O Pix ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil. O sistema encerrou setembro com 1,008 bilhão de registros no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais do Banco Central, contra aproximadamente 998 milhões em agosto e 920 milhões no fim de 2025. Em nove meses, portanto, foram adicionadas cerca de 88 milhões de chaves, crescimento de aproximadamente 9,6%.
O avanço de setembro também foi expressivo isoladamente. Em apenas um mês, o estoque aumentou em cerca de 10 milhões de registros, o equivalente a uma expansão próxima de 1%. Pessoas fÃsicas concentram praticamente todo o cadastro: são 956,7 milhões de chaves, ou quase 95% do total. As pessoas jurÃdicas possuem outras 51,2 milhões.
A marca de 1 bilhão não significa que o paÃs tenha esse número de usuários. Uma mesma pessoa pode cadastrar diversas chaves em contas e instituições diferentes. Para pessoas fÃsicas, o Banco Central permite até cinco chaves por conta; para empresas, o limite chega a 20 por conta. O número deve ser interpretado, portanto, como uma medida da disseminação do Pix pelo sistema bancário, e não como quantidade de brasileiros utilizando o serviço.
Número equivale a quase cinco chaves para cada habitante
Tomando como referência a estimativa do IBGE de 214,2 milhões de habitantes em 2026, o estoque de 1,008 bilhão de chaves corresponde matematicamente a aproximadamente 4,7 registros para cada morador do paÃs. A comparação ajuda a mostrar o tamanho alcançado pelo sistema, mas não representa a quantidade média efetivamente mantida por cada brasileiro, já que empresas também possuem chaves e uma mesma pessoa pode concentrar diversos registros.
As chaves funcionam como identificadores associados às contas bancárias e permitem que uma transferência seja iniciada sem que o pagador tenha de informar agência, número da conta e demais dados do recebedor. CPF ou CNPJ, número de celular, endereço de e-mail e códigos aleatórios podem desempenhar essa função.
O cadastro da chave não é obrigatório para utilizar o Pix. Segundo o Banco Central, uma transferência também pode ser feita utilizando os dados completos da conta, embora o registro de uma chave simplifique o envio e o recebimento de recursos. A expansão do estoque mostra justamente como essa facilidade acabou se tornando a principal forma de identificação utilizada pelos clientes.
Chaves aleatórias já passam de 526 milhões
O tipo mais utilizado é a chave aleatória. Em setembro, eram aproximadamente 526,8 milhões de registros desse tipo, correspondentes a 52,3% de todas as chaves Pix existentes no paÃs. Sozinhas, portanto, as chaves geradas automaticamente pelo sistema representam mais da metade do estoque nacional.
O número de celular aparece em segundo lugar, com cerca de 166,3 milhões de cadastros, ou 16,5% do total. As chaves vinculadas ao CPF somam aproximadamente 153,9 milhões, equivalentes a 15,3%, enquanto os endereços de e-mail respondem por cerca de 144,6 milhões, ou 14,3%.
A predominância das chaves aleatórias está relacionada também à possibilidade de receber recursos sem precisar compartilhar CPF, telefone ou endereço eletrônico com quem realiza o pagamento. O código é gerado pelo próprio Diretório de Identificadores de Contas Transacionais e funciona apenas como referência para localizar a conta associada.
Somados, códigos aleatórios, telefones, CPFs e e-mails respondem por quase todo o estoque de chaves do paÃs. Os demais registros estão relacionados principalmente à s modalidades utilizadas por pessoas jurÃdicas, incluindo CNPJs.
Pessoas fÃsicas concentram 95% dos registros
Dos pouco mais de 1 bilhão de cadastros existentes em setembro, aproximadamente 956,7 milhões pertencem a pessoas fÃsicas. Isso corresponde a cerca de 94,9% do total. As pessoas jurÃdicas possuem 51,2 milhões, participação próxima de 5,1%.
A diferença reflete tanto a quantidade muito maior de pessoas em relação às empresas quanto a possibilidade de um mesmo consumidor possuir contas em diferentes instituições financeiras. Cada conta pode ter seu próprio conjunto de chaves dentro dos limites estabelecidos pelo Banco Central.
Uma mesma chave, entretanto, não pode apontar simultaneamente para duas contas. Se um número de telefone ou CPF estiver associado a determinado banco, por exemplo, ele precisa passar por um processo de portabilidade para ser utilizado como identificador em outra instituição. Essa caracterÃstica é administrada pelo DICT, a infraestrutura mantida pelo Banco Central para centralizar as informações das chaves.
