Prisão de Carla Zambelli: STF determina extradição internacional e bloqueio de bens da deputada foragida
Deputada é considerada foragida após deixar o Brasil rumo à Europa e se recusar a retornar. Alexandre de Moraes ordena medidas rigorosas, incluindo acionamento da Interpol e confisco de ativos
Em mais um capítulo que movimenta os bastidores da política nacional e o Judiciário, a prisão de Carla Zambelli foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a parlamentar anunciar que deixou o país e que não pretende retornar. A decisão ocorre após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que classificou a deputada como foragida da Justiça brasileira.
A medida se dá em um contexto de agravamento das sanções contra Zambelli, que já havia sido condenada a dez anos de prisão em regime fechado, além de ter sido penalizada com o pagamento de indenização milionária por danos morais coletivos. A ordem de prisão preventiva vem acompanhada de um conjunto de ações determinadas para garantir o cumprimento da sentença, a aplicação da lei penal e o ressarcimento aos cofres públicos.
Acusada de fugir do país para escapar da pena: o ponto de ruptura
A prisão de Carla Zambelli foi decretada após declarações públicas da deputada, nas quais admitiu estar na Europa e revelou não ter intenção de retornar ao Brasil. Em suas falas, a parlamentar alegou estar sofrendo perseguição política e censura, afirmando que seu objetivo é denunciar o Supremo Tribunal Federal (STF) em instâncias internacionais, inclusive em Cortes europeias.
Diante disso, Moraes considerou que a fuga demonstra “insistência nas condutas criminosas”, além de sinalizar uma tentativa deliberada de frustrar a execução da pena imposta. A medida judicial foi tomada às vésperas do julgamento dos embargos de declaração referentes à sua condenação e à iminente perda de mandato parlamentar.
Interpol acionada e bloqueio de bens
A decisão de prisão de Carla Zambelli veio acompanhada de ordens complementares de grande impacto. Entre elas, destacam-se:
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Inclusão de Zambelli na lista da difusão vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional para localização e eventual extradição de foragidos;
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Suspensão imediata do passaporte da deputada;
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Bloqueio de bens, veículos, imóveis, aeronaves e embarcações vinculadas ao nome da parlamentar;
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Confisco de ativos financeiros e bloqueio das contas bancárias;
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Retenção dos salários e verbas de gabinete;
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Imposição de multa diária de R$ 100 mil às plataformas digitais que descumprirem a ordem de bloqueio das contas da deputada;
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Multa adicional de R$ 50 mil por postagens ou republicações que reiterem os atos criminosos, mesmo se realizadas por terceiros.
Essas ações têm como finalidade assegurar o cumprimento da sentença, impedir a continuidade da prática criminosa em redes sociais e garantir a reparação financeira pelos danos causados à coletividade.
Condenações e histórico jurídico: Zambelli sob pressão
A prisão de Carla Zambelli decorre de uma condenação imposta em maio de 2025 pela 1ª Turma do STF. Na ocasião, a parlamentar foi considerada culpada por ter contratado e financiado o hacker Walter Delgatti Neto. A missão do hacker era invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos forjados, entre eles um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.
O objetivo, segundo a investigação, era desestabilizar o Poder Judiciário e impulsionar uma narrativa de perseguição política, visando manipular a opinião pública. Por esse episódio, Zambelli recebeu pena de 10 anos de prisão em regime fechado, além de multa no valor de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
A condenação também inclui a perda do mandato parlamentar, decisão que dependerá de manifestação da Câmara dos Deputados após o trânsito em julgado. Contudo, a inelegibilidade da deputada já está em vigor por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa.
Outras acusações reforçam cerco judicial
Além do processo principal que culminou na prisão de Carla Zambelli, a deputada é ré em outras ações no STF. Em uma delas, Zambelli é acusada de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, por ter perseguido e ameaçado um homem com uma arma de fogo na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Nesse caso, a maioria dos ministros da Suprema Corte já votou pela condenação a cinco anos e três meses de reclusão em regime semiaberto. O julgamento foi suspenso por pedido de vista, mas o processo segue em tramitação.
No campo eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) também cassou o mandato da deputada por disseminação de desinformação durante a campanha eleitoral de 2022. A decisão está pendente de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Defesa desmobilizada e intervenção da DPU
Com a escalada das sanções judiciais e o agravamento da situação processual, a defesa da parlamentar sofreu um revés estratégico. O advogado Daniel Bialski, que a representava, renunciou à defesa, alegando razões de foro íntimo. Ele havia informado que a viagem de Zambelli seria motivada por questões de saúde, versão que não foi comprovada.
Com a renúncia de todos os advogados até então constituídos, o ministro Alexandre de Moraes nomeou a Defensoria Pública da União (DPU) para atuar nos processos em que a deputada figura como ré. Essa nomeação visa assegurar o contraditório e a ampla defesa, mesmo diante do status de foragida.
Efeitos políticos e institucionais da prisão de Carla Zambelli
Ao determinar sanções que incluem bloqueio de contas em redes como X, YouTube, TikTok, Telegram e outras, o STF envia um recado claro: a liberdade de expressão não será usada como escudo para a prática de crimes, especialmente aqueles que atentam contra as instituições democráticas.
O caso ainda pode abrir precedente para outras ações contra parlamentares acusados de condutas semelhantes. Ao envolver a Interpol e a cooperação internacional, o processo ganha um alcance sem precedentes para um caso envolvendo uma deputada federal em exercício do mandato.
Próximos passos e consequências jurídicas
A expectativa agora recai sobre a resposta das autoridades internacionais ao pedido de extradição. Caso a Interpol localize a deputada em território europeu, o governo brasileiro poderá solicitar sua extradição oficial, processo que dependerá da legislação e dos tratados de cada país onde ela se encontrar.
Enquanto isso, o STF seguirá com o trâmite dos recursos pendentes e pode decidir, a qualquer momento, pela cassação definitiva do mandato de Zambelli, com base nos dispositivos constitucionais e na Lei da Ficha Limpa.
Caso Zambelli simboliza novo patamar de responsabilização
A prisão de Carla Zambelli é um marco no enfrentamento às práticas que atentam contra a ordem democrática e o Estado de Direito. O endurecimento das penas, o bloqueio de bens e a cooperação internacional apontam para um novo paradigma de responsabilização de agentes públicos que utilizam a função parlamentar para desacreditar instituições e manipular a opinião pública por meio de desinformação.
Com o STF unificado em torno da decisão e a PGR atuante, a expectativa é que a Justiça siga firme na proteção do regime democrático e na repressão de ações orquestradas contra o funcionamento das instituições.






