O dólar hoje opera em alta nesta segunda-feira, 4 de maio, em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio e à cautela global provocada por novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos contra veículos europeus. Por volta das 9h, a moeda americana subia 0,21%, cotada a R$ 4,9632 na venda, após encerrar abril no menor nível desde março de 2024.
O movimento ocorre em um ambiente externo mais defensivo, com bolsas dos Estados Unidos e da Europa em queda, avanço do petróleo e maior busca por proteção. A escalada de declarações envolvendo Irã e Estados Unidos elevou o risco geopolítico no Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo.
No Brasil, o real ainda encontra sustentação parcial nos juros elevados. A Selic em 14,50% ao ano mantém o diferencial de juros atrativo para operações de carry trade, estratégia em que investidores tomam recursos em moedas de juros baixos para aplicar em mercados com retorno maior.
A alta do petróleo também tem efeito ambíguo sobre o mercado brasileiro. De um lado, pode favorecer os termos de troca e sustentar empresas ligadas à commodity, como Petrobras (PETR3; PETR4). De outro, aumenta preocupações com inflação, combustíveis e custos de produção.
Dólar hoje avança com busca por proteção
O avanço do dólar hoje acompanha o fortalecimento global da moeda americana. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, também operava em alta, refletindo maior demanda por ativos considerados seguros em momentos de incerteza.
A valorização do dólar ocorre depois de um mês de abril favorável ao real. A moeda americana encerrou o período no menor patamar desde março de 2024, beneficiada pelo diferencial de juros no Brasil e pela entrada de recursos em mercados emergentes.
A abertura de maio, no entanto, trouxe mudança de tom. A tensão no Oriente Médio, as incertezas comerciais e a agenda de política monetária voltaram a pesar sobre os mercados globais.
Em momentos de cautela, investidores tendem a reduzir exposição a moedas emergentes e buscar proteção no dólar. Esse movimento pode pressionar o câmbio mesmo quando fundamentos domésticos, como juros altos, ainda favorecem o real.
A alta desta segunda-feira é moderada, mas relevante por ocorrer em um momento de maior sensibilidade dos mercados. O comportamento do câmbio ao longo do dia dependerá da evolução do noticiário externo e da reação dos investidores aos indicadores econômicos no Brasil.
Tensão em Ormuz aumenta cautela global
O principal vetor de aversão ao risco vem do Estreito de Ormuz. O presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento do Irã, Ebrahim Azizi, afirmou que qualquer interferência americana no novo regime marítimo de Ormuz será considerada violação do cessar-fogo.
A declaração faz referência ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o chamado “Projeto Liberdade”, apresentado como uma iniciativa para ajudar na retirada de navios e tripulações da passagem marítima.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes para o comércio global de petróleo. Cerca de 20% do petróleo mundial trafega pela região, o que torna qualquer tensão militar ou diplomática um fator imediato de pressão sobre os preços da commodity.
Quando há risco de interrupção no fluxo de petróleo, o mercado tende a incorporar um prêmio geopolítico aos preços. Isso afeta não apenas os contratos de Brent e WTI, mas também moedas, bolsas, juros e expectativas de inflação.
Para o câmbio brasileiro, a tensão tem efeito duplo. A alta do petróleo pode beneficiar exportadoras e melhorar termos de troca, mas também aumenta o risco inflacionário e a busca global por ativos de proteção, o que favorece o dólar.
Política tarifária de Trump pressiona mercados
Além da tensão geopolítica, o mercado acompanha a política tarifária dos Estados Unidos. A ameaça de elevar tarifas sobre veículos europeus para até 25%, ante os atuais 15%, aumentou a preocupação com uma nova rodada de atritos comerciais.
O presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, classificou a ameaça como inaceitável e criticou o governo americano, definindo-o como parceiro pouco confiável.
A possibilidade de novas tarifas amplia o risco de desaceleração do comércio global. Medidas protecionistas podem elevar custos, reduzir margens de empresas, afetar cadeias produtivas e aumentar a volatilidade nos mercados.
