Nomeação para o Fed: Trump descarta Bessent e promete anunciar novo indicado “em breve”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (5) que divulgará em breve sua nomeação para o Fed, mais precisamente para uma vaga na diretoria do Federal Reserve, além de sugerir que também pode anunciar o nome do futuro chair do banco central norte-americano. Com a saída antecipada da diretora Adriana Kugler, que deixará o cargo antes do fim de seu mandato em janeiro, a sucessão ganhou ritmo acelerado e virou ponto de atenção para os mercados.
A nomeação para o Fed tem sido um tema de destaque nos círculos econômicos e políticos, especialmente diante das críticas frequentes de Trump à condução da política monetária atual. O presidente expressa há tempos seu descontentamento com a atuação do chair Jerome Powell, especialmente pela resistência do Fed em cortar os juros no ritmo desejado por ele. A escolha de um novo nome para a diretoria — e, eventualmente, para o comando do banco central — poderá redefinir os rumos da política monetária dos Estados Unidos nos próximos anos.
Por que a nomeação para o Fed é tão importante?
O Federal Reserve tem papel central na condução da política monetária dos EUA, influenciando diretamente as taxas de juros, a inflação, o desemprego e os investimentos. A nomeação para o Fed, especialmente para cargos de diretoria e de presidente do banco, impacta diretamente os mercados financeiros globais, inclusive o Brasil, por conta dos reflexos sobre o dólar, os fluxos de capital e o apetite ao risco em países emergentes.
A saída antecipada de Adriana Kugler cria uma oportunidade política para Trump moldar o colegiado do Fed com perfis mais alinhados às suas prioridades econômicas. O atual mandato de Jerome Powell termina em maio de 2026, mas o presidente norte-americano já sinalizou que pode antecipar a escolha de quem assumirá o comando, caso opte por promover o novo diretor nomeado.
Os nomes cotados para o Federal Reserve
Entre os nomes que Trump considera para a nomeação para o Fed estão Kevin Hassett, atual assessor econômico, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed. Ambos têm perfil técnico e histórico de atuação na área econômica, o que agrada setores do mercado. Christopher Waller, atual diretor do Fed, também é citado como possível candidato, embora seu ritmo de afrouxamento monetário não seja tão agressivo quanto o defendido por Trump.
Trump afirmou que a escolha está restrita a quatro pessoas, mas não revelou todos os nomes. O que se sabe é que ele deseja um perfil mais “dovish” (inclinado a políticas monetárias expansionistas) para acelerar a queda das taxas de juros, atualmente em patamar considerado elevado diante do crescimento moderado da economia americana.
O fim das especulações sobre Scott Bessent
Até recentemente, Scott Bessent, secretário do Tesouro, era apontado como favorito para a nomeação para o Fed. Contudo, Trump descartou essa possibilidade ao afirmar que Bessent deseja permanecer em sua atual função. A decisão surpreendeu alguns aliados, mas foi bem recebida por analistas que enxergam conflito de interesses caso ele acumulasse ambas as funções.
A desistência de Bessent reabre o debate sobre a orientação ideológica da próxima composição do Fed. O mercado observa atentamente se Trump indicará alguém com postura técnica e independente ou um perfil mais alinhado às suas expectativas políticas.
Nomeações ao Fed: trâmites e desafios no Senado
A nomeação para o Fed exige confirmação pelo Senado dos Estados Unidos. Como a vaga a ser preenchida será ocupada até o fim do atual mandato, essa primeira aprovação seria para um curto período. Um novo processo de votação deverá ocorrer no início de 2026, quando começa o mandato completo de 14 anos.
Caso Trump também antecipe a nomeação para chair do Fed, haverá um segundo processo de confirmação, separado e mais complexo. Historicamente, as sabatinas no Senado exigem do indicado ampla capacidade técnica, histórico ético impecável e, sobretudo, habilidade de articulação política — ainda mais em um cenário polarizado como o atual.
Pressão política sobre o Fed e os juros
Trump tem sido crítico feroz da política monetária conduzida por Jerome Powell, especialmente por não reduzir os juros na velocidade esperada. O presidente alega que a economia americana, embora resiliente, precisa de estímulos mais robustos para enfrentar o enfraquecimento do mercado de trabalho e os sinais de desaceleração.
O problema é que, mesmo com indícios de retração econômica, a inflação ainda está acima da meta de 2%, o que impede uma atuação mais agressiva do banco central. Essa tensão entre política fiscal expansionista e controle inflacionário torna a nomeação para o Fed um fator determinante para o rumo da economia dos EUA até 2026.
Repercussões globais da escolha de Trump
O impacto da nomeação para o Fed vai além das fronteiras americanas. Os mercados internacionais acompanham com atenção a postura futura do banco central dos EUA, pois mudanças na taxa de juros americana influenciam desde o custo do crédito global até os investimentos em países emergentes.
Um Fed mais flexível nos juros poderia favorecer a liquidez mundial e impulsionar os mercados acionários, mas também colocaria pressão sobre o dólar e poderia reacender a inflação. Por isso, investidores de todo o mundo querem saber quem será o próximo diretor e, possivelmente, o próximo presidente do Federal Reserve.
Próximos passos e expectativas
Trump prometeu anunciar “muito em breve” sua nomeação para o Fed. A expectativa é que o nome escolhido sinalize o tom da política monetária a ser adotada em 2026, caso o presidente consiga recompor o colegiado da autoridade monetária com aliados de perfil mais expansionista.
Se o nome escolhido for aceito pelo Senado e tiver postura próxima à de Trump, é possível que vejamos mudanças significativas na política de juros já no segundo semestre de 2026, influenciando diretamente setores como habitação, crédito ao consumidor, mercado de ações e financiamento à infraestrutura.
A nova nomeação para o Fed será um dos movimentos mais estratégicos do governo Trump no campo econômico até 2026. A escolha do substituto de Adriana Kugler e, eventualmente, do novo chair do banco central poderá realinhar o discurso monetário com as pretensões políticas da Casa Branca.
Em tempos de incertezas econômicas globais, essa nomeação tem poder de influenciar mercados, orientar políticas internas e gerar impactos substanciais em escala mundial. Com tantos fatores em jogo, a escolha do nome certo será decisiva para o legado econômico da atual gestão americana — e para o futuro da economia global.






