Superquarta movimenta mercados com decisão do Fed, Copom e divulgação do PIB dos EUA
O que é a Superquarta?
A Superquarta é um dos dias mais aguardados pelo mercado financeiro global. Trata-se de uma quarta-feira específica em que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, tomam decisões simultâneas sobre as taxas de juros em seus respectivos países. Em 30 de julho de 2025, esse evento veio em “modo turbo”, como muitos analistas apontaram, reunindo ainda a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, dados de emprego e uma enxurrada de balanços corporativos de gigantes como Meta, Microsoft, Santander e Bradesco.
Neste dia, tanto Wall Street quanto a Faria Lima se viram em estado de alerta, acompanhando atentamente cada indicador, declaração e número divulgado. A Superquarta se tornou um termômetro decisivo para os rumos da economia global, afetando diretamente investimentos, câmbio, inflação e políticas econômicas dos principais mercados do planeta.
Expectativas em torno do Fed
No caso do Federal Reserve, a expectativa dominante é de manutenção da atual taxa de juros. Isso se deve ao contexto econômico desafiador enfrentado pelos Estados Unidos, que mistura inflação persistente, impacto de uma nova guerra comercial e um mercado de trabalho ainda robusto. Analistas apostam que o Fed seguirá cauteloso, optando por observar mais dados antes de iniciar um eventual ciclo de corte na taxa de juros.
Apesar da desaceleração da atividade econômica, o nível de empregos continua elevado, o que sustenta uma inflação acima da meta desejada. Além disso, o cenário político contribui para um clima de incerteza: a nova onda de tarifas comerciais impostas pelos EUA pode pressionar ainda mais os preços domésticos, dificultando a flexibilização monetária.
O papel do Copom na Superquarta
No Brasil, o Copom também é esperado para manter a Selic em 15%. A decisão, embora previsível, terá seu impacto ampliado conforme o tom adotado pelo comunicado oficial e os sinais futuros que os diretores do Banco Central deixarem transparecer. A manutenção da Selic em um patamar elevado reflete o esforço contínuo para combater a inflação, mesmo diante de uma economia com sinais de desaceleração.
A Superquarta, nesse contexto, representa uma oportunidade para o mercado captar nuances sobre o pensamento dos formuladores de política monetária e ajustar suas expectativas quanto aos próximos passos da autoridade monetária brasileira.
PIB dos EUA é destaque
Entre os dados divulgados na Superquarta, um dos mais esperados foi o PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre. Com expectativa de crescimento anualizado de 2,4%, o número representa uma possível retomada após a retração observada nos primeiros três meses do ano.
Se confirmado, o desempenho positivo reforça a tese de resiliência da economia americana, mesmo diante de pressões externas e políticas comerciais agressivas. No entanto, também justifica a cautela do Fed em adotar cortes na taxa de juros, uma vez que a economia ainda apresenta tração suficiente para manter a inflação sob controle com a taxa atual.
Além do PIB, os investidores acompanharam atentamente o relatório ADP, que revelou a criação de empregos no setor privado em julho — outro termômetro importante para o mercado de trabalho.
Europa e Brasil na Superquarta
O PIB da Zona do Euro também foi divulgado, com crescimento de 0,1% no segundo trimestre, desempenho acima do esperado, mas bem inferior ao crescimento de 0,6% registrado no primeiro trimestre. O resultado europeu reflete o impacto das incertezas provocadas pela guerra comercial em andamento.
No Brasil, além da decisão do Copom, os investidores estiveram atentos à divulgação do resultado do governo central de junho, além dos dados do fluxo cambial semanal. A estabilidade do real, os níveis de reservas cambiais e o comportamento do Tesouro Nacional fazem parte do conjunto de elementos que influenciam os investidores locais e internacionais.
Temporada de balanços: Santander, Bradesco, Meta e Microsoft
A Superquarta também coincidiu com a abertura da temporada de resultados financeiros do segundo trimestre. O Santander foi o primeiro a divulgar seus números antes da abertura dos mercados: lucro de R$ 3,659 bilhões, queda de 5,2% em relação ao trimestre anterior, mas alta de 9,8% na comparação com o mesmo período de 2024.
No fim do dia, os olhos se voltaram para o Bradesco, que trouxe seus resultados após o fechamento da bolsa. No exterior, o impacto foi ainda mais expressivo com os números da Meta, Microsoft, Qualcomm e Ford, empresas que compõem a espinha dorsal da tecnologia e indústria global.
esses resultados ajudam a compor o sentimento do mercado e contribuem para a formação das expectativas dos investidores sobre o desempenho futuro das ações e da economia como um todo.
Cronograma da Superquarta
Confira os principais eventos que marcaram a Superquarta:
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8h: Divulgação do IGP-M de julho no Brasil
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9h15: Relatório ADP (criação de empregos no setor privado nos EUA)
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9h30: Primeira leitura do PIB do segundo trimestre nos EUA
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14h30: Publicação do fluxo cambial semanal pelo Banco Central
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14h30: Tesouro Nacional divulga resultado primário do governo central
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15h: Decisão de política monetária do Fed
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15h30: Coletiva de imprensa com Jerome Powell
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18h30: Decisão do Copom sobre a Selic
Além disso, os balanços corporativos complementaram a agenda:
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Antes da abertura: Santander
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Após o fechamento: Bradesco, Meta, Microsoft, Qualcomm, Ford
Impactos no mercado financeiro
Com tantos eventos simultâneos, a Superquarta mexeu com os mercados. Os índices futuros das bolsas americanas abriram em leve alta, enquanto as bolsas europeias operaram sem direção única. O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, foi negociado próximo à estabilidade, refletindo a cautela dos investidores.
No câmbio, o comportamento do dólar seguiu atrelado às expectativas quanto ao Fed e ao fluxo de capitais direcionado a mercados emergentes. A estabilidade ou variação da moeda americana influencia diretamente a inflação brasileira e as projeções de crescimento.
Superquarta: por que importa?
A Superquarta concentra decisões e dados que podem alterar drasticamente o cenário macroeconômico e as decisões de investimento. Ela serve como um farol para o comportamento dos juros, da inflação e do crescimento econômico nos meses seguintes.
Investidores institucionais, gestores de fundos, economistas e autoridades públicas se debruçam sobre cada dado e cada frase dos comunicados, buscando antecipar movimentos e posicionar seus recursos de maneira mais eficiente.
Além disso, a Superquarta oferece uma visão sincronizada do estado atual das maiores economias do mundo. Quando Fed, Copom e empresas globais movimentam seus dados simultaneamente, o impacto é generalizado e imediato.
A Superquarta de 30 de julho de 2025 foi marcada por estabilidade nas taxas de juros e pela revelação de dados importantes sobre a saúde econômica dos Estados Unidos, da Zona do Euro e do Brasil. Combinada com uma agenda pesada de balanços corporativos, a data consolidou-se como um divisor de águas para o segundo semestre do ano.
Mais do que um evento pontual, a Superquarta representa uma oportunidade valiosa para entender as tendências que guiarão os próximos meses da economia global. E, para investidores atentos, é um momento de recalibrar estratégias com base em fatos concretos.






