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3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Desativar Wi-Fi, Bluetooth e NFC quando não estão em uso reduz a exposição do aparelho e ajuda a proteger dados pessoais, contas bancárias e pagamentos digitais.

por Daniel Soto
18/08/2026 às 21h17
em Tecnologia
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Tecnologia

O celular deixou de ser apenas um dispositivo de comunicação para se transformar em uma espécie de carteira digital. Aplicativos bancários, cartões, documentos, e-mails, senhas e mecanismos de recuperação de contas estão concentrados no mesmo aparelho. Por isso, configurações que durante anos foram tratadas apenas como conveniência passaram a ter peso relevante na segurança digital.

Entre elas estão três recursos presentes na maioria dos smartphones: Wi-Fi, Bluetooth e NFC. Manter essas interfaces ativas o tempo inteiro não significa que uma conta bancária será automaticamente invadida, mas aumenta o número de canais pelos quais o telefone pode interagir com redes, aparelhos e equipamentos próximos.

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A recomendação mais prudente é simples: se determinada conexão não estiver sendo usada, ela pode permanecer desligada. O CERT.br, mantido pelo NIC.br, orienta explicitamente que interfaces de comunicação como Wi-Fi e Bluetooth sejam desabilitadas e ativadas somente quando necessárias. Para transações bancárias, a entidade também recomenda evitar redes Wi-Fi públicas abertas.

A regra ganha importância porque o telefone concentra informações capazes de permitir não apenas uma fraude pontual, mas uma sequência de acessos. Quem obtém controle do e-mail principal, por exemplo, pode tentar redefinir senhas de outros serviços. A Anatel recomenda autenticação em dois fatores, senhas diferentes para cada conta e atenção especial ao e-mail cadastrado em instituições financeiras.

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1. Wi-Fi: o principal cuidado está nas redes públicas

Entre as três funções, o Wi-Fi exige atenção especial quando o telefone está configurado para procurar e se conectar automaticamente a redes conhecidas ou disponíveis.

O problema não está no Wi-Fi doméstico adequadamente protegido, mas principalmente em redes abertas ou desconhecidas encontradas em aeroportos, hotéis, restaurantes, shoppings e outros locais públicos. Um nome de rede aparentemente legítimo não é suficiente para confirmar que aquele ponto de acesso realmente pertence ao estabelecimento.

Um criminoso pode criar uma rede com nome semelhante ao Wi-Fi de um aeroporto ou cafeteria e tentar induzir usuários a utilizá-la. Dependendo do ataque e das configurações dos dispositivos, uma rede maliciosa pode ser usada para redirecionamentos, páginas falsas ou tentativas de captura de informações.

O CERT.br recomenda cautela com redes públicas abertas, preferência por redes que exijam autenticação e uso de conexões criptografadas. A entidade também aconselha desabilitar a conexão automática a redes conhecidas. Para operações financeiras, a orientação é ainda mais restritiva: evitar equipamentos de terceiros e redes Wi-Fi públicas abertas.

Na prática, quem precisa consultar o banco ou realizar um Pix fora de casa tende a reduzir a exposição utilizando a rede móvel da própria operadora em vez de um Wi-Fi público desconhecido.

Desligar o Wi-Fi ao sair de casa também impede que o aparelho fique procurando ou tentando restabelecer automaticamente conexões sem necessidade. Não é uma proteção absoluta contra golpes, mas elimina uma superfície de comunicação enquanto ela não está sendo utilizada.

2. Bluetooth: conexões próximas também precisam ser controladas

O Bluetooth é usado para fones de ouvido, carros, relógios inteligentes, caixas de som e diversos acessórios. Por essa razão, muitas pessoas simplesmente deixam a função permanentemente ligada.

Esse comportamento não significa, por si só, que o aparelho esteja vulnerável. Sistemas modernos utilizam mecanismos de pareamento e autorização. Ainda assim, reduzir interfaces ativas continua sendo uma prática de segurança defensiva, especialmente em ambientes de grande circulação.

