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Small caps: Santander recomenda 11 ações para junho; veja lista e potencial de alta

Carteira mantém composição anterior, aposta em crescimento setorial e projeta valorização de até 115% em 2026

por Camila Braga - Repórter de Economia
04/06/2026 às 10h25
em Ibovespa, Destaque, Mercados, Notícias
Small Caps - Gazeta Mercantil
São Paulo — O Santander divulgou nesta semana a carteira recomendada de small caps para o mês de junho de 2026, mantendo a mesma composição de 11 ações adotada no mês anterior. A seleção reúne empresas de pequeno e médio porte listadas na B3, com atuação em setores variados como agronegócio, energia, construção civil, saúde, varejo e mineração, escolhidas com base em análise fundamentalista que avalia geração de caixa, potencial de crescimento, qualidade da gestão e perspectivas de valorização. O objetivo da estratégia é superar o desempenho do índice Small Cap (SMLL) no médio e longo prazo.
Diferente de estratégias baseadas apenas em tendências de mercado, a carteira do banco prioriza companhias que apresentam modelos de negócios sólidos, capacidade de adaptação a cenários econômicos e perspectivas claras de retorno para o acionista. Mesmo com resultados abaixo do benchmark no curto prazo, a estratégia segue apresentando desempenho superior em janelas mais longas, reforçando a tese de investimento em empresas menores, mas com espaço para crescer mais do que grandes conglomerados.

Composição e alocação por setor

A carteira de junho mantém pesos definidos para cada ativo, com maior concentração em três nomes: Direcional (DIRR3), Iguatemi (IGTI11) e Orizon (ORVR3), cada um com participação de 10% no portfólio. Na sequência, Alupar (ALUP11), C&A Modas (CEAB3), Fleury (FLRY3), Marcopolo (POMO4), Pague Menos (PGMN3) e Sanepar (SAPR11) têm alocação de 9% cada. Por fim, 3tentos (TTEN3) e Aura Minerals (AURA33) completam a lista com 8% de participação cada.
A distribuição setorial reflete a visão do banco sobre quais segmentos têm melhores perspectivas neste momento do ciclo econômico. O setor de energia e saneamento é o mais representado, com três empresas — Alupar, Orizon e Sanepar — totalizando 28% da carteira, seguido por varejo, com C&A Modas e Pague Menos (18%), e construção civil, representada pela Direcional (10%). Saúde, agronegócio, mineração, shopping centers e indústria completam a seleção.
Para cada ação, o Santander também definiu preço-alvo para o final de 2026 e projeção de dividend yield, indicadores que ajudam o investidor a estimar retorno total. O destaque de valorização esperada fica por conta da C&A Modas (CEAB3), que pode saltar de R$ 11,39 para R$ 24,50 — alta de 115% — enquanto a Pague Menos (PGMN3) tem potencial de alta de 88%, saindo de R$ 4,25 para R$ 8,00. Do lado da renda variável, Marcopolo (POMO4) lidera com projeção de retorno em dividendos de 7,23% no ano, seguida por Pague Menos (6,67%), Fleury (6,01%) e Direcional (6,00%).
Confira a lista completa com dados de 29 de maio de 2026:
Empresa Código Setor Peso Preço Atual (R$) Preço-Alvo (R$) Dividend Yield 2026
3tentos TTEN3 Agronegócio 8% 15,51 20,00 2,15%
Alupar ALUP11 Energia & Saneamento 9% 32,46 41,75 4,52%
Aura Minerals AURA33 Mineração 8% 128,95 140,00 2,05%
C&A Modas CEAB3 Varejo 9% 11,39 24,50 4,61%
Direcional DIRR3 Construção Civil 10% 13,34 22,00 6,00%
Fleury FLRY3 Saúde 9% 15,39 18,50 6,01%
Iguatemi IGTI11 Shopping Centers 10% 25,89 40,70 2,81%
Marcopolo POMO4 Industrial 9% 6,12 10,50 7,23%
Orizon ORVR3 Energia & Saneamento 10% 78,28 87,94 1,02%
Pague Menos PGMN3 Varejo 9% 4,25 8,00 6,67%
Sanepar SAPR11 Energia & Saneamento 9% 37,94 50,88 5,39%

