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Tarifaço de Trump: Governo Lula aponta influência de big techs por trás das sanções ao Brasil

por Gabriel Monteiro
16/07/2025 às 16h03
em Política
Tarifaço De Trump: Governo Lula Aponta Influência De Big Techs Por Trás Das Sanções Ao Brasil - Gazeta Mercantil

Tarifaço de Trump: Big Techs, Itaipu e o novo foco das tensões entre Brasil e Estados Unidos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reavaliado o verdadeiro motivo por trás do tarifaço de Trump contra produtos brasileiros. O aumento de 50% nas tarifas de importação, anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente foi interpretado como um gesto de retaliação relacionado à situação jurídica de Jair Bolsonaro (PL). No entanto, dentro do Palácio do Planalto, uma nova tese ganha força: a medida tem mais a ver com os interesses das big techs do que com o ex-presidente.

A hipótese conhecida como “teoria dos três Bs” — Bolsonaro, Brics e big techs — circula entre assessores presidenciais, mas a avaliação atual é que o terceiro B, as gigantes da tecnologia, sejam o verdadeiro motor por trás do embate. Com isso, o tarifaço de Trump ganha contornos geopolíticos e comerciais mais profundos, com implicações que vão muito além das relações políticas entre os líderes dos dois países.

Leia também: Louis Joseph César Ducornet: A Inspiração por Trás das Barreiras da Deficiência Física.


O que é o tarifaço de Trump e como ele afeta o Brasil?

O tarifaço de Trump é uma medida anunciada pelo ex-presidente norte-americano que impõe uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. O anúncio foi feito de forma unilateral e inesperada, abalando o comércio bilateral e gerando reação imediata do governo brasileiro.

A princípio, o Planalto interpretou o ato como uma retaliação direta à condenação de Bolsonaro e às investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a tentativa de golpe de 8 de janeiro. No entanto, o discurso de Trump, ao incluir críticas ao STF e à regulação das redes sociais no Brasil, apontou para uma agenda alinhada aos interesses das big techs americanas, como Meta, Google, Amazon e Microsoft.


Big Techs no centro do tarifaço de Trump

A atual leitura do governo Lula é de que o tarifaço de Trump atende diretamente às demandas das big techs, que estão sob crescente escrutínio no Brasil devido a projetos de regulação da internet e combate à desinformação. O STF tem assumido protagonismo nesse debate, especialmente após a omissão do Congresso Nacional, o que tem desagradado setores políticos e empresariais ligados às plataformas digitais.

O ataque de Trump ao STF em sua carta justificando a tarifa — rotulando decisões judiciais como censura e classificando o processo de Bolsonaro como perseguição — reforça essa visão. A retórica pró-liberdade de expressão, aliada à oposição à regulação das redes sociais, alinha-se aos interesses das empresas de tecnologia que temem restrições ao seu modelo de negócios no Brasil.

Assim, o tarifaço de Trump pode ser interpretado como uma pressão externa contra o avanço da regulação digital no país, usando como pretexto a defesa do ex-presidente, mas mirando, de fato, na proteção do mercado das big techs.


A geopolítica energética e a crise com o Paraguai

Outro ponto importante na análise do tarifaço de Trump envolve a disputa energética na região, especialmente em torno da hidrelétrica de Itaipu. O excedente de energia gerado pela usina, que tradicionalmente é vendido ao Brasil, tornou-se objeto de desejo de empresas americanas interessadas em alimentar seus data centers de inteligência artificial.

Segundo apurações internas, há indícios de que ONGs paraguaias estariam sendo incentivadas a pressionar o governo local a romper o acordo energético com o Brasil, permitindo que o Paraguai vendesse sua parte da energia excedente para os Estados Unidos. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), inclusive, monitorou movimentações nesse sentido, apontando o envolvimento indireto de interesses norte-americanos na região.

O tarifaço de Trump, neste contexto, não seria apenas uma represália política, mas parte de uma estratégia mais ampla para garantir o fornecimento energético a projetos estratégicos de tecnologia nos Estados Unidos, como data centers que alimentam ferramentas de inteligência artificial e redes de servidores de grandes empresas.


A estratégia de comunicação de Trump e o recado às big techs

Trump, que tem forte apoio das big techs em setores como infraestrutura e inteligência artificial, utilizou o tarifaço como uma ferramenta de sinalização política. Ao atacar o STF e defender Bolsonaro como vítima de perseguição, Trump fortaleceu sua imagem como defensor da liberdade de expressão e do livre mercado digital — bandeiras que mobilizam tanto sua base política quanto os gigantes da tecnologia.

Essa retórica ajuda a atrair simpatia de empresas americanas preocupadas com o avanço da regulação de conteúdos e algoritmos em países da América Latina. O Brasil, como uma das maiores democracias do mundo e mercado consumidor estratégico, tornou-se peça central nesse tabuleiro.


O impacto para o Brasil e os riscos comerciais

O tarifaço de Trump representa um grande risco para o comércio exterior brasileiro. Produtos agrícolas, siderúrgicos e industriais podem perder competitividade no mercado americano, comprometendo exportações e empregos. Para o governo Lula, trata-se de uma questão que exige resposta diplomática firme, mas também articulação política interna para blindar o país contra ataques geopolíticos travestidos de disputas jurídicas.

Ao mesmo tempo, o Brasil precisa manter o equilíbrio entre a regulação responsável do ambiente digital e a proteção de sua soberania econômica. O embate com as big techs já é realidade, e a postura do STF nesse contexto é vista como essencial por juristas e especialistas em direito digital.


O isolamento de Bolsonaro como distração

A nova narrativa do Planalto vê Bolsonaro como uma espécie de “boi de piranha”, ou seja, uma figura utilizada como distração enquanto interesses mais profundos são operados nos bastidores. O uso da situação jurídica do ex-presidente como justificativa pública para o tarifaço de Trump encobre uma estratégia mais ampla que envolve disputas comerciais, energéticas e digitais.

Essa leitura reforça a necessidade de o Brasil se preparar para um cenário de embates múltiplos: políticos, econômicos e tecnológicos. A polarização em torno de Bolsonaro pode continuar servindo como cortina de fumaça enquanto decisões estratégicas são tomadas nos bastidores globais.


Brics e o novo cenário global

Outro elemento presente na “teoria dos três Bs” é o Brics, bloco econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A crescente influência dos Brics no cenário global e o afastamento do Brasil de políticas alinhadas automaticamente aos interesses norte-americanos também são vistos como fatores que incomodam os EUA.

A atuação brasileira em foros multilaterais, a aproximação com China e Rússia e a proposta de uma moeda comum entre os países do bloco reforçam a ideia de que o Brasil está buscando protagonismo autônomo. Essa postura pode ter sido mais um motivador para o tarifaço de Trump, em uma tentativa de conter essa movimentação geopolítica.


A análise sobre o tarifaço de Trump evoluiu dentro do governo Lula. Mais do que uma retaliação ao STF ou um gesto de apoio a Bolsonaro, a medida parece atender a uma agenda estruturada de proteção aos interesses das big techs americanas. O uso estratégico da energia de Itaipu, a pressão contra a regulação das plataformas digitais e o alinhamento geopolítico do Brasil no cenário internacional tornam-se peças desse quebra-cabeça complexo.

Diante disso, é essencial que o Brasil reforce sua diplomacia, invista em soberania digital e fortaleça sua atuação no comércio exterior. O país não pode ser refém de pressões internacionais motivadas por lobbies empresariais, tampouco permitir que disputas judiciais internas sejam usadas como justificativa para sanções comerciais desproporcionais.

 

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