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Lula afirma que transição energética depende de minerais críticos e defende protagonismo do Brasil na COP30

por Redação
07/11/2025 às 15h29 - Atualizado em 21/11/2025 às 15h21
em Política, Destaque, Notícias
Lula Afirma Que Transição Energética Depende De Minerais Críticos E Defende Protagonismo Do Brasil Na Cop30 - Gazeta Mercantil

Lula defende que transição energética depende da exploração sustentável de minerais críticos

Durante a sessão plenária da Cúpula de Líderes da COP30, realizada nesta sexta-feira (7/11) em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o debate sobre transição energética precisa incluir de forma central a discussão sobre o papel dos minerais críticos. Segundo ele, esses insumos são essenciais para o desenvolvimento de tecnologias limpas e para garantir que países em desenvolvimento participem ativamente da nova economia verde.

O discurso do presidente reforçou a posição do Brasil como protagonista nas negociações climáticas globais e destacou o desafio de equilibrar crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e soberania sobre recursos naturais.


Lula: “É impossível discutir transição energética sem minerais críticos”

No início de sua fala, Lula destacou que minerais críticos, como lítio, nióbio, cobre, níquel e grafite, são a base para a fabricação de baterias elétricas, painéis solares e sistemas de energia renovável. Ele ressaltou que não há transição energética possível sem o domínio tecnológico e produtivo desses elementos, considerados estratégicos para o futuro da matriz energética global.

A fala foi uma resposta direta à crescente preocupação internacional com a dependência de poucos países produtores desses insumos, especialmente em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos, China e União Europeia. Lula afirmou que as nações em desenvolvimento precisam ser incluídas de forma justa na cadeia de valor global da energia limpa, com direito à industrialização local e compartilhamento de tecnologia.


O papel do Brasil na nova geopolítica dos minerais críticos

O Brasil é hoje um dos países com maior potencial de exploração sustentável de minerais críticos. Estados como Minas Gerais, Bahia e Piauí concentram jazidas estratégicas de lítio e grafite, enquanto a Amazônia possui reservas expressivas de cobre e níquel.

Lula defendeu que o país deve aproveitar essa vantagem comparativa para se tornar líder global em mineração verde, com foco em baixo impacto ambiental e maior valor agregado. “Não basta extrair e exportar. É preciso transformar”, tem repetido em diversos fóruns econômicos.

O presidente reforçou que a transição energética global não pode reproduzir os erros históricos da dependência colonial, em que os países do Sul apenas forneciam matérias-primas enquanto as nações desenvolvidas capturavam o valor industrial. A inclusão produtiva e tecnológica é, segundo ele, o caminho para um modelo de crescimento mais justo e sustentável.


COP30: o debate sobre justiça climática e soberania mineral

A fala de Lula ocorre num contexto em que o Brasil se prepara para sediar a COP30 em 2025, consolidando Belém como símbolo da agenda ambiental global. O presidente vem defendendo que o evento vá além dos compromissos de redução de carbono e incorpore discussões estruturais sobre financiamento climático e uso responsável dos recursos naturais.

Na sessão plenária da Cúpula de Líderes, o tema dos minerais críticos foi central. Para o governo brasileiro, o desafio é encontrar um equilíbrio entre preservação ambiental e aproveitamento econômico. A estratégia nacional prevê o uso de tecnologias de rastreamento, reciclagem e reindustrialização verde, garantindo que o país atue não apenas como fornecedor de insumos, mas como ator estratégico da economia descarbonizada.


Minerais críticos e segurança energética global

No cenário internacional, o domínio sobre os minerais críticos é visto como fator de poder geopolítico. A eletrificação da frota global, o avanço das energias renováveis e a digitalização da economia criam uma nova corrida global por esses insumos.

Atualmente, China e República Democrática do Congo concentram grande parte da produção de minerais como cobalto, lítio e terras raras. Essa concentração gera riscos para a segurança energética mundial e pressiona outros países a diversificar suas fontes de suprimento.

