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PF diz que Daniel Vorcaro usou conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões do Banco Master

Henrique Vorcaro, preso nesta quinta-feira, é apontado como titular de conta que teria recebido recursos bilionários em meio às investigações da Operação Compliance Zero.

por Júlia Campos - Repórter de Política
14/05/2026 às 17h27 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h22
em Política, Destaque, Notícias
Pai De Daniel Vorcaro Tentou Ocultar Mensagens E Usou Celular Registrado Na Colômbia, Diz Pf - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, teria usado uma conta de seu pai, o empresário Henrique Vorcaro, para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas em meio às investigações da Operação Compliance Zero. Henrique foi preso nesta quinta-feira, 14, durante a sexta fase da operação, que mira suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Segundo os investigadores, Henrique Vorcaro é titular de uma conta que teria sido usada pelo filho para a suposta ocultação de recursos bilionários. A movimentação teria ocorrido enquanto o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, era acionado para cobrir prejuízos relacionados ao rombo do Banco Master no mercado financeiro.

A suspeita já havia aparecido em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, durante fase anterior da investigação. Na ocasião, a PF apontou que Daniel Vorcaro teria ocultado R$ 2,2 bilhões em uma conta de Henrique junto à CBSF DTVM, antiga Reag. A Reag também é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC por meio de fundos de investimento. A empresa nega irregularidades.

Henrique Vorcaro é preso em nova fase da operação

Henrique Vorcaro foi um dos principais alvos da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira. A ação teve sete mandados de prisão preventiva e 17 ordens de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A prisão do empresário ampliou o alcance da investigação sobre o núcleo familiar de Daniel Vorcaro. O nome de Henrique já havia surgido em fases anteriores da operação, especialmente nas apurações sobre ocultação patrimonial e movimentação de recursos vinculados ao Banco Master.

De acordo com a PF, a conta atribuída a Henrique teria sido usada como instrumento para manter valores fora do alcance de credores, vítimas e autoridades. Os investigadores tratam a movimentação como indício de tentativa de ocultação e dilapidação de patrimônio supostamente obtido de forma ilícita.

A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a prisão é “desnecessária” e sustentou que o ideal seria que o ministro André Mendonça ouvisse explicações antes da medida.

PF vê reiteração de condutas ilícitas

A Polícia Federal considera que a suposta ocultação dos R$ 2,2 bilhões, mesmo após a primeira prisão de Daniel Vorcaro em novembro, reforça indícios de reiteração delitiva. Em termos jurídicos, isso significa que os investigadores avaliam que o ex-banqueiro teria continuado a praticar condutas ilícitas durante o curso da investigação.

Esse ponto foi usado para embasar a segunda prisão de Daniel Vorcaro, decretada em março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão citou indícios de ocultação e dilapidação de patrimônio como elementos relevantes para justificar a medida cautelar.

A apuração sustenta que os recursos teriam sido mantidos fora do alcance de credores enquanto o Banco Master acumulava prejuízos e passava por crise no mercado financeiro. A investigação também busca identificar se os valores tinham origem em operações fraudulentas ou em estruturas financeiras usadas para dissimular patrimônio.

Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas ainda dependem de comprovação nas instâncias competentes.

Conta estava ligada à CBSF DTVM, antiga Reag

A conta citada pela PF estava vinculada à CBSF DTVM, antiga Reag, conforme decisão judicial mencionada nas investigações. A empresa aparece no caso como instituição onde os valores teriam sido identificados pelas autoridades.

A Reag também é citada em outro inquérito, a Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento. A companhia nega irregularidades e afirma não ter participação em crimes.

A menção à instituição financeira aumenta a complexidade do caso porque conecta a Operação Compliance Zero a estruturas de fundos, distribuidoras e veículos de investimento. Em investigações sobre crimes financeiros, esse tipo de estrutura costuma ser analisado para verificar origem, destino e beneficiários finais dos recursos.

Para a PF, a existência da conta em nome do pai de Daniel Vorcaro é um dos indícios de que o grupo teria usado pessoas próximas e estruturas financeiras para ocultar patrimônio.

FGC é citado em meio ao rombo do Master

A investigação aponta que a ocultação dos valores teria ocorrido enquanto o FGC era acionado para cobrir perdas relacionadas ao Banco Master.

