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PF diz que Daniel Vorcaro usou conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões do Banco Master

Henrique Vorcaro, preso nesta quinta-feira, é apontado como titular de conta que teria recebido recursos bilionários em meio às investigações da Operação Compliance Zero.

por Júlia Campos
14/05/2026 às 17h27
em Política
Pai De Daniel Vorcaro Tentou Ocultar Mensagens E Usou Celular Registrado Na Colômbia, Diz Pf - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, teria usado uma conta de seu pai, o empresário Henrique Vorcaro, para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas em meio às investigações da Operação Compliance Zero. Henrique foi preso nesta quinta-feira, 14, durante a sexta fase da operação, que mira suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Segundo os investigadores, Henrique Vorcaro é titular de uma conta que teria sido usada pelo filho para a suposta ocultação de recursos bilionários. A movimentação teria ocorrido enquanto o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, era acionado para cobrir prejuízos relacionados ao rombo do Banco Master no mercado financeiro.

Leia também: CPFL Energia (CPFE3) e Taesa (TAEE11) pagam quase R$ 5 bilhões em dividendos.

A suspeita já havia aparecido em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, durante fase anterior da investigação. Na ocasião, a PF apontou que Daniel Vorcaro teria ocultado R$ 2,2 bilhões em uma conta de Henrique junto à CBSF DTVM, antiga Reag. A Reag também é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC por meio de fundos de investimento. A empresa nega irregularidades.

Henrique Vorcaro é preso em nova fase da operação

Henrique Vorcaro foi um dos principais alvos da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira. A ação teve sete mandados de prisão preventiva e 17 ordens de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A prisão do empresário ampliou o alcance da investigação sobre o núcleo familiar de Daniel Vorcaro. O nome de Henrique já havia surgido em fases anteriores da operação, especialmente nas apurações sobre ocultação patrimonial e movimentação de recursos vinculados ao Banco Master.

De acordo com a PF, a conta atribuída a Henrique teria sido usada como instrumento para manter valores fora do alcance de credores, vítimas e autoridades. Os investigadores tratam a movimentação como indício de tentativa de ocultação e dilapidação de patrimônio supostamente obtido de forma ilícita.

A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a prisão é “desnecessária” e sustentou que o ideal seria que o ministro André Mendonça ouvisse explicações antes da medida.

PF vê reiteração de condutas ilícitas

A Polícia Federal considera que a suposta ocultação dos R$ 2,2 bilhões, mesmo após a primeira prisão de Daniel Vorcaro em novembro, reforça indícios de reiteração delitiva. Em termos jurídicos, isso significa que os investigadores avaliam que o ex-banqueiro teria continuado a praticar condutas ilícitas durante o curso da investigação.

Esse ponto foi usado para embasar a segunda prisão de Daniel Vorcaro, decretada em março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão citou indícios de ocultação e dilapidação de patrimônio como elementos relevantes para justificar a medida cautelar.

A apuração sustenta que os recursos teriam sido mantidos fora do alcance de credores enquanto o Banco Master acumulava prejuízos e passava por crise no mercado financeiro. A investigação também busca identificar se os valores tinham origem em operações fraudulentas ou em estruturas financeiras usadas para dissimular patrimônio.

Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas ainda dependem de comprovação nas instâncias competentes.

Conta estava ligada à CBSF DTVM, antiga Reag

A conta citada pela PF estava vinculada à CBSF DTVM, antiga Reag, conforme decisão judicial mencionada nas investigações. A empresa aparece no caso como instituição onde os valores teriam sido identificados pelas autoridades.

A Reag também é citada em outro inquérito, a Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento. A companhia nega irregularidades e afirma não ter participação em crimes.

A menção à instituição financeira aumenta a complexidade do caso porque conecta a Operação Compliance Zero a estruturas de fundos, distribuidoras e veículos de investimento. Em investigações sobre crimes financeiros, esse tipo de estrutura costuma ser analisado para verificar origem, destino e beneficiários finais dos recursos.

