Líderes do PT, PCdoB e PV no Congresso Nacional encaminharam à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, uma representação criminal contra o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A peça também cita o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros aliados bolsonaristas, além da produtora responsável pelo longa.
Segundo o documento protocolado, os partidos pedem apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica, corrupção, evasão de divisas, coação no curso do processo e crimes contra a soberania nacional. As suspeitas foram apresentadas um dia após reportagem do The Intercept Brasil revelar que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro o repasse de R$ 134 milhões para financiar a cinebiografia.
A representação é assinada pela senadora Tereza Leitão, líder do PT no Senado, pelo deputado Pedro Uczai, líder do partido na Câmara, pela deputada Jandira Feghali, do PCdoB, e pelo deputado Aliel Machado, do PV, entre outros parlamentares. Líderes do PT, PCdoB e PV no Congresso Nacional, além de parlamentares da bancada petista, protocolaram uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República e na Polícia Federal pedindo a investigação de uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro, financiamento político clandestino e desvio de finalidade de emendas parlamentares envolvendo o ecossistema do Banco Master, a produção do filme Dark Horse e entidades ligadas à produtora Karina Ferreira da Gama.
Representação mira elo entre Banco Master e filme
A peça sustenta que a investigação deve apurar se recursos privados ligados ao ecossistema do Banco Master, emendas parlamentares, estruturas societárias vinculadas ao filme Dark Horse e operações em dólar no exterior teriam sido articulados em uma engrenagem comum. De acordo com o documento, a investigação deve esclarecer se recursos privados do Banco Master, verbas públicas de emendas parlamentares e estruturas relacionadas ao filme foram articulados para financiar propaganda política, lobby internacional, ataques ao STF e eventual caixa 2 eleitoral em benefício da família Bolsonaro.
Segundo o documento, a hipótese investigativa envolve possível lavagem de dinheiro transnacional, uso de entidades interpostas, fragmentação de repasses públicos, ocultação de beneficiários finais, simulação de finalidade cultural e eventual caixa 2 político-eleitoral. Os parlamentares sustentam que estruturas empresariais e associativas ligadas à produção do filme poderiam ter sido usadas para captar, circular, ocultar ou dar aparência lícita a recursos destinados à atuação política da família Bolsonaro, inclusive fora do país.
O texto também sustenta que o filme Dark Horse pode ter sido utilizado como fachada cultural ou instrumento de dissimulação patrimonial, com possível utilização de contratos, empresas, fundos de investimento e operações em dólar no exterior para ocultar beneficiários finais. Além disso, os parlamentares pedem investigação sobre emendas parlamentares destinadas por deputados a entidades ligadas ao mesmo núcleo empresarial e solicitam cooperação internacional com órgãos dos Estados Unidos, como FBI, Departamento de Justiça e FinCEN, para rastrear contas bancárias, empresas, fundos e pagamentos a consultores e operadores políticos.
A representação não equivale a uma denúncia criminal. Trata-se de um pedido formal para que PGR e PF avaliem se há elementos suficientes para abertura ou aprofundamento de investigação.
Flávio Bolsonaro é citado por negociação com Vorcaro
O principal alvo da representação é Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência da República. A peça foi motivada pela divulgação de mensagens e áudio atribuídos ao parlamentar em tratativas com Daniel Vorcaro sobre o financiamento de Dark Horse. O material expõe uma relação direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em torno do financiamento do filme. De acordo com o Intercept Brasil, Vorcaro teria pago R$ 61 milhões para a produção entre fevereiro e maio de 2025, com negociação total que poderia chegar a R$ 134 milhões.
De acordo com reportagem do The Intercept Brasil, o áudio mostra Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair. O conteúdo foi consultado em 13 de maio de 2026 e indica que o valor acordado seria de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação de novembro de 2025, com US$ 10,6 milhões já transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo nos Estados Unidos ligado a aliado de Eduardo Bolsonaro.
Segundo os parlamentares, áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro indicariam cobrança direta de parcelas, proximidade com Daniel Vorcaro e pressão para liberação de recursos, o que justificaria a apuração da origem, circulação e destino final do dinheiro. O documento solicita a abertura de investigação sobre a relação entre o senador e o empresário, controlador do Banco Master, e cita reportagens que apontam negociação de até US$ 24 milhões para financiar a cinebiografia política.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O senador afirmou que o contato com Daniel Vorcaro ocorreu no contexto de um investimento privado na produção audiovisual e disse que não admitiu a relação antes por causa de uma cláusula de confidencialidade contratual. Em declaração registrada pela Associated Press, Flávio também sustentou que não ofereceu vantagens indevidas, não intermediou negócios com o governo e não recebeu dinheiro. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, o senador afirmou que o aporte discutido era exclusivamente privado e relacionado à produção audiovisual e que não houve uso de dinheiro público.
A controvérsia ganhou peso político porque Vorcaro está no centro das investigações sobre o Banco Master. A PF apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias ligadas à instituição, com perdas estimadas em cerca de R$ 12 bilhões segundo autoridades citadas pela imprensa. O caso passou a afetar o cenário eleitoral depois da divulgação das conversas com Flávio.
