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Investigação do Banco Central no caso Master revisa decisões da gestão Campos Neto

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
29/01/2026 às 15h28 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h02
em Economia, Destaque, Notícias, Política
Investigação Do Banco Central No Caso Master Revisa Decisões Da Gestão Campos Neto - Gazeta Mercantil

Investigação do Banco Central no caso Master expõe decisões da gestão Campos Neto e falhas na supervisão

A investigação do Banco Central no caso Master abriu um novo capítulo no debate sobre a atuação do órgão regulador durante a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto. A auditoria interna, instaurada recentemente, busca apurar se houve falhas na condução do processo de acompanhamento, fiscalização e intervenção no Banco Master desde 2019, período marcado por decisões estratégicas que agora estão sob escrutínio técnico e institucional.

O foco central da apuração está nas medidas adotadas — ou eventualmente postergadas — pelo Banco Central ao longo dos últimos anos, especialmente diante de indícios crescentes de fragilidade financeira, problemas de liquidez e operações que, segundo investigações paralelas, podem ter envolvido a comercialização de carteiras fictícias. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal e ao aprofundamento das investigações da Polícia Federal.

Auditoria interna e o recorte temporal da apuração

A investigação do Banco Central no caso Master não se limita aos eventos mais recentes. Pelo contrário, a auditoria interna estabeleceu como prioridade a análise de todo o histórico de acompanhamento do banco desde a autorização para a transferência de controle do Banco Máxima para o Master, passando pela consolidação do novo conglomerado financeiro, até os alertas de liquidez identificados formalmente apenas em 2024.

Segundo fontes com acesso ao processo, a consolidação da operação levou cerca de dois anos para ser concluída, período em que o Banco Central manteve supervisão regular, mas sem adotar medidas mais drásticas. Esse intervalo agora é visto como crucial para entender se houve subavaliação de riscos ou excesso de confiança nos mecanismos de monitoramento existentes.

A auditoria também busca esclarecer se os instrumentos regulatórios disponíveis à época foram utilizados em sua plenitude ou se houve hesitação institucional diante de sinais que, retrospectivamente, poderiam justificar uma intervenção mais precoce.

Liquidação considerada tardia e custo bilionário

Um dos pontos mais sensíveis da investigação do Banco Central no caso Master diz respeito ao momento da liquidação da instituição financeira. Embora defensores de ex-gestores do banco investigado argumentem que a medida foi precipitada, a linha predominante dentro da auditoria é a de que existiam elementos suficientes para uma ação antecipada.

A liquidação de um banco é considerada uma medida extrema no sistema financeiro, pois gera impactos relevantes sobre investidores, credores e sobre a confiança do mercado. No entanto, técnicos envolvidos na apuração avaliam que uma decisão tomada antes poderia ter mitigado significativamente o rombo financeiro que acabou recaindo sobre diferentes agentes.

Somente para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o custo estimado do colapso do Banco Master se aproxima de R$ 50 bilhões. Além disso, fundos de pensão, investidores institucionais e outros credores não cobertos pela garantia do FGC também sofreram perdas expressivas, ampliando o alcance sistêmico da crise.

Atuação da gestão Roberto Campos Neto sob análise

A investigação do Banco Central no caso Master lança luz direta sobre a atuação da cúpula do BC durante a gestão de Roberto Campos Neto. O ex-presidente esteve à frente da autoridade monetária em um período marcado por mudanças regulatórias, maior sofisticação do sistema financeiro e expansão de instrumentos de crédito estruturado.

Dentro do Banco Central, o entendimento é que a auditoria não tem caráter político, mas técnico. Ainda assim, o simples fato de revisitar decisões estratégicas tomadas sob a liderança de Campos Neto reforça a dimensão institucional do processo e seu potencial impacto sobre a reputação do órgão.

A análise inclui a avaliação dos relatórios de supervisão, das comunicações internas e das decisões colegiadas que trataram do Banco Master ao longo dos anos. O objetivo é identificar se houve falhas de governança, lacunas nos processos de fiscalização ou atrasos injustificados na adoção de medidas corretivas.

