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BNDES tem lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre, alta de 17%

Banco de fomento alcança R$ 15,6 bilhões de lucro recorrente em 12 meses, com carteira de crédito no maior patamar desde 2016 e avanço nos desembolsos

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
12/05/2026 às 18h36 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h09
em Economia, Destaque, Notícias
Bndes - Gazeta Mercantil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, o resultado recorrente atingiu R$ 15,6 bilhões, novo recorde para a instituição, segundo dados divulgados pelo banco. O desempenho foi acompanhado por expansão da carteira de crédito, aumento das aprovações e avanço dos desembolsos, reforçando a retomada do papel do BNDES no financiamento de projetos produtivos, infraestrutura, indústria, agropecuária e micro, pequenas e médias empresas.

De acordo com o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do BNDES, Alexandre Abreu, o banco já havia encerrado 2025 com resultado recorde, de R$ 15,2 bilhões em lucro recorrente. No primeiro trimestre deste ano, esse patamar foi novamente superado, com R$ 15,6 bilhões em 12 meses.

Os ativos totais do BNDES somaram R$ 995 bilhões no fim do primeiro trimestre, o maior valor nominal da história da instituição. A carteira de crédito alcançou R$ 678,2 bilhões, crescimento de 14% em relação a 2025 e maior nível desde 2016. O patrimônio líquido chegou a R$ 192 bilhões.

O resultado mostra uma combinação de rentabilidade, expansão operacional e baixo nível de inadimplência. Para o governo federal, o desempenho do BNDES é um indicador relevante da capacidade do banco de apoiar investimentos de longo prazo em um momento de demanda por crédito, projetos de infraestrutura e reindustrialização.

Carteira de crédito chega ao maior nível desde 2016

A carteira de crédito do BNDES atingiu R$ 678,2 bilhões no primeiro trimestre, maior patamar desde 2016. O avanço de 14% em relação ao ano anterior indica aceleração da atividade do banco em financiamentos de longo prazo.

A expansão da carteira é relevante porque o BNDES ocupa papel central em segmentos nos quais o crédito privado nem sempre oferece prazos compatíveis com os ciclos de investimento. Infraestrutura, indústria, inovação, agropecuária e exportações dependem de financiamentos de maior duração, com desembolsos escalonados e condições adequadas ao retorno dos projetos.

O crescimento da carteira também reflete maior demanda empresarial. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o banco vem registrando aumento consistente nas consultas, o que estaria relacionado à percepção dos empresários sobre as entregas da instituição.

“Se olharmos o histórico, o BNDES vem em uma trajetória de crescimento muito forte e muito consistente. Estou falando de um crescimento com qualidade. Crescemos fortemente nas consultas e isso tem a ver com a percepção dos empresários sobre as entregas do BNDES. Cada vez temos mais projetos chegando”, afirmou Mercadante.

Aprovações sobem 37% e desembolsos avançam 44%

O resultado operacional também mostrou crescimento no primeiro trimestre. As aprovações de crédito somaram R$ 45,7 bilhões, alta de 37% em relação ao mesmo período de 2025. Os desembolsos chegaram a R$ 36,2 bilhões, avanço de 44% na mesma comparação.

Aprovações e desembolsos são indicadores distintos, mas complementares. As aprovações mostram o volume de projetos autorizados pelo banco. Os desembolsos indicam os recursos efetivamente liberados aos tomadores de crédito. Quando ambos crescem, o sinal é de expansão mais ampla da atividade operacional.

O aumento dos desembolsos tem efeito direto sobre investimento. Recursos liberados pelo BNDES financiam obras, máquinas, equipamentos, modernização industrial, projetos de infraestrutura, inovação, expansão produtiva e capital de giro associado a planos de crescimento.

Para a economia, o avanço do crédito de longo prazo pode ajudar a sustentar a formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção. O desempenho do banco, portanto, tem relevância além do balanço da instituição.

Infraestrutura, agropecuária e indústria puxam crescimento

Os dados do BNDES mostram crescimento expressivo nas aprovações de crédito para setores estratégicos. Em infraestrutura, as aprovações alcançaram R$ 13,4 bilhões, alta de 51% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

O setor de infraestrutura costuma concentrar projetos de grande porte, com longo prazo de maturação e impacto econômico relevante. Rodovias, ferrovias, energia, saneamento, logística, mobilidade urbana e concessões dependem de financiamento estruturado, muitas vezes com participação de bancos públicos, mercado de capitais e investidores privados.

Na agropecuária, as aprovações somaram R$ 9,1 bilhões, crescimento de 40%. O avanço ocorre em um setor que segue relevante para exportações, emprego, geração de renda no interior e demanda por máquinas, tecnologia, armazenagem e infraestrutura logística.

A indústria teve alta ainda mais forte: 67%, para R$ 8 bilhões em aprovações. O dado se conecta à agenda de reindustrialização defendida pelo governo federal e à tentativa de ampliar investimentos em inovação, produtividade, transformação digital e cadeias produtivas consideradas estratégicas.

Crédito para MPMEs cresce 120%

Um dos principais destaques do balanço foi a expansão das aprovações para micro, pequenas e médias empresas. O volume chegou a R$ 29 bilhões no primeiro trimestre, alta de 120% em relação ao mesmo período de 2025.

O avanço é relevante porque MPMEs representam parcela expressiva do emprego formal e da atividade econômica no país. Essas empresas, porém, costumam enfrentar maior dificuldade de acesso a crédito, especialmente em períodos de juros elevados ou maior seletividade bancária.

