se há nexo entre movimentações patrimoniais, operações societárias e atuação legislativa. A PF tenta determinar se o triplex, os supostos repasses mensais e a compra de participação na Green Investimentos fazem parte de uma relação regular ou se configuram vantagens indevidas.

A proximidade temporal entre a compra do imóvel e a apresentação da emenda sobre o FGC é um dos elementos destacados pelos investigadores. Também são analisadas mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e registros de empresas ligadas ao senador.

A defesa tentará demonstrar que as operações tiveram origem lícita, finalidade econômica legítima e ausência de contrapartida política.

A investigação deve avançar com novas análises documentais e financeiras, além de eventual manifestação do Ministério Público.

Apuração ainda depende de provas e contraditório

A investigação sobre a compra do triplex de R$ 22 milhões por Ciro Nogueira adiciona uma nova camada ao caso Banco Master. A PF considera a operação relevante por sua relação temporal com a emenda ao FGC e por estar inserida em um conjunto de movimentações envolvendo empresas ligadas ao senador e ao grupo de Daniel Vorcaro.

A defesa nega irregularidades e afirma que a compra foi feita com recursos próprios. Não há condenação, e os fatos ainda serão submetidos ao contraditório.

O caso deve continuar sob forte atenção em Brasília por envolver um banco em liquidação, um empresário investigado e uma liderança política de alto peso no Congresso.

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