Para moedas emergentes, esse tipo de tensão costuma ser negativo. Investidores globais tendem a buscar mercados mais líquidos e seguros quando há risco de disputa comercial entre grandes economias.
O dólar se beneficia desse movimento por seu papel como principal moeda de reserva internacional. Mesmo quando a origem da incerteza está nos Estados Unidos, a moeda americana costuma se valorizar em momentos de estresse global.
Bolsas internacionais operam sob pressão
O ambiente externo negativo também aparece no desempenho das bolsas. Mercados acionários nos Estados Unidos e na Europa operam em queda, refletindo a combinação entre risco geopolítico, petróleo mais caro e preocupação com tarifas.
A queda das bolsas reforça o comportamento defensivo dos investidores. Em dias de maior aversão ao risco, ativos de renda variável tendem a sofrer, enquanto o dólar e títulos considerados mais seguros ganham procura.
Esse movimento afeta diretamente países emergentes. Quando o apetite por risco diminui, investidores estrangeiros podem reduzir posições em ações, títulos e moedas de economias em desenvolvimento.
No Brasil, a bolsa e o câmbio reagem a esse fluxo. Uma saída de recursos estrangeiros pode pressionar o real e reduzir o suporte para ativos locais.
Ainda assim, o mercado brasileiro conta com um fator de sustentação: a Selic elevada. O juro doméstico em 14,50% ao ano mantém o real relativamente atrativo para investidores que buscam retorno em operações de renda fixa e carry trade.
Selic alta ainda sustenta o real
A Selic em 14,50% ao ano segue como um dos principais fatores de sustentação do real. O diferencial de juros entre Brasil e economias desenvolvidas favorece operações em que investidores internacionais buscam ganhos com o rendimento da moeda local.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que o dólar vinha acumulando perdas antes da abertura de maio. Juros altos atraem capital financeiro e aumentam o custo de apostar contra o real.
No entanto, o suporte da Selic não elimina a influência do cenário externo. Quando há tensão geopolítica, ameaça de guerra comercial ou forte busca por proteção, o dólar pode subir mesmo contra moedas de países com juros elevados.
A ata do Comitê de Política Monetária, prevista para terça-feira, 5 de maio, deve ajudar o mercado a calibrar expectativas sobre os próximos passos da política monetária. O documento será analisado em busca de sinais sobre o ritmo de cortes da Selic.
Na semana anterior, o Banco Central manteve tom conservador, em meio à inflação acima da meta e à necessidade de acompanhar novos dados antes de definir a extensão do ciclo de flexibilização.
Focus mostra IPCA mais alto em 2026
No Brasil, o Boletim Focus também entrou no radar do mercado. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,86% para 4,89%, permanecendo acima do teto da meta de inflação.
Para 2027, a estimativa foi mantida em 4,00%. Para 2028, houve alta de 3,61% para 3,64%.
A piora das expectativas de inflação reforça a cautela em relação à trajetória dos juros. Se o mercado passa a projetar inflação mais elevada, o Banco Central pode ter menos espaço para acelerar cortes na Selic.
Esse quadro influencia diretamente o câmbio. Juros mais altos por mais tempo tendem a sustentar o real. Por outro lado, inflação persistentemente elevada aumenta a percepção de risco e pode pressionar os juros futuros.
O mercado também acompanha o PMI desta segunda-feira, além da ata do Copom na terça. Esses dados ajudam a formar uma leitura mais ampla sobre atividade econômica, inflação e política monetária.
Galípolo participa de audiência no STF
Outro ponto da agenda doméstica é a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em audiência pública no Supremo Tribunal Federal às 15h30. O tema envolve arrecadação, fiscalização e eficiência da Comissão de Valores Mobiliários.
A presença de Galípolo será acompanhada pelo mercado em busca de eventuais comentários sobre regulação, sistema financeiro e cenário econômico. Embora a pauta não seja diretamente a política monetária, falas de autoridades do Banco Central costumam ser monitoradas por investidores.