O BNDES atua nesse segmento principalmente por meio de agentes financeiros, como bancos comerciais, cooperativas de crédito e instituições parceiras. Esse modelo permite capilaridade, mas depende de garantias, linhas adequadas e apetite das instituições repassadoras.

As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros chegaram a R$ 20,8 bilhões. Esse instrumento reduz o risco para bancos que concedem crédito a empresas menores e pode facilitar a aprovação de financiamentos.

Para o BNDES, a expansão das operações com MPMEs também diversifica a atuação da instituição. Historicamente associado a grandes projetos e grandes empresas, o banco busca ampliar presença em negócios de menor porte, com impacto mais pulverizado sobre emprego, renda e atividade regional.

Inadimplência permanece abaixo do sistema financeiro

A inadimplência acima de 90 dias no BNDES foi de 0,046% no primeiro trimestre. O índice é significativamente inferior ao observado no Sistema Financeiro Nacional, que está em 4,33% no geral e em 0,60% para grandes empresas, segundo os dados citados pelo banco.

A baixa inadimplência é um ponto central para avaliar a qualidade da expansão da carteira. Crescimento de crédito sem deterioração relevante dos atrasos indica que o banco manteve critérios de concessão e acompanhamento de risco.

No caso do BNDES, a inadimplência historicamente tende a ser menor do que a média do sistema financeiro porque a carteira é composta por operações estruturadas, projetos de longo prazo, garantias robustas e tomadores com acompanhamento técnico. Ainda assim, o indicador precisa ser observado à medida que a carteira cresce.

A manutenção de baixa inadimplência também protege o resultado financeiro. Menores perdas esperadas reduzem necessidade de provisões e ajudam a preservar lucro, patrimônio e capacidade futura de concessão de crédito.

Lucro reforça capacidade de financiamento do banco

O lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no trimestre reforça a capacidade do BNDES de sustentar sua atividade de financiamento sem comprometer a solidez patrimonial. O resultado recorrente exclui efeitos extraordinários e permite leitura mais clara sobre a operação principal da instituição.

No acumulado de 12 meses, o lucro recorrente de R$ 15,6 bilhões mostra que o banco manteve rentabilidade elevada enquanto expandia carteira, aprovações e desembolsos. Esse equilíbrio é importante porque o BNDES precisa atender a objetivos públicos de desenvolvimento sem abrir mão de sustentabilidade financeira.

O patrimônio líquido de R$ 192 bilhões também funciona como base de capital para sustentar operações futuras. Quanto maior a solidez patrimonial, maior a capacidade de o banco participar de projetos de grande porte, estruturar garantias e apoiar investimentos de longo prazo.

O desempenho ainda pode ter reflexo fiscal indireto. Bancos públicos com lucro podem distribuir dividendos à União, sua controladora, embora a política de distribuição dependa de decisões internas, exigências regulatórias, estratégia de capital e necessidade de reinvestimento.

BNDES amplia papel em meio à demanda por investimento

O crescimento do BNDES ocorre em um momento de maior demanda por investimento no país. O Brasil enfrenta gargalos em infraestrutura, necessidade de expansão energética, modernização industrial, adaptação tecnológica, aumento de produtividade e financiamento à transição para uma economia de menor carbono.

Nesse contexto, o banco de fomento tenta se posicionar como agente de estruturação de projetos e mobilização de capital. Além do crédito direto, o BNDES atua com garantias, fundos, mercado de capitais e apoio a parcerias entre setor público e iniciativa privada.

A expansão das aprovações em infraestrutura, agropecuária, indústria e MPMEs indica que o banco busca combinar projetos de grande escala com operações mais pulverizadas. Essa estratégia pode ampliar o alcance econômico dos financiamentos e reduzir concentração em poucos tomadores.

O desafio será manter crescimento com qualidade, como afirmou Mercadante. O aumento da carteira exige disciplina na análise de risco, acompanhamento de projetos e equilíbrio entre retorno financeiro e impacto econômico.

Resultado aumenta peso do banco na agenda econômica

O resultado do primeiro trimestre fortalece o BNDES no debate sobre política econômica e desenvolvimento. Com lucro recorde em 12 meses, ativos próximos de R$ 1 trilhão e maior carteira de crédito desde 2016, o banco volta a ocupar papel de destaque no financiamento produtivo.

A instituição, porém, também seguirá sob escrutínio. O histórico do BNDES no financiamento a grandes grupos empresariais e setores específicos ainda alimenta debates sobre transparência, subsídios, seletividade de crédito e retorno social dos projetos apoiados.

Nos números mais recentes, o banco tenta reforçar a narrativa de expansão com qualidade: maior volume de crédito, inadimplência baixa, crescimento nas aprovações para MPMEs e avanço em setores com impacto sobre investimento.

Para empresas, a ampliação das linhas pode representar acesso a funding mais adequado para projetos de longo prazo. Para o governo, o desempenho reforça a capacidade do BNDES de apoiar agendas como infraestrutura, reindustrialização, exportações, inovação e transição energética.

Com lucro recorrente em alta e operação em expansão, o banco entra em 2026 com maior protagonismo na economia. A continuidade desse movimento dependerá da demanda por projetos, do ambiente de juros, da qualidade da carteira e da capacidade de manter inadimplência baixa enquanto amplia desembolsos.

Tags: AgropecuáriaAlexandre AbreuAloizio Mercadantebanco de fomentoBNDEScréditodesembolsosEconomiafinanciamentoIndústriaInfraestruturalucro do BNDESMPMEs

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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