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Picanha cai quase 26% e preço do churrasco dá trégua ao consumidor, aponta Neogrid

Levantamento com mais de 40 milhões de notas fiscais mostra queda em cortes bovinos premium, frango mais barato e estabilidade nas bebidas em abril

por Maria Helena Costa
12/05/2026 às 16h28
em Economia
Picanha Cai Quase 26% E Preço Do Churrasco Dá Trégua Ao Consumidor, Aponta Neogrid - Gazeta Mercantil

O preço do churrasco deu sinais de alívio para o consumidor brasileiro em abril, apesar da inflação ainda pressionar o orçamento das famílias. Levantamento da Neogrid, feito com base em mais de 40 milhões de notas fiscais emitidas em todo o país, mostra queda relevante em cortes bovinos, recuo no frango e estabilidade nas bebidas alcoólicas na comparação com abril de 2025. A picanha, um dos itens mais simbólicos do consumo de carne no Brasil, caiu 25,9% em um ano, passando de R$ 81,86 para R$ 60,70 por quilo.

O movimento indica uma acomodação nos preços de parte das proteínas após o período de maior pressão registrado no fim de 2025 e no início de 2026. A queda não foi uniforme, já que alguns cortes ainda ficaram mais caros, mas o conjunto dos dados aponta uma trégua para itens associados ao consumo doméstico, aos encontros familiares e aos eventos sazonais.

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A redução do preço do churrasco tem impacto direto sobre o varejo alimentar, supermercados, açougues, distribuidoras de bebidas e indústrias de proteína animal. Em um ambiente de renda pressionada e endividamento elevado das famílias, variações em alimentos de consumo recorrente influenciam decisões de compra, substituição de produtos e planejamento de estoques.

Picanha e fraldinha puxam queda entre cortes premium

A picanha foi um dos cortes bovinos com maior recuo no levantamento da Neogrid. O preço médio caiu de R$ 81,86 por quilo em abril de 2025 para R$ 60,70 em abril de 2026, baixa de 25,9%. O dado chama atenção porque o corte costuma funcionar como referência de preço para o consumidor e como termômetro de percepção sobre o custo da carne.

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A fraldinha teve queda ainda mais intensa. O preço médio passou de R$ 72,25 para R$ 44,37 por quilo, recuo de 38,6% em 12 meses. O corte, bastante utilizado em churrascos, restaurantes e consumo doméstico, ficou entre os itens que mais contribuíram para a sensação de alívio no chamado kit churrasco.

Outros cortes premium também registraram queda. O ancho bovino recuou 19,6%, enquanto a costela bovina ficou 21,6% mais barata no período. Segundo a Neogrid, esse comportamento representa uma acomodação relevante nos preços das proteínas bovinas depois dos picos observados nos meses anteriores.

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A queda desses cortes não significa que a carne bovina tenha deixado de pesar no orçamento. O preço segue elevado para uma parcela relevante das famílias, especialmente em regiões metropolitanas e em domicílios de menor renda. Ainda assim, a comparação anual mostra uma melhora no custo de alguns produtos que haviam se distanciado do consumo cotidiano.

Nem todos os cortes ficaram mais baratos

O levantamento também mostra que o alívio não atingiu toda a cadeia da carne bovina. A maminha registrou alta de 4,3% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025. A alcatra avançou 12,3% no período, indicando que parte dos cortes segue pressionada por demanda, oferta regional, logística e dinâmica de reposição no varejo.

Essa diferença entre cortes é relevante para entender o comportamento do consumidor. Quando itens de maior valor recuam, mas cortes de consumo amplo sobem, a percepção de melhora pode variar conforme o perfil de compra de cada família. Consumidores mais sensíveis a preço tendem a substituir produtos, buscar promoções e reduzir a frequência de compra de cortes mais caros.

Para o varejo, o cenário exige leitura mais detalhada do mix. A queda de picanha, fraldinha, ancho e costela pode estimular campanhas promocionais e aumento de volume em datas de maior consumo. Ao mesmo tempo, a alta de alcatra e maminha exige cuidado na precificação para evitar perda de competitividade.

O comportamento desigual dos cortes também reforça a importância de estoques ajustados. Supermercados e açougues precisam calibrar compras, exposição e promoções conforme a demanda regional. Em períodos de renda apertada, erros de reposição podem pressionar margens ou gerar ruptura em produtos com maior giro.

Frango recua e amplia alternativas ao consumidor

Além da carne bovina, o frango também ficou mais barato. O frango inteiro teve queda de 12,4% em um ano, enquanto a coxa de frango recuou 10,9%. O movimento amplia as alternativas para consumidores que buscam proteínas mais acessíveis e pode influenciar o equilíbrio de demanda entre bovinos, aves e embutidos.

O frango costuma ganhar participação no carrinho quando a carne bovina fica mais cara. Com a queda simultânea de parte dos cortes bovinos e do frango, o consumidor encontra mais opções para compor refeições e eventos domésticos sem elevar tanto o gasto final.

As linguiças, outro item recorrente em churrascos, permaneceram praticamente estáveis, segundo o levantamento. A estabilidade é importante porque o produto funciona como complemento de menor custo em relação aos cortes bovinos premium e costuma ter presença constante em compras para encontros familiares.

