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PIB 2025 cresce só 0,28% no 2º trimestre, aponta prévia do Banco Central

por Gabriel Monteiro
19/08/2025 às 09h30
em Economia
Pib 2025 Cresce Só 0,28% No 2º Trimestre, Aponta Prévia Do Banco Central - Gazeta Mercantil - Economia

PIB 2025: Prévia do Banco Central mostra crescimento fraco de apenas 0,28% no 2º trimestre

O desempenho da economia brasileira no segundo trimestre de 2025 trouxe sinais de alerta para analistas, investidores e para o governo. Segundo dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB 2025, o crescimento foi de apenas 0,28% entre abril e junho. O resultado representa uma desaceleração expressiva em relação ao primeiro trimestre, quando o país havia registrado expansão recorde.

Mesmo com a atividade econômica ainda em território positivo, o ritmo mais fraco acendeu o debate sobre os efeitos da política monetária restritiva, a força da Selic elevada e os desafios que o Brasil enfrentará até o fim do ano para manter sua economia em crescimento sustentável.

Leia também: Visa (VISA34) lucra US$ 5,6 bilhões, mas ações recuam após balanço do 3º trimestre.


PIB 2025: como foi o desempenho no segundo trimestre

O PIB 2025 mostrou perda de fôlego após um início de ano aquecido. Em junho, o IBC-Br apontou recuo de 0,05% em relação ao mês anterior, levando o índice a 109,1 pontos na série dessazonalizada. O resultado é inferior ao registrado em abril, quando o indicador atingiu 109,9 pontos — o maior patamar desde o início de sua divulgação em 2003.

Apesar da desaceleração trimestral, os dados anuais ainda são positivos: em relação ao mesmo período de 2024, a atividade econômica cresceu 1,4%. No acumulado em 12 meses, a alta foi de 3,9%, reforçando que o país não está em recessão, mas sim em uma trajetória de crescimento mais moderado.


O papel da Selic no PIB 2025

Um dos principais fatores que explicam a desaceleração do PIB 2025 é a taxa básica de juros, a Selic, mantida em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006. A política monetária contracionista busca conter a inflação, mas também encarece o crédito, desestimula o consumo e reduz a disposição das empresas em investir.

Esse efeito é sentido diretamente na economia real: financiamentos imobiliários ficam mais caros, a compra de automóveis e eletrodomésticos desacelera, e projetos de expansão de grandes empresas são postergados. A consequência é um impacto direto na geração de empregos e na renda das famílias.


O que é o IBC-Br e por que importa para o PIB 2025

O IBC-Br é um indicador calculado pelo Banco Central que serve como “prévia do PIB”. Ele mede mensalmente a produção de bens e serviços finais no país, agregando dados de indústria, comércio e serviços. Sua principal vantagem é a agilidade: enquanto o IBGE divulga o PIB oficial a cada trimestre, o IBC-Br oferece sinalizações mensais sobre a economia.

No primeiro trimestre de 2025, por exemplo, o PIB oficial cresceu 1,4%, enquanto o IBC-Br havia registrado 1,3%, mostrando grande proximidade. Por isso, o mercado acompanha de perto os números do indicador para antecipar tendências e ajustar expectativas sobre o rumo da economia.


Comparativo histórico: desaceleração depois de recorde

O crescimento de apenas 0,28% no segundo trimestre representa forte contraste com o desempenho de janeiro a março, quando a economia avançou em ritmo recorde. O resultado reforça a leitura de que a expansão do início do ano não seria sustentável diante do cenário de juros altos e custos de crédito elevados.

Ainda assim, em comparação com períodos anteriores de estagnação, a situação atual é mais favorável. O Brasil acumula crescimento positivo de 3,9% em 12 meses, índice que, apesar da desaceleração recente, demonstra resiliência da economia.


Setores mais afetados e perspectivas

A prévia do PIB 2025 revela que os setores mais impactados pela desaceleração são aqueles diretamente dependentes de crédito e do consumo das famílias.

  • Indústria: sofre com o encarecimento dos investimentos, queda na produção e atraso em projetos de expansão.

  • Comércio de bens duráveis: enfrenta retração nas vendas de automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

  • Serviços essenciais e bens básicos: apresentam maior estabilidade, mantendo crescimento, ainda que em ritmo moderado.

O setor externo, por sua vez, mantém relativa contribuição positiva, sustentado pela demanda por commodities brasileiras e pelo superávit comercial.


PIB 2025 e os efeitos sobre a população

O crescimento fraco do PIB 2025 tem reflexo direto no dia a dia da população. A Selic elevada encarece financiamentos e empréstimos, reduzindo a capacidade de consumo das famílias. A confiança do consumidor também é abalada, uma vez que a perspectiva de empregos e renda mais restritos leva a maior cautela nos gastos.

No mercado de trabalho, a desaceleração pode significar menos contratações no curto prazo, principalmente em setores industriais e de comércio de bens duráveis, que são os mais sensíveis à queda na demanda.


Perspectivas para os próximos trimestres

Economistas destacam que a trajetória do PIB 2025 dependerá de múltiplos fatores:

  • Política monetária: o tempo de manutenção da Selic em 15% será decisivo para determinar a intensidade do crescimento.

  • Inflação: a trajetória dos preços segue no radar. Caso o índice continue em desaceleração, pode abrir espaço para cortes de juros em 2026.

  • Cenário internacional: oscilações nas commodities, tarifas impostas por outros países e instabilidade cambial podem afetar diretamente o desempenho da economia brasileira.

  • Investimentos privados: a disposição do setor produtivo em ampliar projetos depende de maior previsibilidade econômica.

Mesmo diante desses desafios, o acumulado em 12 meses de quase 4% de crescimento reforça que a economia não está parada e que existe resiliência estrutural em alguns setores.


PIB 2025: desafios do Brasil

O resultado de 0,28% de crescimento no segundo trimestre mostra que o PIB 2025 perdeu força após um início de ano promissor. A prévia do Banco Central sugere que o Brasil enfrenta um período de desaceleração, mas não de estagnação total.

O desafio é equilibrar a política monetária para controlar a inflação sem comprometer em excesso o crescimento econômico e a geração de empregos. Até o fim do ano, a expectativa é de que o país mantenha crescimento positivo, embora em ritmo mais lento do que o observado no primeiro trimestre.

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