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Os Riscos dos Medicamentos que Tomamos com Frequência

por Gabriel Monteiro
15/09/2023 às 15h37
em Saúde
Os Riscos Dos Medicamentos Que Tomamos Com Frequência - Gazeta Mercantil - Destaque

Cinco medicamentos comuns que exigem cuidado e podem oferecer riscos à saúde

Medicamentos utilizados rotineiramente para aliviar dores, febre ou desconfortos digestivos costumam fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Por serem facilmente encontrados nas farmácias e, em muitos casos, não exigirem receita médica, esses produtos podem transmitir uma falsa sensação de segurança.

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O problema aparece principalmente quando o consumo deixa de ser ocasional e passa a fazer parte da rotina. A automedicação pode aliviar temporariamente um sintoma sem tratar sua causa e, dependendo do medicamento, provocar efeitos adversos importantes quando utilizado em doses inadequadas ou por períodos prolongados.

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O tema é abordado pela jornalista especializada em ciência Marcia Kedouk, autora de Tarja Preta – Os segredos que os médicos não contam sobre os remédios que você toma, publicado pela Superinteressante. A obra chama atenção para os riscos relacionados ao uso indiscriminado de medicamentos comuns.

A orientação central é que o fato de um produto ser vendido sem receita não significa que esteja livre de riscos. Além disso, sintomas recorrentes tratados continuamente com analgésicos ou outros medicamentos podem esconder doenças que precisam de avaliação profissional.

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1. Paracetamol

O paracetamol é utilizado principalmente para aliviar dores leves a moderadas e reduzir a febre. Apesar de ser considerado um medicamento de uso bastante comum, doses excessivas podem provocar lesões graves no fígado.

Segundo informações da Anvisa, para adultos e crianças acima de 12 anos, a dose diária máxima prevista em bula é de 4 gramas, divididas ao longo do dia. A agência também alerta para o risco de insuficiência hepática aguda em caso de consumo acima desse limite ou quando o paciente utiliza simultaneamente outros produtos que também contêm paracetamol.

Isso torna particularmente importante verificar a composição de medicamentos combinados. Uma pessoa pode utilizar diferentes produtos para sintomas distintos sem perceber que todos possuem o mesmo princípio ativo.

O risco também é maior em determinadas situações, como em pessoas com problemas hepáticos ou que fazem uso frequente de bebidas alcoólicas. Por isso, a utilização deve seguir as orientações da bula e de profissionais de saúde.

2. Neosaldina

A Neosaldina é um medicamento utilizado para o tratamento de dores de cabeça. Sua formulação tradicional combina dipirona, mucato de isometepteno e cafeína.

Como qualquer medicamento, seu uso inadequado pode provocar efeitos adversos. A dipirona, por exemplo, está associada a reações adversas hematológicas e reações alérgicas graves, embora sejam eventos pouco frequentes.

Outro ponto de atenção é o uso repetitivo de analgésicos para dores de cabeça. Quando as crises são frequentes, o consumo contínuo de medicamentos pode dificultar a identificação da causa do problema e, em determinadas situações, contribuir para a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

A orientação, portanto, é evitar transformar o analgésico em uma solução permanente para dores recorrentes.

3. Dorflex

Conhecido principalmente pelo combate à dor associada à tensão muscular, o Dorflex combina dipirona, citrato de orfenadrina e cafeína.

A orfenadrina possui ação relaxante muscular e pode provocar efeitos adversos, especialmente quando utilizada em quantidades superiores às recomendadas. Entre as possíveis manifestações estão boca seca, alterações cardíacas e efeitos sobre o sistema nervoso central.

Em situações de intoxicação grave, a ingestão excessiva pode provocar confusão mental, alucinações, convulsões, coma e outros eventos potencialmente graves.

Por isso, aumentar a dose por conta própria para tentar obter um efeito mais rápido não é uma prática segura. A utilização deve respeitar a dose e o intervalo indicados na bula.

4. Aspirina

A aspirina, cujo princípio ativo é o ácido acetilsalicílico, possui propriedades analgésicas, antitérmicas e anti-inflamatórias. O medicamento também pode ser utilizado em determinadas situações para reduzir a formação de coágulos, sob indicação médica.

Entretanto, seu uso não é isento de riscos. O ácido acetilsalicílico pode irritar a mucosa do estômago e aumentar a possibilidade de úlceras e sangramentos gastrointestinais, principalmente em determinadas condições e quando utilizado de maneira inadequada.

Em casos de intoxicação, doses elevadas podem provocar alterações metabólicas e respiratórias potencialmente graves.

Por esse motivo, a utilização da aspirina exige atenção especial em pessoas com histórico de problemas gastrointestinais, alterações de coagulação ou que utilizam outros medicamentos capazes de aumentar o risco de sangramento.

5. Eno e outros sais de fruta

Produtos conhecidos como sais de fruta, utilizados para aliviar sintomas de azia e má digestão, também precisam ser consumidos de acordo com as orientações da embalagem.

O Eno, por exemplo, contém substâncias que reagem no estômago para neutralizar a acidez. Dependendo da formulação, há quantidade relevante de sódio na composição.

O consumo excessivo pode representar preocupação principalmente para pessoas que precisam restringir a ingestão de sódio, como indivíduos com determinadas doenças cardiovasculares ou renais.

Além disso, o uso frequente de produtos para combater a azia sem investigação médica pode mascarar sintomas persistentes. Queimação recorrente, dor ou desconforto digestivo podem estar relacionados a condições que exigem diagnóstico e tratamento específicos.

Automedicação é o principal ponto de atenção

O problema não está necessariamente em utilizar um medicamento ocasionalmente para uma situação simples. O risco aumenta quando a pessoa passa a utilizar remédios continuamente, aumenta a dose por conta própria ou combina diferentes produtos sem verificar seus princípios ativos.

A utilização de medicamentos sem orientação também pode atrasar o diagnóstico de doenças. Uma dor de cabeça que retorna constantemente, por exemplo, pode exigir investigação, em vez de ser tratada indefinidamente com analgésicos.

Outro cuidado importante é evitar a combinação de medicamentos com o mesmo princípio ativo. No caso do paracetamol, a Anvisa alerta expressamente para que o produto não seja utilizado simultaneamente com outro medicamento que também contenha a substância.

Bula continua sendo uma ferramenta importante

Antes de utilizar qualquer medicamento, é necessário verificar a indicação, a dose, os intervalos entre as administrações, as contraindicações e as possíveis interações com outros produtos.

A Anvisa reforça que todo medicamento apresenta algum grau de risco e que seu uso deve seguir as recomendações da bula e as orientações dos profissionais de saúde.

O consumidor também deve procurar atendimento médico quando os sintomas forem persistentes, recorrentes ou mais intensos do que o habitual.

Medicamentos podem desempenhar papel fundamental no tratamento de doenças e no controle de sintomas, mas a facilidade de acesso não deve ser confundida com ausência de riscos. O uso responsável continua sendo a principal ferramenta para reduzir eventos adversos e evitar que uma solução temporária se transforme em um problema de saúde.

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