Projeção do dólar 2026: Itaú BBA reduz estimativa para R$ 5,40 e vê Selic em 12,75% no fim do ano
A projeção do dólar 2026 passou por revisão relevante no cenário traçado pelo Itaú BBA. O banco reduziu sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim do próximo ano, fixando o valor em R$ 5,40. Embora o patamar ainda represente depreciação frente aos níveis atuais, o número é inferior à mediana das expectativas do mercado financeiro captadas pelo Boletim Focus do Banco Central.
A revisão da projeção do dólar 2026 ocorre em um ambiente de desaceleração econômica doméstica, inflação resistente em determinados segmentos e manutenção de condições financeiras restritivas. O cenário desenhado pelo Itaú BBA também contempla Selic em 12,75% ao final do período e IPCA acumulado em 12 meses ao redor de 4,4%.
O ajuste nas expectativas para o câmbio reforça o debate sobre trajetória fiscal, dinâmica inflacionária e ritmo da atividade econômica, fatores que moldam a formação da taxa de câmbio no médio prazo.
Revisão da projeção do dólar 2026 e comparação com o Focus
Ao revisar a projeção do dólar 2026 para R$ 5,40, o Itaú BBA posiciona sua estimativa abaixo da mediana do mercado. Segundo o Boletim Focus divulgado em 23 de fevereiro, a expectativa para o câmbio ao fim de 2026 recuou de R$ 5,50 para R$ 5,45.
A diferença entre a projeção do dólar 2026 do banco e a mediana do Focus indica leitura mais construtiva quanto à dinâmica cambial. Ainda assim, o valor projetado permanece superior ao câmbio corrente, sugerindo visão de leve depreciação do real ao longo do horizonte analisado.
Para analistas, a trajetória do dólar em 2026 estará condicionada a três vetores principais: política monetária doméstica, cenário fiscal e condições externas — especialmente juros nos Estados Unidos e fluxo de capitais para mercados emergentes.
Desaceleração da economia brasileira no radar
A revisão da projeção do dólar 2026 dialoga com a leitura do Itaú BBA sobre a economia doméstica. O banco avalia que o Brasil atravessa fase de desaceleração. O setor de serviços encerrou 2025 praticamente estável, enquanto indicadores de curto prazo apontam moderação da atividade no início de 2026.
A expectativa é de crescimento moderado do Produto Interno Bruto ao longo do ano, em ambiente de condições financeiras ainda restritivas e perda de fôlego da demanda doméstica.
Essa combinação tende a reduzir pressões sobre importações e, em tese, pode contribuir para suavizar movimentos mais abruptos na projeção do dólar 2026, embora o câmbio permaneça sensível a fatores externos e fiscais.
Inflação ainda acima do centro da meta
No cenário-base do Itaú BBA, o IPCA acumulado em 12 meses deve ficar ao redor de 4,4% em 2026, patamar acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.
Apesar de sinais de desaceleração em alguns componentes, a inflação de serviços e itens ligados ao mercado de trabalho segue pressionada. O mercado de trabalho mostra resiliência, com apenas sinais iniciais de arrefecimento, o que tende a sustentar pressões inflacionárias no curto prazo.
A dinâmica inflacionária influencia diretamente a projeção do dólar 2026, uma vez que expectativas de inflação mais elevadas podem demandar juros maiores por período prolongado, afetando fluxos de capital e diferencial de taxas.
Selic projetada em 12,75% ao fim de 2026
O Itaú BBA projeta a taxa Selic em 12,75% ao ano ao final de 2026. O patamar supera a mediana das estimativas do Focus, que aponta cerca de 12,13% para o mesmo período.
A leitura de juros mais elevados por mais tempo ajuda a explicar parte da projeção do dólar 2026 em R$ 5,40. Taxas de juros mais altas tendem a sustentar o diferencial em relação a economias desenvolvidas, favorecendo o carry trade e contribuindo para conter movimentos de depreciação mais acentuados do real.
Por outro lado, juros elevados também reforçam a desaceleração da atividade, criando ambiente de crescimento mais moderado.
Desafios fiscais permanecem no horizonte
Outro elemento central na formação da projeção do dólar 2026 é o cenário fiscal. O Itaú BBA destaca a necessidade de medidas adicionais para cumprimento das metas estabelecidas pelo governo.
A percepção de risco fiscal influencia diretamente a taxa de câmbio. Incertezas quanto ao equilíbrio das contas públicas podem pressionar o prêmio de risco exigido pelos investidores e impactar a dinâmica cambial.
Caso o arcabouço fiscal seja reforçado por medidas estruturais, a tendência é de maior previsibilidade, o que pode reduzir volatilidade na projeção do dólar 2026 ao longo do tempo.
Ambiente externo e influência sobre o câmbio
Além dos fatores domésticos, a projeção do dólar 2026 também depende do cenário internacional. A trajetória dos juros nos Estados Unidos, o ritmo de crescimento global e o comportamento dos preços de commodities exercem influência direta sobre moedas emergentes.
Movimentos de aversão ao risco podem fortalecer o dólar globalmente, pressionando o real. Em contrapartida, ambiente externo mais favorável tende a beneficiar fluxos para mercados como o Brasil.
O Itaú BBA considera que o balanço de riscos permanece equilibrado, mas sujeito a oscilações decorrentes de eventos geopolíticos e decisões de política monetária nas principais economias.
Mercado monitora divergência entre projeções
A diferença entre a projeção do dólar 2026 do Itaú BBA e a mediana do Focus chama atenção do mercado. Divergências entre casas de análise refletem leituras distintas sobre intensidade da desaceleração econômica, ritmo de ajuste fiscal e comportamento da inflação.
Para investidores e empresas com exposição cambial, o número projetado funciona como referência para planejamento financeiro, hedge e precificação de contratos.
Empresas exportadoras e importadoras, bem como companhias endividadas em moeda estrangeira, acompanham de perto qualquer mudança na projeção do dólar 2026, dado o impacto direto sobre receitas e custos.
Perspectivas para 2026 sob condições financeiras restritivas
O cenário delineado pelo Itaú BBA aponta 2026 como ano de crescimento moderado, inflação ainda pressionada e juros elevados. Nesse contexto, a projeção do dólar 2026 em R$ 5,40 sugere relativa estabilidade cambial, embora acima dos níveis atuais.
A trajetória final dependerá da capacidade do país em avançar em ajustes fiscais, consolidar expectativas inflacionárias e preservar credibilidade da política monetária.
Para o mercado, o dado reforça que o câmbio seguirá sensível a fundamentos macroeconômicos e à percepção de risco.
O que a nova projeção sinaliza ao investidor
A revisão da projeção do dólar 2026 pelo Itaú BBA indica visão de equilíbrio delicado entre juros elevados, desaceleração econômica e desafios fiscais. Para investidores, o cenário sugere ambiente de cautela e seletividade.
Ativos atrelados ao dólar, empresas exportadoras e instrumentos de proteção cambial podem ganhar relevância em carteiras diversificadas, especialmente diante de incertezas no ambiente macroeconômico.
Ao mesmo tempo, juros projetados em 12,75% reforçam atratividade relativa da renda fixa doméstica, mantendo diferencial favorável frente a economias avançadas.







