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Renda recorde e desemprego baixo não impedem alta do endividamento das famílias

Mesmo com mercado de trabalho aquecido, 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril, em meio a juros altos, custo de vida elevado e dependência do crédito

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
08/05/2026 às 16h52 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h24
em Economia, Destaque, Notícias
Mesmo Com Mercado De Trabalho Aquecido, 80,9% Das Famílias Brasileiras Estavam Endividadas Em Abril, Em Meio A Juros Altos, Custo De Vida Elevado E Dependência Do Crédito - Gazeta Mercantil

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,9% em abril, o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mesmo em um cenário de desemprego baixo, renda média em alta e expansão da atividade econômica. O dado evidencia um descompasso entre a melhora recente do mercado de trabalho e a situação financeira das famílias, pressionadas por juros elevados, custo de vida persistente e dívidas acumuladas nos últimos anos.

A inadimplência também segue em patamar elevado. Segundo os dados citados no levantamento, 29,6% das famílias estavam com dívidas em atraso. O quadro ajuda a explicar a decisão do governo federal de lançar o Novo Desenrola Brasil, segunda etapa do programa de renegociação de dívidas, com expectativa de alcançar cerca de 20 milhões de pessoas e renegociar até R$ 58 bilhões em débitos antigos e recentes.

O contraste chama atenção porque os indicadores tradicionais de renda e emprego sugerem uma economia mais favorável ao consumidor. No trimestre encerrado em março, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, o menor patamar para o período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento médio mensal também avançou, superando R$ 3.722.

Apesar disso, a melhora da renda não se converteu em alívio financeiro amplo. Parte relevante do orçamento continua comprometida com alimentação, moradia, transporte, saúde, educação e pagamento de dívidas. Na prática, a renda adicional tem sido absorvida por despesas básicas e obrigações financeiras, limitando a capacidade de poupança e de reorganização das famílias.

Novo Desenrola mira dívida de até R$ 58 bilhões

O Novo Desenrola Brasil foi lançado pelo governo federal como tentativa de reduzir a pressão financeira sobre as famílias e aliviar o quadro de inadimplência. A segunda edição do programa pretende atingir cerca de 20 milhões de pessoas e renegociar até R$ 58 bilhões em dívidas.

A iniciativa ocorre depois de uma primeira fase do Desenrola, lançada em maio de 2023. Naquele momento, o programa renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas de 15 milhões de brasileiros, produzindo queda temporária da inadimplência.

O alívio, porém, não se sustentou. A combinação de juros altos, inflação em itens essenciais, crédito caro e orçamento apertado voltou a pressionar as famílias. O retorno da inadimplência a patamares elevados mostra que a renegociação, embora importante, não resolve sozinha a fragilidade financeira de longo prazo.

Para especialistas, programas de renegociação têm efeito mais consistente quando acompanhados de melhora do custo do crédito, aumento real da renda disponível e educação financeira. Sem essas condições, há risco de parte das famílias renegociar dívidas antigas, mas voltar a se endividar em pouco tempo.

Juros altos encarecem crédito e travam reorganização financeira

O atual nível de endividamento tem origem em um ciclo que começou durante e após a pandemia. Em outubro de 2020, a Selic chegou a 2% ao ano, o menor patamar histórico, em uma tentativa de estimular a economia diante da crise sanitária.

O crédito mais barato ajudou a sustentar consumo, mas também ampliou o endividamento. Com a reabertura da economia, entre 2021 e 2022, a inflação acelerou, obrigando o Banco Central a mudar a direção da política monetária e elevar os juros de forma agressiva.

A Selic chegou a 13,75% ao ano em agosto de 2022. Depois, houve um ciclo de cortes que levou a taxa para cerca de 10,50% ao ano em meados de 2024. A expectativa era que a redução dos juros ajudasse as famílias a reorganizar suas finanças.

Esse cenário mudou novamente com a piora das incertezas globais e a retomada de pressões inflacionárias. Ao longo de 2024 e, principalmente, de 2025, o Banco Central voltou a agir, levando a taxa básica de juros a 15% ao ano em junho de 2025, o maior nível desde 2006.