O CERT.br recomenda conferir quais aparelhos estão conectados ao celular e remover dispositivos desconhecidos. Também orienta manter o Bluetooth oculto ou invisível quando essa configuração estiver disponível e ter cautela com solicitações inesperadas de autorização ou códigos PIN.

Um ponto frequentemente ignorado são os dispositivos que permanecem cadastrados durante meses ou anos. Automóveis vendidos, caixas de som antigas, computadores corporativos e acessórios que já não pertencem ao usuário podem continuar registrados na lista de equipamentos confiáveis.

Por isso, além de desligar o Bluetooth quando não houver necessidade, vale abrir periodicamente a relação de dispositivos pareados e excluir conexões antigas ou que não possam ser identificadas.

A lógica é semelhante à utilizada em uma casa: uma porta fechada não significa que haverá uma tentativa de invasão, mas não existe razão para mantê-la aberta quando ninguém precisa passar por ela.

3. NFC: desligar aumenta a cautela, mas recurso não esvazia conta sozinho

O NFC é provavelmente o mais mal compreendido dos três recursos.

A tecnologia Near Field Communication permite a troca de informações a uma distância muito curta e é utilizada, entre outras finalidades, em pagamentos por aproximação. Em aparelhos Android compatíveis, por exemplo, o NFC precisa estar ativado para que o pagamento por aproximação funcione.

Isso levou à disseminação da ideia de que simplesmente manter o NFC ligado permitiria a alguém aproximar uma máquina do telefone e retirar dinheiro da conta. A realidade é mais complexa.

O Google Wallet exige mecanismo de bloqueio de tela e autenticação do usuário para pagamentos. A documentação do Google informa que, antes da operação, a identidade pode ser confirmada por PIN, padrão, senha, impressão digital ou biometria facial compatível.

A Apple também exige autenticação para transações comuns realizadas pelo Apple Pay. Em iPhones com Face ID, por exemplo, o usuário confirma a intenção de pagar e se autentica antes de aproximar o aparelho do terminal. Existem exceções específicas, como recursos configurados para operar em modo expresso.

Portanto, NFC ligado não significa autorização automática para movimentar uma conta bancária.

Mesmo assim, quem praticamente não utiliza pagamento por aproximação no celular pode simplesmente manter o NFC desligado e ativá-lo quando necessário. Trata-se de aplicação do princípio de redução da superfície de exposição: serviços que não estão sendo usados não precisam permanecer disponíveis.

Desligar os três recursos é suficiente para proteger o dinheiro?

Não.

Esse é o ponto mais importante da recomendação. Wi-Fi, Bluetooth e NFC são apenas três componentes de uma estrutura de segurança muito maior.

Na prática, o risco financeiro pode ser significativamente maior quando um criminoso consegue desbloquear fisicamente o celular, obter a senha do e-mail, convencer a vítima a entregar um código de autenticação ou instalar um aplicativo malicioso.

Por isso, existe uma hierarquia de proteção.

A primeira barreira é o bloqueio do aparelho. Um telefone utilizado para acessar bancos não deveria permanecer sem senha, PIN ou biometria.

A segunda é a proteção das contas. E-mail, serviços financeiros e redes sociais importantes devem utilizar autenticação em dois fatores sempre que disponível. A Anatel recomenda ativar esse recurso justamente como camada adicional contra acessos não autorizados.

A terceira é impedir que uma única senha abra várias portas. Utilizar a mesma combinação em banco, e-mail, redes sociais e comércio eletrônico transforma o vazamento de uma credencial em risco para todo o ecossistema digital do usuário.

A quarta é manter sistema operacional e aplicativos atualizados. Atualizações frequentemente incluem correções para vulnerabilidades já conhecidas.

Somente depois dessas barreiras entram medidas complementares, como manter interfaces sem fio desativadas quando não estiverem em uso.

Golpes podem começar sem qualquer invasão do celular

Outro erro comum é imaginar que fraudes digitais dependem necessariamente de técnicas sofisticadas de hacking.

Muitos ataques começam exatamente pelo contrário: alguém convence a própria vítima a entregar a informação necessária.

