terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mundo

China nega envolvimento militar na Ucrânia e rebate acusações de Zelensky

por Gabriel Monteiro
10/04/2025 às 12h16
em Mundo
China Nega Envolvimento Militar Na Ucrânia E Rebate Acusações De Zelensky - Gazeta Mercantil - Mundo

China nega envolvimento militar na Ucrânia e rebate acusações de Zelensky

Pequim exige cautela após alegações de que cidadãos chineses estariam lutando ao lado de tropas russas

O governo chinês voltou a negar qualquer envolvimento militar no conflito entre Rússia e Ucrânia, após acusações do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de que soldados chineses teriam sido capturados em campo de batalha. A resposta veio por meio do Ministério das Relações Exteriores da China, que classificou as alegações como “infundadas” e advertiu contra “declarações irresponsáveis” que possam acirrar tensões internacionais.

A tensão diplomática cresceu depois que o presidente Zelensky, durante entrevista coletiva no início de abril de 2025, afirmou que cidadãos chineses haviam sido detidos na região de Donetsk, um dos principais focos da guerra no leste ucraniano. Segundo o presidente, esses homens estariam combatendo junto às tropas russas e seriam parte de um contingente maior de estrangeiros envolvidos no front.

Leia também: Izabel Goulart citada em e-mails do caso Epstein, mas nega qualquer ligação com o financista.


Declarações de Zelensky geram repercussão internacional

Volodymyr Zelensky afirmou que dois homens de nacionalidade chinesa foram capturados por forças ucranianas e estariam prestando depoimento às autoridades militares. O presidente ainda declarou que há indícios de que centenas de chineses estariam atuando como combatentes ao lado das forças russas, o que configuraria, segundo ele, um envolvimento indireto do governo de Pequim na guerra iniciada em 2022.

Zelensky alertou para uma “tentativa deliberada” de Vladimir Putin de internacionalizar o conflito, envolvendo gradualmente países como a China, Coreia do Norte e outros aliados estratégicos da Rússia. Ele exigiu uma posição clara de Pequim e pediu explicações imediatas através de canais diplomáticos.

Leia também: PLOA 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741 e R$ 57,8 bi em precatórios fora da meta.

Durante a coletiva, o presidente exibiu um vídeo mostrando um dos supostos soldados chineses detidos, com as mãos amarradas, e reiterou que os prisioneiros estavam sendo tratados conforme os protocolos internacionais de guerra. Ainda assim, as imagens geraram forte repercussão global e aumentaram a pressão sobre o governo chinês para se posicionar oficialmente.


Resposta firme de Pequim: “A China não é parte da crise”

A reação da China foi rápida. Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, foi categórico ao negar qualquer envolvimento do país no conflito. “A China não é a iniciadora da crise ucraniana, nem é parte do conflito. Sempre defendemos uma solução pacífica e diplomática”, afirmou o porta-voz em coletiva de imprensa.

Lin ainda fez um apelo às “partes envolvidas para evitarem declarações infundadas e irresponsáveis”, reforçando que a postura chinesa é de neutralidade e busca ativa por uma resolução pacífica da guerra. Segundo ele, o país tem desempenhado um papel construtivo nos fóruns internacionais para viabilizar diálogos entre Moscou e Kiev.

Além disso, Pequim salientou que as ações de cidadãos chineses fora do território nacional não refletem necessariamente a política oficial do governo. Até o momento, não está claro se os supostos combatentes detidos atuavam como voluntários, mercenários, ou se foram enviados de forma coordenada por alguma entidade estatal.


Mercenários estrangeiros: uma nova fase da guerra?

Especialistas em segurança internacional destacam que o uso de combatentes estrangeiros tem se intensificado no conflito ucraniano, em especial do lado russo. Relatórios independentes já indicavam a presença de mercenários vindos da Síria, África e até mesmo da Coreia do Norte. A suposta presença de chineses nas linhas de frente acrescenta uma nova dimensão à guerra e desafia a narrativa de neutralidade promovida por Pequim.

Na visão de analistas, ainda que a China não esteja diretamente envolvida, o simples fato de seus cidadãos estarem participando dos combates pode ser explorado geopoliticamente, tanto por Moscou quanto por Kiev. Para a Ucrânia, evidenciar a presença chinesa ao lado dos russos ajuda a ampliar a pressão internacional contra Putin. Já para a Rússia, contar com estrangeiros no campo de batalha fortalece o argumento de que está enfrentando uma “coalizão ocidental” e seus aliados.


Precedentes preocupantes: o caso dos norte-coreanos

Esta não é a primeira vez que o governo ucraniano denuncia a presença de estrangeiros lutando pela Rússia. Em janeiro deste ano, dois cidadãos da Coreia do Norte foram capturados por tropas ucranianas. Eles estariam em território russo e teriam cruzado a fronteira durante uma ofensiva.

Na ocasião, o governo de Kiev informou que cerca de 11 mil soldados norte-coreanos estavam alocados na região de Kursk, fronteira com a Ucrânia. A denúncia foi rechaçada por Pyongyang, que alegou “manipulação midiática” e reafirmou apoio político à Rússia, sem enviar tropas.

A entrada de combatentes estrangeiros, portanto, levanta preocupações quanto à internacionalização do conflito e suas consequências para a estabilidade geopolítica global. O temor é que a guerra evolua para uma espécie de guerra por procuração, com potências rivais utilizando o território ucraniano como campo de testes para suas agendas militares.


