A agenda econômica da semana de 11 a 15 de maio será marcada por indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, além de dados de atividade na Europa. A combinação deve influenciar as apostas dos investidores sobre os próximos passos dos bancos centrais, em um ambiente global ainda sensível à trajetória dos juros.
No Brasil, o principal destaque será a divulgação do IPCA de abril, marcada para terça-feira, 12 de maio. O índice oficial de inflação do país será observado de perto pelo mercado em meio às discussões sobre a política monetária e sobre o espaço para novos ajustes na taxa Selic.
Antes do IPCA, a segunda-feira, 11 de maio, terá a divulgação do IGP-10 e do Boletim Focus. O relatório semanal do Banco Central atualiza as projeções de economistas para inflação, Selic, dólar e Produto Interno Bruto (PIB), funcionando como um termômetro das expectativas do mercado.
Na quarta-feira, 13 de maio, o fluxo cambial estrangeiro também entra no radar. O dado ajuda investidores a avaliar o comportamento da entrada e saída de recursos do país, especialmente em um momento de maior volatilidade externa.
IPCA será o principal indicador no Brasil
O IPCA de abril será o dado doméstico mais importante da semana. O indicador deve ajudar a calibrar as expectativas sobre a inflação corrente e sobre o comportamento dos preços nos próximos meses.
A leitura será acompanhada com atenção por investidores, economistas e agentes do mercado financeiro, porque qualquer surpresa para cima ou para baixo pode alterar as apostas para a condução da Selic.
Além do índice cheio, o mercado costuma observar a composição do IPCA, especialmente itens de serviços, alimentação, transportes e núcleos de inflação. Esses componentes ajudam a indicar se a pressão inflacionária está concentrada em poucos grupos ou disseminada pela economia.
O resultado também será comparado às projeções do Boletim Focus e às sinalizações recentes do Banco Central. Em um cenário de juros elevados, a inflação segue como variável central para definir o ritmo da política monetária.
Boletim Focus abre a semana
Na segunda-feira, o Boletim Focus deve mostrar se houve revisão nas expectativas para inflação, Selic, câmbio e crescimento econômico. O relatório reúne projeções de instituições financeiras e consultorias acompanhadas pelo Banco Central.
A evolução das estimativas para o IPCA será especialmente relevante, já que pode indicar se o mercado vê risco de inflação mais persistente. A projeção para a Selic também será monitorada, pois reflete a leitura dos analistas sobre a resposta necessária da autoridade monetária.
O IGP-10, também previsto para segunda-feira, completa o quadro doméstico. Embora tenha peso menor que o IPCA para a política monetária, o indicador ajuda a medir pressões de preços no atacado, na construção civil e em componentes que podem afetar contratos indexados.
Inflação americana pode mexer com apostas para o Fed
Nos Estados Unidos, a agenda será intensa e terá potencial para influenciar as expectativas em torno do Federal Reserve. O mercado acompanhará principalmente os indicadores de inflação ao consumidor e ao produtor, além de dados de emprego, varejo e indústria.
Na terça-feira, 12 de maio, o destaque será o núcleo do índice de preços ao consumidor, acompanhado pelo relatório ADP de criação de empregos e por discursos de dirigentes do Fed. O núcleo da inflação é observado porque exclui itens mais voláteis e oferece uma leitura mais clara da tendência dos preços.
Caso os dados mostrem inflação mais resistente, investidores podem reduzir as apostas em cortes de juros nos Estados Unidos. Por outro lado, uma desaceleração mais consistente pode reforçar a expectativa de flexibilização monetária.
Na quarta-feira, 13 de maio, será a vez do núcleo do índice de preços ao produtor. O indicador ajuda a medir pressões de custos na cadeia produtiva e pode antecipar tendências que chegam posteriormente ao consumidor.
Varejo, emprego e indústria completam agenda dos EUA
A quinta-feira, 14 de maio, será uma das sessões mais carregadas da semana nos Estados Unidos. Serão divulgados dados de vendas no varejo, preços de importação e exportação e pedidos contínuos de seguro-desemprego.
As vendas no varejo são importantes para medir a força do consumo, principal motor da economia americana. Um resultado acima do esperado pode indicar atividade ainda aquecida, enquanto uma desaceleração pode sugerir perda de fôlego das famílias.
Os pedidos de seguro-desemprego ajudam a avaliar o mercado de trabalho. O Fed acompanha de perto esse conjunto de dados porque a combinação entre emprego forte e inflação resistente tende a reduzir o espaço para cortes de juros.
Na sexta-feira, 15 de maio, a agenda americana será encerrada com indicadores industriais, incluindo o índice Empire State e a produção industrial. Esses números complementam a leitura sobre o ritmo da economia no segundo trimestre.