Lula alertou que os países latino-americanos e africanos, detentores de vastas reservas, não podem ser reduzidos à condição de fornecedores brutos. Segundo ele, é fundamental criar políticas multilaterais de governança mineral, que assegurem transparência, regulação e repartição justa dos benefícios.


Industrialização verde e financiamento climático

Durante o discurso, Lula também defendeu a criação de novos mecanismos de financiamento climático voltados ao Sul Global, especialmente para projetos de industrialização verde.

Para o presidente, é necessário que bancos multilaterais e fundos de investimento ofereçam linhas de crédito acessíveis a países que queiram desenvolver cadeias industriais baseadas em energia limpa e minerais críticos.

O objetivo é romper o ciclo de dependência financeira e permitir que nações emergentes, como o Brasil, possam gerar empregos qualificados, transferir tecnologia e construir autonomia produtiva.

Essa visão dialoga com a proposta de integração sul-americana defendida por Lula desde o início do terceiro mandato, que busca fortalecer alianças regionais em torno de uma política comum de transição energética e sustentabilidade.


Brasil quer liderar a mineração verde e responsável

O governo federal vem estruturando uma estratégia nacional para minerais críticos, liderada pelos ministérios de Minas e Energia (MME) e Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Entre as medidas em estudo estão:

  • Certificação ambiental de minas com padrões internacionais de ESG;

  • Incentivo fiscal para indústrias de baterias e semicondutores;

  • Parcerias público-privadas para desenvolvimento tecnológico;

  • Investimentos em reciclagem e reaproveitamento de metais raros;

  • Cooperação com universidades e centros de pesquisa para inovação na extração e processamento sustentável.

A meta é posicionar o Brasil como referência mundial em mineração de baixo carbono, ampliando a competitividade internacional e fortalecendo a imagem do país como potência verde.


Da Amazônia ao Cerrado: onde estão os minerais críticos do Brasil

Estudos recentes do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que o território nacional concentra mais de 15 tipos de minerais críticos com alto potencial econômico. Entre eles, destacam-se:

  • Lítio e nióbio (Minas Gerais, Bahia e Paraíba);

  • Grafite e terras raras (Piauí e Goiás);

  • Cobre e níquel (Pará e Amapá);

  • Fósforo e potássio, importantes para a agricultura sustentável (Mato Grosso e Tocantins).

A expectativa é que o setor mineral brasileiro movimente mais de US$ 30 bilhões em investimentos até 2030, com foco na exportação de baterias, componentes para veículos elétricos e painéis fotovoltaicos.


Transição energética e o futuro da economia verde

Para Lula, o debate sobre minerais críticos está no centro da transição energética justa. O presidente argumenta que a economia do futuro deve ser baseada em energia limpa, inovação tecnológica e responsabilidade social.

Isso significa investir em pesquisa, educação técnica e infraestrutura industrial, garantindo que o Brasil não apenas exporte recursos, mas também fabrique tecnologias sustentáveis.

Em seu discurso na COP30, Lula reafirmou que o planeta não suporta mais um modelo de crescimento baseado em combustíveis fósseis. O Brasil, segundo ele, tem a oportunidade de liderar um novo paradigma econômico que una desenvolvimento, inclusão social e preservação ambiental.


Minerais críticos como vetor estratégico do século XXI

O posicionamento de Lula coloca os minerais críticos no centro da agenda econômica e ambiental brasileira. Ao defender o protagonismo dos países do Sul Global, o presidente propõe uma nova ordem econômica sustentável, capaz de reduzir desigualdades e construir um modelo de desenvolvimento que combine transição energética, soberania mineral e justiça climática.

A estratégia do governo aponta para uma integração entre mineração responsável, inovação tecnológica e industrialização verde — pilares de um Brasil que busca se consolidar como liderança global na economia de baixo carbono.

Tags: AmazôniaCOP30 BelémEconomia Verdeenergia limpaenergia renovável.industrialização verdelítio no BrasilLula COP30mineração sustentável.minerais críticosnióbiosoberania mineraltransição energética

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