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Durigan vê risco de novas tarifas dos EUA contra produtos brasileiros e defende Pix

Ministro da Fazenda afirma que governo tenta evitar medidas unilaterais de Washington e proteger empresas brasileiras com atuação no mercado norte-americano.

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
01/06/2026 às 18h16
em Economia, Destaque, Notícias
Ministro Da Fazenda, Dario Durigan 31 De Março De 2026. Reuters/Adriano Machado/Foto De Arquivo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o governo brasileiro vê risco de uma nova rodada de tarifas dos EUA contra produtos do Brasil, em meio a investigações abertas por Washington com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Em entrevista ao SBT News, Durigan disse que o Brasil tem apresentado argumentos técnicos às autoridades dos Estados Unidos para tentar evitar medidas unilaterais, especialmente em temas como Pix, desmatamento e eventuais práticas comerciais consideradas prejudiciais por Washington.

A fala do ministro ocorre em um momento de tensão diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro tenta conter o avanço de medidas que possam atingir empresas exportadoras, setores produtivos e cadeias com forte presença no comércio bilateral. A principal preocupação é que novas tarifas dos EUA sejam adotadas sem considerar as informações repassadas pelas autoridades brasileiras nas conversas recentes com representantes norte-americanos.

Segundo Durigan, o governo tem preocupação com eventuais tarifas impostas de maneira unilateral. O ministro afirmou que o Brasil levou “bons argumentos” aos Estados Unidos e defendeu que esses elementos sejam considerados antes de qualquer decisão. A avaliação da Fazenda é que uma resposta tarifária poderia afetar empresas brasileiras que mantêm relações comerciais regulares com o mercado norte-americano.

O ministro também rejeitou a tese de que o Pix tenha sido criado para prejudicar empresas estrangeiras. De acordo com Durigan, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ampliou o volume de transações no país e beneficiou inclusive companhias norte-americanas que atuam no Brasil.

Governo tenta evitar nova rodada de tarifas dos EUA

A investigação norte-americana baseada na Seção 301 é o principal ponto de atenção da equipe econômica brasileira. Esse instrumento permite ao governo dos Estados Unidos avaliar práticas comerciais de outros países consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses norte-americanos.

No caso brasileiro, as apurações envolvem temas sensíveis. Entre eles estão o funcionamento do Pix, políticas ambientais associadas ao desmatamento e outros pontos da relação comercial entre os dois países. A depender da conclusão do processo, Washington pode aplicar sanções ou tarifas contra produtos brasileiros.

Durigan afirmou que o governo brasileiro tem buscado demonstrar que não há fundamento para medidas punitivas. A estratégia da Fazenda é sustentar uma argumentação técnica, baseada em dados sobre o funcionamento do Pix, os efeitos do sistema sobre o mercado e a relação comercial entre empresas dos dois países.

A preocupação central é evitar que a investigação seja usada como justificativa para novas tarifas dos EUA em um ambiente já marcado por pressões políticas. Para o governo Lula, uma decisão tarifária poderia gerar impacto direto sobre setores produtivos, exportadores e empresas com operações integradas ao mercado norte-americano.

A equipe econômica também avalia que medidas unilaterais poderiam elevar incertezas para investidores e gerar ruído adicional nas relações bilaterais. O Brasil tenta preservar canais de negociação para reduzir o risco de escalada comercial.

Pix entra no centro da disputa comercial com Washington

Um dos pontos mais sensíveis da investigação é o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central, tornou-se uma das principais infraestruturas financeiras do Brasil, com uso massivo por consumidores, empresas, bancos, fintechs e plataformas digitais.

Durigan afirmou que o Pix não foi pensado para reduzir a presença de empresas norte-americanas na economia brasileira. Segundo o ministro, companhias dos Estados Unidos que atuam no país também se beneficiaram do aumento das transações gerado pelo sistema.

A argumentação brasileira é que o Pix ampliou o mercado de pagamentos, reduziu custos de transação e aumentou a inclusão financeira. Na visão do governo, esses efeitos não configuram prática discriminatória contra empresas estrangeiras, mas uma modernização da infraestrutura financeira nacional.

O tema, porém, passou a ser observado com atenção por autoridades norte-americanas porque o avanço de sistemas públicos ou regulados de pagamento pode afetar modelos de negócio de empresas privadas globais do setor financeiro e de tecnologia.

Para o Brasil, o risco é que a discussão técnica sobre meios de pagamento seja incorporada a uma disputa comercial mais ampla. A Fazenda tenta mostrar que o Pix não substitui a atuação de empresas estrangeiras, mas aumenta o volume total de operações e cria novas oportunidades de integração com serviços financeiros.

Empresas brasileiras podem ser atingidas por disputa política

Durigan afirmou que a prioridade do governo é proteger empresas brasileiras com relações comerciais com os Estados Unidos. Segundo o ministro, esses empresários não podem ser prejudicados por uma disputa de natureza política.

A declaração ocorre em um contexto de maior pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Washington e de aproximações políticas entre setores da direita brasileira e autoridades norte-americanas. O governo brasileiro avalia que temas comerciais não devem ser contaminados por disputas partidárias ou por articulações externas de natureza política.

A preocupação é que setores produtivos acabem pagando o custo de uma deterioração institucional entre os dois países. Tarifas dos EUA poderiam atingir exportadores brasileiros, encarecer produtos nacionais no mercado norte-americano e reduzir competitividade em segmentos específicos.

Mesmo quando aplicadas de forma seletiva, tarifas comerciais tendem a gerar efeitos em cadeia. Empresas exportadoras podem perder margem, rever contratos, adiar investimentos ou buscar mercados alternativos. Em alguns casos, o impacto também pode chegar a fornecedores, transportadores, tradings e indústrias ligadas às cadeias afetadas.