Desempenho: curto prazo fraco, mas longo prazo positivo

Em maio, a carteira recomendada registrou queda de 4,41%, desempenho abaixo do índice SMLL, que recuou 3,45% no mesmo período. O resultado negativo foi puxado por movimentos de mercado que afetaram especialmente ações de setores ligados à renda variável e à atividade econômica, mas houve um destaque positivo: a construtora Direcional (DIRR3), que avançou 5,35% e se mostrou resiliente mesmo em cenário de queda generalizada.
No acumulado do ano de 2026, a carteira tem variação negativa de 1,26%, enquanto o índice de referência caiu 0,81%. A diferença pequena mostra que, mesmo com desempenho ligeiramente inferior, a estratégia segue próxima do benchmark. Já em janelas mais longas, a vantagem fica clara: em 12 meses, a carteira sobe 10,94% contra alta de 3,04% do SMLL. Em dois anos, o retorno chega a 20,17%, ante 12,09% do índice — diferença de mais de 8 pontos percentuais que confirma a tese de que a seleção de ativos de qualidade gera valor ao longo do tempo.
O desempenho histórico reforça a explicação do banco: small caps são ativos que podem ter maior volatilidade no curto prazo, mas apresentam maior potencial de crescimento quando bem escolhidos. Isso porque, por serem menores, essas empresas têm mais espaço para ganhar participação de mercado, expandir operações e aumentar lucros em ritmo mais acelerado do que grandes empresas já consolidadas.

Por que investir em small caps agora?

Para o Santander, o momento atual é favorável para o segmento por dois motivos principais: ajuste de preços e perspectivas de queda de juros. Muitas ações de pequenas e médias empresas passaram por desvalorizações nos últimos anos em função de juros altos, o que criou oportunidades de entrada com preços mais atrativos. Com a expectativa de redução da taxa Selic ao longo de 2026, empresas que dependem de crédito ou que têm receita ligada ao consumo devem se beneficiar, impulsionando resultados.
Além disso, a diversificação setorial da carteira ajuda a reduzir riscos. Enquanto alguns segmentos podem sofrer com variações econômicas, outros se mantêm estáveis ou crescem. A presença de empresas de setores essenciais, como saneamento e saúde, ao lado de negócios mais ligados à atividade econômica, como varejo e construção, cria um equilíbrio que protege o portfólio em cenários de incerteza.
É importante lembrar que, por terem menor liquidez em comparação com ações de grandes empresas, as small caps podem apresentar maior oscilação de preço e menor volume de negociação. Por isso, a recomendação é que esse tipo de investimento seja feito com horizonte de médio e longo prazo, e que corresponda a uma parcela adequada do portfólio total do investidor, conforme seu perfil de risco.

O que esperar para os próximos meses

A manutenção da carteira sem alterações em relação a maio mostra confiança da equipe de análise nas teses de investimento já definidas. O banco segue monitorando indicadores econômicos, resultados trimestrais e mudanças no cenário regulatório para eventuais ajustes, mas avalia que as empresas selecionadas têm fundamentos sólidos para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades.
Para os investidores que seguem a recomendação, os próximos meses devem trazer definições importantes sobre o ciclo de juros e sobre o desempenho de setores como varejo e construção, que têm peso relevante na carteira. A divulgação de balanços do segundo trimestre também será acompanhada de perto, pois deve confirmar se as projeções de crescimento e geração de caixa estão se cumprindo.
Com potencial de valorização que chega a mais de 100% em alguns casos e rendimentos de dividendos acima da média do mercado, a carteira de small caps do Santander segue como uma das principais referências para quem busca retorno acima da média no mercado de ações brasileiro.
Tags: açõesB3Bolsa de valorescarteira recomendadaIbovespainvestimentosmercadospreço-alvo.renda variável.Santandersmall capsSMLL

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