No conjunto, a combinação de carne bovina mais barata em cortes específicos, frango em queda e linguiças estáveis reduz a pressão sobre o kit churrasco. O efeito, porém, depende do comportamento das demais categorias do carrinho, como carvão, acompanhamentos, bebidas, pães, molhos e descartáveis.

Cerveja estabiliza após pressão no verão

As bebidas alcoólicas também mostraram comportamento mais moderado em abril. A cerveja clara registrou alta de apenas 0,7% na comparação anual, sinalizando estabilidade após períodos de maior pressão de preços. A cerveja artesanal caiu 4,6%, depois dos aumentos observados durante o verão.

A estabilidade da cerveja é relevante porque bebidas representam parcela importante do gasto em churrascos e eventos sociais. Mesmo quando carnes ficam mais baratas, altas expressivas em bebidas podem anular parte do alívio percebido pelo consumidor.

Entre os vinhos, o levantamento também apontou moderação. Os importados caíram 4,5%, passando de R$ 64,14 para R$ 61,24. O vinho fino nacional ficou praticamente estável, com alta de 0,7%, enquanto o vinho de mesa avançou 2,2%.

A dinâmica das bebidas reflete fatores distintos dos alimentos. Câmbio, tributação, custos de produção, sazonalidade, estoque e estratégia comercial influenciam o preço final. No caso da cerveja, a estabilização após o verão pode estar ligada ao ajuste de demanda e à recomposição de estoques em redes varejistas.

Alívio ocorre em ambiente de consumo ainda cauteloso

A queda no preço do churrasco ocorre em um ambiente no qual as famílias continuam atentas ao orçamento. Mesmo com recuos pontuais em alimentos e bebidas, a inflação acumulada dos últimos anos, o endividamento e o custo do crédito limitam a recuperação mais forte do consumo.

Para supermercados, atacarejos e distribuidores, o momento combina oportunidade e cautela. Produtos mais baratos podem estimular maior volume de vendas, sobretudo em fins de semana, feriados e datas comemorativas. No entanto, o consumidor segue seletivo e tende a responder mais a promoções, combos e ofertas de curto prazo.

O levantamento da Neogrid reforça a importância do monitoramento em tempo real da demanda. A empresa atua com tecnologia e dados voltados à cadeia de consumo e abastecimento, com foco em sincronização entre indústria, varejo e disponibilidade de produtos.

Em categorias de alta sensibilidade a preço, como carnes e bebidas, pequenas variações podem mudar o comportamento de compra. Uma queda relevante em picanha e fraldinha, por exemplo, pode levar consumidores a antecipar compras, trocar cortes ou aumentar o tíquete médio em ocasiões específicas.

Copa do Mundo pode elevar demanda por carnes e bebidas

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 adiciona um componente relevante para o varejo alimentar. Eventos esportivos de grande audiência costumam impulsionar a compra de carnes, cervejas, refrigerantes, salgadinhos, carvão, gelo e itens de conveniência. A demanda pode crescer especialmente nos dias de jogos da Seleção Brasileira.

Nesse contexto, o preço do churrasco tende a ser acompanhado de perto por supermercados, atacarejos, frigoríficos, distribuidores e fabricantes de bebidas. A combinação entre queda de alguns cortes e estabilidade de bebidas pode favorecer campanhas comerciais voltadas ao consumo em casa.

O desafio será equilibrar preço, disponibilidade e margem. Caso a demanda avance rapidamente durante o período da Copa, varejistas precisarão evitar ruptura de estoque em itens de maior giro. Do lado da indústria, a sincronização com canais de venda será decisiva para capturar o aumento sazonal sem excesso de produtos em categorias de menor saída.

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A leitura da Neogrid aponta justamente para essa necessidade de monitoramento constante da cadeia de abastecimento. Em um mercado de consumo volátil, dados de notas fiscais, estoques e vendas ajudam empresas a reagir com mais velocidade a mudanças de demanda.

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Queda da picanha melhora percepção, mas não elimina pressão sobre o carrinho

O recuo da picanha e de outros cortes premium tem forte efeito simbólico sobre o consumidor brasileiro. A carne bovina ocupa papel central na percepção sobre custo de vida, especialmente quando associada ao churrasco, um hábito cultural de grande alcance no país.

Ainda assim, o alívio não deve ser interpretado como normalização completa dos preços dos alimentos. Parte dos cortes segue em alta, outros itens do carrinho continuam pressionados e a renda das famílias permanece limitada. O consumidor pode encontrar preços melhores em abril, mas ainda tende a comparar, substituir e buscar promoções.

Para o varejo, o dado abre espaço para estratégias comerciais mais agressivas, principalmente em cortes que registraram queda expressiva. Para a indústria de alimentos e bebidas, indica a necessidade de atenção à recomposição de demanda em um período que combina sazonalidade, Copa do Mundo e maior competição por preço.

O levantamento mostra que o preço do churrasco deixou de subir no ritmo observado em momentos recentes e passou a oferecer alguma trégua ao orçamento familiar. A intensidade dessa melhora dependerá da continuidade da queda das proteínas, da estabilidade das bebidas e da capacidade do varejo de transformar redução de custos em preço final competitivo.

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