Para o governo, esse risco justifica a manutenção de diálogo técnico com os Estados Unidos. A Fazenda tenta separar a discussão comercial de embates políticos e preservar a previsibilidade para empresas que dependem da relação bilateral.

Seção 301 amplia pressão sobre relação Brasil-EUA

A Seção 301 é um instrumento historicamente usado pelos Estados Unidos em disputas comerciais. Ela permite ao governo norte-americano investigar práticas de outros países e, se considerar necessário, impor medidas de retaliação.

No caso brasileiro, o uso desse mecanismo aumenta a pressão porque dá base jurídica para eventuais tarifas dos EUA. Diferentemente de medidas políticas de curto prazo, sanções baseadas em investigação formal podem ser mais difíceis de reverter e tendem a exigir negociação técnica prolongada.

O Brasil tenta demonstrar que suas políticas públicas, incluindo o Pix, não configuram barreiras injustas ao comércio. A defesa brasileira também passa por apresentar dados ambientais, regulatórios e econômicos capazes de contestar interpretações desfavoráveis.

A equipe econômica avalia que o país precisa agir com firmeza, mas sem romper os canais diplomáticos. A relação comercial com os Estados Unidos é relevante para setores industriais, agrícolas e de serviços. Uma escalada tarifária poderia gerar custos econômicos e políticos para os dois lados.

Durigan indicou que o governo seguirá levando informações aos norte-americanos. A fala sinaliza que a Fazenda pretende manter uma postura de negociação, mas sem aceitar automaticamente pressões externas que possam afetar interesses nacionais.

Comércio bilateral fica mais sensível a ruídos diplomáticos

A possibilidade de novas tarifas dos EUA ocorre em um ambiente internacional marcado por maior uso de instrumentos protecionistas. Nos últimos anos, grandes economias passaram a recorrer com mais frequência a sanções, tarifas e restrições comerciais como ferramentas de política econômica e geopolítica.

Para o Brasil, esse cenário exige atenção especial. O país busca ampliar exportações, atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas em setores estratégicos. Qualquer aumento de barreiras no mercado norte-americano pode afetar planos de empresas que dependem de previsibilidade regulatória e acesso estável a compradores externos.

O risco também alcança a percepção de investidores. Disputas comerciais podem elevar incertezas sobre receitas futuras, margens e contratos de empresas expostas ao comércio exterior. Em setores mais sensíveis a preço, tarifas adicionais podem reduzir a competitividade de produtos brasileiros diante de concorrentes de outros países.

Além do efeito econômico direto, há impacto institucional. Uma investigação baseada na Seção 301 coloca o Brasil em posição defensiva e exige resposta coordenada entre Fazenda, Itamaraty, Banco Central e demais órgãos envolvidos na formulação de políticas públicas.

O governo tenta evitar que o caso se transforme em uma disputa prolongada. Para isso, aposta na apresentação de argumentos técnicos e na defesa de que medidas brasileiras, como o Pix, não têm caráter discriminatório.

Fazenda defende sistema de pagamentos brasileiro

A defesa do Pix tornou-se um ponto central da resposta brasileira. O sistema é considerado uma das principais inovações financeiras do país nos últimos anos e foi incorporado rapidamente pela população.

Para consumidores, o Pix reduziu o custo de transferências e pagamentos. Para empresas, ampliou a velocidade de recebimento, reduziu dependência de instrumentos mais caros e facilitou operações de baixo valor. Para o sistema financeiro, criou uma infraestrutura de liquidação instantânea que passou a competir com outros meios de pagamento.

Durigan afirmou que empresas norte-americanas também relataram benefícios decorrentes do aumento de transações no Brasil. Esse argumento é usado pelo governo para contestar a ideia de que o Pix teria sido desenhado para prejudicar companhias estrangeiras.

A posição brasileira é que o sistema aumentou o tamanho do mercado, em vez de simplesmente deslocar empresas privadas. Essa distinção é importante porque pode influenciar a interpretação norte-americana sobre eventual prática comercial desleal.

A Fazenda deve continuar sustentando que o Pix é uma política pública de modernização financeira, não uma barreira comercial. O Banco Central também tende a ser peça relevante na explicação técnica sobre governança, funcionamento e efeitos econômicos do sistema.

Risco tarifário mantém empresas brasileiras em alerta

A fala de Durigan reforça o estado de atenção entre empresas brasileiras com exposição ao mercado dos Estados Unidos. Embora ainda não haja definição sobre novas tarifas dos EUA, a possibilidade de medidas unilaterais já eleva a cautela em setores que dependem de exportações, contratos internacionais ou cadeias produtivas integradas.

O impacto potencial dependerá dos produtos atingidos, da alíquota aplicada e do prazo de vigência das medidas. Tarifas mais amplas poderiam afetar diferentes segmentos da economia. Medidas mais específicas tenderiam a concentrar efeitos em setores determinados, mas ainda assim poderiam gerar reação de mercado e pressão política.

Para o governo brasileiro, o desafio será preservar o diálogo com Washington e, ao mesmo tempo, defender empresas nacionais de sanções consideradas injustificadas. A discussão envolve comércio, tecnologia financeira, meio ambiente e política externa, o que amplia a complexidade da negociação.

Durigan deixou claro que o governo pretende seguir apresentando argumentos às autoridades norte-americanas. O desfecho da investigação será acompanhado por exportadores, investidores e setores produtivos que podem ser diretamente afetados caso a disputa avance para uma nova rodada de tarifas.

Tags: Banco Centralcomércio exteriorDario DuriganEconomiaempresas brasileirasEstados Unidosexportaçõesgoverno LulaMinistério da FazendaPIXSeção 301tarifas dos EUA

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