Próximos passos do julgamento de Bolsonaro no STF: entenda o que pode acontecer
O ministro Alexandre de Moraes abriu uma nova etapa no processo ao apresentar seu voto como relator da ação penal que investiga a trama golpista após as eleições de 2022. A partir desse movimento, os próximos passos do julgamento de Bolsonaro e de outros sete réus acusados de planejar um golpe de Estado passam a ser observados de perto por todo o país.
O julgamento, que acontece na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), é considerado um dos mais relevantes da história democrática recente do Brasil, com impacto direto sobre a credibilidade das instituições, a estabilidade política e o futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O papel de Alexandre de Moraes no julgamento
Como relator, Moraes foi o responsável por inaugurar a fase de votos. Sua manifestação deve ocupar toda a sessão desta terça-feira (9), com um voto extenso, repleto de trechos que ressaltam a defesa da Constituição e da democracia.
Na fala inicial, Moraes reforçou que a impunidade não é opção diante de tentativas de ruptura institucional. O ministro também destacou que as leis precisam ser aplicadas com rigor, sinalizando que sua posição será favorável à responsabilização dos acusados.
Esse posicionamento já indica como serão os próximos passos do julgamento de Bolsonaro, em especial a análise sobre condenações e penas.
A ordem de votação no STF
Após o voto do relator, os demais ministros da Primeira Turma seguirão a seguinte ordem:
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Flávio Dino
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Luiz Fux
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Cármen Lúcia
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Cristiano Zanin
Composta por cinco ministros, a Turma precisa de pelo menos três votos para formar maioria pela condenação ou absolvição. Assim, os próximos passos do julgamento de Bolsonaro dependem diretamente desse equilíbrio de votos.
Dosimetria das penas
Caso os ministros formem maioria pela condenação, o julgamento entra na fase da dosimetria das penas, em que o STF define o tempo de prisão para cada réu, de acordo com os crimes imputados.
Se as penas ultrapassarem oito anos, o regime inicial será fechado. Penas menores poderão ser cumpridas em regime semiaberto. Essa etapa será um dos próximos passos do julgamento de Bolsonaro e terá grande peso na repercussão política do caso.
Crimes em análise
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) lista cinco crimes graves, atribuídos a Bolsonaro e seus aliados:
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Organização criminosa armada;
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Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
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Golpe de Estado;
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Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
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Deterioração de patrimônio tombado.
Os próximos passos do julgamento de Bolsonaro também incluem a análise de preliminares levantadas pelas defesas, como a contestação da delação de Mauro Cid e alegações de cerceamento de defesa.
A expectativa em torno do voto de Moraes
A fala inicial do ministro já havia indicado que sua leitura do caso é de que houve tentativa concreta de ruptura democrática. Segundo Moraes, a pacificação nacional não pode se basear em perdão ou anistia, mas sim no respeito à Constituição e na responsabilização de condutas ilícitas.
Esse discurso reforça o tom do julgamento e indica que os próximos passos do julgamento de Bolsonaro caminham para um desfecho severo contra os acusados.
Defesa de Bolsonaro e dos réus
Os advogados dos acusados tentaram sustentar que a simples cogitação de um golpe não é crime, contestaram a validade da colaboração premiada de Mauro Cid e defenderam que seus clientes não participaram dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Esses argumentos, no entanto, enfrentam resistência no Supremo, que já reconheceu a gravidade das ações e a necessidade de punição. Ainda assim, os próximos passos do julgamento de Bolsonaro incluem o enfrentamento dessas teses jurídicas, com cada ministro se manifestando sobre sua validade.
Recursos possíveis
Mesmo que a Primeira Turma condene os réus, a prisão não ocorrerá automaticamente. Após a publicação do acórdão, as defesas poderão apresentar recursos como embargos de declaração, que servem para esclarecer eventuais omissões ou contradições.
Caso haja pelo menos dois votos pela absolvição, poderá ser interposto recurso de embargos infringentes, que levaria o caso novamente a julgamento. Esses recursos fazem parte dos próximos passos do julgamento de Bolsonaro e podem adiar uma decisão definitiva.
Impacto político
O julgamento é acompanhado com enorme interesse político. Uma eventual condenação de Bolsonaro representaria um duro golpe em suas pretensões eleitorais futuras e fortaleceria a imagem do STF como guardião da democracia.
Por outro lado, uma absolvição ou decisão mais branda poderia ser interpretada como fragilidade institucional diante de ataques ao Estado Democrático de Direito. Por isso, os próximos passos do julgamento de Bolsonaro são decisivos não apenas no campo jurídico, mas também no cenário político brasileiro.
Os próximos passos do julgamento de Bolsonaro envolvem uma série de etapas que vão desde os votos dos ministros até a definição das penas e eventuais recursos. O processo, que já entrou para a história, tem potencial para redefinir os rumos da política nacional e consolidar a resposta institucional aos ataques contra a democracia.
O país aguarda, agora, os desdobramentos dessa votação, que deve se estender pelos próximos dias, com expectativa de decisão final até 12 de setembro.