Para a PF, a existência da conta em nome do pai de Daniel Vorcaro é um dos indícios de que o grupo teria usado pessoas próximas e estruturas financeiras para ocultar patrimônio.

FGC é citado em meio ao rombo do Master

A investigação aponta que a ocultação dos valores teria ocorrido enquanto o FGC era acionado para cobrir perdas relacionadas ao Banco Master.

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada mantida por instituições financeiras para proteger depositantes e investidores dentro dos limites previstos em regras do sistema financeiro. Quando uma instituição quebra ou passa por intervenção, o fundo pode ser chamado a ressarcir clientes elegíveis.

No caso do Banco Master, a PF apura se recursos foram ocultados de credores e vítimas enquanto o rombo era absorvido pelo mercado financeiro e por mecanismos de proteção. Essa linha de investigação é central porque busca determinar se houve tentativa de preservar patrimônio particular enquanto terceiros arcavam com prejuízos.

A eventual comprovação dessa suspeita pode agravar a situação jurídica dos investigados, especialmente se ficar demonstrada intenção de frustrar ressarcimentos ou dificultar o rastreamento de valores.

Mansão na Flórida também entrou na mira

O nome de Henrique Vorcaro também apareceu em um pedido apresentado pela liquidante do Banco Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas, à Justiça dos Estados Unidos. A solicitação buscava congelar uma mansão na Flórida que seria vinculada à família Vorcaro, segundo documentos citados na investigação.

O pedido afirmou que Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro, pai e irmã de Daniel Vorcaro, teriam usado a empresa Sozo para adquirir o imóvel em fevereiro de 2023. A suspeita é que a compra faria parte de um esquema para adquirir ativos com recursos desviados do Banco Master.

A medida nos Estados Unidos mostra que a investigação ultrapassou o território brasileiro e passou a envolver rastreamento internacional de patrimônio. Em casos de crimes financeiros, imóveis, empresas offshore e estruturas societárias no exterior podem ser alvo de bloqueio quando há suspeita de uso de recursos ilícitos.

Até decisão definitiva, porém, a propriedade dos ativos e a origem dos recursos ainda precisam ser comprovadas no processo.

Caso amplia pressão sobre Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é apontado pela PF como figura central da Operação Compliance Zero. As investigações miram supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, venda de títulos fraudulentos ou inexistentes, ocultação de patrimônio e possíveis articulações com agentes públicos e políticos.

A prisão de Henrique Vorcaro aprofunda a pressão sobre o entorno familiar do ex-banqueiro. Para a PF, a movimentação de recursos por meio de conta atribuída ao pai pode indicar que o esquema não se limitava às estruturas formais do banco, mas também alcançava familiares e veículos financeiros externos.

O caso também ganhou repercussão política por causa de citações a autoridades e agentes públicos em diferentes fases da investigação. Ainda assim, a matéria central desta etapa é a suspeita de ocultação de R$ 2,2 bilhões em conta ligada a Henrique Vorcaro.

A Operação Compliance Zero segue em andamento, e novas medidas podem ser adotadas conforme a análise de documentos, contas, empresas e ativos no Brasil e no exterior.

Investigação mira rastreamento de patrimônio do Master

A nova fase da Operação Compliance Zero reforça a estratégia da Polícia Federal de seguir o caminho do dinheiro associado ao Banco Master. A suspeita de que Daniel Vorcaro teria usado uma conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões torna Henrique Vorcaro peça relevante no rastreamento patrimonial da investigação.

Para credores e vítimas, a identificação de ativos é decisiva para eventual recuperação de valores. Para os investigadores, a prioridade é apurar se houve tentativa deliberada de esconder recursos, dificultar bloqueios judiciais ou preservar patrimônio em meio ao colapso financeiro do banco.

A prisão de Henrique amplia o alcance familiar do caso e coloca novamente o Banco Master no centro de uma apuração bilionária sobre fraudes financeiras, ocultação de recursos e responsabilidade patrimonial. O avanço da investigação dependerá da análise dos documentos apreendidos, da cooperação entre autoridades e da capacidade de rastrear valores movimentados por contas, empresas e ativos ligados ao grupo.

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