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada mantida por instituições financeiras para proteger depositantes e investidores dentro dos limites previstos em regras do sistema financeiro. Quando uma instituição quebra ou passa por intervenção, o fundo pode ser chamado a ressarcir clientes elegíveis.

No caso do Banco Master, a PF apura se recursos foram ocultados de credores e vítimas enquanto o rombo era absorvido pelo mercado financeiro e por mecanismos de proteção. Essa linha de investigação é central porque busca determinar se houve tentativa de preservar patrimônio particular enquanto terceiros arcavam com prejuízos.

A eventual comprovação dessa suspeita pode agravar a situação jurídica dos investigados, especialmente se ficar demonstrada intenção de frustrar ressarcimentos ou dificultar o rastreamento de valores.

Mansão na Flórida também entrou na mira

O nome de Henrique Vorcaro também apareceu em um pedido apresentado pela liquidante do Banco Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas, à Justiça dos Estados Unidos. A solicitação buscava congelar uma mansão na Flórida que seria vinculada à família Vorcaro, segundo documentos citados na investigação.

O pedido afirmou que Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro, pai e irmã de Daniel Vorcaro, teriam usado a empresa Sozo para adquirir o imóvel em fevereiro de 2023. A suspeita é que a compra faria parte de um esquema para adquirir ativos com recursos desviados do Banco Master.

A medida nos Estados Unidos mostra que a investigação ultrapassou o território brasileiro e passou a envolver rastreamento internacional de patrimônio. Em casos de crimes financeiros, imóveis, empresas offshore e estruturas societárias no exterior podem ser alvo de bloqueio quando há suspeita de uso de recursos ilícitos.

Até decisão definitiva, porém, a propriedade dos ativos e a origem dos recursos ainda precisam ser comprovadas no processo.

Caso amplia pressão sobre Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é apontado pela PF como figura central da Operação Compliance Zero. As investigações miram supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, venda de títulos fraudulentos ou inexistentes, ocultação de patrimônio e possíveis articulações com agentes públicos e políticos.

A prisão de Henrique Vorcaro aprofunda a pressão sobre o entorno familiar do ex-banqueiro. Para a PF, a movimentação de recursos por meio de conta atribuída ao pai pode indicar que o esquema não se limitava às estruturas formais do banco, mas também alcançava familiares e veículos financeiros externos.

O caso também ganhou repercussão política por causa de citações a autoridades e agentes públicos em diferentes fases da investigação. Ainda assim, a matéria central desta etapa é a suspeita de ocultação de R$ 2,2 bilhões em conta ligada a Henrique Vorcaro.

A Operação Compliance Zero segue em andamento, e novas medidas podem ser adotadas conforme a análise de documentos, contas, empresas e ativos no Brasil e no exterior.

Investigação mira rastreamento de patrimônio do Master

A nova fase da Operação Compliance Zero reforça a estratégia da Polícia Federal de seguir o caminho do dinheiro associado ao Banco Master. A suspeita de que Daniel Vorcaro teria usado uma conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões torna Henrique Vorcaro peça relevante no rastreamento patrimonial da investigação.

Para credores e vítimas, a identificação de ativos é decisiva para eventual recuperação de valores. Para os investigadores, a prioridade é apurar se houve tentativa deliberada de esconder recursos, dificultar bloqueios judiciais ou preservar patrimônio em meio ao colapso financeiro do banco.

A prisão de Henrique amplia o alcance familiar do caso e coloca novamente o Banco Master no centro de uma apuração bilionária sobre fraudes financeiras, ocultação de recursos e responsabilidade patrimonial. O avanço da investigação dependerá da análise dos documentos apreendidos, da cooperação entre autoridades e da capacidade de rastrear valores movimentados por contas, empresas e ativos ligados ao grupo.

Tags: André MendonçaBanco MasterBrasilCBSF DTVMcrimes financeirosDaniel VorcaroEFB Regimes EspeciaisFGCHenrique VorcaroLAVAGEM DE DINHEIRONatália Vorcarooperação Compliance ZeroPFPolícia FederalPolíticaReagSozoSTF

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. 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Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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