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Tarifa dos EUA cai para 10% e amplia exportações brasileiras

por Maria Helena Costa
25/02/2026 às 16h14
em Economia
Cni: Suspensão Do Tarifaço Beneficia Us$ 21,6 Bi Em Exportações Brasileiras

Tarifa dos EUA reduz impacto sobre exportações brasileiras e amplia competitividade industrial

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou nesta terça-feira (24) que o fim do chamado tarifaço e a adoção de uma tarifa global de 10% pelos Estados Unidos podem favorecer as exportações brasileiras, reduzindo custos e ampliando a competitividade de diversos setores no mercado norte-americano. O anúncio detalha que quase 50% das exportações brasileiras aos EUA não serão tarifadas, representando um alívio significativo frente às barreiras que vinham impactando a corrente de comércio bilateral.

Segundo o MDIC, cerca de 46% do total das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025 — equivalente a US$ 17,5 bilhões — passa a ser elegível para isenção de tarifas adicionais, considerando as exceções previstas na nova medida e desconsiderando sobreposições com produtos enquadrados na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que permite a imposição de tarifas por razões de segurança nacional.

Leia também: ESPM incorpora Panamericana e amplia aposta nas indústrias criativas.

Antes dessa atualização, aproximadamente 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a tarifas adicionais que variavam entre 40% e 50%, impactando principalmente produtos industrializados e commodities estratégicas para a economia brasileira.


Ajustes tarifários: impactos sobre indústria e agropecuária

O novo regime tarifário adotado pelos Estados Unidos, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, estabelece alíquotas de 10% para grande parte dos produtos, sendo permitida a aplicação de até 15% por um período máximo de 150 dias, salvo extensão pelo Congresso norte-americano. A medida temporária foi anunciada pela Casa Branca como resposta a desequilíbrios no balanço de pagamentos, após uma decisão desfavorável à gestão republicana na Suprema Corte.

Com essas alterações, setores industriais e agropecuários do Brasil ganham condições mais competitivas para competir com produtos de outros países, equilibrando o tratamento tarifário e reduzindo impactos de barreiras que limitavam exportações estratégicas.

Setores industriais beneficiados

O MDIC destacou que setores como máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais deixam de enfrentar tarifas de até 50% e passam a concorrer com alíquotas de 10% ou 15%. Essa redução representa um ganho de competitividade e pode incentivar novos investimentos e a expansão da produção voltada para o mercado norte-americano.

Agroexportações com tarifas reduzidas

No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também se beneficiam da redução, migrando de tarifas de até 50% para o patamar de 10% ou 15%. Essa mudança é significativa para produtores brasileiros, especialmente aqueles com exportações concentradas em nichos de alto valor agregado e sensíveis a variações tarifárias.


Aeronaves brasileiras ficam isentas de tarifas

Entre as novidades do novo regime, a exclusão das aeronaves das tarifas adicionais se destaca. As aeronaves brasileiras, que representaram o terceiro maior item de exportação para os Estados Unidos em 2024 e 2025, passam a ter alíquota zero, reforçando o potencial de crescimento do setor e a manutenção de alta competitividade tecnológica. A medida beneficia fabricantes e exportadores, estimulando a participação brasileira no comércio internacional de produtos de alto valor agregado.


Corrente de comércio e déficit comercial

Apesar da redução tarifária, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos manteve-se em expansão em 2025. A corrente de comércio atingiu US$ 82,8 bilhões, alta de 2,2% em relação ao ano anterior, com exportações brasileiras somando US$ 37,7 bilhões e importações US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões.

O MDIC ressalta que as cifras são estimativas e podem sofrer alterações dependendo da aplicação de critérios adicionais, como destino e uso final dos produtos, o que influencia a alíquota efetiva aplicada nas operações.


Contexto legal e histórico da Seção 232

A Seção 232, prevista na Lei de Expansão Comercial de 1962, foi criada para permitir que os Estados Unidos adotem tarifas adicionais por motivos de segurança nacional, abrangendo principalmente produtos estratégicos ou de interesse industrial e militar. Historicamente, a aplicação desta Seção gerou tensões comerciais entre o país e parceiros internacionais, incluindo o Brasil, especialmente durante períodos de escalada tarifária no setor de aço, alumínio e produtos manufaturados.

A recente revisão e adoção da tarifa global de 10% pelo governo norte-americano representa uma redução do impacto sobre exportadores brasileiros, ajustando a política comercial aos limites estabelecidos pelo Congresso e atendendo a pressões econômicas internas e externas.


Implicações econômicas para o Brasil

A redução das tarifas impacta diretamente a competitividade da indústria brasileira. Produtos que enfrentavam barreiras de até 50% passam a concorrer em condições mais equilibradas com concorrentes internacionais. Isso pode gerar:

  • Expansão das exportações industriais e agrícolas

  • Maior previsibilidade para investidores estrangeiros

  • Potencial de incremento do PIB industrial

  • Redução do custo de inserção de produtos brasileiros no mercado norte-americano

O setor de aeronaves, com alíquota zero, é particularmente beneficiado, reforçando a competitividade de produtos de alto conteúdo tecnológico e valor agregado.


Reação de setores privados e perspectivas de investimento

Empresários e associações comerciais veem a medida como positiva, destacando que a redução das tarifas deve estimular novas exportações e atrair investimentos em setores estratégicos. A expectativa é que fabricantes de máquinas, móveis, calçados, produtos químicos e aeronaves ajustem suas linhas de produção para atender à demanda do mercado norte-americano em condições tarifárias mais favoráveis.

Além disso, a medida fortalece o diálogo Brasil-EUA em comércio bilateral, abrindo espaço para negociações futuras sobre acordos comerciais e tratados setoriais.


Desafios e monitoramento

Apesar dos benefícios, o MDIC alerta que a aplicação efetiva das tarifas depende de regras adicionais definidas pelos Estados Unidos, incluindo destinação final, uso específico dos produtos e conformidade com regulamentações locais.

O monitoramento constante é fundamental para garantir que os exportadores brasileiros aproveitem plenamente a redução tarifária e mantenham competitividade em mercados altamente regulados.


Oportunidade para indústria de tecnologia e inovação

A redução tarifária também afeta produtos de tecnologia e inovação. Empresas brasileiras que exportam maquinário avançado e componentes eletrônicos ganham maior previsibilidade de mercado, estimulando investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O setor aeronáutico, beneficiado pela alíquota zero, é um exemplo claro do efeito positivo da medida, com potencial para ampliar exportações, gerar empregos e fortalecer o setor industrial de alto valor agregado no Brasil.

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