Mercado de trabalho forte não elimina peso das dívidas

A melhora do emprego e da renda não tem sido suficiente para reduzir a pressão financeira sobre as famílias. Segundo o economista Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, é possível haver mercado de trabalho aquecido e, ao mesmo tempo, famílias mais endividadas.

A explicação está na composição do orçamento. Muitas famílias ainda carregam dívidas acumuladas desde a pandemia, período em que o crédito foi usado para complementar renda, manter consumo e cobrir despesas emergenciais.

Dados do Banco Central citados no levantamento mostram que o comprometimento da renda das famílias com dívidas, especialmente bancárias, chegou a 29,3% em janeiro, o maior nível da série histórica. Isso significa que quase um terço da renda está direcionado ao pagamento de compromissos financeiros.

Quando há aumento de renda, o ganho tende a ser usado para despesas básicas ou pagamento de dívidas antigas. O resultado é que a melhora no salário não gera, necessariamente, folga no orçamento. Para boa parte das famílias, ela apenas reduz parcialmente a pressão.

Custo de vida consome renda adicional

O custo de vida elevado é um dos principais fatores que impedem a recuperação financeira das famílias. Embora a inflação geral tenha passado por momentos de desaceleração, itens essenciais continuaram pesando no orçamento.

Pesquisa Quaest citada no texto-base aponta que 71% dos brasileiros afirmam conseguir comprar menos do que há um ano. Apenas 11% dizem comprar mais, enquanto 17% não percebem diferença. A percepção de perda de poder de compra é especialmente forte porque os alimentos e gastos básicos têm alta frequência no orçamento.

Dados do IPCA mostram que, no início do Desenrola, em maio de 2023, a inflação dos alimentos acumulava alta de 5,54% em 12 meses. Depois, o índice acelerou e chegou a 7,81% em abril de 2025. No mesmo período, a inflação geral alcançou 5,53%, o maior nível desde janeiro de 2023.

A volatilidade dos alimentos básicos também contribuiu para a sensação de aperto. Arroz, feijão, leite, frutas, hortaliças e carnes registraram altas expressivas em diferentes momentos dos últimos anos. As carnes, por exemplo, acumularam alta de 21,17% em janeiro de 2025.

Gastos essenciais tomam mais espaço no orçamento

Em março, os gastos com itens essenciais consumiam 41,8% do orçamento das famílias, segundo dados do IBGE compilados pela Tendências Consultoria. A pressão vem principalmente de habitação, transportes, saúde, educação e alimentação.

Essa composição reduz a margem de manobra do consumidor. Quando quase metade da renda é consumida por gastos básicos, sobra menos dinheiro para lazer, poupança, consumo discricionário e pagamento acelerado de dívidas.

O problema é mais intenso entre famílias de menor renda, que destinam parcela maior do orçamento a alimentação e moradia. Nesses grupos, qualquer aumento de preços em itens básicos tem impacto imediato sobre o poder de compra.

Mesmo quando a renda nominal sobe, a melhora pode ser anulada pelo encarecimento de despesas obrigatórias. Por isso, indicadores positivos de emprego e salário não necessariamente se traduzem em sensação de prosperidade para a população.

Cartão de crédito lidera dívidas das famílias

O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida entre os consumidores endividados. Segundo a CNC, em março, ele aparecia como principal tipo de dívida para 84,9% dos consumidores nessa condição.

A predominância do cartão mostra como o crédito de curto prazo se tornou parte da rotina financeira das famílias. Parcelamentos, compras recorrentes e uso do limite para complementar orçamento ajudam a manter o consumo, mas também podem gerar acúmulo de compromissos.

O problema se agrava quando o consumidor olha apenas para o valor da parcela e não para o custo total da dívida. Essa dinâmica é comum em produtos financeiros de fácil acesso, especialmente no crédito digital e em compras parceladas.

Em um ambiente de juros elevados, o uso recorrente do cartão pode levar rapidamente à inadimplência. Quando a fatura não é paga integralmente, encargos e juros tornam a dívida mais difícil de administrar.

Educação financeira ganha peso no debate

Além das variáveis macroeconômicas, especialistas apontam o comportamento financeiro como parte relevante do problema. Para a economista Olívia Resende, especialista em finanças e economia comportamental, o chamado viés do presente ajuda a explicar por que o consumo segue forte mesmo com juros altos.