Para o usuário, a multiplicação dos registros tornou comum manter diferentes identificadores para diferentes contas. Uma pessoa pode utilizar o CPF em uma instituição, o telefone em outra e chaves aleatórias em contas adicionais, o que ajuda a explicar por que o estoque cresce em ritmo muito superior ao da própria população.
Pix já alcança mais de 170 milhões de pessoas
O crescimento das chaves ocorre depois de o Pix se consolidar como um dos principais meios de pagamento do paÃs. Dados divulgados pelo Banco Central indicam que mais de 170 milhões de pessoas fÃsicas já utilizaram o sistema para enviar ou receber recursos, o equivalente a aproximadamente 80% da população brasileira.
O volume de operações também alcançou uma escala muito superior à observada nos primeiros anos. Em maio de 2026, por exemplo, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações Pix, movimentando mais de R$ 3 trilhões em um único mês. O recorde diário permanece acima de 313 milhões de operações, alcançado em dezembro de 2025.
A diferença entre os mais de 170 milhões de usuários e o 1 bilhão de chaves reforça por que as duas estatÃsticas medem fenômenos diferentes. O primeiro indicador mostra quantas pessoas já participaram de uma operação; o segundo contabiliza todos os identificadores mantidos nas diversas contas existentes no sistema.
O crescimento contÃnuo dos cadastros indica também que a expansão do Pix não depende apenas da chegada de novos usuários. Pessoas que já utilizavam o sistema continuam criando chaves em outras contas ou adotando identificadores adicionais, enquanto empresas ampliam o uso do meio de pagamento nas relações com consumidores e fornecedores.
Sistema ganhou 88 milhões de chaves em nove meses
A comparação com dezembro mostra que a expansão permanece forte mesmo depois de quase seis anos de funcionamento do Pix. O estoque passou de aproximadamente 920 milhões no encerramento de 2025 para 1,008 bilhão em setembro, diferença de 88 milhões de registros.
Considerando os nove meses do perÃodo, isso equivale a uma adição média próxima de 9,8 milhões de chaves por mês. Mantido apenas como referência matemática, esse ritmo significa que o sistema incorporou diariamente mais de 320 mil novos registros lÃquidos ao estoque.
A expansão não deve ser confundida com a quantidade bruta de novas chaves criadas. Durante o mesmo perÃodo, usuários também podem excluir, transferir ou substituir cadastros. O dado do Banco Central representa o estoque existente no último dia de cada mês, ou seja, o resultado lÃquido dessas movimentações.
É justamente esse estoque que ultrapassou 1 bilhão em setembro. A marca mostra que, mesmo depois de o Pix atingir praticamente todos os segmentos do sistema financeiro brasileiro, a estrutura de identificação associada ao serviço continua crescendo.
Marca mostra dimensão alcançada pelo Pix no sistema financeiro
Criado pelo Banco Central e lançado ao público em novembro de 2020, o Pix mudou em poucos anos a maneira como pessoas e empresas movimentam recursos. A disponibilidade durante 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados, reduziu a dependência de instrumentos tradicionais de transferência e tornou pagamentos instantâneos parte da rotina de consumidores e estabelecimentos.
Desde então, novas funcionalidades ampliaram o alcance do sistema para além das transferências entre pessoas. Pix Cobrança, Pix Saque, Pix Troco e Pix Automático aproximaram a infraestrutura de diferentes modalidades de pagamento anteriormente atendidas por boletos, cartões, débito automático e outros instrumentos.
O estoque superior a 1 bilhão de chaves acrescenta uma nova dimensão a essa expansão. Não se trata de 1 bilhão de clientes diferentes, mas de mais de 1 bilhão de identificadores conectando usuários, empresas, contas e instituições financeiras dentro da mesma infraestrutura.
Com mais de 170 milhões de pessoas fÃsicas já tendo realizado operações e 1,008 bilhão de chaves registradas, o Pix entra no último trimestre de 2026 com uma escala que seria difÃcil de antecipar quando começou a funcionar, há menos de seis anos.
Fontes:
Banco Central do Brasil — EstatÃsticas do Pix e estoque de chaves cadastradas no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais
Banco Central do Brasil — informações e regras sobre cadastro e funcionamento das chaves Pix
Banco Central do Brasil — estatÃsticas de usuários, transações e volume financeiro do Pix
Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica — Estimativas da População 2026







