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Câmara aprova venda de medicamentos em supermercados: saiba como vai funcionar

por Daniel Wicker
03/03/2026 às 12h36
em Negócios
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Câmara aprova venda de medicamentos em supermercados: veja o que muda com a nova lei

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (2) o projeto que autoriza a venda de medicamentos em supermercados, consolidando uma mudança significativa na dinâmica do varejo farmacêutico brasileiro. O texto, que já havia recebido aval do Senado, segue agora para sanção presidencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que pode transformar a rotina de consumidores e a concorrência no setor de saúde.

A votação ocorreu de forma simbólica, sem registros nominais, mas com ampla repercussão política e econômica. O projeto prevê que supermercados possam comercializar medicamentos, inclusive os de uso controlado, desde que criem espaços exclusivos, separados das gôndolas comuns, e mantenham farmacêuticos responsáveis durante todo o horário de funcionamento. Os medicamentos não poderão ser expostos junto a outros produtos de consumo, garantindo maior segurança e controle sobre a dispensação.

Leia também: Senado aprova seguro obrigatório para indenizar acidentes de trânsito.

Histórico da venda de medicamentos no Brasil

O debate sobre a venda de medicamentos em supermercados não é novo. Nos anos 1990, o Congresso chegou a autorizar a prática por um curto período, mas a medida foi posteriormente revertida pelo Legislativo e confirmada pelo Judiciário. A decisão da Câmara representa, portanto, um retorno significativo a uma pauta antiga, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos em diferentes regiões do país.

Segundo especialistas, a retomada da autorização pode alterar a concorrência no varejo farmacêutico, trazendo impacto direto nas drogarias tradicionais. A presença de farmácias em supermercados pode oferecer comodidade e preços potencialmente mais competitivos, mas também exige que as regras sanitárias sejam rigorosamente cumpridas para evitar riscos à saúde pública.

Leia também: PL Antifacção: Motta e Gleisi buscam acordo na Câmara.

Argumentos favoráveis à medida

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi um dos principais defensores da iniciativa, destacando que a medida amplia o acesso da população a medicamentos e pode reduzir preços por meio da concorrência. Segundo ele, permitir que grandes redes comerciais operem farmácias internas fortalece a logística de distribuição e garante a presença de profissionais qualificados para orientação sobre o uso correto dos produtos.

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também se manifestou favoravelmente, ressaltando que a expansão de farmácias em supermercados pode facilitar a vida do consumidor, especialmente em localidades com menor oferta de drogarias.

Leia também: Licenciamento 2025 SP: tudo sobre CRLV-e e prazos

Críticas e preocupações

Apesar do apoio do governo, a proposta enfrentou resistência de alguns parlamentares, incluindo membros do PT. A deputada Maria do Rosário (RS) destacou preocupações com o aumento do risco de automedicação. Para ela, medicamentos, mesmo os vendidos em farmácias convencionais, exigem controle rigoroso e orientação profissional, e a expansão para supermercados precisa garantir segurança ao consumidor.

— Não vou votar contra a saúde pública. Supermercado vende tudo, mas medicação não é qualquer coisa e deve ter um grau de controle. Eu não consigo entender a aprovação de uma matéria que reflui da norma atual — afirmou a deputada.

Especialistas em saúde pública também alertam para a necessidade de regulamentação detalhada sobre a dispensação de medicamentos de venda controlada, incluindo antibióticos e remédios sujeitos a prescrição, para evitar riscos à população.

Impactos econômicos e logísticos

A sanção da lei deve transformar a logística da cadeia farmacêutica. Supermercados precisarão investir em infraestrutura adequada, como balcões exclusivos, sistemas de refrigeração quando necessário e equipe de farmacêuticos treinada. Além disso, haverá impactos sobre a concorrência com drogarias tradicionais, que podem enfrentar pressão sobre preços e necessidade de reavaliar modelos de atendimento.

Segundo dados do setor, o mercado de farmácias movimenta bilhões anualmente, e a entrada de grandes redes supermercadistas pode impulsionar o crescimento em regiões atualmente pouco atendidas. A expectativa é de que consumidores tenham mais opções de compra e maior comodidade, especialmente em áreas urbanas densas.

Segurança e regulamentação sanitária

A lei estabelece que supermercados devem seguir as mesmas exigências sanitárias aplicadas às drogarias tradicionais, incluindo controle de estoque, validade de produtos e fiscalização por órgãos competentes. Farmacêuticos serão obrigatoriamente responsáveis pela dispensação, garantindo que os clientes recebam orientação sobre dosagem, contraindicações e interação com outros medicamentos.

A fiscalização será fundamental para que a expansão da venda de medicamentos em supermercados não comprometa a saúde pública. Auditorias periódicas e sanções rigorosas para descumprimento das normas estão entre as medidas previstas para manter o padrão de segurança.

Expectativa do setor varejista

Grandes redes de supermercados já manifestaram interesse em expandir suas operações farmacêuticas. O setor acredita que a medida pode gerar incremento de receita e fidelização de clientes, oferecendo conveniência em um mesmo ponto de venda produtos de consumo diário e medicamentos.

Para os economistas, a aprovação do projeto sinaliza abertura para inovações no varejo brasileiro, mas ressalta que a implementação prática dependerá de investimentos significativos e atenção à regulamentação para evitar riscos legais e sanitários.

Implicações para consumidores

Para o público, a mudança significa mais acessibilidade e potencial redução de custos em medicamentos. Consumidores poderão encontrar produtos essenciais próximos de suas residências ou locais de trabalho, reduzindo deslocamentos e tempo de espera.

No entanto, especialistas em saúde alertam que a comodidade não deve substituir a responsabilidade no uso de medicamentos. É fundamental que o farmacêutico presente no supermercado oriente sobre dosagem correta, possíveis efeitos adversos e interações com outros remédios.

Próximos passos para a implementação

Com a aprovação pelo Congresso, o projeto aguarda sanção presidencial. Caso sancionada, a lei definirá prazos para que supermercados ajustem suas instalações, treinem equipes de farmacêuticos e implementem sistemas de controle. Órgãos reguladores deverão publicar normas detalhadas sobre inspeção, fiscalização e padronização de operações.

A expectativa é de que, nos próximos meses, grandes redes comecem a estruturar farmácias internas, oferecendo uma nova dinâmica no varejo e alterando o cenário competitivo do setor farmacêutico brasileiro.

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