Segundo ela, muitas pessoas avaliam apenas se a parcela cabe no orçamento do mês, sem considerar a taxa de juros ou o custo total da dívida. Pequenas parcelas parecem inofensivas isoladamente, mas, somadas, comprometem parte relevante da renda.

A facilidade de acesso ao crédito digital, a influência do marketing, o consumo estimulado por redes sociais e decisões emocionais também contribuem para a persistência do endividamento. Em muitos casos, o crédito é usado sem planejamento ou sem entendimento claro das condições contratadas.

Pesquisa da Creditas em parceria com a Opinion Box aponta que 59% dos brasileiros começaram o ano sob pressão financeira. Desse total, 34% se declaravam preocupados, 14% em recuperação e 11% sob forte pressão. Apenas 39% afirmaram ter iniciado o ano com sensação de controle sobre as finanças.

Falta de disciplina e imprevisibilidade dificultam planejamento

A mesma pesquisa identificou obstáculos relevantes para o planejamento financeiro. A imprevisibilidade aparece como dificuldade para 32% dos entrevistados, seguida pela falta de disciplina financeira, com 27%, e pela limitação de renda, com 25%.

Esses dados indicam que o problema do endividamento não está ligado apenas ao nível de renda. Mesmo famílias com emprego e salário podem se endividar quando não há reserva de emergência, controle de gastos ou entendimento sobre o custo do crédito.

A ausência de planejamento torna o orçamento mais vulnerável a imprevistos, como despesas médicas, perda temporária de renda, manutenção da casa, problemas com transporte ou ajuda financeira a familiares. Sem poupança, a solução imediata costuma ser recorrer ao crédito.

Nesse contexto, a educação financeira é vista como ferramenta estrutural. Ela ajuda o consumidor a entender limites, comparar alternativas, priorizar dívidas caras e evitar novas contratações em condições desfavoráveis.

Normalização do endividamento preocupa especialistas

Outro ponto destacado por especialistas é a chamada normalização do endividamento. Quando grande parte da população está endividada, a dívida passa a ser percebida como parte comum da vida financeira, o que reduz o senso de urgência para resolver o problema.

Esse fenômeno ganhou força nas redes sociais, onde conteúdos sobre renegociação e redução de dívidas se popularizaram. Alguns materiais prometem atalhos para diminuir débitos bancários, inclusive com orientações para interromper pagamentos deliberadamente e recorrer à Lei do Superendividamento.

Especialistas alertam que essas estratégias não significam cancelamento automático das dívidas. A Lei do Superendividamento pode ajudar consumidores em situações específicas, mas exige critérios, negociação e análise da capacidade de pagamento.

A ideia de que a dívida pode ser simplesmente postergada ou renegociada indefinidamente cria riscos. Sem mudança de comportamento, a renegociação melhora o curto prazo, mas não impede que o consumidor volte a se endividar.

Renegociação alivia curto prazo, mas não resolve causa estrutural

O Novo Desenrola Brasil chega em um momento de pressão financeira elevada e pode oferecer alívio imediato para milhões de consumidores. A renegociação permite reduzir valor de parcelas, organizar débitos e retirar restrições que dificultam acesso ao crédito formal.

O efeito, porém, tende a ser limitado se não vier acompanhado de mudança estrutural. Juros altos, inflação de serviços e alimentos, crédito caro e renda comprometida continuam criando obstáculos para a recuperação plena das famílias.

Para que o endividamento recue de forma mais consistente, será necessário combinar melhora do ambiente macroeconômico, redução do custo do crédito, recomposição do poder de compra e educação financeira. Sem isso, programas de renegociação podem se tornar respostas recorrentes a um problema que se recompõe ao longo do tempo.

O desafio é transformar a melhora do emprego e da renda em folga financeira real. Enquanto a renda adicional for absorvida por dívidas antigas e despesas básicas, o consumidor continuará mais empregado e ganhando mais, mas ainda sem sair do vermelho.

Tags: Banco Centralcartão de créditoCNCcrédito caroDesempregoDesenrola BrasilEconomiaEducação financeiraendividamento das famíliasIBGEInadimplênciaNovo Desenrola Brasilrenda recordeSelic

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Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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