Avanço das investigações externas pressiona o BC

A abertura da investigação do Banco Central no caso Master ocorre em um contexto de crescente pressão institucional. As apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal avançaram nos últimos meses, reunindo indícios robustos de problemas estruturais na instituição financeira, especialmente relacionados à liquidez e à composição de ativos.

Paralelamente, a Polícia Federal colheu novos depoimentos de investigados, ampliando o escopo das investigações criminais. Esses movimentos externos reforçaram a necessidade de uma resposta interna do Banco Central, tanto para preservar a credibilidade do sistema de supervisão quanto para demonstrar transparência diante da sociedade e do mercado.

Internamente, há o entendimento de que a auditoria também cumpre um papel preventivo, ao revisar procedimentos e identificar oportunidades de aprimoramento nos mecanismos de controle e intervenção.

Transferência de controle e consolidação do Banco Master

Um dos eixos centrais da investigação do Banco Central no caso Master é a autorização concedida para a transferência do controle do Banco Máxima para o Master. A operação, aprovada pelo BC, foi vista à época como parte de um movimento de consolidação do setor financeiro, com promessas de fortalecimento de capital e ampliação da capacidade operacional.

No entanto, a consolidação do processo levou cerca de dois anos, período em que surgiram questionamentos sobre a real capacidade do novo controlador de sustentar o crescimento projetado. A auditoria agora busca reconstituir esse histórico, avaliando se os critérios utilizados na aprovação foram suficientes e se os compromissos assumidos foram efetivamente cumpridos.

Esse ponto é considerado crucial para entender se a supervisão adotada foi compatível com o nível de risco envolvido na operação.

Problemas de liquidez identificados em 2024

Embora sinais de fragilidade já circulassem no mercado, foi apenas em 2024 que o Banco Central identificou formalmente problemas de liquidez mais graves no Banco Master. A partir desse momento, o acompanhamento se intensificou, culminando na decisão de liquidação.

Para técnicos envolvidos na investigação do Banco Central no caso Master, esse hiato temporal é um dos aspectos mais delicados da apuração. A auditoria tenta responder se os problemas poderiam ter sido detectados antes e se instrumentos como regimes especiais de administração temporária ou exigências adicionais de capital poderiam ter sido acionados de forma antecipada.

Impactos sobre a credibilidade da supervisão bancária

O caso Master se tornou um teste relevante para a credibilidade do modelo brasileiro de supervisão bancária. A investigação do Banco Central no caso Master, ao revisitar decisões passadas, expõe os desafios enfrentados por autoridades reguladoras em um ambiente financeiro cada vez mais complexo e dinâmico.

Analistas avaliam que o desfecho da auditoria poderá resultar em ajustes normativos, reforço de procedimentos internos e maior rigor na análise de operações societárias e estruturas de crédito. O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de equilíbrio entre estímulo à inovação financeira e prudência regulatória.

Repercussão institucional e próximos passos

Dentro do Banco Central, a expectativa é que a investigação produza um relatório técnico detalhado, com conclusões sobre eventuais falhas e recomendações de aprimoramento. Embora não haja, até o momento, indicação de responsabilização individual, o processo pode gerar impactos institucionais relevantes.

A investigação do Banco Central no caso Master também será acompanhada de perto por órgãos de controle, pelo mercado financeiro e por agentes políticos, dada a magnitude das perdas envolvidas e o papel central do BC na preservação da estabilidade do sistema.

À medida que as apurações avançam, cresce a pressão por respostas claras sobre o que poderia ter sido feito de forma diferente e quais lições serão incorporadas para evitar episódios semelhantes no futuro.

Tags: caso Master Banco Centralcrise Banco MasterEconomiaFGC Banco Mastergestão Campos Neto Banco Centralinvestigação do Banco Central no caso Masterliquidação Banco MasterPolíticasupervisão bancária BC

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