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Produção brasileira de noz-pecã deve chegar a 7 mil toneladas

por Antônio Lima
17/02/2026 às 12h49
em Agronegócio
Produção Brasileira De Noz-Pecã Deve Chegar A 7 Mil Toneladas - Gazeta Mercantil

Produção brasileira de noz-pecã deve atingir 7 mil toneladas e sinaliza retomada em 2026

A produção brasileira de noz-pecã deve alcançar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas na safra de 2026, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Pecanicultura. A projeção indica recuperação consistente após ciclos impactados por adversidades climáticas, especialmente as enchentes que comprometeram parte da colheita anterior.

O avanço é atribuído à elevada carga de frutos nos pomares, à entrada de novas áreas em fase produtiva e à reorganização técnica do manejo após um período de instabilidade no campo. A expectativa do setor é que o volume se aproxime — ou até supere — o patamar registrado em 2023, considerado um dos melhores anos recentes para a cultura no país.

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Em um cenário internacional de oferta ajustada e demanda firme, a produção brasileira de noz-pecã pode ganhar protagonismo, ampliando presença no mercado externo e consolidando o Brasil como fornecedor relevante no segmento de frutos secos de alto valor agregado.

Base comparativa favorece crescimento da safra

A safra de 2025 foi impactada por efeitos climáticos severos, reflexo direto das enchentes registradas no ano anterior, que comprometeram áreas produtivas e afetaram o desenvolvimento das plantas. Com uma base comparativa mais baixa, o desempenho esperado para 2026 ganha ainda mais relevância estatística.

De acordo com o presidente do instituto, Claiton Wallauer, a perspectiva de alta não é apenas reflexo da recuperação pontual, mas também de um processo estrutural de expansão da cultura. Novos pomares implantados nos últimos anos começam a atingir maturidade produtiva, elevando a oferta nacional.

Nesse contexto, a produção brasileira de noz-pecã passa a refletir não apenas recuperação, mas também consolidação da atividade no agronegócio brasileiro.

Mercado internacional sustenta preços

Mesmo com maior volume previsto, o setor não projeta quedas bruscas de preços. A avaliação técnica é que a demanda externa permanece aquecida, especialmente diante da ausência de estoques relevantes nos Estados Unidos e no México — dois dos principais produtores globais.

O preço de referência internacional, baseado na noz norte-americana, segue em patamar considerado atrativo. Esse cenário favorece exportadores brasileiros e contribui para manter margens positivas.

A produção brasileira de noz-pecã, nesse ambiente, encontra espaço para competir com qualidade, sobretudo em lotes premium destinados a mercados exigentes da Europa e da Ásia.

Além disso, a abertura de novos mercados e a diversificação de destinos comerciais reforçam a resiliência da cadeia produtiva, reduzindo a dependência de compradores específicos.

Clima desafia produtores, mas não compromete projeção

O desempenho positivo ocorre apesar de condições climáticas consideradas atípicas. Desde a primavera, o volume de chuvas superou a média histórica em diversas regiões produtoras.

Em dezembro, o acumulado médio foi de 240 milímetros; em janeiro, 236 milímetros. O excesso de umidade elevou o risco fitossanitário, com registros pontuais de antracnose e queda de frutos.

Segundo o coordenador técnico Jaceguáy Barros, o ambiente úmido e quente exige atenção redobrada no manejo. A previsão indica novos volumes elevados de precipitação em março e abril, ainda que de forma irregular.

Nesse cenário, a eficiência do manejo hídrico e fitossanitário torna-se decisiva para assegurar a qualidade final da safra e garantir que a produção brasileira de noz-pecã atinja o teto estimado.

Períodos com 25 a 30 milímetros de chuva permitem suspender temporariamente a irrigação, mas a retomada rápida é fundamental para assegurar o enchimento adequado dos frutos.

Mão de obra e logística entram no radar

Outro ponto sensível para a consolidação da produção brasileira de noz-pecã em 2026 é a disponibilidade de mão de obra na colheita.

A etapa é considerada crítica para a qualidade final do produto. A retirada precisa ser ágil para evitar perdas no solo e deterioração do fruto. Além disso, pomares mais desenvolvidos demandam equipamentos compatíveis com maior volume produtivo.

Produtores relatam que a mecanização tem avançado, mas ainda há gargalos regionais, especialmente em áreas onde a cultura é relativamente recente.

A logística também ganha relevância, sobretudo diante da possibilidade de ampliação das exportações. Custos de transporte e eficiência portuária impactam diretamente a competitividade da produção brasileira de noz-pecã no mercado global.

Expansão da cultura no Brasil

Nos últimos anos, a noz-pecã consolidou-se como alternativa rentável para diversificação de renda no campo. A cultura apresenta bom potencial de adaptação ao clima do Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O ciclo produtivo longo exige planejamento, mas o retorno tende a ser consistente após o período de maturação dos pomares. A expansão de áreas plantadas nos últimos cinco anos começa agora a refletir em maior volume colhido.

Com isso, a produção brasileira de noz-pecã passa a ocupar espaço estratégico dentro do segmento de frutas de casca rígida, mercado que registra crescimento global impulsionado por tendências de alimentação saudável.

Perspectiva econômica e impacto no agronegócio

O aumento da produção brasileira de noz-pecã ocorre em um momento de atenção aos custos agrícolas. Insumos, fertilizantes e defensivos ainda operam sob pressão de preços, embora haja sinais de acomodação.

Ainda assim, o valor agregado do produto e a demanda externa firme contribuem para sustentar margens positivas ao produtor.

Do ponto de vista macroeconômico, o avanço da safra reforça a diversificação da pauta exportadora do agronegócio brasileiro, historicamente concentrada em grãos e proteínas.

O segmento de frutos secos representa nicho de alto valor, com potencial de expansão gradual e menor volatilidade relativa.

Qualidade será diferencial competitivo

O instituto destaca que a alta carga de frutos observada na maioria das áreas reforça a expectativa de expansão da oferta nacional. No entanto, a qualidade será determinante para consolidar preços e ampliar participação internacional.

Lotes bem manejados, com padrão homogêneo e baixo índice de defeitos, tendem a capturar prêmios no mercado externo.

Assim, a produção brasileira de noz-pecã em 2026 não será medida apenas pelo volume, mas pela capacidade de atender exigências técnicas e sanitárias de compradores globais.

Safra 2026 consolida retomada do setor

A combinação de maior área produtiva, base comparativa favorável, mercado internacional aquecido e profissionalização do manejo sustenta a projeção de até 7 mil toneladas.

Embora fatores climáticos ainda imponham riscos, a avaliação técnica do setor é de que o Brasil caminha para consolidar ciclo de crescimento sustentável.

A produção brasileira de noz-pecã surge, portanto, como um dos vetores de diversificação e agregação de valor no agronegócio nacional em 2026, reforçando a presença do país em um mercado global cada vez mais atento à qualidade e à regularidade de fornecimento.

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