A Agência de Recaudación y Control Aduanero (ARCA), órgão tributário argentino que sucedeu a AFIP, já alertou sobre mensagens fraudulentas enviadas em seu nome. Em um comunicado oficial, a agência relatou e-mails que simulavam notificações tributárias e levavam usuários a páginas destinadas a obter credenciais ou pagamentos.

A ARCA afirma que não solicita pagamentos ou dados pessoais por e-mail e que sua comunicação oficial sobre a situação fiscal dos contribuintes é realizada pelo Domicílio Fiscal Eletrônico. O órgão também orienta que mensagens fraudulentas não tenham seus links acessados.

Esse tipo de golpe mostra por que a engenharia social continua sendo uma das principais vulnerabilidades humanas: não é preciso necessariamente romper a segurança técnica do aparelho quando a própria vítima pode ser induzida a fornecer senha, código ou autorização.

No Brasil, o CERT.br recomenda que o usuário nunca forneça senhas a terceiros, especialmente por telefone, e que transações bancárias sejam realizadas exclusivamente por páginas ou aplicativos oficiais da instituição financeira.

O que realmente muda ao desligar Wi-Fi, Bluetooth e NFC

A diferença pode ser resumida pelo conceito de superfície de ataque.

Imagine um telefone com Wi-Fi, Bluetooth, NFC, localização, compartilhamento de arquivos e diferentes permissões permanentemente ativos. Há diversas formas pelas quais o aparelho pode detectar, conversar ou trocar informações com outros sistemas.

Desativar aquilo que não está sendo utilizado reduz esse conjunto.

Isso não transforma o smartphone em um dispositivo invulnerável e tampouco garante que o dinheiro da conta estará protegido. Mas torna o ambiente mais restrito.

A ordem de atenção também não é necessariamente igual para as três tecnologias. Para um usuário comum, conectar-se a um Wi-Fi público desconhecido representa uma situação distinta de simplesmente permanecer com o NFC habilitado em um telefone protegido por biometria. Da mesma forma, aceitar um pedido inesperado de pareamento Bluetooth exige mais atenção do que o simples fato de o Bluetooth aparecer como ligado.

A segurança, portanto, depende menos de um “botão mágico” e mais de uma combinação de comportamentos.

Configuração simples pode aumentar a segurança do celular

Para quem quer adotar uma rotina mais conservadora, a configuração pode ser simples: Wi-Fi ligado principalmente em redes confiáveis; Bluetooth ativado quando houver algum acessório em uso; e NFC habilitado quando o usuário precisar de pagamentos ou serviços por aproximação.

Ao mesmo tempo, o telefone deve ter bloqueio automático, biometria ou senha forte, autenticação em dois fatores nas contas importantes e sistema atualizado.

O usuário também deve revisar periodicamente aparelhos conectados, redes Wi-Fi armazenadas, permissões concedidas aos aplicativos e contas que permanecem abertas.

Essas medidas são menos espetaculares do que a promessa de um único ajuste capaz de “proteger todo o dinheiro”, mas representam uma estratégia de segurança muito mais consistente.

Em segurança digital, raramente existe uma configuração isolada capaz de impedir todos os golpes. A proteção mais eficiente vem da sobreposição de barreiras. Desligar Wi-Fi, Bluetooth e NFC quando não são necessários pode ser uma dessas barreiras — desde que não seja confundida com todas as outras.

Fontes:

Agência de Recaudación y Control Aduanero (ARCA) — comunicados oficiais sobre tentativas de phishing e canais utilizados para comunicação com contribuintes.

CERT.br/NIC.br — Cartilha de Segurança para Internet e recomendações para proteção de smartphones, redes Wi-Fi, Bluetooth e transações bancárias.

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — orientações oficiais de segurança para senhas, autenticação em dois fatores, e-mail e prevenção de fraudes.

Google — documentação oficial de segurança e autenticação do Google Wallet para pagamentos por aproximação.

Apple — documentação oficial da Plataforma de Segurança Apple e dos mecanismos de autenticação empregados no Apple Pay.

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