Em um dia de câmbio pressionado, qualquer sinalização sobre inflação, juros ou estabilidade financeira pode influenciar a leitura dos agentes econômicos.
A CVM também tem papel relevante para o mercado de capitais, pois regula companhias abertas, fundos, ofertas públicas e demais participantes do mercado de valores mobiliários. Discussões sobre sua eficiência podem afetar a percepção de governança regulatória.
No entanto, o principal foco da semana para o câmbio seguirá sendo a ata do Copom, a evolução das expectativas no Focus e o comportamento do dólar no exterior.
Petróleo alto favorece Petrobras, mas pressiona inflação
A alta do petróleo tem impacto relevante sobre o Brasil. Como grande produtor de óleo, o país pode se beneficiar de preços internacionais mais elevados, especialmente por meio de empresas como Petrobras (PETR3; PETR4).
A valorização da commodity tende a sustentar ações de petroleiras e pode melhorar os termos de troca do país. Isso significa que o Brasil pode receber mais por parte de suas exportações, o que ajuda a entrada de dólares.
Ao mesmo tempo, petróleo mais caro pode pressionar a inflação. Combustíveis têm peso importante nos custos de transporte, logística e produção. Caso a alta internacional seja repassada ao mercado interno, o impacto pode chegar ao consumidor.
Esse equilíbrio torna a reação do câmbio mais complexa. O real pode se beneficiar do efeito positivo sobre exportações e termos de troca, mas também pode ser pressionado por preocupações inflacionárias e pelo aumento da aversão ao risco.
A Petrobras (PETR3; PETR4) fica no centro dessa leitura. O mercado acompanha o comportamento das ações da companhia, a política de preços de combustíveis e a eventual defasagem em relação aos preços internacionais.
Carry trade segue no radar dos investidores
O carry trade segue relevante para explicar a resistência do real. Com a Selic em 14,50% ao ano, o Brasil oferece retorno nominal elevado em comparação com economias desenvolvidas.
Investidores que operam essa estratégia observam três fatores principais: diferencial de juros, estabilidade do câmbio e percepção de risco. Quando o ambiente externo é favorável, o real tende a se beneficiar. Quando há choque geopolítico ou comercial, a estratégia perde atratividade.
Nesta segunda-feira, a tensão no Oriente Médio e a ameaça tarifária dos Estados Unidos aumentaram a percepção de risco global. Ainda assim, o juro brasileiro elevado limita uma desvalorização mais intensa do real.
A continuidade desse equilíbrio dependerá da sinalização do Banco Central. Se a ata do Copom indicar cortes mais lentos ou mais cautelosos, o carry trade pode continuar oferecendo suporte ao real.
Por outro lado, se a inflação continuar subindo nas projeções e o ambiente externo piorar, a moeda brasileira pode enfrentar pressão adicional, mesmo com juros elevados.
Dólar deve seguir sensível ao exterior
O dólar hoje sobe por uma combinação de fatores externos e domésticos. No exterior, pesam a tensão no Estreito de Ormuz, a alta do petróleo, a queda das bolsas e a ameaça de tarifas americanas sobre veículos europeus. No Brasil, o mercado acompanha Focus, PMI, ata do Copom e sinalizações do Banco Central.
A moeda americana deve seguir sensível ao noticiário geopolítico ao longo do dia. Qualquer nova declaração de Irã ou Estados Unidos sobre Ormuz pode alterar rapidamente o humor dos investidores.
O mesmo vale para a política comercial americana. Novas ameaças tarifárias ou reação da União Europeia podem ampliar a cautela global e fortalecer o dólar.
No mercado doméstico, a sustentação do real dependerá da combinação entre juros altos, fluxo estrangeiro e expectativa de inflação. O câmbio também será influenciado pelo desempenho das commodities e pela percepção de risco fiscal.
Depois de encerrar abril no menor nível desde março de 2024, o dólar começa maio em alta moderada, mas em ambiente mais instável. A direção da moeda nos próximos pregões dependerá da evolução do cenário externo e da leitura do mercado sobre os próximos passos da política monetária brasileira.








