Verão e Carnaval impulsionam setor de hospedagem em São Paulo e devem movimentar R$ 1,2 bilhão
O setor de hospedagem em São Paulo deve atravessar um dos períodos mais aquecidos dos últimos anos com a combinação entre férias escolares de janeiro, altas temperaturas do verão e o Carnaval de 2026. A expectativa é de um faturamento de R$ 1,2 bilhão entre janeiro e fevereiro, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o segmento movimentou cerca de R$ 1,1 bilhão.
A projeção, elaborada pela Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), aponta não apenas a consolidação da retomada do Turismo no estado, mas também uma mudança importante no perfil e na distribuição do público, com forte protagonismo do Litoral e avanço consistente das cidades do Interior.
Turismo em alta após anos de retração

O desempenho esperado para o setor de hospedagem em São Paulo reflete um cenário de recuperação estrutural após os impactos profundos da pandemia da Covid-19. Entre 2020 e 2022, restrições sanitárias, fechamento de fronteiras e limitações de circulação comprometeram severamente hotéis, resorts e pousadas em todo o país.
Passado esse período, o comportamento do consumidor mudou. Viagens, lazer e experiências passaram a ocupar lugar central na cesta de consumo das famílias brasileiras, especialmente entre os mais jovens. A preferência por investir em momentos de descanso, aventura e convívio substituiu, em muitos casos, a aquisição de bens materiais.
Essa mudança explica, em parte, o avanço consistente do setor de hospedagem em São Paulo, que vem registrando aumento de demanda não apenas em destinos tradicionais, mas também em rotas alternativas e cidades antes pouco exploradas pelo Turismo.
Férias escolares fortalecem o verão paulista
Janeiro, tradicionalmente marcado pelas férias escolares e pelo auge do verão, tende a concentrar grande fluxo de turistas dentro do próprio estado. No setor de hospedagem em São Paulo, a expectativa para o primeiro mês do ano é de taxas de ocupação elevadas, principalmente nas regiões litorâneas.
Segundo a estimativa, o Litoral paulista deve registrar taxa média de ocupação de 74% em janeiro. O Interior aparece logo em seguida, com 70%, impulsionado por cidades vocacionadas ao Turismo de Lazer, de Aventura e ao ecoturismo. Já a capital paulista, que tem perfil mais associado a negócios e eventos corporativos, deve ficar com cerca de 32% de ocupação no período.
A diversificação de destinos contribui para diluir a concentração de visitantes e fortalecer o setor de hospedagem em São Paulo como um todo, ampliando oportunidades econômicas para municípios de diferentes perfis.
Carnaval amplia ainda mais a demanda por hospedagem
Se janeiro já indica aquecimento significativo, o Carnaval de 2026 promete elevar ainda mais os indicadores do setor de hospedagem em São Paulo. Embora a festa não seja considerada feriado nacional, a suspensão de atividades por parte de empresas, escolas e repartições públicas cria uma longa emenda, tradicionalmente favorável ao Turismo.
Em 2026, o Carnaval ocorre nos dias 16 e 17 de fevereiro, segunda e terça-feira, com encerramento na Quarta-Feira de Cinzas, dia 18. A combinação de verão, folia e folgas impulsiona deslocamentos internos e amplia a procura por hospedagem em diferentes regiões do estado.
As praias paulistas seguem como principal destino nesse período, com taxa de ocupação que pode alcançar 85%. O Interior aparece logo atrás, com cerca de 82% das vagas preenchidas, demonstrando crescimento expressivo e consolidação como alternativa ao Litoral. A capital paulista, por sua vez, deve atingir aproximadamente 59% de ocupação, número superior ao observado em janeiro.
Interior ganha protagonismo no setor de hospedagem
Um dos movimentos mais relevantes observados no setor de hospedagem em São Paulo é o fortalecimento das cidades do Interior. Municípios com vocação turística vêm investindo em infraestrutura, resorts, hotéis boutique e atrações de entretenimento, o que amplia o leque de opções para os visitantes.