Eduardo e Jair Bolsonaro também são citados
A representação também inclui Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro. O texto pede que as autoridades investiguem eventual participação ou benefício político relacionado à produção audiovisual e às estruturas de financiamento descritas pelos parlamentares.
No caso de Eduardo, os autores da peça mencionam a possibilidade de apurar operações no exterior e atividades de comunicação internacional ligadas ao grupo político bolsonarista. A representação usa como base a hipótese de que o filme e empresas associadas poderiam ter servido como instrumento de promoção política, blindagem judicial e sustentação de articulações fora do Brasil.
Jair Bolsonaro é citado por ser o personagem central do filme Dark Horse e por estar no centro da narrativa política associada à produção. A inclusão do ex-presidente na representação não significa acusação formal aceita pela PGR, mas amplia o escopo do pedido apresentado pelos partidos. Todos os citados têm direito à defesa, e as suspeitas dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Partidos pedem rastreamento de recursos e emendas
Os signatários pedem que PGR e PF investiguem dois fluxos principais: os recursos privados ligados a Daniel Vorcaro e eventuais emendas parlamentares destinadas a entidades vinculadas à produtora do filme. A peça menciona estruturas empresariais comandadas por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do longa, e afirma que essas entidades devem ser analisadas para verificar desvio de finalidade, circulação de recursos ou ocultação de beneficiários.
Assinam a representação parlamentares como a senadora Tereza Leitão e os deputados Pedro Uczai, Jandira Feghali e Aliel Machado, entre outros congressistas. A iniciativa reforça a pressão política sobre o entorno de Bolsonaro e amplia o alcance institucional do caso, que agora passa a depender da avaliação da PGR e da PF.
O texto pede ainda a apuração da conduta de Flávio Bolsonaro na negociação, intermediação e cobrança de valores a Daniel Vorcaro, a investigação da possível utilização do filme como fachada e a requisição de informações sobre emendas parlamentares, convênios, termos de fomento, transferências especiais e contratos públicos relacionados às entidades.
Filme volta ao centro da crise em meio a investigação do Banco Master
Dark Horse é uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O projeto ganhou repercussão nacional após a divulgação de informações sobre negociações de financiamento com Daniel Vorcaro e sobre possíveis vínculos com entidades que receberam emendas parlamentares. O filme passou a ser tratado por adversários políticos como possível instrumento de promoção eleitoral antecipada, enquanto aliados afirmam se tratar de produção privada financiada com capital privado e sem uso de dinheiro público.
A disputa sobre o financiamento ganhou nova dimensão após a apresentação da representação criminal. O tema deixou de ser apenas controvérsia política e passou a integrar pedido formal de apuração criminal. A produtora GOUP Entertainment, responsável por Dark Horse, disse que o filme teve mais de 10 investidores, mas não recebeu um único centavo de Vorcaro ou de qualquer de suas empresas.
Daniel Vorcaro é apontado pela PF como personagem central nas investigações envolvendo o Banco Master. O ex-banqueiro é investigado em caso de supostas fraudes financeiras que teriam gerado perdas estimadas em cerca de R$ 12 bilhões. A aproximação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro elevou o impacto político do caso. O escândalo financeiro, que já tinha efeitos sobre o sistema financeiro e credores, passou a se conectar ao debate eleitoral e ao financiamento de uma produção sobre Jair Bolsonaro.
Nesta semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a instaurar um inquérito para apurar repasses de recursos, pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita veio à tona em maio, quando o site The Intercept publicou que o senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.
O pedido eleva pressão política sobre a família Bolsonaro em momento de alta sensibilidade eleitoral. O caso reúne elementos com forte potencial de repercussão: banco investigado, financiamento privado, emendas parlamentares, produção audiovisual e suspeitas de uso político de recursos. Do ponto de vista institucional, o pedido ainda está em fase inicial e não representa conclusão sobre culpa ou responsabilidade. A etapa seguinte dependerá da análise da PGR e da Polícia Federal sobre a consistência das alegações apresentadas.
Fontes:
- The Intercept Brasil — ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair — 13 de maio de 2026 — https://theintercept.com/brasil/2026/05/13/flavio-bolsonaro-vorcaro-134-milhoes-filme-jair/
- Polícia Federal / Ministério da Justiça — PF deflagra operação contra grupo do setor de combustíveis – Operação Sem Refino – Nota oficial sobre investigação de conglomerado — 15 de maio de 2026 — https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2026/05/pf-deflagra-operacao-contra-grupo-do-setor-de-combustiveis
- Partido dos Trabalhadores / Câmara dos Deputados — Representação criminal protocolada por líderes do PT, PCdoB e PV na PGR e PF contra Flávio Bolsonaro por suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e desvio envolvendo Banco Master e filme Dark Horse — 14 de maio de 2026 — https://pt.org.br/flavio-bolsonaro-representacao-pgr-pf-dark-horse-banco-master/







