A Bolsa da Coreia do Sul, dona do melhor desempenho entre os principais mercados acionários do mundo em 2026, ainda pode subir mais de 35% nos próximos 12 meses, segundo projeção do Goldman Sachs. O banco de investimentos elevou sua meta para o Kospi, principal índice acionário sul-coreano, apoiado na expectativa de crescimento dos lucros corporativos impulsionado pela inteligência artificial e pela demanda global por semicondutores avançados.
O otimismo ocorre após uma valorização expressiva do mercado local. Em dólares, o Kospi acumula ganho de aproximadamente 98,3% no ano, consolidando-se como o índice mais rentável entre os grandes mercados globais.
Para o Goldman Sachs, a Coreia do Sul deve permanecer entre os principais beneficiários do ciclo de investimentos em inteligência artificial, data centers, chips de memória e infraestrutura tecnológica. O país abriga empresas estratégicas da cadeia global de semicondutores, como Samsung Electronics e SK Hynix, que estão no centro da demanda por hardware usado em aplicações de IA.
Inteligência artificial sustenta nova projeção para o Kospi
O principal argumento do Goldman Sachs para elevar sua projeção para a Bolsa sul-coreana é a expectativa de crescimento dos lucros das empresas. O banco avalia que a expansão da inteligência artificial continuará impulsionando a demanda por semicondutores, especialmente chips de memória de alta performance.
Esse movimento favorece diretamente companhias do norte da Ásia, região que concentra parte relevante da produção global de componentes eletrônicos, semicondutores e equipamentos ligados à infraestrutura de IA.
A Coreia do Sul ocupa posição estratégica nesse mercado. Samsung Electronics e SK Hynix são fornecedoras globais de chips de memória e vêm sendo beneficiadas pela demanda crescente de empresas de tecnologia, computação em nuvem e data centers.
Segundo o Goldman Sachs, esse ciclo pode continuar sustentando os lucros do setor de hardware tecnológico até 2028 e além, o que reforça a visão positiva para o Kospi.
Mercado sul-coreano lidera ganhos globais em 2026
A forte valorização do Kospi em 2026 colocou a Bolsa da Coreia do Sul no topo do ranking entre os principais mercados acionários globais. O avanço de quase 100% em dólares mostra a intensidade do fluxo de investidores em busca de exposição ao tema da inteligência artificial.
O desempenho também reflete a percepção de que os lucros das empresas sul-coreanas podem crescer acima da média global. Em um ambiente de disputa por ativos ligados à IA, mercados com empresas líderes em semicondutores passaram a receber prêmio adicional.
A valorização em dólares é particularmente relevante porque mostra ganho não apenas em moeda local, mas também para investidores estrangeiros. Esse fator tende a atrair mais fluxo internacional, especialmente de fundos globais que buscam exposição a tecnologia fora dos Estados Unidos.
Ainda assim, o forte desempenho recente também aumenta o grau de exigência. Depois de uma alta tão expressiva, qualquer sinal de desaceleração nos lucros, queda na demanda por chips ou correção em ações de tecnologia pode provocar volatilidade.
Goldman também melhora visão para Taiwan
Além da Coreia do Sul, o Goldman Sachs revisou para cima sua visão sobre Taiwan. O banco avalia que os mercados do norte da Ásia apresentam o cenário mais favorável para crescimento de resultados corporativos.
Taiwan também é peça central na cadeia global de semicondutores, especialmente por causa da TSMC, uma das maiores fabricantes de chips do mundo. A empresa tem papel estratégico no fornecimento de semicondutores avançados para companhias de inteligência artificial, smartphones, computadores, servidores e data centers.
A leitura do Goldman Sachs é que Coreia do Sul e Taiwan seguem bem posicionadas para capturar o ciclo de investimento em IA. Enquanto empresas sul-coreanas se destacam em chips de memória, Taiwan concentra liderança em fabricação avançada de semicondutores.