Esse processo permite uma distribuição mais equilibrada do fluxo turístico e reduz a pressão sobre destinos tradicionais. Ao mesmo tempo, cria novas oportunidades de investimento, geração de empregos e desenvolvimento regional.
O crescimento do Interior também está associado à busca por experiências diferenciadas, como turismo rural, gastronômico, de aventura e de bem-estar, segmentos que ganharam força no cenário pós-pandemia.
Litoral mantém liderança e atratividade
Apesar do avanço do Interior, o Litoral segue como carro-chefe do setor de hospedagem em São Paulo durante o verão e o Carnaval. As altas temperaturas e o calendário de férias reforçam a preferência dos turistas pelas praias, que concentram resorts, pousadas e hotéis com forte apelo sazonal.
A taxa de ocupação projetada para o Carnaval, próxima de 85%, confirma a resiliência do Litoral paulista como principal destino turístico do estado. Esse desempenho sustenta não apenas a hotelaria, mas toda a cadeia de serviços associada, como bares, restaurantes, transporte e comércio local.
Impacto econômico e geração de empregos
O avanço do setor de hospedagem em São Paulo tem reflexos diretos na economia. O faturamento estimado em R$ 1,2 bilhão entre janeiro e fevereiro representa injeção relevante de recursos na cadeia do Turismo e serviços.
Além da receita direta, o crescimento impulsiona a geração de empregos temporários e permanentes. Hotéis, resorts e pousadas ampliam equipes para atender à alta demanda, enquanto bares, restaurantes e prestadores de serviços complementares também se beneficiam do aumento do fluxo de visitantes.
Esse efeito multiplicador reforça o papel estratégico do Turismo para a economia paulista, especialmente em um cenário de busca por retomada sustentável e diversificação de atividades produtivas.
Mudança no perfil do consumidor pós-pandemia
Especialistas do setor apontam que o desempenho do setor de hospedagem em São Paulo está diretamente ligado à transformação no comportamento do consumidor após a pandemia. O período de isolamento e restrições despertou maior valorização do tempo livre, do lazer e da convivência social.
A nova geração, em especial, demonstra preferência por experiências em detrimento da posse de bens. Viagens curtas, escapadas de fim de semana e pacotes personalizados ganharam espaço, ampliando a demanda por hospedagens em diferentes formatos e faixas de preço.
Essa tendência favorece tanto grandes redes quanto empreendimentos de menor porte, desde que consigam oferecer experiências alinhadas às expectativas do público atual.
Expansão da oferta e novos investimentos
O crescimento contínuo do setor de hospedagem em São Paulo também é resultado da expansão da oferta. Nos últimos anos, houve aumento no número de resorts, hotéis de lazer e estruturas de entretenimento, especialmente no Interior e no Litoral.
Esses investimentos contribuem para fortalecer novas rotas turísticas, ampliar a permanência média dos visitantes e estimular o consumo em outros segmentos da economia local. Ao mesmo tempo, aumentam a competitividade do estado frente a outros destinos nacionais.
Perspectivas para 2026
As projeções para o início de 2026 indicam cenário positivo para o setor de hospedagem em São Paulo, com crescimento moderado, porém consistente. O avanço de 3% no faturamento sinaliza estabilidade e maturidade do mercado, após a forte volatilidade observada nos anos anteriores.
O desafio, segundo analistas, será manter a qualidade dos serviços, investir em inovação e acompanhar as mudanças no perfil do turista. Sustentabilidade, tecnologia e personalização tendem a ganhar peso nas decisões de consumo.
Um setor estratégico para São Paulo
O desempenho esperado para o verão e o Carnaval reforça o papel do setor de hospedagem em São Paulo como eixo estratégico do Turismo estadual. A combinação entre Litoral, Interior e capital cria um ecossistema diversificado, capaz de atender diferentes perfis de viajantes ao longo do ano.
Com faturamento bilionário, geração de empregos e estímulo a novos investimentos, o setor se consolida como um dos motores da economia paulista, apontando para um ciclo de crescimento mais equilibrado e descentralizado.