Europa terá PIB e produção industrial
Na Europa, os investidores acompanharão indicadores de atividade econômica. A zona do euro divulga, na quarta-feira, 13 de maio, dados de PIB e produção industrial. Os números devem ajudar a medir a intensidade da recuperação econômica do bloco.
A atividade europeia é acompanhada em meio ao debate sobre os próximos passos do Banco Central Europeu. Caso os dados mostrem fraqueza, a pressão por juros menores pode aumentar. Se a economia mostrar resiliência, o BCE pode manter postura mais cautelosa.
O índice ZEW de sentimento econômico, previsto para terça-feira, também será monitorado. O indicador mede a percepção de analistas e investidores sobre a economia, funcionando como uma leitura antecipada das expectativas para os próximos meses.
Na sexta-feira, 15 de maio, o relatório mensal do BCE completa a agenda do bloco. O documento pode trazer avaliações relevantes sobre inflação, atividade e política monetária na região.
Reino Unido divulga PIB e dados industriais
O Reino Unido terá uma semana relevante para os mercados. Na quinta-feira, 14 de maio, serão divulgados dados de PIB, produção industrial e balança comercial.
Esses indicadores devem ajudar a avaliar a força da economia britânica e o espaço para ajustes na política monetária do Banco da Inglaterra. Discursos de dirigentes do BoE também estarão no radar ao longo da semana.
A leitura do PIB será o principal dado britânico, porque mostra se a economia segue em expansão ou se enfrenta perda de dinamismo. Já a produção industrial e a balança comercial ajudam a compor um quadro mais amplo sobre a atividade.
China e Japão também entram no radar
Na Ásia, a agenda será mais enxuta, mas ainda relevante para investidores globais. A China divulga, na quinta-feira, 14 de maio, dados de novos empréstimos. O indicador é importante para medir a força do crédito e a eficácia de estímulos na segunda maior economia do mundo.
Um crescimento mais forte do crédito pode sugerir melhora da atividade e maior disposição de empresas e consumidores para tomar recursos. Já uma leitura fraca pode reforçar preocupações com a desaceleração chinesa.
No Japão, os dados de gastos domésticos e transações correntes ajudam a avaliar a dinâmica da demanda interna e do setor externo. Os números serão acompanhados em meio às discussões sobre inflação, câmbio e política monetária japonesa.
Confira a agenda de indicadores da semana
Brasil
Segunda-feira, 11 de maio
08h00 — IGP-10 mensal
08h25 — Boletim Focus
Terça-feira, 12 de maio
09h00 — IPCA
Quarta-feira, 13 de maio
14h30 — Fluxo cambial estrangeiro
Estados Unidos
Segunda-feira, 11 de maio
11h00 — Vendas de casas usadas
Terça-feira, 12 de maio
04h15 — Discurso de John Williams, do Federal Reserve
09h15 — Relatório ADP de criação de empregos
09h30 — Núcleo do índice de preços ao consumidor
17h30 — Estoques de petróleo, API
Quarta-feira, 13 de maio
07h00 — Relatório mensal da Opep
09h30 — Núcleo do índice de preços ao produtor
11h30 — Estoques de petróleo em Cushing
14h15 — Discurso de Neel Kashkari, do Federal Reserve
Quinta-feira, 14 de maio
09h30 — Vendas no varejo
09h30 — Preços de exportação e importação
09h30 — Pedidos contínuos de seguro-desemprego
18h30 — Discurso de Michael Barr, do Federal Reserve
18h45 — Discurso de John Williams, do Federal Reserve
Sexta-feira, 15 de maio
09h30 — Índice Empire State
10h15 — Produção industrial
Reino Unido
Segunda-feira, 11 de maio
20h01 — Vendas no varejo
Terça-feira, 12 de maio
14h30 — Discurso de Sam Woods, do Banco da Inglaterra
Quarta-feira, 13 de maio
11h00 — Discurso de Catherine Mann, do Banco da Inglaterra
14h00 — Discurso de Catherine Mann, do Banco da Inglaterra
Quinta-feira, 14 de maio
03h00 — Produção industrial
03h00 — PIB
03h00 — Balança comercial
08h00 — Monitor do PIB
12h15 — Discurso de Huw Pill, do Banco da Inglaterra
União Europeia
Terça-feira, 12 de maio
06h00 — Índice ZEW de sentimento econômico
Quarta-feira, 13 de maio
06h00 — PIB da zona do euro
06h00 — Produção industrial
Sexta-feira, 15 de maio
05h00 — Relatório mensal do Banco Central Europeu
China
Quinta-feira, 14 de maio
06h00 — Novos empréstimos
Japão
Segunda-feira, 11 de maio
20h30 — Gastos domésticos
Terça-feira, 12 de maio
20h50 — Transações correntes