Essa combinação transforma a região em um dos principais polos globais de infraestrutura tecnológica.
Samsung, SK Hynix e TSMC lideram ciclo de chips
Entre as companhias que lideram esse movimento estão Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC. As três empresas estão diretamente ligadas ao avanço da inteligência artificial, ainda que ocupem posições diferentes na cadeia produtiva.
Samsung e SK Hynix têm forte presença no mercado de memória, segmento essencial para servidores de IA e data centers. A demanda por chips de alta largura de banda, usados em sistemas avançados de processamento, tem impulsionado expectativas de crescimento para essas companhias.
A TSMC, por sua vez, é referência global em fabricação de semicondutores avançados. A empresa produz chips para grandes companhias de tecnologia e se tornou peça crítica na cadeia de IA.
Para investidores, essas empresas funcionam como termômetros do apetite global por inteligência artificial. Quando a demanda por infraestrutura de IA cresce, os papéis tendem a atrair fluxo. Quando há dúvidas sobre excesso de investimento ou margens, a volatilidade aumenta.
Concentração dos ganhos aumenta risco de correção
Apesar da visão positiva, o Goldman Sachs alerta que o forte desempenho recente elevou a concentração dos ganhos em um grupo reduzido de grandes empresas. Esse é um ponto de atenção para investidores.
Quando a alta de um índice depende de poucas ações, o mercado fica mais vulnerável a correções pontuais. Uma queda em empresas líderes de tecnologia pode ter impacto desproporcional sobre o índice inteiro.
Esse risco não elimina a tese positiva, mas torna o cenário mais sensível. O Kospi pode continuar subindo se os lucros corporativos confirmarem as expectativas, mas também pode enfrentar períodos de realização depois de uma valorização tão intensa.
A concentração em empresas de semicondutores também deixa o mercado sul-coreano mais dependente do ciclo global de tecnologia. Mudanças em demanda, estoques, preços de memória ou investimentos em data centers podem alterar rapidamente a percepção dos investidores.
IA transforma bolsas asiáticas em foco de investidores globais
A projeção do Goldman Sachs reforça a importância da inteligência artificial na reorganização dos fluxos globais de investimento. Depois de impulsionar grandes empresas de tecnologia em Wall Street, o tema passou a favorecer também mercados asiáticos com exposição direta à cadeia de chips.
A Coreia do Sul se tornou um dos principais destinos desse capital por reunir empresas líderes, liquidez relevante e exposição ao crescimento dos lucros do setor tecnológico.
Para investidores brasileiros, o movimento ajuda a explicar por que os mercados globais seguem concentrando atenção em tecnologia, mesmo em um ambiente de juros elevados e maior seletividade. A IA passou a ser vista como vetor estrutural de crescimento, capaz de sustentar lucros por vários anos.
O ponto decisivo será a entrega de resultados. Se Samsung, SK Hynix, TSMC e outras empresas da cadeia continuarem mostrando expansão de lucros, o ciclo pode se prolongar. Se houver frustração, a correção pode ser forte, justamente pela alta acumulada.
Bolsa da Coreia ainda tem espaço, mas risco aumentou
A visão do Goldman Sachs para a Coreia do Sul permanece construtiva. O banco vê espaço para valorização adicional superior a 35% no Kospi nos próximos 12 meses, sustentada pela expansão dos lucros corporativos e pelo ciclo global da inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, o próprio desempenho excepcional do índice em 2026 exige cautela. A alta de quase 100% em dólares elevou expectativas e deixou o mercado mais dependente da continuidade da demanda por semicondutores.
A Coreia do Sul segue no centro da corrida por IA, mas a próxima etapa dependerá menos de entusiasmo e mais de resultados. Para o Goldman Sachs, os fundamentos ainda justificam otimismo. Para os investidores, o desafio será equilibrar exposição ao crescimento tecnológico com atenção ao risco de correções em um mercado que já subiu muito.