China e sua política de “neutralidade ativa”

Desde o início do conflito, a China tem adotado uma postura conhecida como “neutralidade ativa”: ao mesmo tempo em que evita condenar explicitamente a invasão russa da Ucrânia, propõe-se a mediar negociações de paz e promove ações diplomáticas junto à ONU e outras entidades multilaterais.

O governo de Xi Jinping tem interesses econômicos e estratégicos em manter boas relações tanto com Moscou quanto com os países ocidentais. A China importa grandes volumes de gás e petróleo russos a preços competitivos e, por outro lado, é altamente dependente dos mercados da Europa e dos Estados Unidos para sua estabilidade econômica.

A participação, ainda que não oficial, de cidadãos chineses no conflito pode colocar em xeque esse equilíbrio delicado. Qualquer evidência de apoio logístico ou militar à Rússia pode resultar em sanções internacionais severas contra Pequim, algo que o Partido Comunista Chinês tenta evitar a todo custo.


Reações internacionais à polêmica

Os Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, disseram estar monitorando de perto as informações sobre a suposta captura de chineses na Ucrânia. Um porta-voz do governo norte-americano afirmou que “qualquer envolvimento estrangeiro precisa ser esclarecido com total transparência” e que Washington apoiaria investigações independentes sobre o caso.

Na União Europeia, líderes de países como Alemanha e França expressaram preocupação com a escalada do conflito e pediram que a China se posicione de forma clara sobre a situação. A diplomacia europeia teme que o envolvimento crescente de aliados russos possa prolongar ainda mais a guerra e dificultar negociações de cessar-fogo.


Impactos para as relações China-Ucrânia

As relações diplomáticas entre China e Ucrânia, que já estavam fragilizadas desde o início da guerra, tendem a se deteriorar ainda mais diante das recentes acusações. Kiev esperava contar com o apoio chinês como mediador neutro, mas agora desconfia das intenções reais de Pequim.

Por outro lado, a China insiste que seu papel é o de “mediador imparcial” e que continuará se opondo a sanções unilaterais e ao envio de armamentos por parte da OTAN à Ucrânia, posição que também já foi criticada por autoridades ucranianas.

Analistas apontam que o caso pode servir como divisor de águas na política externa chinesa. Se confirmado o envolvimento direto ou indireto de combatentes chineses, Pequim será obrigada a rever sua postura diante da guerra e poderá ser pressionada a adotar sanções simbólicas contra a Rússia para manter sua imagem internacional.


O risco da retórica e a urgência da diplomacia

A guerra na Ucrânia já é considerada o maior conflito militar em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. O envolvimento de potências globais, mesmo que indiretamente, só contribui para agravar a instabilidade regional e global. As acusações feitas por Zelensky contra a China, e a resposta dura de Pequim, mostram como a narrativa do conflito pode ser instrumentalizada politicamente.

Diante do agravamento das tensões, cresce a necessidade de iniciativas diplomáticas eficazes, capazes de reduzir a escalada verbal e abrir espaço para negociações reais. A entrada de atores não estatais ou mercenários no campo de batalha é um fator que dificulta a paz e pode tornar o conflito ainda mais imprevisível.

O que está em jogo agora não é apenas o destino da Ucrânia, mas a ordem internacional baseada em regras. Qualquer sinal de apoio externo à Rússia, especialmente vindo de países com o peso geopolítico da China, pode alterar profundamente o curso da guerra e das relações globais nos próximos anos.

LEIA MAIS

Donald Trump - Gazeta Mercantil
Mundo

Juiz suspende veto de Trump a CNN, Politico e MS NOW após Casa Branca usar briefing próprio contra site

O juiz federal Timothy J. Kelly, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia, determinou nesta quinta-feira (24) que integrantes do governo de Donald Trump...

Leia MaisDetails
Brasil Leva Tarifaço Dos Eua À Camex Com Lei De Reciprocidade-Gazeta Mercantil
Mundo

Ações de petróleo de Trump ganharam milhões durante decisões dos EUA sobre o Irã

As nove maiores participações de Donald Trump em empresas de petróleo e gás registraram valorização estimada entre US$ 1,5 milhão e US$ 4,4 milhões entre 27 de fevereiro...

Leia MaisDetails
Estados Unidos E 14 Países Anunciam Medidas Contra Pcc E Comando Vermelho-Gazeta Mercantil
Mundo

Estados Unidos e 14 países anunciam medidas contra PCC e Comando Vermelho

Estados Unidos e outros 14 governos do hemisfério ocidental anunciaram uma frente conjunta para ampliar a pressão financeira, migratória e penal sobre 24 organizações criminosas transnacionais, entre elas...

Leia MaisDetails
Nestlé (Nesn) Supera Expectativas No 1T26, Ações Disparam E Crescimento Orgânico Chama Atenção Do Mercado-Gazeta Mercantil
Mundo

Rússia coloca operações da Nestlé sob administração temporária e amplia controle sobre ativos ocidentais

A Rússia colocou sob administração temporária as duas principais estruturas corporativas da Nestlé no país, ampliando a intervenção estatal sobre negócios de grupos ocidentais que permaneceram no mercado...

Leia MaisDetails
Livro De Charles Spencer Sobre Diana Provoca Resposta Rara Do Palácio De Buckingham-Gazeta Mercantil
Mundo

Livro de Charles Spencer sobre Diana provoca resposta rara do Palácio de Buckingham

A publicação de Swan Song: Diana, My Sister, livro de memórias de Charles Spencer sobre a irmã, a princesa Diana, recolocou nesta semana episódios da crise que envolveu...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:31:15
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP