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Projeção do dólar 2026 cai para R$ 5,40, aponta Itaú BBA; Selic deve fechar ano em 12,75%

por Camila Braga - Repórter de Economia
27/02/2026 às 21h07 - Atualizado em 14/05/2026 às 21h55
em Dólar, Destaque, Economia, Notícias
Dólar - Gazeta Mercantil

Projeção do dólar 2026: Itaú BBA reduz estimativa para R$ 5,40 e vê Selic em 12,75% no fim do ano

A projeção do dólar 2026 passou por revisão relevante no cenário traçado pelo Itaú BBA. O banco reduziu sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim do próximo ano, fixando o valor em R$ 5,40. Embora o patamar ainda represente depreciação frente aos níveis atuais, o número é inferior à mediana das expectativas do mercado financeiro captadas pelo Boletim Focus do Banco Central.

A revisão da projeção do dólar 2026 ocorre em um ambiente de desaceleração econômica doméstica, inflação resistente em determinados segmentos e manutenção de condições financeiras restritivas. O cenário desenhado pelo Itaú BBA também contempla Selic em 12,75% ao final do período e IPCA acumulado em 12 meses ao redor de 4,4%.

O ajuste nas expectativas para o câmbio reforça o debate sobre trajetória fiscal, dinâmica inflacionária e ritmo da atividade econômica, fatores que moldam a formação da taxa de câmbio no médio prazo.


Revisão da projeção do dólar 2026 e comparação com o Focus

Ao revisar a projeção do dólar 2026 para R$ 5,40, o Itaú BBA posiciona sua estimativa abaixo da mediana do mercado. Segundo o Boletim Focus divulgado em 23 de fevereiro, a expectativa para o câmbio ao fim de 2026 recuou de R$ 5,50 para R$ 5,45.

A diferença entre a projeção do dólar 2026 do banco e a mediana do Focus indica leitura mais construtiva quanto à dinâmica cambial. Ainda assim, o valor projetado permanece superior ao câmbio corrente, sugerindo visão de leve depreciação do real ao longo do horizonte analisado.

Para analistas, a trajetória do dólar em 2026 estará condicionada a três vetores principais: política monetária doméstica, cenário fiscal e condições externas — especialmente juros nos Estados Unidos e fluxo de capitais para mercados emergentes.


Desaceleração da economia brasileira no radar

A revisão da projeção do dólar 2026 dialoga com a leitura do Itaú BBA sobre a economia doméstica. O banco avalia que o Brasil atravessa fase de desaceleração. O setor de serviços encerrou 2025 praticamente estável, enquanto indicadores de curto prazo apontam moderação da atividade no início de 2026.

A expectativa é de crescimento moderado do Produto Interno Bruto ao longo do ano, em ambiente de condições financeiras ainda restritivas e perda de fôlego da demanda doméstica.

Essa combinação tende a reduzir pressões sobre importações e, em tese, pode contribuir para suavizar movimentos mais abruptos na projeção do dólar 2026, embora o câmbio permaneça sensível a fatores externos e fiscais.


Inflação ainda acima do centro da meta

No cenário-base do Itaú BBA, o IPCA acumulado em 12 meses deve ficar ao redor de 4,4% em 2026, patamar acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.

Apesar de sinais de desaceleração em alguns componentes, a inflação de serviços e itens ligados ao mercado de trabalho segue pressionada. O mercado de trabalho mostra resiliência, com apenas sinais iniciais de arrefecimento, o que tende a sustentar pressões inflacionárias no curto prazo.

A dinâmica inflacionária influencia diretamente a projeção do dólar 2026, uma vez que expectativas de inflação mais elevadas podem demandar juros maiores por período prolongado, afetando fluxos de capital e diferencial de taxas.


Selic projetada em 12,75% ao fim de 2026

O Itaú BBA projeta a taxa Selic em 12,75% ao ano ao final de 2026. O patamar supera a mediana das estimativas do Focus, que aponta cerca de 12,13% para o mesmo período.

A leitura de juros mais elevados por mais tempo ajuda a explicar parte da projeção do dólar 2026 em R$ 5,40. Taxas de juros mais altas tendem a sustentar o diferencial em relação a economias desenvolvidas, favorecendo o carry trade e contribuindo para conter movimentos de depreciação mais acentuados do real.

Por outro lado, juros elevados também reforçam a desaceleração da atividade, criando ambiente de crescimento mais moderado.


Desafios fiscais permanecem no horizonte

Outro elemento central na formação da projeção do dólar 2026 é o cenário fiscal. O Itaú BBA destaca a necessidade de medidas adicionais para cumprimento das metas estabelecidas pelo governo.

A percepção de risco fiscal influencia diretamente a taxa de câmbio. Incertezas quanto ao equilíbrio das contas públicas podem pressionar o prêmio de risco exigido pelos investidores e impactar a dinâmica cambial.

Caso o arcabouço fiscal seja reforçado por medidas estruturais, a tendência é de maior previsibilidade, o que pode reduzir volatilidade na projeção do dólar 2026 ao longo do tempo.


Ambiente externo e influência sobre o câmbio

Além dos fatores domésticos, a projeção do dólar 2026 também depende do cenário internacional. A trajetória dos juros nos Estados Unidos, o ritmo de crescimento global e o comportamento dos preços de commodities exercem influência direta sobre moedas emergentes.

Movimentos de aversão ao risco podem fortalecer o dólar globalmente, pressionando o real. Em contrapartida, ambiente externo mais favorável tende a beneficiar fluxos para mercados como o Brasil.

O Itaú BBA considera que o balanço de riscos permanece equilibrado, mas sujeito a oscilações decorrentes de eventos geopolíticos e decisões de política monetária nas principais economias.


Mercado monitora divergência entre projeções

A diferença entre a projeção do dólar 2026 do Itaú BBA e a mediana do Focus chama atenção do mercado. Divergências entre casas de análise refletem leituras distintas sobre intensidade da desaceleração econômica, ritmo de ajuste fiscal e comportamento da inflação.

Para investidores e empresas com exposição cambial, o número projetado funciona como referência para planejamento financeiro, hedge e precificação de contratos.

Empresas exportadoras e importadoras, bem como companhias endividadas em moeda estrangeira, acompanham de perto qualquer mudança na projeção do dólar 2026, dado o impacto direto sobre receitas e custos.


Perspectivas para 2026 sob condições financeiras restritivas

O cenário delineado pelo Itaú BBA aponta 2026 como ano de crescimento moderado, inflação ainda pressionada e juros elevados. Nesse contexto, a projeção do dólar 2026 em R$ 5,40 sugere relativa estabilidade cambial, embora acima dos níveis atuais.

A trajetória final dependerá da capacidade do país em avançar em ajustes fiscais, consolidar expectativas inflacionárias e preservar credibilidade da política monetária.

Para o mercado, o dado reforça que o câmbio seguirá sensível a fundamentos macroeconômicos e à percepção de risco.


O que a nova projeção sinaliza ao investidor

A revisão da projeção do dólar 2026 pelo Itaú BBA indica visão de equilíbrio delicado entre juros elevados, desaceleração econômica e desafios fiscais. Para investidores, o cenário sugere ambiente de cautela e seletividade.

Ativos atrelados ao dólar, empresas exportadoras e instrumentos de proteção cambial podem ganhar relevância em carteiras diversificadas, especialmente diante de incertezas no ambiente macroeconômico.

Ao mesmo tempo, juros projetados em 12,75% reforçam atratividade relativa da renda fixa doméstica, mantendo diferencial favorável frente a economias avançadas.

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